São Geraldo refere-se à bela vontade de Deus, como sendo este caminho seguro, que nos distancia do desejo de realizar somente aquilo que acreditamos nos agradar
Uma característica muito marcante na vida de São Geraldo, é o seu desejo de sempre e em tudo realizar a vontade divina. Por isso mesmo, escreve e fixa na porta de seu quarto a célebre e conhecida frase:
“Qui si sta facendo la volontà di Dio. Come vuole Dio e per quanto piace Dio”.
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Assim, escreve Geraldo em seu Regulamento de vida: “Alguns se preocupam em fazer isto ou aquilo; eu, porém, só tenho a preocupação de fazer a vontade de Deus”.
Por isso, São Geraldo se encantava, ao ponto de quase entrar em êxtase quando entoava o canto composto por Santo Afonso que diz assim:
“Agradar-te é meu desejo, não fazendo o que almejo; o que quer tua bondade, isso eu quero, meu Senhor!
Ó, Vontade sacrossanta, como és digna de louvor!
A ti, pois, Senhor amado, alma e vida hei consagrado; ó Jesus, serás tu sempre meu supremo, eterno amor!
Ó, Vontade sacrossanta, como és digna de louvor!”
Realizar a vontade de Deus é algo que perpassa profundamente o coração de todos aqueles que se fazem discípulos de Jesus, pois, como Ele próprio afirma que veio a este mundo para realizar a vontade daquele que o enviou (cf. Jo 6,38-40).
Os verdadeiros discípulos que Cristo, são reconhecidos entre aqueles que ouvem a Palavra do Pai e a colocam em prática, isto é, realizam a sua vontade (cf. Mt 12,46-50).
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Em nossos dias, onde se fala muito em liberdade, a realidade da obediência pode se tornar algo estranho, ou até mesmo, incompreensível.
Pois, pelo voto de obediência, depositamos nossa consciência e possibilidades de escolhas nas mãos de nossos superiores. No entanto, nosso Santo Irmão, nos ajuda a compreender que acolher a Vontade de Deus em nossa vida e buscar realizá-la com solicitude, nos abre para novos horizontes, onde nos encontramos com possibilidade de realizações que estão além de nossa própria compreensão.
São Geraldo refere-se a bela vontade de Deus, como sendo este caminho seguro, que nos distancia do pecado, isto é, do desejo de realizar tão somente aquilo que acreditamos nos agradar. Porém, é preciso compreender que:
Não se trata de simples obediência de atos por lei, identificada com o querer concreto de Deus. É mais que obediência ascética: trata-se de transformação da fonte dos atos, isto é, da pessoa. Como no paraíso, onde não há mais necessidade de obediência ascética, para nós é necessária aqui na terra, mas só obediência ou uniformidade mística das pessoas transformadas pela contemplação beatífica. E a verdadeira mística aqui na terra é já princípio da vida no céu por união sacramental com Cristo ressuscitado operado pelo Espírito Santo.
Compreende-se, assim, que a obediência de Geraldo é fruto de uma profunda e salutar intimidade com Deus, que o leva a contemplar e acolher a todos aqueles que buscam viver na intimidade com o Senhor. São Geraldo nos revela, assim, uma eclesiologia da obediência, isto é:
A comunhão numa única Igreja dos bem-aventurados no céu e dos fiéis na terra: obediência da visão beatífica no céu, obediência da fé-caridade-esperança mística pelo Espírito Santo que unifica em Cristo na terra. E isto explica como em Geraldo a contemplação tornava-se ação, a mística se exprimia em ascética sem necessidade de esquemas exteriores, mas por espontaneidade e liberdade própria dos filhos de Deus.
São Geraldo nos ensina que, realizar a vontade de Deus não é fruto de um esforço sobre-humano, mas é algo que nasce espontaneamente quando nos deixamos conduzir pelo Senhor. A expressão máxima da realização da vontade de Deus encontra-se no serviço, livre e desinteressado, aos irmãos e irmãs.
Para reflexão pessoal:
- Como tenho acolhido a Vontade de Deus em minha vida?
- Tenho buscado agradar a mim? Aos outros? Ou a Deus?
- Estou disposto a viver a liberdade da obediência em minha vida?
Pe. Pedro Paulo Dal Bó, C.Ss.R.
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