Deprecated: preg_replace(): Passing null to parameter #3 ($subject) of type array|string is deprecated in /var/www/html/wp-includes/kses.php on line 1939

29ª Romaria das Comunidades Negras celebra a esperança

Em missa no Altar Central, na Solenidade de Todos os Santos, Dom Antônio Carlos Cruz Santos exorta que “santidade é lutar contra toda forma de escravidão"
Imagem romeira entra com nossa senhora aparecida na procissao de entrada na 29 romaria das comunidades negras em 2025 do artigo 29ª Romaria das Comunidades Negras celebra a esperança

Em missa no Altar Central, na Solenidade de Todos os Santos, Dom Antônio Carlos Cruz Santos exortou que “santidade é lutar contra toda forma de escravidão”

O Santuário Nacional acolheu neste sábado, 1º de novembro, a 29ª Romaria das Comunidades Negras, organizada pela Pastoral Afro-Brasileira, na Missa em que foi celebrada a Solenidade de Todos os Santos.

O tema deste ano,Mãe Negra Aparecida, a esperança que não decepciona”, reuniu romeiros de diversas regiões do Brasil para um encontro marcado por fé, cultura e compromisso com a dignidade da vida.

Em entrevista exclusiva ao A12, o Bispo de Petrolina (PE), Dom Antônio Carlos Cruz Santos, presidiu a celebração e falou sobre sua primeira participação na romaria:

“É uma alegria poder vir, mas também uma responsabilidade. Faço parte do grupo de Padres e Bispos negros e, neste ano, consegui conciliar a agenda para celebrar com meus irmãos. Estar aqui é um sinal de comunhão e gratidão”, afirmou o bispo.

Dom Antônio também destacou a história da Pastoral Afro-Brasileira, que nasceu na década de 1980, inspirada pelo centenário da abolição da escravidão e pela sensibilidade da Igreja às diversas culturas.

“Nossa Senhora Aparecida é um sinal de Deus que se manifesta no rosto dos simples, dos sofredores. A imagem negra da Mãe nos interpela a olhar o rosto de Deus nos que mais sofrem.

Ao A12, Vera Lopes, coordenadora estadual da Pastoral Afro-Brasileira no Regional Sul e articuladora nacional, contou que a Romaria marca no Santuário Nacional o início do mês da consciência negra com um forte sentido espiritual e comunitário.

“Abrir o mês de novembro com essa Romaria é reviver toda a luta antirracista. É um espaço de encontro, abraço e fé. Quem vive essa experiência sabe o quanto ela alimenta a alma. Com a Mãe Aparecida, tudo ganha sabor de felicidade”, disse Vera.

A celebração no Altar Central

A Missa foi presidida por Dom Antônio Carlos Cruz Santos e concelebrada por Dom Eduardo Vieira, Bispo diocesano de Ourinhos (SP), Pe. Carlos Vítor Pinheiro da Cruz, C.Ss.R., Pe. Guanair Santos, Arquidiocese de Juiz de Fora (MG) e representante do Instituto Mariama, associação de Bispos, Presbíteros e Diáconos negros do Brasil, Pe. José Ennes, da Arquidiocese de São Paulo e secretário da Pastoral Afro-Brasileira, demais padres das arquidioceses de Niterói (RJ), Rio de Janeiro (RJ), Limeira (SP), Feira de Santana (BA) e fiéis presentes.

Durante a homilia, Dom Antônio destacou a conexão entre a Solenidade de Todos os Santos e a espiritualidade negra.

“Somos convidados a reconhecer os santos do cotidiano, aqueles que vivem perto de nós e refletem a presença de Deus. Na resistência do povo negro, o Espírito de Deus sempre se manifestou.”

O Bispo relacionou a luta por dignidade com o chamado à santidade:

“Santidade é lutar contra toda forma de escravidão, porque foi pela liberdade que Cristo nos libertou. Crescer na consciência negra é crescer também na santidade.”

Ao refletir sobre o Evangelho das Bem-aventuranças (Mt 5,1-12a), Dom Antônio recordou que o amor deve ser o centro da vida cristã.

O amor é inegociável. Não podemos enfrentar o mal com o mal, o ódio com o ódio. Somos chamados à não-violência ativa, à força transformadora do amor.

Em um momento marcante, o Bispo recordou as tragédias recentes no Rio de Janeiro, unindo a dor do povo à missão da Igreja.

“A história dos pobres se confunde com a dos negros. A morte de qualquer ser humano nos diminui, porque somos todos irmãos no Senhor. A fraternidade é inegociável.”

Dom Antônio concluiu a homilia lembrando a presença de Maria nas manifestações do continente:

“Nossa Senhora apareceu com o rosto dos povos oprimidos. Em Guadalupe, com traços indígenas; em Aparecida, com o rosto negro da esperança. Ela nos ensina a olhar para os pobres e reconhecer neles o rosto de Cristo.”

A celebração, que contou com cânticos e danças que expressaram a alegria do povo negro, mostrou em cada gesto, o testemunho de quem acredita que a fé é força de resistência e que, como pede o Jubileu 2025: “a esperança, como Maria, nunca decepciona.”

Como exercício deste mês de novembro, a pedido de Dom Antônio, reze a “Oração a Mariama”, escrita por Dom Helder Câmara para a missa dos quilombos, em 1981.

Reveja a celebração das 12h da 29ª Romaria das Comunidades Negras:

WhatsApp
Telegram
Facebook
X
LinkedIn

Leia Também