Informações diretas a respeito deste santo nos dão apenas os Evangelhos sinóticos, e neles não está incluído o seu verdadeiro nome. O certo, portanto, é que foi um dos dois outros crucificados com Jesus. O relato a seu respeito é suficientemente sucinto para ser reproduzido: inicialmente, como o outro condenado, insulta Jesus (Mt 27,44; Mc 15,32); depois, certamente pela graça de Deus e talvez por observar o comportamento de Cristo, partilhando da Sua situação, muda de atitude: “Um dos malfeitores crucificados O insultava: ‘Não és Tu o Cristo? Salva-Te, então, a Ti mesmo, e a nós também!’ Mas o outro o repreendia: ‘Tu, que sofres a mesma pena, não temes a Deus? Para nós, o castigo é justo: pagamos nossos crimes. Mas Este não fez nenhum mal!’ E continuou: ‘Jesus, lembra-Te de mim quando entrares no Teu reino!’ Jesus lhe respondeu: ‘Eu te asseguro: hoje mesmo estarás Comigo no Paraíso!’” (Lc 23,39-43).
A Tradição nos lega o seu nome como Dimas, “o bom ladrão” por causa do seu arrependimento, e o do “mau ladrão”, Simas, que até o fim insulta Jesus. (“Dismas” aparece no século IV, no Evangelho apócrifo de Nicodemos, ou Atos de Pilatos). Também, pela Tradição, conta-se que, durante a fuga da Sagrada Família para o Egito, ela teria sido atacada por ladrões, mas defendida por um outro – Dimas, egípcio e não judeu –, honrando um código de conduta de bandidos segundo o qual eles sempre poupariam crianças, mulheres e idosos.
Este seria, assim, o motivo da graça do seu arrependimento de última hora, mas há também outras histórias sobre a sua vida para esta justificativa. Estes dados contudo não podem ser considerados absolutamente seguros, e não são necessariamente dignos de aceitação. Quanto ao nome (assim como por exemplo os dos pais de Nossa Senhora, Joaquim e Ana, também oriundos de escritos apócrifos), tem muito menor importância, e não há mal em que a Igreja o adote.
Dimas com certeza vivera praticando crimes graves, pois a morte de cruz era reservada principalmente aos piores criminosos e escravos, e ele mesmo admite a sua culpa e reconhece a justiça da punição; é inclusive provável que a colocação de Jesus entre dois tão reconhecidos e execrados malfeitores fosse um adendo ao escárnio que quiseram infligir ao Senhor. Faleceu depois de Jesus (cf. Jo 19,31-33), na mesma tarde, e pela promessa do Cristo (Lc 23,43) sabemos com segurança que foi diretamente para o Céu.
São Dimas é o protetor das casas contra roubos, e padroeiro dos prisioneiros, dos condenados, dos arrependidos de última hora, dos agonizantes, e da boa morte. A Igreja comemora sua festa a 25 de março pois é a data tida como o dia da crucificação do Senhor.