Quem organizou o calendário como nós temos hoje em dia?

Descubra também porque temos os anos bissextos a cada quatro anos.
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Missionário redentorista explica como foi criado o calendário que usamos atualmente, com meses, semanas e dias.

Antes da fundação da cidade de Roma, a região onde ela está localizada, sobre sete colinas, era ocupada por algumas tribos latinas, que dividiam o ano em períodos, nomeados de acordo com seus deuses.

A chegada dos romanos provocou uma mudança nessa estrutura. No princípio dessa importante e poderosa civilização, o ano era organizado em dez meses, começando sempre pelo mês chamado de Martius, nosso março atual. Os outros dois meses que completaram os doze atuais foram acrescentados por Numa Pompílio, o segundo rei de Roma, que governou por volta de 700 a.C.

Importante saber que os romanos não davam nomes apenas para os meses, mas também para alguns dias especiais. O primeiro dia de cada mês se chamava Calendae, no latim, significando “dia de pagar as contas”. Vem daí a palavra calendário. Além disso, havia outros dias especiais: um era chamado de Idus, marcando o meio do mês. O outro chamava-se Nonae, correspondendo ao nono dia antes de Idus. Ainda hoje nós nos referimos ao passado como “os tempos idos”, originários deste nome.

João Pedro Oliveira - A12
João Pedro Oliveira – A12

Mas essa era apenas uma das confusões do calendário romano, pois até o imperador Júlio César (+46 a.C.) reformar o calendário, os meses eram sincronizados com o movimento da lua, como hoje ainda acontece nos países muçulmanos, mas as festas relacionadas aos deuses eram designadas pelas estações.

E havia ainda um descompasso de dez dias por ano. A confusão era solucionada com a inclusão de um décimo terceiro mês a cada três anos. Esse mês era chamado de Intercalaris, que deu origem à atual palavra intercalado. Com a ajuda de matemáticos vindos do Egito, Júlio César acabou com essa bagunça, estabelecendo os seguintes meses no calendário, que não era mais lunar, mas agora organizado pelo sol: Januarius, Februarius, Martius, Aprilis, Maius, Junius, Quinctilis, Sextilis, September, October, November e December.

Ai, já chegando bem perto que do que temos hoje, com as diferenças de Quinctilis e Sextilis, que deram origem aos meses de julho e agosto. Ao adotar o calendário solar, em 44 a.C., Júlio César criou o ano de 365 dias e um quarto.

Por causa dessa diferença, a cada quatro anos era necessário atualizar as horas acumuladas com um dia extra. O problema do então chamado calendário juliano é que, na verdade, um ano tem 11 minutos e 14 segundos a menos do que se estimava.

Para resolver de vez a questão, em 1582, o papa Gregório XIII (+1585), usando da força e do prestígio da Igreja, anulou dez dias do calendário e determinou que os anos que terminassem em 00 só seriam bissextos os divisíveis por 400.

E também o nome “bissexto” tem uma explicação curiosa: em Roma, celebrava-se o dia extra no sexto dia de março, que era contado duas vezes. É por isso também que, a cada quatro anos, o mês de fevereiro tem 29 dias, para compensar a somas dessas horas a mais.


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