Para tomar essa decisão, o ainda príncipe ouviu orientações do Frei Francisco Sampaio, que escreveu o manifesto do “Dia do Fico” em 9 de janeiro de 1822
Há exatos 202 anos, o então príncipe Pedro I disse, do Paço Imperial no Rio de Janeiro (RJ), a frase que entrou para a história do Brasil: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”.
1822 foi um ano importante para nosso território, principalmente pelas atitudes de Dom Pedro I e um Frei foi decisivo para que houvesse o conhecido “Dia do Fico”, quando o príncipe regente decidiu permanecer no país.
Um dos períodos mais agitados deste pedaço importante de nossa história foi entre dezembro de 1821 a janeiro de 1822.
O príncipe se recusou a cumprir a exigência das cortes de Lisboa que determinavam seu retorno a Portugal, o que anularia quase todas as leis que haviam igualado, nos anos anteriores, o Brasil a Portugal e equivalendo, portanto, a uma redução ao status colonial.
Frei Francisco Sampaio, à época formado em Direito Público e Ciências Políticas, fazia parte de um grupo que era a favor da independência do país, visto que após a saída de Dom João VI para Portugal, a Corte tinha o desejo de reduzir o Brasil novamente a colônia.
“Ele fez toda essa argumentação com que Dom Pedro ficasse no Brasil e se tornasse independente do país. Essa influência de Frei Sampaio no campo político, se dá uma vez que este frade, considerado na sua época o homem mais intelectual da cidade do Rio de Janeiro e a sua intelectualidade, o seu conhecimento, é fruto dessa relação que ele tem com os franciscanos”, disse o Frei Róger Brunório, museólogo e coordenador do Departamento dos Bens Culturais da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.
O grupo se reunia no Convento de Santo Antônio do Rio de Janeiro, mais precisamente na cela do Frei Sampaio, de 1821 a 1822, onde decisões importantes sobre o rompimento com o Reino de Portugal eram tomadas. O próprio Dom Pedro sempre estava reunido com este grupo e se aproximou de Frei Sampaio, até que os dois se tornaram amigos e confidentes.
O futuro imperador estava em dúvida em qual decisão a tomar após a exigência da Corte portuguesa. Assim, os articuladores da independência resolveram apresentar um manifesto ao príncipe, recolhendo o maior número possível de assinaturas no dia 9 de janeiro de 1822, como apoio popular à sua permanência.
“O Frei Sampaio é o homem que redigiu o manifesto do Dia do Fico, que seja talvez o início efetivo da Independência do Brasil”, disse o jornalista Laurentino Gomes.
Disputam os historiadores sobre qual dos dois manifestos convenceu Dom Pedro a ficar: se o de Frei Sampaio ou o dos paulistas redigido por José Bonifácio. Pois também os paulistas, sabedores do desejo do príncipe, haviam preparado seu documento, redigido pelo Patriarca da Independência.
Mas com certeza a atitude deste franciscano em abrigar o grupo dos conspiradores em seu quarto no convento, ser o mentor intelectual do grupo, redigir o texto do manifesto a ser divulgado entre o povo e depois apresentado ao príncipe.
A seguir você assiste ao trecho do documentário do portal A12 “A Igreja nos 200 anos de Independência” sobre este importante momento em nossa história.