É inútil lutar contra Deus.
2Na verdade eu sei que é assim:pois como pode um homem ter razão diante de Deus?
3Se alguém quisesse discutir com ele,não poderia responder-lhe uma vez entre mil.
4Ele é sábio de coração e forte em poder;quem o desafiou e saiu ileso?
5Ele remove as montanhas sem que elas o percebam,e em sua ira as desmorona.
6Sacode a terra de seu lugare suas colunas estremecem.
7A um seu comando, o sol não se levanta,e nas estrelas põe um selo.
8Ele sozinho estende os céuse caminha sobre as ondas do mar.
9Criou a Ursa e o Órion,as Plêiades e as constelações do Sul.
10Faz coisas grandes e insondáveise maravilhas sem número.
11Passa perto de mim e não o vejo,ele se afasta e não o percebo.
12Se retira alguma coisa, quem o pode impedir?Quem ousa dizer-lhe: “Que estais fazendo?
13Deus não retira sua cólera:debaixo dele se curvam os aliados de Raab.
14Como, pois, posso eu responder-lhe,escolher palavras para replicar-lhe?
15Ainda que eu tivesse razão, não posso responder-lhe,a meu juiz pediria clemência.
16E se a meu apelo respondesse,eu não acreditaria que tivesse escutado minha voz.
17Com uma tempestade ele me esmaga,multiplica minhas chagas sem razão.
18Não me deixa retomar o fôlego,mas sacia-me de amarguras.
19Se é questão de força, é ele o poderoso;se de justiça, quem pode convocá-lo?
20Se eu tivesse razão, minha boca me condenaria;se fosse inocente, ele provaria que sou culpado.
22Para mim é tudo a mesma coisa; por isso eu digo:“Ele extermina o inocente e o culpado”.
23Se um flagelo mata de improviso,ele se ri da dor dos inocentes.
24A terra é deixada à mercê do mau:ele cobre o rosto de seus juízes;se não é ele, quem pode ser?
25Meus dias passam mais velozes que um corredor,fogem sem ter visto a felicidade.
26Passam como barcos de junco,como águia que se lança sobre a presa.
27Se digo: “Quero esquecer meu gemido,deixar esse meu ar triste e ser alegre”,
28todas as minhas dores me apavoram;pois bem sei que não me tereis por inocente.
29Se sou culpado,por que cansar-me em vão?
30Ainda que me lavasse com a nevee limpasse com soda minhas mãos,
31então me afundaríeis na lamae minhas próprias roupas teriam nojo de mim.
32Porque ele não é um ser humano como eua quem eu possa responder:“Compareçamos juntos em juízo”.
33Não há entre nós um árbitroque ponha a mão sobre nós dois
34para afastar de mim sua varade modo que seu terror não me amedronte.
35Então poderei falar sem temê-lo,porque a meu ver não sou assim.
Bíblia de Aparecida · Editora Santuário · texto 2.0.2