Sínodo discute uma visão menos estática da fé

Segundo discussões encabeçadas pela irmã beneditina Maria Inázia Angelini,
Imagem sinodo dos bispos do artigo Sínodo discute uma visão menos estática da fé

Os pensamentos a respeito de uma Igreja Sinodal, que precisa estar conectada a um lugar específico, com sua cultura e realidade para cumprir sua missão, foram abordados durante a Segunda Sessão da Assembleia Sinodal sobre a Sinodalidade, destacada pela irmã beneditina Maria Inázia Angelini.

Em sua reflexão, antes do início das discussões sobre o “Módulo dos Lugares”, Irmã Angelini relembrou como os primeiros cristãos eram “estrangeiros residentes” e destacou que o Evangelho, ao caminhar pelo mundo, precisa estar sempre em movimento, sem se fixar totalmente em culturas ou épocas específicas.

Segundo ela, a mensagem de Cristo se adapta a cada realidade, mas, ao mesmo tempo, vai além delas, conduzida pelo Espírito Santo.

Ela ressaltou que os primeiros cristãos, protegidos pela fé em Cristo, evitavam se prender a culturas rígidas ou idólatras. A Igreja, seguindo esse exemplo, precisa estar presente em todos os lugares da humanidade, mas sempre atenta para não perder sua identidade, sendo fiel à sua missão sem se moldar completamente aos costumes locais. “As proporções da cruz de Jesus os protegem imediatamente de se enredarem em culturas sedentárias e idólatras, em sabedorias achatadas sobre a dinâmica da autossalvação”.

A irmã exemplificou sua fala a respeito dos banquetes descritos na Bíblia, onde Jesus se encontrava com pessoas de diferentes origens. Ela explicou que Jesus via esses encontros à mesa como momentos importantes de verdade e de diálogo.

“Jesus ama os banquetes, porque para Ele, a mesa humana é um lugar de encontro no caminho e um lugar arriscado de verdade. A mesa é um lugar do humano onde o ser itinerante encontra uma parada necessária; onde os relacionamentos têm suas raízes; um lugar altamente simbólico onde a fome é desnudada e compartilhada de baixo para cima, mas também um lugar onde as hipocrisias ocultas são expostas”.

Angelini destacou que, hoje, a Igreja Sinodal precisa redescobrir esses “lugares” de encontro, onde é possível compartilhar a fome e a esperança da humanidade, buscando sempre a fraternidade e a autenticidade. Nessa perspectiva, refletiu sobre “as relações que se estabelecem entre lugares e culturas”, o que leva a abordar a comunhão, os vários âmbitos de relacionamento entre igrejas, a troca de dons e dentro das igrejas locais, explicitando elementos presentes no Instrumentum Laboris.

O cardeal Jean-Claude Hollerich também reforçou essa ideia, lembrando que a Igreja só pode ser compreendida quando está fixada em um lugar e cultura. Para ele, é importante refletir sobre como as relações entre diferentes igrejas e culturas podem fortalecer a comunhão e a troca de dons. Para que isso não permaneça um privilégio dos participantes, ele convidou a cada um “se perguntar quais são os caminhos, as formas, também organizacionais e institucionais, para que a riqueza da experiência que vivemos aqui, neste lugar, possa ser acessível a todo o Povo de Deus, e não apenas através de nossa história, mas também através da renovação de nossas Igrejas”.

Sínodo é uma Igreja em busca de comunhão e participação

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