Jó maldiz o dia de seu nascimento.
3Pereça o dia em que nascie a noite em que se disse: “Foi concebido um homem!”
4Aquele dia seja trevas,não cuide dele Deus lá do alto,nem brilhe sobre ele a luz.
5Apoderem-se dele as trevas e a sombra da morte,uma nuvem se estenda sobre elee a escuridão do dia o apavore!
6O escuro domine aquela noite,não seja ela contada entre os dias do ano,nem entre na conta dos meses.
7Aquela noite seja estérile nela não entre o som do júbilo;
8Que lhe lancem maldições os que amaldiçoam o dia,os que sabem evocar Leviatã.
9Escureçam as estrelas de sua aurora;que espere a luz e não venha;não veja abrir-se os olhos da alvorada,
10porque não fechou a porta do ventre de minha mãe,e não escondeu de meus olhos a miséria!
11Por que não morri ao nascere não pereci logo que saí do ventre?
12Por que dois joelhos me acolherame dois seios me amamentaram?
13Sim, agora eu repousaria tranquilo,dormiria e teria descanso
14com os reis e os conselheiros da terra,que para si construíram mausoléus;
15ou com os príncipes, que têm ouroe enchem de prata suas casas.
16Ou, como aborto oculto, eu não existiria,como os fetos que não viram a luz.
17Lá embaixo os maus param de atormentare repousa quem se cansou.
18Os prisioneiros descansam juntos,não ouvem mais a voz do opressor.
19Lá estão o pequeno e o grande,e o escravo está livre de seu patrão.
20Para que dar luz a um infelize vida a quem tem amargura no coração,
21àqueles que esperam a morte e ela não vem,e a procuram mais que a um tesouro,
22que se alegram exultantese rejubilam ao encontrar a sepultura...
23a um homem, cujo caminho é ocultoe a quem Deus de todo lado cercou?
24Em lugar da comida tenho meu gemido,e meus clamores se derramam como água,
25porque o que eu temo me acontecee o que me espanta me atinge.
26Não tenho paz, não tenho descanso,não tenho repouso, me assalta o tormento!
Bíblia de Aparecida · Editora Santuário · texto 2.0.2