O sofrimento revela a fraqueza humana.
2Se possível fosse pesar minha aflição,e pôr na balança todos os meus males,
3pesariam certamente mais que a areia do mar;por isso minhas palavras não têm nexo.
4Porque as flechas do Onipotente estão cravadas em mim,e meu espírito bebe seu veneno,e terrores imensos se juntam contra mim.
5Zurra talvez o asno quando tem capim?O boi berra diante de seu feno?
6Come-se sem sal comida insípida?Ou que gosto há no suco de malva?
7O que eu recusava tocaré minha comida de doente.
8Oh! Se me acontecesse o que desejo,e Deus me concedesse o que espero!
9Quem dera que Deus me esmagasse,soltasse a mão e me aniquilasse!
10Seria para mim um conforto:eu me alegraria nas dores que ele não me poupa,por não ter renegado os decretos do Santo.
11Qual é minha força, para poder resistir,ou qual meu fim, para prolongar minha vida?
12Minha força é a força das pedras?Minha carne é talvez de bronze?
13Terei como apoio o nada?Todo socorro me é negado?
14Quem deixa de compadecer-se do aflitoabandonou o temor do Onipotente.
15Meus irmãos me traíram como uma torrente,como as águas de torrentes que passam,
16que se turvam com o degeloe nas quais se dissolve a neve,
17mas no verão desapareceme no calor somem de seus leitos.
18As caravanas se desviam de suas pistas,adentram o deserto e ali se perdem.
19As caravanas de Temã as procuram,os viajantes de Sabá contam com elas.
20Mas ficam desiludidos por terem confiado,chegando lá, ficam confusos.
21Assim sois para mim agora:vedes meus males e o medo vos assalta.
22Por acaso eu vos disse: “Dai-me alguma coisa”,ou “tomai de vossos bens um presente para mim”,
23ou “livrai-me das mãos do inimigo”,ou “do poder dos violentos resgatai-me”?
24Instruí-me e então me calarei,fazei-me conhecer em que errei.
25Que têm de ofensivo as palavras justas?Mas o que provam vossos argumentos?
26Pensais talvez em criticar palavrase o que um desesperado falou ao vento?
27Seríeis capazes de leiloar um órfãoe de pôr à venda vosso amigo.
28Agora, pois, prestai-me atenção,porque diante de vós não mentirei.
29Retratai-vos: não sejais injustos!Retratai-vos: é minha justiça que está em jogo!
30Há iniquidade em minha língua?Ou meu paladar não distingue mais o infortúnio?
Bíblia de Aparecida · Editora Santuário · texto 2.0.2