REDENTORISTAS
Santos e Beatos Redentoristas
A Congregação do Santíssimo Redentor tem 56 santos, beatos, veneráveis e servos de Deus. Em ordem alfabética, a história e a missão de cada um.
Em ordem alfabética
Santo Afonso Maria de Ligório
Reprodução
*27 de setembro de 1696 + 01 de agosto de 1787
Santo Afonso Maria de Ligório nasceu em Marianella, perto de Nápoles, a 27 de setembro de 1696. Era o primogênito de uma família bastante numerosa, pertencente à nobreza napolitana. Recebeu uma esmerada educação em ciências humanas, línguas clássicas e modernas, pintura e música. O jovem Afonso recebeu a formação completa para ser um cidadão da classe nobre. Era um jovem normal da sociedade napolitana.
Sua formação humana e espiritual foi esmerada. Sua mãe e seu pai lhe ensinaram um profundo amor a Jesus Cristo visto como o Menino de Belém, o Crucificado, o Jesus da Eucaristia, e Maria. Afonso aprendeu a buscar a perfeição humana e espiritual. Procurava viver na graça de Deus e não pecar. Desde pequeno participa da vida de comunidade, pertencendo a diversos grupos pastorais para convivência, crescimento espiritual e comprometimento com os necessitados. Eram as confrarias.
10 curiosidades da vida de Santo Afonso
Pode preparar-se muito bem em sua formação humana. Ele seria o herdeiro. Em seu conhecimento musical comporá músicas que até hoje são cantadas na Itália. Entre elas o Dueto da Paixão, como também o cântico de Natal mais popular da Itália, “Tu Scendi dalle Stelle” (Eis que lá das Estrelas) e numerosos outros hinos. O pai foi exigente em estudos. Aos 12 anos entra para a faculdade de direito onde se forma com 16 anos. Terminou os estudos universitários alcançando o doutorado nos direitos civil e canônico e começou a exercer a profissão de advogado.
Ouça o canto de Natal mais famoso da Itália, composto por Santo Afonso
Decisão vocacional
Teve grande sucesso em seu desenvolvimento profissional. Vivia sua vida cristã intensa, com sua família e no grupos espirituais em que participava. Mas faltava, como ele diz, a conversão. Esta ocorreu na Semana Santa de 1722. Em 1723, depois de um longo processo de discernimento, abandonou a carreira jurídica, definiu-se pelo Evangelho e, não obstante a forte oposição do pai, começou os estudos eclesiásticos. Foi o primeiro passo de sua caminhada.
O juramento de Santo Afonso para a Imaculada após deixar os tribunais
Foi ordenado sacerdote a 21 de dezembro de 1726, aos 30 anos. Seu sacerdócio foi o segundo passo para a definição de sua vida. Chamamos de êxodo. Seu sacerdócio é para o serviço da pregação e do atendimento as pessoas na confissão e orientação dos fiéis. Viveu seus primeiros anos de sacerdócio procurando atender os marginalizados de Nápoles. Fundou as “Capelas da Tarde”, que eram centros dirigidos pelos próprios leigos para a oração, proclamação da Palavra de Deus, atividades sociais, educação e vida comunitária. Na época da sua morte, havia 72 dessas capelas com mais de 10 mil participantes ativos. Este foi o terceiro passo de sua caminhada espiritual. Começou a dedicar sua vida em favor dos pobres da cidade.
Em 1729 Afonso deixou a família e passou a residir no Colégio Chinês de Nápoles. Foi aí que começou a sua experiência missionária no interior do Reino de Nápoles, onde ele encontrou gente muito mais pobre e mais abandonada que qualquer menino de rua de Nápoles. Ele fazia parte de uma associação de missionários da cidade de Nápoles. Era o grande pregador. Numa das missões conhece o pobre do campo. Indo fazer férias em um lugarejo, perto de Scala, tomou contato com a situação de abandono humano e espiritual dos pobres do interior.
Scala: experiência fundante de Afonso
Fundação da Congregação Redentorista
Nestas férias conheceu uma irmã do mosteiro de Scala que estava trabalhando na fundação de uma nova congregação de irmãs contemplativas. Ela se chamava Maria Celeste Crostarosa. Estabeleceu-se uma grande amizade que vai durar a vida inteira, tanto é que guardou suas cartas por toda a vida. Ajudou-a na fundação da Ordem do Santíssimo Redentor, no dia 13.05.1731. Ela mesma diz a ele que o “Senhor queria que ele deixasse Nápoles e viesse para Scala para fundar a congregação dos homens para a evangelização”. Afonso, diante da experiência com os pobres, sua experiência pastoral e esta chamada de Deus, deixa Nápoles e vai para Scala “para viver entre os casebres e os currais dos pastores”, como escreve seu primeiro biógrafo. Foi o 4º passo de sua caminhada em seu êxodo em direção aos mais abandonados e por sua resposta ao chamado de Deus.
Pe. Torres.
Scala é o lugar onde Santo Afonso fundou a Congregação Redentorista
Beata Mª Celeste Crostarosa, amiga de Santo Afonso
No dia 9 de novembro de 1732, Afonso fundou a Congregação do Santíssimo Redentor, popularmente conhecida como Redentorista, para seguir o exemplo de Jesus Cristo anunciando a Boa Nova aos pobres e aos mais abandonados. Daí em diante, dedicou-se inteiramente a esta nova missão. Não estava sozinho. Os primeiros companheiros, animados, não chegaram a um acordo e o deixaram só. Depois, lentamente vieram outros com grande força apostólica e muita santidade. Entre eles, temos o Beato Sarnelli, S. Geraldo e outros padres jovens animados pelo mesmo ideal de dar a vida pela Copiosa Redenção. Hoje já são 5.500 redentoristas.
CSSR: o que esta sigla significa?
Uma vida dedicada à evangelização
Afonso era um amante da beleza: músico, pintor, poeta e escritor. Colocou toda a sua criatividade artística e literária a serviço da missão e o mesmo ele pediu aos que ingressavam na sua Congregação. Escreveu sobre espiritualidade e teologia 123 obras, que tiveram 21.500 edições e foram traduzidas em 72 línguas, o que comprova que ele é um dos autores mais lidos. Entre suas obras mais conhecidas estão: O Grande Meio da Oração, A Prática de Amar a Jesus Cristo, As Glórias de Maria e Visitas ao Santíssimo Sacramento. A oração, o amor, a comunhão com Cristo e sua experiência imediata das necessidades espirituais dos fiéis fizeram de Afonso um dos grandes mestres da vida interior. Os livros de espiritualidade eram lidos pelo povo, o que ajudou na formação e na piedade não somente dos letrados, como também dos humildes.
Você sabia que Santo Afonso tinha 11 nomes?
A maior contribuição de Afonso para a Igreja foi na área da reflexão teológica moral, com a sua Teologia Moral. Esta obra nasceu da experiência pastoral de Afonso, da sua habilidade em responder às questões práticas apresentadas pelos fiéis e do seu contato com os problemas do dia-a-dia. Combateu o estéril legalismo que estava sufocando a teologia e rejeitou o rigorismo estrito do seu tempo, produto da elite poderosa. Conforme Afonso, estes eram caminhos fechados ao Evangelho porque “tal rigor jamais foi ensinado nem praticado pela Igreja”. Ele sabia como colocar a reflexão teológica a serviço da grandeza e da dignidade da pessoa humana, da consciência moral e da misericórdia evangélica.
Série especial traz ensinamentos de Santo Afonso a partir da Teologia MoralReprodução.
Livro original de Santo Afonso sobre Teologia Moral exposto em Roma.
Sua Congregação, evangelizando através das missões e dos retiros, vivendo entre os mais abandonados, contribuiu muito com a Igreja na renovação das populações. Seu modo simples de viver e de pregar eram de grande agrado para o povo.
Bispo
Afonso foi ordenado bispo de Santa Ágata dos Gôdos em 1762, aos 66 anos. Tentou recusar a nomeação porque se sentia demasiado idoso e doente para cuidar adequadamente da diocese. Foi um bispo diferente: pobre, muito dedicado à renovação dos seus padres, do seminário, das paróquias e do povo. Cuidava dos pobres, chegando a dar salário mensal às mocinhas, para não caírem na prostituição por pobreza. Ele não gastava com luxos na diocese, pois dizia que o dinheiro da diocese é dos pobres, o bispo é o administrador. Em uma crise de falta de alimentos, empenhou a diocese para comprar alimentos para população.
Em 1775, foi-lhe permitido deixar o cargo e ele foi morar na comunidade redentorista de Pagani, onde morreu no dia 1º de agosto de 1787.
Santo Afonso foi canonizado pela Igreja em 26 de maio de 1839 e proclamado Doutor da Igreja em 1871 e Patrono dos Confessores e Moralistas em 1950.
É um santo a ser mais conhecido, pois tem muito a ensinar para a Igreja de hoje. Sobretudo ele convida aos seus seguidores, sacerdotes, irmãos consagrados e leigos a que façam o caminho que ele fez. Sem fazer seu caminho é impossível segui-lo bem.
Santo Afonso: um homem para além de nosso tempo
Reprodução
Santo Afonso se tornou bispo aos 66 anos.
Herança espiritual
O que leva Santo Afonso a ser um grande homem foi seu intenso amor a Jesus Cristo que ele coloca como centro de todo caminho de santidade. Este amor a Jesus Cristo se transforma em amor ao pobre e necessitado, de modo particular de ajuda espiritual. Tudo o que faz é para que o pobre se sinta amado por Deus e que sua misericórdia está ao seu alcance. Abre os tesouros de Deus aos mais simples. Afirma, contrariamente a outros, que todos podem ser santos, cada um na sua condição.
Compreendendo este grande amor de Deus, faz-se cargo de levá-lo a todos através de todos os meios possíveis para uma completa evangelização. Por isso coloca as casas da Congregação em lugares de fácil acesso ao povo abandonado. Seus padres poderiam também ir facilmente ao encontro destas populações. O conhecimento do povo, força-o a aprofundar os ensinamentos do Evangelho e dá-los ao povo de maneira simples, mas profunda. Além do mais, modifica dos modos de ensinar, colocando como base o respeito à consciência de cada um.
De sua herança espiritual colhemos um grande amor aos mistérios onde Jesus manifesta seu amor: Presépio, Cruz, Eucaristia. E Maria, que para ele é aquela que viveu este amor e pode, com sua intercessão nos trazer a misericórdia de Deus. O amor a Jesus Cristo faz dele um continuador seu.
REZE COM SANTO AFONSO
Via Sacra de Santo Afonso
Novena de Natal de Santo Afonso
Leia mais sobre Santo Afonso em A12.com/SantoAfonso
Venerável Alfredo Pampalon
Nasceu no dia 02 de novembro de 1867 em Quebec, no Canadá. Fez a sua primeira profissão religiosa, no dia 08 de setembro de 1887. Curso Filosofia (87-89) e Teologia (89-93) em Beauplateau. Foi ordenado sacerdotes aos 24 anos em 04 de outubro de 1892. No dia 04 de setembro de 1885 retorna ao Canadá. Faleceu aos 30 de setembro de 1896 em sua cidade natal.
No ano de 1906, foi feito o pedido da introdução da causa de beatificação.
“No terceiro milênio, nesta época de retomo ao paganismo, a figura de Alfredo nos ilumina. Ele é uma flor de virtudes que desperta a juventude e leva-a ao ideal da verdadeira vida”. Ele esclarece com seu exemplo os documentos do Concílio sobre a santidade do laicato, do sacerdócio e da vida religiosa. (Pé Geraldo Derochers, cssr biógrafo).
Ligado ao grande Santuário de Santana de Beaupré, onde trabalhara seu pai. Os redentoristas têm cuidam do santuário desde 1878. Eram da província Belga. Vai fazer o noviciado em Saint-Trond, na Bélgica, partindo dia 22 de julho de 1886, com outros 6 colegas, tendo 18 anos e 8 meses. Laja está seu irmão Pedro; redentorista em Beauplateau. O mestre diz deste noviciado: “O grupo de noviços é dos mais turbulentos e difíceis de conduzir”. A formação religiosa conserva, neste tempo, muito rigor. Ela se impregna da influência austera do Venerável Padre Passerat, redentorista. Vigário Geral por longos anos, substituto de S.Clemente, morto em 1858 na Bélgica.
Teve dificuldades nos estudos de filosofia e menos nos estudos de teologia. No dia 11.10.1887, ajuda a primeira missa de seu irmão Pedro. Seu latim feito em escola pública, deixa a desejar. Escreve: “prometo a minha boa mãe Mana, tomar-me santo. Minha confiança nela, me faz ter esperança. Por isso eu tomo a resolução de tender sempre à perfeição. Espero guardar esta decisão. Não por minhas força, mas pela graça de meu temo Salvador, e o socorro de minha querida Mãe Maria e de São José”.
Ordenado sacerdote no dia 4 de outubro de 1892. Ele diz: Sou padre, e como tal devo ser vítima. Ele o será por seus sofrimentos, como uma oferenda a Deus. Terminados os estudos é mandado para a casa redentorista de Mons dia 31 de agosto de 1893 onde inicia seu ministério sacerdotal.
Permanece aí até abril de 1894 quando volta a Beauplateau onde faz o segundo noviciado preparando para as missões populares. Começam a aparecer os sinais de tuberculose, que o levarão à morte em dois anos. Tem dificuldade de falar, o que lhe causa problemas e humilhações nos exercícios de declamação. Na visita canónica de 1894 o superior anota: Pe. Pampalon e um excelente religioso, sério, recolhido, modelo de obediência e perfeita caridade. Não se nota nele nenhum defeito. Terminado o segundo noviciado volta a Mons, onde exerce o ministério, de modo particular das 7 missões em que participou. Impressiona por sua pregação. O jovem padre é um santo. A palavra de Deus jorra de seu coração de apóstolo. Ele vive o que prega. Ele se inflama do amor de Deus.
Seu ministério não vai longe. Em dezembro de 94 o mal o invade. E a tuberculose. Para ajudar a saúde volta a Beauplateu.
Para Alfredo, o amor de Deus vem junto com a fuga de toda falta voluntária. Para santifícar-se, lemos em suas notas, devo aplicar-me a purificar minha alma de seus defeitos e aí plantar as virtudes. Procura a vontade de Deus na observância da regra. Diz padre Guillot: “Sua saúde já enfraquecida e sujeita, sobretudo durante o inverno a muitos incómodos, não impedia jamais de seguir exatamente a vida comum e de permanecer para todos um modelo de observância”. Pe. Alfredo dizia: “Quer ser um grande santo” Observa muito bem tua regra e as prescrições de teus superiores, as menores como as maiores. Feliz aquele que faz isso. Este encontrou a santidade, pois encontrou onde está a vontade de Deus”.
E um homem de fé profunda que se manifestava nos mais pequenos gestos. Sua confiança não se abala apesar dos estudos difíceis e da saúde frágil. Sua confiança mantém sua calma e sua serenidade. O segredo de sua vida é o amor de Deus. Inflama-se de amor por Jesus na contemplação do presépio do crucifixo e da Eucaristia. Seu amor por Deus explodirá em grande alegria no sacrifício alegre que fará de sua vida por seu bom Mestre.Ama a Igreja. Possui um zelo que lhe queimava. “Eu quero me tomar santo e fícar sempre santo para trabalhar mais tarde eficazmente pela salvação do próximo”. Afirma Pe. Guillot; apesar de ter os talentos ordinários, e dificuldade de pronunciar, Alfredo se preparava constantemente para os trabalhos apostólicos, o sonho de sua vida. É afeiçoado ao ministério da confissão, não podendo por causa de sua fraqueza pregar muito. Sua mortificação era simples, baseada sobretudo em cumprir todas as suas funções. Ele suportava seus sofrimentos sem esmorecer. Sua vida se reveste de humildade, colocando-se como servidor de todos, em espírito de pobreza e castidade.
Alfredo, homem de grande bondade. A doçura era sua virtude dominante, acompanhada de grande alegria. Reserva grande amor para com sua família e seus confrades.
Suas devoções são à Eucaristia, através de longas visitas, celebração bem feita da missa. Não deixa de celebrar a missa, mesmo quando as forças o abandonam. Grande devoto de S. José e SanfAna. Sua vida testemunha que o caminho mais rápido e mais sereno para Deus é a grande afeição para com Maria sua Mãe, dedicando-lhe tantas poesias.
O jovem padre ia bem nas missões. Como o Redentor, ia pregar a boa nova e converter os corações. Exercia um frutuoso ministério. Mais Deus o chama. No dia 29 de setembro de 1894 ele não consegue terminar uma pregação sobre Maria. Está esgotado. Mandam-no repousar. No dia 4 de setembro de 1895 volta ao Canadá. A doença aumenta. Espera a morte com serenidade, sem medo e em meio a orações. Dia 30.09.96, às 8 h abre os olhos, fixa o céu sorrindo dá seu último suspiro. Tinha 28 anos, 10 meses e 6 dias. Dia 2 de outubro é realizado o funeral na basílica de Sant’Ana.
Os confrades confirmam sua santidade. Os milagres são numerosos. Espera-se o milagre para a beatificação.
Servo de Deus Angel Vesga Fernández
Era natural de Herramélluri, provincia de Logroño o Rioja, donde nació el 1 de octubre de 1886. Nace dentro de una familia profundamente cristiana. En 1902 está de postulante en El Espino, donde hará su profesión religiosa como hermano coadjutor redentorista el 16 de octubre de 1910.
Desempeñó varios oficios en las diversas comunidades por donde pasó, ya que era hábil para todo, pero sobre todo estaba especializado en carpintería. En Valencia estaba desde no hacía mucho tiempo. Tenía una piedad sincera, pero también un temperamento fuerte y espontáneo, por lo que no se recataba de expresar públicamente, incluso ante los de fuera, su repulsión hacia los enemigos de la religión y del orden.
Al estallar la revolución y abandonar la comunidad valenciana, se refugió con el P. Dionisio Monroy en una casa de la Gran Vía. Posteriormente, hacia finales de julio o comienzos de agosto de 1936, a causa de la inseguridad pasa al nº 4 de la plaza General Primo Rivera; aquí permaneció más seguro hasta el día 22 de septiembre, en que los milicianos suplantan a la Guardia Civil, que vigilaba el edificio por ser sede del Consulado Argentino.
Parece ser que una sirvienta de la vecindad descubrió a los milicianos la condición religiosa del Hermano, por lo que éstos le detuvieron el día 30 de septiembre; se lo llevaron y ya no se volvió a saber de él. El P. Vicente Elejalde Arroyo, de la misma comunidad redentorista de Valencia, llegaba justamente a la casa poco después para interesarse por él. Todavía pudo ver cómo se lo llevaba una patrulla de unos 8 ó 9 hombres con fusil, bajando por la avenida de Mariano Reverter y cruzando después el puente de Aragón. Eran las 7 de la tarde pasadas.
Apareció muerto en el Cabañal, camino de Tránsitos, entre unos cañaverales. Algunos documentos dan como fecha de su muerte el día 5 de octubre de 1936, porque ése fue el día en que fue recogido el cadáver por el Juzgado. Sin embargo, el P. Vicente Elejalde opina que el fusilamiento tuvo lugar en la misma noche de su detención, hacia la madrugada del día 1 de octubre.
El cadáver fue enterrado en el Cementerio general de Valencia, sección 5ª, derecha, fila 8, letra número 2. En la Relación nominal del personal asesinado por los rojos se dice: ”Ángel Vesga Fernández, redentorista. Edad, desconocida; enfermedad, heridas por arma de fuego; lugar de la muerte, carretera de Tránsitos, carretera de Aragón”.
Servo de Deus Angelo Martinez Miqueléz
Aos 29 anos foi cortada e derrubada esta árvore, que tantos e tão ricos frutos prometia
Angel nasceu num povoado de Navarra, chamado Funes, aos 2 de março de 1907. Foi batizado no dia seguinte. José Martinez e Joana Miquélez era como se chamavam seus pais. Quando religioso, Angel será chamado pelo sobrenome da mãe, Miquélez, porque já havia um padre com o nome de Martínez.
Dona Joana morreu cedo. Angel foi confiado aos cuidados da irmã de seu pai, sua madrinha além de tia, que, muito piedosa, tomou o menino nos braços, colocou-se diante do altar da Virgem e o entregou à sua especial proteção. Já maiorzinho, a partir do momento que soube desse gesto, e até o fim da vida, irá recordar-se dele sempre com emoção.
Quando Angel tinha cinco anos, toda a família mudou-se para Buenos Aires, em busca de vida um pouco melhor, pois a pequena porção de terra que possuía o senhor José mal dava para que ela sobrevivesse. Durou dois anos a aventura, e tiveram que voltar à sua Espanha, pois, se em Funes não iam bem as coisas, em Buenos Aires andaram pior.
Tentando estabelecer-se, o pai de Angel ficou alguns meses com a família em Navarra. Conseguiu colocar Angel no colégio dos Padres Esculápios. Inteligente, aplicado e piedoso, começou a chamar a atenção dos padres, que já o olhavam com interesse. Mas Deus tinha outros planos para o menino.
Ainda quando a família estava em Navarra, houve missões redentoristas em Funes. Madalena, a madrinha de Angel, foi conversar com os missionários a respeito de três sobrinhos seus, especialmente sobre Angel, seu afilhado. Meses depois, quando os missionários retornaram para a renovação da missão, sua família já havia voltado a morar em Funes. Angel gostou dos missionários e os acompanhava por onde iam.
Não deu outra: em fins de fevereiro de 1918, antes portanto de completar onze anos, Angel foi admitido no El Espino. Fez com êxito os estudos colegiais, pois, como já se viu, era inteligente e aplicado, e, além disso, muito sério em tudo o que fazia. Seu ano de Noviciado, feito em seguida, também transcorreu sem novidades. A 24 de agosto de 1925, pronunciava seus votos religiosos.
Os seis anos de Filosofia e Teologia não foram diferentes, ou, se foram, o foram para melhor, pois suas notas, salvo raras exceções, sempre estiveram entre excelentes ou ótimas. Sua ficha, tanto do Noviciado como do Seminário Maior, é a mesma: “Talentoso, ajuizado, de boa índole; sério, correto, piedoso, constante, amante da vocação. Um pouco teimoso”.
Teimosia, aliás, olhada sob determinado ângulo, pode significar perseverança. E foi com perseverança que Angel Martínez Miquélez chegou ao sacerdócio em 20 de setembro de 1930. Nesse mesmo ano foi designado como professor de Filosofia, cargo que desempenhou até 1934, quando, pela metade do ano escolar, teve de ser substituído devido a um esgotamento nervoso causado por excesso de esforço e trabalho. Deram-lhe um tempo de descanso no El Espino. Já em abril do mesmo ano, recuperado, convidaram-no a pregar duas missões. Em maio foi para a casa de Granada, onde só esteve poucos meses, pois em 6 de outubro chegava à Comunidade do Perpétuo Socorro, com o cargo de secretário particular do Superior Provincial.
Em 28 de dezembro, com pouco mais de dois meses nesse cargo, escreveu a seu irmão João, a essas alturas professo redentorista como irmão coadjutor com o nome de Firmino: “A secretaria provincial vai-se fazendo aos poucos. Não me impede de pregar em casa e fora. Em 6, 7 e 8 de dezembro, preguei um tríduo na paróquia do Pilar; foi meu grande batismo como pregador, pois um tríduo para mim – filósofo até agora – era coisa de outro mundo. Mas saiu bem: é preciso ser otimista”.
Depois de duas missões pregadas no ano seguinte junto com o grande missionário padre Sarabia, deixou anotado: “Creio que aprendi muito do companheiro para a vida apostólica”. De fato, em 12 de abril tocou-lhe fazer a abertura da missão de Griñón. Já eram os tempos difíceis da ditadura marxista, tempos em que aconteciam aqui e ali fatos deploráveis para a religião. Um desses foi exatamente nos dias da missão em Griñón, quando um bando de sacrílegos entrou na igreja à noite, arrombou o sacrário e esparramou as hóstias consagradas pelo chão da igreja. O povo revoltou-se, fez atos de desagravo, e acorreu em maior número e com mais fervor à missão.
Mesmo contando apenas 28 anos, padre Miquélez mostra ser homem maduro e experimentado. Eis o que escreveu, por exemplo, a seu irmão João, por ocasião de sua profissão como irmão redentorista: “… a gente é feliz quando se vence, quando se sacrifica. Os homens que se põem a satisfazer seus gostos e a gozar de comodidades vão encontrá-los muito mesclados de dissabores; isto é certíssimo, e, algumas vezes, ali onde pensavam ser plenamente felizes acham verdadeiros martírios. Muitos deixaram-se levar pelos atrativos do mundo, e ao experimentar o ilusório de tudo aquilo não tiveram outro remédio senão lamentar seu erro pelo resto da vida”.
As nomeações trienais de 1936 só o fazem mudar de casa, não de cidade: sai da Comunidade do Perpétuo Socorro e vai para a de São Miguel, ambas em Madri. A partir da transferência, teve a mesma sorte do padre Ortiz e do irmão Gabriel, como já se viu páginas atrás: tornou-se mais um ilustre ‘desaparecido’. Tinha só 29 anos.
Servo de Deus Irmão Aniceto Lizasoain Lizaso
MÁRTIR NO CORAÇÃO E NO CORPO
Aniceto nasceu em Iruñeta, Navarra, aos 16 de abril de 1877. Tinha aproximadamente 12 anos quando ingressou no Seminário Menor Redentorista de El Espino, com o desejo de ser padre. O pouco que se sabe desses doze anos anteriores à sua entrada no Seminário foi o que o pároco de Iruñeta conseguiu colher dos colegas de Aniceto ainda vivos em 1944, quando padre Lucas Pérez escreveu-lhe pedindo informações sobre a infância de nosso mártir: “Era um bom menino, obediente, piedoso, respeitoso com seus pais e os mais idosos, bom companheiro nos jogos, que eram sempre decentes, e sempre demonstrou muita vocação ao estado religioso”.
Podemos dizer que o irmão Aniceto foi o irmão dos dois martírios: o do coração e o do corpo. O primeiro foi devido ao fato de, tendo iniciado os estudos com o ardente desejo de ser sacerdote, ter sido chamado a desistir já muito próximo de alcançar a meta.
Fez a profissão religiosa como corista em 15 de outubro de 1896. Em seguida, foi para Astorga e iniciou os estudos maiores; cursou toda a Filosofia e grande parte da Teologia. Já bem próximo de conseguir seu sonho, veio a decepção: os Superiores lhe comunicam que, “por debilidade de cabeça”, não podia receber as Ordens maiores. Davam-lhe a opção de voltar para o mundo ou ser irmão coadjutor se quisesse permanecer na Congregação.
Em 20 de março de 1903 chegou a Nava del Rey. Na sua boa vontade de aceitar o que, humanamente falando, era um rebaixamento, descontrolou-se seu sistema nervoso. Temendo que a coisa piorasse, mandaram-no para uma temporada de descanso a um povoado onde seu irmão era pároco. Partiu em maio. Quando voltou em outubro, notaram que estava bem mais tranqüilo e, assim, podia continuar como irmão coadjutor.
O impacto, entretanto, foi tão violento que o acompanhou vida afora pelos trinta e três anos que ainda havia de viver. Ou seja, o martírio do coração só o deixou quando as balas de um fuzil lhe deram o martírio de sangue. O segundo!
Nas diversas comunidades por onde passou prestou excelentes serviços, pois era homem seguro, fiel, de boa índole e muito piedoso, e interessava-se por tudo o que de alguma forma dizia respeito à Congregação. Mesmo se tendo como certo que, por amor à vocação, se resignou à decisão dos Superiores, a idéia e o desejo de chegar ao sacerdócio nunca o abandonaram. Os Superiores não cederam porque o problema não havia sido levantado por eles, mas diagnosticado por médicos.
Desde que saiu de Astorga, a Comunidade em que mais tempo residiu foi a do Perpétuo Socorro, em Madri. A última vez que para ali foi destinado foi em 1923. E aí ficou até a morte. Sempre em constante atividade, boa vontade em tudo o que fazia, temperamento espontâneo e até alvoroçado em dados momentos, comunicativo e social, passava com facilidade da simplicidade à ingenuidade: assim era irmão Aniceto.
Quando teve de deixar o convento, devido aos distúrbios provocados pela revolução, irmão Aniceto passou as primeiras semanas na casa de dona Emília Alcázar. Segundo o testemunho de dona Emília, levava uma vida profundamente edificante, entregue à oração e à leitura de livros piedosos, sobretudo Prática do amor a Jesus Cristo, de Santo Afonso. Dedicou-se também a escrever suas memórias. Mas foram vinte ou mais as vezes em que essa casa foi objeto de vistoria durante os três anos que durou a guerra em Madri. Mais que compreensível então que se procurasse lugar mais seguro para ele.
Essas repetidas buscas e, por fim, a ordem dos Superiores convenceram-no a abandonar aquele abrigo e ir para a pensão de dona Maria Membiela, pessoa muito ligada aos Redentoristas. Logo que ali chegou, entretanto, também a pensão de dona Membiela começou a ser alvo de constantes buscas. Irmão Aniceto passa então para uma casa vizinha, de propriedade de uma russa, julgando que isso afastaria as vistorias. Mas foi justamente ela quem o entregou nas mãos dos milicianos. Passando eles pela rua, disse-lhes: “Tenho aqui um hóspede que ‘essas’ me entregaram, e deve ser um frade”. ‘Essas’ eram dona Membiela e sua sobrinha Arsênia.
Imediatamente os milicianos entraram e deram ordem de prisão ao irmão, que, entretanto, lhes pediu permitissem que fosse ao banheiro. Fez isso com a intenção de rasgar seu diário, pois podia comprometê-lo. Diante da longa demora do irmão, e ouvindo o barulho de papéis que se rasgavam, os milicianos arrombaram a porta e arrancaram das mãos do religioso algumas folhas de papel ainda inteiras, o suficiente para incriminá-lo. Entre elas, uma carta que guardava com muito apreço dirigida a ele pelo secretário de Afonso XIII.
Desta casa levaram duas vítimas, pois juntamente com irmão Aniceto detiveram um Cordemariano, o padre Portero. Dom Enrique Castillo, da sacada da pensão de dona Membiela, viu quando jogaram o irmão no carro, em mangas de camisa e com as mãos atadas atrás. Pouco tempo depois voltaram e D. Enrique ouviu-os dizer que já o haviam liquidado e tirado dele três mil pesetas que levava no bolso. Foi quando levaram presas também dona Membiela e sua sobrinha. Elas foram submetidas a vários interrogatórios e ameaçadas de seguir a mesma sorte dos religiosos. Nesse ínterim, a pensão ficou aos cuidados de outro Redentorista, o padre Eudaldo Sáenz, que ali estava hospedado e se fazia passar por sobrinho da proprietária. Teve arte para dissimular sua condição e não ser descoberto pelo faro dos “caçadores” da Frente Popular.
Não foi possível precisar a data de morte do irmão Aniceto. Juntando-se todos os dados levantados, pode-se dizer com bastante segurança que foi entre os dias 17 e 18 de agosto de 1936.
Irmão Aniceto manteve-se otimista até o fim. Aos que o visitavam nos últimos dias dizia: “Estou bem, já ofereci minha vida a Jesus Cristo”.
Servo de Deus Padre Antonio Girón González
ASSASSINADO POR SER PADRE E RELIGIOSO
Natural de Campo, província de León, onde nasceu aos 11 de dezembro de 1871, padre Antônio Girón contava 64 anos no dia de seu martírio. Entre os martirizados da Comunidade do Perpétuo Socorro, era o mais idoso.
Nos casos como o do padre Girón pode-se notar o caráter claramente antireligioso da perseguição comunista da Espanha. Retirado já havia anos da atividade missionária, o piedoso sacerdote santificava-se caladamente dentro das paredes dos diversos conventos aos quais o ia destinando a obediência religiosa. Desempenhava cargos apenas internos, que nenhuma influência tinham externamente, o que o fazia um perfeito desconhecido para o mundo. Mas Antônio Girón era sacerdote e religioso. Na falta de uma, eis aí duas razões para levá-lo ao martírio.
A mãe de Antônio, além de ter três irmãs freiras e dois irmãos padres, daria à Igreja um filho como religioso e uma filha como religiosa.
A primeira idéia de Antônio foi ser padre diocesano e, de fato, começou, em 1882, a estudar como externo no Seminário da Diocese de Astorga. E como diocesano foi quase até o fim dos estudos de Filosofia, quando certo dia Deus lhe coloca no caminho alguns noviços redentoristas. Cruzou com eles na calçada e ficou impressionado com sua atitude recolhida e piedosa. A partir daí, a idéia de ser religioso foi tomando conta de seu coração, até que, afastando as dúvidas, decidiu e foi bater na porta do convento redentorista.
Foi admitido. Tomou o trem e se dirigiu a seu povoado, para comunicar a decisão à família e despedir-se dela. Qual não foi seu espanto, porém, ao dar com a oposição ferrenha de toda ela, principalmente de dois irmãos e, pasme-se, mais ainda de sua piedosa mãe.
Quem acabou convencendo a mãe foi uma vizinha, ao dizer-lhe que, como religioso, seria mais fácil Antônio chegar a bispo. Os dois irmãos, no entanto, permaneceram firmes na oposição. Um morava em Campo, o povoado, e o outro morava em Astorga. Diante da insistência de Antônio, o que morava em Campo avisaria o de Astorga que trem Antônio tomaria. Este, ao chegar, seria simplesmente seqüestrado por um grupo de parentes e amigos, que tentariam, por todas as formas, dissuadi-lo de seu intento. Não se sabe bem por que, certamente por uma dessas intervenções em que Deus não aparece para assinar, Antônio acabou pegando o trem um dia depois do combinado e… os que tencionavam seqüestrá-lo acharam que outros já tinham feito isso antes deles. Quando, enfim, souberam da verdadeira história, Antônio já estava entre os Redentoristas em Astorga.
Em 14 de agosto recebeu o hábito e iniciou o ano de Noviciado em Astorga mesmo, pois a casa própria para isso, em Nava Del Rey, estava em reforma. Terminada a reforma, transferiram-se para lá os noviços e ali concluíram o Noviciado.
No ano de Noviciado, entretanto, aconteceram alguns episódios dignos de nota, não tanto por conta dos noviços, e sim de seu santo padre Mestre, o francês padre Chavatte. Esse inesquecível sacerdote usava métodos bem seus para provar os noviços. Ao notar, por exemplo, algum noviço vacilante na virtude da humildade, mandava que fosse ao campo e desse um abraço em Platero. Platero era um burrico, aliás muito trabalhador, que durante quinze anos esteve a serviço da casa.
Não consta que frater Girón tenha sido submetido a essa prova. Padre Chavatte, no entanto, impôs-lhe uma que, no seu entender, iria dizer com segurança se o candidato estava firme na vocação. Como a casa estivesse passando por séria crise financeira, padre Chavatte mandou que frater Girón tomasse algumas folhas de jornal, colocasse-as em cima do altar e rezasse com todo o seu fervor pedindo a Deus que as convertesse em cheques bancários, se possível de bons valores. O bom noviço baixou a cabeça, dirigiu-se à capela, colocou as folhas de jornal sobre o altar e se pôs a rezar. De quando em quando levantava o olhar para ver se a transformação havia acontecido. Nada. Mais um tempo e… nada. E assim passou-se a noite e a luz do amanhecer do novo dia o fez ver com mais clareza que o milagre não acontecera. Para sua maior decepção, logo cedo vem a seu encontro o santo padre Mestre que, com um sorriso maroto no rosto, lhe diz que o milagre não se dera porque ele não sabia fazer oração… Mas houve quem afirmou que, de repente, a economia da casa começou a melhorar. Não foi então de todo perdida aquela noite…
Frater Girón emitiu os votos religiosos no dia 15 de agosto de 1889. Voltando para Astorga, ali cursou Filosofia e, em seguida, Teologia. Como no Seminário Diocesano, foi brilhante nos estudos. Sempre muito piedoso e atento ao crescimento da vida espiritual, chegou ao sacerdócio em 19 de maio de 1894.
A ordenação aconteceu em León, pois o bispo de Astorga havia falecido recentemente. Eram dezesseis os ordenados que, a 6 de junho, seguiram para o povoado de Viloria de Orbigo para cantar a primeira missa na igreja de um convento de monjas, onde viviam uma tia e uma irmã de padre Girón. Parentes e familiares seus estavam presentes em grande número, com a mãe à frente, em cujo semblante explodia felicidade.
Bons anos do início de sua vida de padre ele os foi alternando como professor em diversas áreas e como missionário, passando por várias residências. Confessor do Seminário, prefeito do Segundo Noviciado, Superior em várias casas, quatro vezes Consultor Provincial: isso dá uma idéia de sua multiforme capacidade de trabalho.
Homem talentoso, mas, sobretudo, homem de grande virtude: contemplativo, mortificado, observante da Regra, verdadeiramente exemplar. Embora não tivesse tido grandes qualidades como orador, soube entretanto escrever sermões de conteúdo para as missões, que, juntos com os de outro grande missionário, o Pe. Sarabia, mereceram ser publicados mais tarde.
Chegou pela última vez à casa provincial do Perpétuo Socorro, em Madri, nos primeiros dias do mês de julho de 1936, como que indo ao encontro do martírio, pois já no dia 20 do mesmo mês teve de deixar o convento para refugiar-se na casa de uma amiga da Congregação, a viúva do senhor Celorrio. Para não causar mal-estar à família, passou as três noites que ali esteve recostado numa poltrona.
Na ânsia de celebrar a missa diariamente, aventurou-se a sair de casa e ir até onde estava alojado o padre Superior a fim de lhe pedir permissão para passar para o Asilo das Irmãzinhas dos Pobres. Conseguida a permissão, transferiu-se para lá e se apresentou à Superiora das Irmãzinhas, colocando-se totalmente à disposição delas. Celebrava todos os dias e confessava a quem o procurasse. Logo ao chegar, expôs seu pensamento: “Eu viverei escondido. Mas, se me descobrirem, eu não dissimularei que sou redentorista”.
A um comunicado de que haveria vistoria no Asilo da rua Almargo, onde se encontrava padre Girón, transferiram-no às escondidas para o Asilo da rua Dr. Esquerdo; mas foi exatamente ali que acabou acontecendo a vistoria. Há quem seja de opinião que foi um senhor idoso que o acompanhou na transferência quem o denunciou. Escondeu-se na enfermaria, mas foi achado e detido junto com padre Requejo, um Lazarista.
Padre Girón, que tinha passos pesados e mancava um pouco, marchou resoluto e com um sorriso no rosto quando os milicianos lhes deram ordem para ir até o carro que os esperava fora. Durante o trajeto os dois foram obrigados a ouvir a conversa dos milicianos, conversa que tiraria o ânimo a qualquer valente. No meio do pelotão, ia um que parecia estar “debutando” como atirador. E os outros lhe diziam: “Hoje, você pode ensaiar bem, pois esses frades não se mexem”.
O carro desapareceu e… nunca mais se soube absolutamente nada deles. Nem seus restos mortais jamais foram encontrados.
Enquanto os levavam, iam os dois rezando e se deram mutuamente a absolvição. Segundo alguns, fuzilaram-nos junto ao muro do hospital São João de Deus; segundo outros, foi por perto do Asilo mesmo, a julgar pelo rápido regresso dos assassinos. As disposições em que se encontravam os dois religiosas nos últimos momentos, revela-as a conversa dos assassinos de volta de sua triste tarefa: “Havia que ver esses tios; não soltaram o rosário até o fim”.
Servo de Deus Padre Antonio Losito
Nasceu em Canossa aos 16.12.1838. Nasce órfão, pois o pai foi esmagado por um barril de vinho. Tinha apenas 38 anos. Pais: Antonio Losito e Celeste Russo (Morre 10 anos depois). Foi criado pela ao. Morre-lhe também a avó.
Encontra-se com o clérigo Loyodice de Corato. Decidiu-se ao ver o jovem (grande fundador e províncias e servo de Deus). Aos 17 anos pede a entrada, em bom latim. Aprovado pelos consultores gerais. Entra para o noviciado 24.11.1855. Faz a profissão no dia 24.10.56. Faz teologia em Materdomini (Escritura, Moral e Santos padres). No relatório está escrito: “Losito tem saúde boa, é forte e prudente. Virtuoso e com tendência ao escrúpulo”. Fica bom tempo em casa para curar-se. Foi ordenado dia 19.03.1862. Havia muitos estudantes e poucos paramentos. Ficou para o outro domingo, mas foi ordenado dia 5 de abril, com dispensa de 8 meses e 20 dias. Faz da vida um dom para os outros.
Neste período são supressas todas as casas religiosas pelos anticlericais. Em 1861 foram ameaçados de serem fusilados acusados de acolher bandidos. No Natal são expulsos e ficam somente dois padres para cuidar da casa: Tramontano e Losito. Depois fica Tramontano e Losito é expulso. Vai para sua casa em Canossa onde fica 20 anos. Manteve a vida religiosa. O povo acorria a ele. Distribui o que tem em casa. Sua espiritualidade está fundada no Santissimo Sacramento, Maria e Menino Jesus.
Em 1886 volta para a Congregação. Vai a Pagani onde vive em uma casa particular. De 1887 – 1907 é prefeito dos estudantes em Pagani. Tinha grande interesse em que os estudantes pudessem conhecer os outros ritos. Por isso aproveitava para que pudessem conhecer e participar dos ritos caldeu e armênio. Introduziu o jogo de bochas. O castigo de quem perdia era cantar uma Salve Rainha. Era duro nas chamadas que fazia aos estudantes. De uma feita mandou embora 7 estudantes que mantinham correspondência secreta.
De 1907 a 1909 foi reitor de Pagani. Tinha 60 anos. Consegue a declaração da Igreja como Basílica Pontifícia. Tem grande cuidado com os pobres. De 1909 a 1912 foi provincial. Cuida do Santuário de S. Geraldo. Amava as tradições populares.
Foi diretor espiritual de Bartolo Longo de quem apóia a obra no Santuário de N.S. Rosário de Pompéia. Através da direção espiritual tem contato com tantas pessoas ilustres. Prega a bispos. Escreveu ao Rei da Espanha. É amigo dos cardeais. Um Cardeal amigo apresenta-o ao Papa. Estabelece com ele grande amizade. A porta está sempre aberta para o senhor, lhe diz o Papa Pio X. Consegue muitos benefícios. Mandava laranjas do jardim de Santo Afonso. O Papa lhe escrevia. Nos 50 anos o Cardeal Van Rossum vai festeja-lo com um cálice presenteado pelo Papa Bento XV que quis conhece-lo. Ajuda a Cidade de Canossa nas dificuldades.
Sofre de 1870 a 1890 de um tremor que lhe impedia de celebrar. Tem câncer na bexiga. Morre dia 18.07.1917 às 9,15. Foi exumado 27.10.1920. Canossa o quis entre eles.
Servo de Deus Oblato Antonio Solari (leigo)
O leigo Antonio Solari nasceu no dia 27 de janeiro de 1861 em Ciávari (Itália). Por volta de 1865 a família mudou-se para Argentina, Buenos Aires. Antonio viveu em um ambiente familiar de religiosidade, num meio anti-clerical. O Pai, em constantes viagens à Itália, morre em 1881. Seu irmão assume a família, tem um trabalho público, mas fica doente e tem que abandonar o trabalho. Antônio começa a trabalhar em um escritório de advocacia, tendo o cargo de procurador. Assim sobe de posto. No dia 25 de outubro de 1883 chegam os redentoristas a Argentina.
Oblato redentorista
Oblato da Congregação dos padres redentorista, terciário dominicano, sócio da Confraria do Santíssimo Sacramento da Catedral, estava continuamente rodeado de pobres que socorria e instruía. Insigne catequista, especialmente para os operários e jovens. Fundou a Associação dos jovens cristão, um oratório festivo, a conferência de São Vicente dos jovens, a missa dos estudantes, que nos últimos anos reunia 1500 estudantes, com a participação das autoridades eclesiásticas civis e acadêmicas de B.Aires. O dentro dos estudantes secundários das Vitórias, o centro da alfabetização dos operários, o lar S.Vicente de Paulo para as famílias de operários inválidos, foi também colaborar e propagador de diversas outras obras de apostolado, principalmente dos Círculos Operários fundados pelo Pe. Frederico Grote, cssr.
Morre aos 14 de julho de 45 84 anos, 6 meses e 17 dias.
Beato Basílio Velychkovskyi
Vasyl Vsevolod Velychkovskyi nasceu dia 10 de junho de 1903 em Stanislaviv (atualmente Ivano-Frankivsk) de pais pertencentes às famílias Velychkovskyi e Teodorovych, ambas com longa tradição de sacerdotes nos seus lares. Os pais de Vasyl, Volodymyr e Anna, educaram seus filhos no espírito da religiosidade cristã. Por isso Vasyl tinha desde criança o desejo de trabalhar pela salvação dos seus irmãos.
Vasyl Velychkovskyi recebeu a instrução ginasial na cidade de Horodentsi. Ardente patriota, aos quinze anos, como estudante do ginásio, entrou para o Exército Ucraniano da Galícia, para lutar pela independência da sua pátria durante a Primeira Guerra Mundial. Depois de regressar são e salvo do exército em 1920, Vasyl Velychkovskyi entrou para o seminário de Lviv. Em 1924 foi ordenado diácono pelo metropolita Andrey Sheptytskyi. Foi nesta época que Velychkovskyi descobriu sua vocação religiosa. Com o auxílio da sua tia Mônica, entrou para o noviciado redentorista e um ano mais tarde, no dia 29 de agosto de 1925, professou os votos de pobreza, castidade e obediência. Tendo já completado os estudos teológicos, foi ordenado sacerdote pelo Dom Y. Botsian imediatamente após terminar o noviciado, no dia 9 de outubro do mesmo ano.
Desde o começo da sua vida na Congregação, seus superiores notaram seu talento missionário. Para desenvolver esse talento, depois de ter passado dois anos como professor no juvenato (ginásio) redentorista, o Pe. Velychkovskyi foi mandado a Stanislaviv a fim de pregar missões junto com outros confrades mais experientes. Assim começou o trabalho apostólico do Pe. Velychkovskyi, que haveria de durar 20 anos, até o começo da perseguição contra a Igreja greco-católica ucraniana.
No dia 16 de novembro de 1928 Pe. Velychkovskyi chegou ao convento redentorista de Kovel e logo começou a trabalhar nas missões entre os colonos da Galícia, espalhados pelas regiões Volhyn, Pidliashsia, Kholm e Polissia, que tinham deixado a Igreja greco-católica para aderir à Igreja ortodoxa russa. Além das missões entre esses colonos da Galícia, o Pe. Velychkovskyi organizou também missões para a população local de Volhyn, Polissia e Bielo-Rússia. Com o apoio financeiro do metropólita Sheptytskyi e outros benfeitores, fundou várias igrejas e capelas. Em 1935 Pe. Velychkovskyi voltou para o convento de Stanislaviv, como superior da comunidade.
Pe. Velychkovskyi continuou a sua intensa atividade apostólica, mesmo quando a Igreja Greco-Católica sofreu perseguição por parte dos soviéticos após a sua ocupação da Ucrânia ocidental em 1939. Em 1940 ele organizou uma procissão na qual participaram uns 20 mil fiéis, carregando cruzes pelas ruas de Stanislaviv. A despeito das ameaças da polícia secreta soviética, Pe. Velychkovskyi não se intimidou. Em 1941, a pedido do metropólita Sheptytskyi, partiu para o centro da Ucrânia para trabalhar com os Ucranianos ortodoxos de Kamianets-Podilskyi. Todavia, as atividades pró-ucranianas do novo sacerdote causaram suspeita entre os alemães, que pouco antes haviam ocupado a cidade. Apenas três dias após sua chegada, Pe. Velychkovskyi foi acusado de cooperar com as organizações da resistência nacional ucraniana e recebeu a ordem de deixar a cidade em vinte e quatro horas. Transferiu-se para Ternopil, onde foi reitor do convento da Igreja da Dormição.
Tendo retomado a Galícia em 1945, o regime soviético prendeu, apenas na noite de 10 para 11 de abril, representantes de toda a hierarquia greco-católica. No dia 26 de julho de 1945 o Pe. Vasyl Velychkovskyi foi preso em Ternopil “por propaganda anti-soviética”. Durante o interrogatório, ofereceram-lhe a opção de entrar para a Igreja Ortodoxa Russa em troca da liberdade. “Jamais!” foi a sua resposta. Mais tarde o Pe. Velychkovskyi foi transferido para a prisão de Kiev, onde a investigação do seu caso durou quase dois anos. Finalmente, a corte regional de Kiev condenou-o à morte, por causa de duas expressões anticomunistas – “horda vermelha” e “gangue vermelha” – que constavam num calendário de bolso publicado pelo Pe. Velychkovskyi em Stanislaviv em 1939.
Durante os três meses que passou numa cela do corredor da morte, Pe. Velychkovskyi continuou a cumprir seus deveres sacerdotais. Ensinou os presos a rezar; instruiu-os nas verdades da fé cristã e preparou-os para receberem os sacramentos. Conduziu-os às portas do céu. Finalmente, na noite marcada os guardas retiraram o Pe. Velychkovskyi da sua cela. Porém não o conduziram escada abaixo, ao lugar da execução, mas para o andar de cima, para a sala da chefia da prisão. Aí o Pe. Velychkovskyi foi informado de que a sua sentença de morte tinha sido mudada para dez anos de prisão.
Nos dois primeiros anos do cumprimento da pena, Pe. Velychkovskyi ficou num campo de concentração da região de Kirovsk; depois foi transferido para as minas de Vorkuta. Apesar do trabalho extenuante, Pe. Velychkovskyi celebrava a Missa quase todo dia, usando latinhas como vasos sagrados. “Aquela latinha – disse o metropólita Hermaniuk – era seu cálice, sua patena, seu altar, sua igreja e nada conseguia destruir sua igreja, porque estava baseada na sua forte convicção e na graça divina”. Alguns meses antes da sua libertação, uns amigos dos companheiros presos junto com o Pe. Velychkovskyi conseguiram que ele pudesse trabalhar no hospital da prisão em vez do serviço nas minas. Essa mudança salvou-lhe a vida, pois sua saúde estava arruinada pelos dez anos de prisão e pelo duro trabalho. No dia 9 de julho de 1955 Pe. Velychkovskyi foi libertado.
De volta a Lviv, Pe. Vasyl Velychkovskyi não encontrou nenhuma igreja ou capela onde pudesse exercer o ministério, mas isto não o desanimou. Conseguiu uma pequena sala na Rua Vozzyedannia, no 11, onde fez um altar com caixas de papelão vazias. Os fiéis visitavam o Pe. Velychkovskyi em grupos de cinco ou seis para participarem da Eucaristia. Durante o período da existência clandestina da Igreja Greco-Católica, não teve medo de celebrar a Liturgia diária, de dirigir exercícios espirituais e de dar direção espiritual para muitos cristãos devotos. Em 1959 a Santa Sé nomeou o Pe. Vasyl Velychkovskyi bispo da “Igreja do Silêncio”. Por causa da situação complicada da União Soviética, sua ordenação episcopal só se tornou possível quatro anos mais tarde.
Os dez anos de prisão não “corrigiram” nem mudaram o Dom Velychkovskyi. Continuou a “divulgar propaganda anti-comunista entre o povo, não participou de atividade em benefício da sociedade, não cumpriu os deveres de cidadão soviético, escreveu um livro sobre o ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no qual procurou provar com exemplos específicos que os ateus não podem ser bons cidadãos e ouviu a Rádio Vaticana”. Esta lista era suficiente para justificar nova prisão do Dom Vasyl Velychkovskyi a 2 de janeiro de 1969. Desta vez foram três anos de prisão, passados em Kommunarsk perto de Donbass, que lhe causaram uma grave doença do coração.
Dia 27 de janeiro de 1972 terminou o período de prisão. Desta vez não foi permitido ao Dom Velychkovskyi voltar a Lviv; mas foi mandado à Iugoslávia, para “recreação”. Usou desta oportunidade para visitar sua irmã em Zagreb e depois partiu para Roma, onde se encontrou com o Patriarca Yosyf Slipyi. Teve também um colóquio privado com o Papa Paulo VI. Pouco depois, a convite do metropólita Maksym Hermaniuk, o Dom Velychkovskyi visitou o Canadá.
Infelizmente, sua visita à diáspora ucraniana no Canadá não durou muito. No dia 30 de junho de 1973 o Dom Velychkovskyi morreu na idade de 70 anos, tendo exercido o ministério episcopal por dez anos. Embora seu coração se tenha silenciado no seu corpo, ele continua a ecoar no nosso espírito: “Não tenhas medo dos sofrimentos por que vais passar. O diabo lançará alguns dentre vós na prisão. Assim sereis colocados à prova. Tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até a morte, e eu te darei a coroa da vida” (Ap 2,10).
Considerando os testemunhos da vida virtuosa de Dom Vasyl Velychkovskyi, e particularmente a sua constância, coragem e fidelidade à Igreja de Cristo durante o período de perseguição, o processo de beatificação foi iniciado no Ano do Jubileu. A 2 de março de 2001 o processo estava pronto na eparquia, e o caso foi levado à Sé Apostólica. A 6 de abril de 2001 a Comissão teológica reconheceu o fato do martírio do bispo Velychkovskyi; a 23 de abril seu martírio foi constatado pela Assembléia dos Cardeais e a 24 de abril de 2001 o Santo Padre o Papa João Paulo II assinou o decreto de beatificação do Bispo Vasyl Velychkovskyi, bem-aventurado mártir da fé cristã.
Venerável Bernardo Lubienski
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Padre Bernardo Lubienski nasceu em Guzów, perto de Varsóvia no dia 9 de dezembro de 1846, sendo o segundo de doze filhos de uma família nobre e muito religiosa. Seus pais eram Tomás e Adelaide Wentworth Lubienski. O seu avô, ministro da justiça e culto foi quem assinou o decreto de expulsão de São Clemente de Varsóvia.
Bernardo, em 1856, manifestou o desejo de ser padre. Com a idade de 12 anos, em 1858, foi enviado por seus pais a S. Cuthbert’ College em Ushaw, na Inglaterra, onde seu irmão Henrique já estudava. Foram mandados para fora do país para não sofrerem a influência russa. Durante os estudos Bernardo foi ajudado e protegido por seus parentes Irene e Carlos Bodenham, que viviam em Rotherwas, em Herefordshire.
Em 1862, Bernardo decide ser padre. Um retiro o anima à vida religiosa. Entrou na Congregação Redentorista em 1864, em Bishop Eton, perto de Liverpool onde aos 6 de setembro de 1864 começou o noviciado e em 7 de maio de 1866 fez seus votos religiosos. O pai não queria sua vocação, mas Bernardo fez os estudos de filosofia na Inglaterra, que neste período pertencia à província Holandesa. Fez seus estudos teológicos em Wittem, na Holanda e foi ordenado sacerdote em Aachen (Alemanha) a 29 de dezembro de 1870. Completou seus estudos e teve seis meses de campanha missionária em Perth na Escócia.
Em 1873 Padre Bernardo se tornou secretário do Padre Roberto Coiffin, Superior Provincial da Inglaterra, neste tempo já transformada em província, mais tarde bispo de Soutwark. Dedicou-se também ao trabalho pastoral na paróquia de Clapham, em Londres.
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De 1875 a 1882 participou juntamente com outros missionários em cerca de 20 missões, a maior parte em grandes cidades como Birmingham, Londres, Manchester. Ele trabalhou também no apostolado entre os emigrantes poloneses na capital inglesa.
Depois de receber uma especial bênção do Papa Leão XIII, em 22 de junho de 1883, Bernardo voltou à Polônia, estabelecendo-se em Mosciska para reimplantar a Congregação Redentorista onde atualmente está a Ucrânia. Ele dizia, que queria reparar o mal que seu avô fizera ao assinar o decreto expulsando São Clemente de Varsóvia.
Durante esta estadia, primeiro na casa redentorista de Mosciska, perto de Przemysl e depois em Cracóvia e em Varsóvia, se dedicou a um intensivo trabalho missionário, apesar de uma parcial paralisia com a qual ele sofria desde a idade de 39 anos. Influenciou todas as classes sociais da Polônia pregando, escrevendo livros religiosos e propagando o culto à Virgem Maria, em especial sob a invocação do Perpétuo Socorro. Ele tornou-se um famoso missionário, a quem o povo considerava um santo.
Em seu trabalho apostólico evangelizou também na Rússia especialmente na Siberia, pregando missões até Wladivostok, no mar do Japão. Ele era chamado de o missionário aleijado pois, por causa de um problema físico ele mancou pelo resto da vida.
Depois de longos anos de trabalho missionário Padre Bernardo morreu em Varsóvia, no dia 10 de setembro de 1933, já com fama de santidade.
O seu processo de beatificação teve início em 17 de junho de 1982.
No dia 02 março de 2018, o Papa Francisco em reunião com o prefeito da Sagrada Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, assinou o decreto que reconhece as virtudes heroicas do servo de Deus Pe. Bernardo Lubienski, declarando-o Venerável.
Agora com a declaração da heroicidade de suas virtudes proclamada, ficamos aguardando um milagre necessário para a sua beatificação.
Servo de Deus Padre Casimiro Smoronski
Nasceu no dia 18 de fevereiro de 1889 em Nowe Rybie, diocese de Tarnow. Morreu entre os dias 21 e 22 de maio de 1942, no campo de concentração.
Depois da ordenação foi enviado a Roma para estudar no Instituto Bíblico. No ano de 1914 participou da peregrinação dos cientistas à Terra Santa. A primeira guerra mundial tornou impossível a continuação dos estudos. De volta a Roma passou um tempo em Viena onde se tornou conhecido pelo zelo nos hospitais militares.
Em agosto de 1923 voltou a Roma e em 25 de junho de 1924 obteve o mestrado. Voltando à Polônia ensinou no seminário de Tuchow. Escreveu diversos artigos e cuidou da biblioteca. No ano de 1920 foi nomeado diretor da “Legião da santidade dos Sacerdotes” de toda a Polônia. E foi um dos fundadores da revista Homo Dei, como ajuda para os sacerdotes. Procurando ajudar as missões fundou os grupos da Infância de Jesus e Aumento da fé.
Quando explodiu a 2ª Guerra mundial a revista Homo Dei não podia mais ser impressa. Pe. Casimiro, não pensando nos perigos, escrevia muitas cartas, com destinatários na Polônia e no exterior. Esta foi a causa de sua prisão no dia 6 de fevereiro de 1942. Na prisão de Tarnow foi cruelmente espancado pelos alemães. No dia 16 de abril de 1942, com outros, foi transportado para o campo de extermínio de Auschwitz.
Um sacerdote, Carlos Szwedo, também prisioneiro, recorda o encontro com o Pe. Casimiro no hospital do campo na parte de doenças infecciosas. O padre apenas entrou na secção, foi espancado pelos alemães até o sangue e desmaiou. Um outro sacerdote, que um mês depois morreu em Dachau recorda, que o Padre Casimiro sofria com a febre. Suportava o sofrimento com tranqüilidade e rezava muito. Na noite de 21-22 de maio morreu conservando a consciência até o último momento. O sacerdote Pokul, que estava a seu lado no momento da morte disse: “Eu também gostaria de ter uma morte tão tranqüila e bela”.
Servo de Deus Celso Alonso Rodriguez
Nació en Rioseras, provincia de Burgos, el 28 de julio de 1896. Hermano suyo fue el P. Angel Alonso, misionero redentorista por tierras americanas y fallecido en 1969. El H. Celso antes de entrar en el convento desempeñó el humilde oficio de pastor. Su tendencia a la piedad hizo que muy joven aún fuera admitido como postulante para Hermano Coadjutor en 1913. El 25 de diciembre de 1920 hizo su profesión religiosa como redentorista.
Cuantos le conocieron conservan un grato recuerdo de su figura física y moral. Alto, musculoso, activo, en movimiento continuo, sencillo, franco y jovial; incapaz de mentir y ni siquiera de disimular. Se le encontraba siempre dispuesto para cualquier servicio que se le pidiera. Merece destacarse su caridad y solicitud en el cuidado de los enfermos sin preocuparse de cansancio, ni de sacrificios, ni de repugnancias. Fue el servicio por el que más se hizo querer.
Cuando estalló la revolución no hacía más que unos meses que estaba en Valencia. De ordinario vivía fuera de la comunidad, atendiendo al anciano P. Antonio Mariscal, ya viaticado y asilado en las Hermanitas de los Pobres. El 24 de agosto moría el P. Mariscal, y el H. Celso no pensó en cambiar de refugio. Las Hermanitas hicieron que figurara como enfermero del Asilo. Junto con el Hermano había dos jesuitas, realizando las mismas funciones.
Todo marchó bien, hasta que en el mes de septiembre el Asilo quedó bajo el Control rojo. El 28 de septiembre fueron detenidos los tres religiosos y llevados en un coche. Desde ese día se perdió toda huella de ellos.
Al terminar la guerra se pudo identificar su cadáver con la ayuda de la M. Irene Ruiz, superiora del Asilo. En su ficha figuran estos datos: “Hermano Celso Alonso. Edad, desconocida; fecha de su muerte, 1 de octubre de 1936; lugar del asesinato, Monteolivete; personas que participaron en el crimen, se desconocen; enfermedad, heridas por arma de fuego”.
“La M. Irene Ruiz, superiora del Asilo, quiso perpetuar la memoria de todos los mártires del Asilo, y con este fin mandó colocar en la peana de la estatua del Sagrado Corazón de Jesús, que se levanta en el patio central del Asilo, los nombres de todos. La lista la encabeza el que había sido capellán del Asilo. Entre los mártires figura también el nombre del sencillo y caritativo Hermano coadjutor redentorista, que se hizo allí, como en tantas partes, todo para todos, según el espíritu del Maestro”.
Beato Ciríaco Olarte Y Perez de Mendiguren
Padre Círiaco Olarte y Perez de Mendiguren, C.Ss.R., nasceu em Gomecha (Álava), em 08 de fevereiro de 1893, em uma família muito religiosa. Incentivado desde a infância para a vocação sacerdotal, entrou para a Formação Redentorista em 21 de setembro de 1904, em El Espino (Burgos) e professou seus votos religiosos em 08 de setembro de 1911.
Após ser ordenado padre, em 29 de julho de 1917, foi para o México como missionário, de 1920 a 1926. Reotrnou à Espanha devido ao espírito anti-clerical, crescente no México naquela época. De 1926 a 1935, exerceu seu ministério apostólico em Madri, na Comunidade do Perpétuo Socorro.
Em maio de 1935, estabeleceu-se em Cuenca. Na noite do dia 31 de julho de 1936, foi preso e levado para o local chamado “Las Angustias” onde, gravemente ferido, foi deixado para morrer após longas horas de agonia.
São Clemente Maria Hofbauer
Reprodução
São Clemente Maria Hofbauer nasceu no dia 26 de dezembro de 1751, em Tasswitz, na República Tcheca. Era o nono de doze filhos nascidos do casal Maria e Paulo Hofbauer. No Batismo, recebeu o nome de João. Mais tarde, quando eremita, recebe o nome de Clemente. Pensou na carreira militar, como a de seu irmão. Mas foi a meta do sacerdócio que finalmente sobrepujou a carreira militar. Todavia, sendo de família pobre, Clemente tinha poucas chances de ir para um seminário ou entrar para uma ordem religiosa.
Começou a estudar latim na casa paroquial quando tinha quatorze anos. Incapaz de prosseguir os estudos eclesiásticos, teve que aprender um ofício. Foi mandado como aprendiz a uma padaria em 1767. Em 1770 foi trabalhar na padaria do mosteiro premonstratense Klosterbruck.
Dez fatos interessantes sobre São Clemente Hofbauer
Em 1771, uma viagem à Itália levou Clemente a Tívoli. Aí decidiu fazer-se eremita no santuário de Nossa Senhora de Quintiliolo e pediu ao bispo local o hábito de eremita. Foi aí que recebeu o nome de Clemente Maria. Manteve para a vida o hábito da oração e do trabalho.
Voltou ao mosteiro para de novo ser padeiro e recomeçar o estudo do latim. Embora tivesse completado os estudos de Filosofia em 1776, não pode ir adiante. Não era o tipo de vida que queria. Não era apostolado.
Voltou para casa e viveu dois anos como eremita em Mühlfrauen. Por insistência da mãe, deixou o eremitério para de novo tornar-se padeiro. Desta vez, conseguiu um emprego numa famosa padaria de Viena, onde encontrou duas senhoras distintas que pagaram seus estudos.
Aos 29 anos, entrou para a Universidade de Viena. Ali ficou frustrado com os cursos das matérias eclesiásticas, cheios de racionalismo e de outras doutrinas nada católicas.
Durante uma peregrinação à Itália em 1784, Clemente e seu companheiro de viagem, Tadeu Hübl, decidiram entrar numa comunidade religiosa. Os dois foram aceitos no noviciado redentorista de São Julião, em Roma. Na festa de São José, 19 de março de 1785, Clemente e Tadeu tornaram-se redentoristas, professando os votos de pobreza, castidade e obediência. Dez dias depois foram ordenados sacerdotes.
Poucos meses após a ordenação, os dois redentoristas estrangeiros foram convocados pelo seu Superior Geral, Pe. De Paola. Receberam a missão de voltar à Áustria e estabelecer a Congregação Redentorista. Era uma nomeação difícil e insólita para dois homens recém-ordenados. Para Afonso, essa difusão da Congregação além dos Alpes era uma prova segura de que os Redentoristas iriam perdurar até o fim dos tempos.
Varsóvia e São Beno
A situação política não permitiu a Clemente permanecer no seu próprio país. O imperador austríaco que tinha fechado mais de mil mosteiros e conventos, não permitiria que uma nova ordem religiosa fizesse uma fundação. Sabendo disto, os dois redentoristas foram para a Polônia. Em fevereiro de 1787 eles chegaram a Varsóvia, cidade de 124.000 habitantes. Embora houvesse lá 160 igrejas e mais 20 mosteiros e conventos na cidade, pode-se dizer que era quase uma favela sem Deus. A população era pobre e mal educada, morando em casas mal conservadas. Muitos tinham passado do Catolicismo para à maçonaria.
A Polônia vivia uma grande turbulência política quando da chegada de Clemente em 1787. O rei Estanislau II era virtualmente um fantoche nas mãos de Catarina II da Rússia. Anos antes, em 1772, tinha ocorrido a primeira divisão do país – Áustria, Rússia e Prússia dividiram a presa. Divisão semelhante haveria de suceder de novo em 1793 e pela terceira vez em 1795. Napoleão e seu grande exército conquistador em marcha através da Europa haveria de aumentar a tensão política. Durante os vinte anos que Clemente passou em Varsóvia quase não teve um momento de paz.
Em Viena encontraram Pedro Kunzmann, um colega padeiro e com ele eremita na Itália. Ele se tornou o primeiro irmão redentorista fora da Itália. Chegaram a Varsóvia sem um centavo. Encontraram-se com o Delegado Apostólico, o Arcebispo Saluzzo, que lhes confiou a Igreja de São Beno para o trabalho com os de língua alemã.
Iniciou um trabalho com os órfãos. Quando o número de meninos foi demasiado para a sua casa, Clemente inaugurou o Refúgio Menino Jesus. Para dar comida e roupa aos garotos, tinha de pedir esmola.
No começo, quando os Redentoristas abriram a igreja, havia pouca gente. O povo tinha muitas coisas que os afastavam de Deus, e achavam difícil confiar naqueles padres estrangeiros. Com o tempo, São Beno se tornou o centro florescente da Igreja em Varsóvia.
Em 1791, quarto ano depois da sua chegada, os Redentoristas ampliaram a casa dos meninos. Abriram um internato para meninas, posto sob a direção de algumas nobres senhoras de Varsóvia. O dinheiro para financiar tudo isso provinha de alguns benfeitores, mas Clemente ainda precisava mendigar à procura de ajuda para os seus muitos órfãos.
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Na igreja, Clemente com seu grupo de cinco padres e três irmãos redentoristas, começaram o que chamaram de missão perpétua. Quem fosse a São Beno em qualquer dia poderia ouvir sermões em alemão e em polonês. Os padres estavam disponíveis para atender confissões a qualquer hora do dia e da noite.
Em 1800 o crescimento era visível não só no trabalho na igreja mas também na comunidade redentorista. O número de Redentoristas trabalhando em São Beno era de 21 padres e 7 irmãos. Havia também cinco noviços e quatro seminaristas poloneses.
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Monumento de São Clemente em Viena.
Todo esse trabalho era feito em condições nada favoráveis. As batalhas chegaram a Varsóvia durante a Semana Santa de 1794. Os Redentoristas, como todo morador da cidade, sentiram sua vida em perigo constante. Três bombas atravessaram o teto da igreja mas não explodiram. Na ocasião das batalhas, Clemente e seus companheiros pregavam a paz. Isto apenas serviu para aumentar os gritos de protesto contra os Redentoristas, considerados traidores.
Quase desde o princípio, foram atacados de dois lados. Politicamente eram estrangeiros. Outro tipo de ataque era ainda mais doloroso. Um ataque pessoal, da parte de pessoas que deixaram a Igreja para se tornarem maçons. Encontravam-se nos seus grupos secretos para tramar contra os católicos, prejudicar os sacerdotes, impedir o culto público e fechar as igrejas.
Os Redentoristas tinham sempre de ficar atentos às emboscadas. Seus inimigos ficavam à espreita para atingi-los com pedras ou bater-lhes com varas. Certa vez alguém deu um pernil envenenado aos padres. Quatro deles morreram intoxicados. Foi uma terrível tragédia para Clemente. Providencialmente, quatro jovens entraram na comunidade pouco depois deste incidente.
Ainda mais doloroso para Clemente foi perder seu colega e grande amigo Pe. Tadeu. Tadeu recebeu um falso chamado para um doente. Muitas horas depois foi lançado para fora de uma carruagem em grande velocidade, depois de ter sido torturado e moído de pancadas. Alguns dias depois morreu em decorrência da agressão. Clemente ficou profundamente contristado com a morte do amigo.
Os ataques continuaram. Os Redentoristas passaram a ser alvo de zombarias nos teatros. Os padres poloneses do lugar chegaram a tentar deter o trabalho feito pelos Redentoristas. Depois de vinte anos edificando a fé do povo de Varsóvia, eram atacados, assaltados e atormentados. Em 1806 foi promulgada uma lei proibindo os sacerdotes locais de convidar os Redentoristas para pregar missões em suas paróquias. Veio depois uma lei que impedia os Redentoristas de pregar e de ouvir confissões na sua própria igreja de São Beno.
Diante disto, Clemente apelou diretamente ao Rei da Saxônia que governava a Polônia na época. Embora soubesse do bem que os Redentoristas estavam fazendo, ele era impotente para deter os maçons que queriam ver os Redentoristas fora da Polônia. O decreto de expulsão foi assinado dia 9 de junho de 1808. Onze dias depois, a igreja de São Beno era fechada e os quarenta Redentoristas lá residentes foram levados para a prisão, onde ficaram quatro semanas, até lhes ser dada ordem de voltar cada qual para seu país.
Viena: um novo começo
Em setembro de 1808, depois de exilado da Polônia, Clemente chegou a Viena. Lá ficaria até a morte, quase treze anos depois. Em 1809, quando as forças de Napoleão atacaram Viena, Clemente trabalhava como capelão de um hospital, cuidando dos muitos soldados feridos. O arcebispo, vendo o seu zelo, pediu-lhe que cuidasse de uma pequena igreja italiana na cidade de Viena. Aí permaneceu quatro anos, até ser nomeado capelão das irmãs ursulinas em julho de 1813
Cuidando do bem-estar espiritual das irmãs e dos leigos que frequentavam sua capela, a verdadeira santidade de Clemente manifestou-se ainda mais claramente. Naquele altar a sua devoção revelava-o como homem de fé. No púlpito falava as palavras que o povo precisava ouvir. Pregava de tal modo que pudessem conhecer os pecados deles, experimentar a bondade de Deus e viver suas vidas conforme a vontade divina.
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São Clemente tinha o costume de bater à porta do sacrário para conversar com Jesus.
Naqueles primeiros anos do século XIX, Viena era um importante centro cultural europeu. Clemente gostava de entreter-se com estudantes e intelectuais. Os estudantes vinham – a sós ou em grupos – para sua casa a fim de conversar, fazer uma refeição ou pedir conselho. Boa parte deles se tornou Redentoristas. Trouxe para a Igreja muitos ricos e artistas.
Em Viena Clemente sofreu novos ataques. Por certo tempo foi proibido de pregar. Depois foi ameaçado de expulsão por se ter comunicado com o seu Superior Geral redentorista em Roma. Antes que a expulsão fosse oficializada, o Imperador Francisco da Áustria deveria assiná-la. Na ocasião o Imperador fez uma peregrinação a Roma, onde visitou o Papa Pio VII e ficou sabendo quanto era estimada sua obra. Soube também que podia recompensá-lo pelos seus anos de serviço dedicado permitindo-lhe começar uma fundação redentorista na Áustria.
Assim, em vez de um decreto de expulsão, ganhou uma audiência com o Imperador Francisco. Rapidamente os planos estavam feitos. Foi escolhida e restaurada uma igreja para se tornar a primeira fundação redentorista na Áustria. Mas isto haveria de iniciar sem Clemente. Ele caiu doente no início de março de 1820 e morreu no dia 15 de março do mesmo ano. Morreu com a gratificante notícia de que o seu segundo sonho tinha sido realizado.
Canonização
Clemente Hofbauer foi beatificado no dia 29 de Janeiro de 1888 pelo Papa Leão XIII, e canonizado no dia 20 de maio de 1909. Em 1914, o Papa Pio X concedeu-lhe o título de Apóstolo e Patrono de Viena.
O que fez de Clemente um santo? Não fez nenhum milagre que nos deslumbrasse, nem teve visões para nos maravilhar. Teve até faltas – um temperamento alemão irritadiço, uma tendência a ser áspero. No entanto, se nós pudéssemos passar algumas horas com ele, iríamos descobri-lo como um homem de uma fé excepcionalmente forte, de extraordinária calma e paz, e de incansável zelo apostólico.
A simplicidade foi a principal característica da sua santidade. Aceitava a vontade de Deus do jeito que ela vinha, e fez todo o bem de que foi capaz. Levou uma vida de inocência e de serviço, dedicando-se a louvar a Deus e a levar os outros a servi-lo. Pelo seu modo totalmente simples de se tornar santo, Clemente é um modelo para todos.
Servo de Deus Padre Crescêncio Ortiz Blanco
UM MENINO AVENTUREIRO
Com a história do padre Crescêncio Ortiz entrelaçam-se as histórias do padre Angel Matíniez Miquélez e do irmão Gabriel Saiz Gutiérrez. Os três, como se verá, foram assassinados, ou, mais precisamente, ‘desapareceram’ juntos. Por isso, o martírio dos três vem narrado simultaneamente, em seguida aos dados biográficos do padre Ortiz. Depois virão as biografias de padre Miquélez e irmão Gabriel.
Se o padre Jiménez foi um grande missionário, do padre Ortiz deve-se dizer que outra coisa não foi em toda a sua vida: missionário.
Nasceu em Pamplona, no dia 10 de março de 1881. Seus pais, Gumersindo e Luzia, eram profundamente piedosos, o pai até mais que a mãe. Ele confessava-se e comungava todas as semanas, e rezava diariamente o rosário com a família. Dona Luzia pertencia ao Apostolado da Oração e era mulher muito de casa.
Crescêncio, segundo consta em seus apontamentos autobiográficos, gostava muito de aventuras, e Deus lhe proporcionaria uma que seria a maior de todas. Era pequeno ainda quando seus pais se mudaram para Vitória e, em seguida, para Villarreal, onde começou a freqüentar a escola. Mas Crescêncio gostava mais do rio que da escola. Até que o senhor Gumersindo descobriu essa malandragem e lhe deu boas palmadas, acabando assim com os mergulhos no rio.
Outra das suas foi quando entrou na casa do veterinário de Villarreal, vizinho e muito amigo da família, e, vendo uma garrafa que lhe pareceu ser de aguardente, tomou um belo gole… de aguarrás. Logo seu estômago começou a queimar como se tivesse engulido fogo. Gritando e correndo de um lado para o outro, foi acudido pelo veterinário, que lhe deu água e leite, e, enfiando o dedo em sua garganta, fez com que botasse fora a aguarrás.
Quando tinha oito anos, a família volta a morar em Pamplona. Crescêncio, entretanto, ainda não havia descoberto o gosto pelos livros. Certo dia, saiu cedo de casa e ficou fora o dia todo. Ao voltar, o pai lhe deu uma lição que jamais esqueceria, pois lhe deixou marcas pelo corpo que demoraram anos para desaparecer.
Aos onze anos fez a primeira comunhão, e com muito fervor. Mas o fervor acabou quando o fogo das velas pegou nos véus de algumas meninas, e a igreja toda virou um rebuliço só. Seu coração, no entanto, já havia começado a mudar. Não se sentia tão atraído a travessuras como antes. Entrando um dia na Basílica de Santo Inácio, onde trabalhavam os Redentoristas, gostou muito do hábito dos padres, de seu recolhimento e do quadro da Virgem do Perpétuo Socorro. Foi mais vezes rezar ali, até que se atreveu a conversar com o padre Lorthioit e expor-lhe seu desejo de se fazer redentorista.
O padre o examinou e o julgou apto. Seus pais, embora sentindo muito, não se opuseram a sua vocação. E assim foi que, no dia 15 de setembro de 1893, aos doze anos, entrou no El Espino.
Pouco talento, não muita aplicação, bastante desordeiro, isto lhe valeu um belo último lugar no primeiro ano. Mas era jovial e alegre. Para ver se melhorava, procurou ser mais sério. Tornou-se melancólico e tristonho. Logo viu que essa máscara de nada lhe valia, e voltou à sua alegria. Por uma frase dita por ele e mal interpretada pelo Diretor, padre Celestino, quase foi parar na rua. Não fosse o bom senso de um professor, que conseguiu mostrar ao Diretor que o menino não havia tido nenhuma má intenção e que, pelo contrário, o sentido da frase era exatamente o inverso, nada lhe aconteceu. Peripécias aqui, peripécias ali, terminou enfim o colegial e em 24 de setembro de 1899 estava vestindo o hábito que lhe chamara a atenção nos padres da Basílica de Santo Inácio.
No Noviciado, tomou como virtudes preferidas a mansidão e a humildade, para toda a vida; como rainhas de suas devoções elegeu a devoção à Eucaristia e a devoção à Santíssima Virgem. Não tinha o gosto sensível na oração, mas sim grande desejo de purificar-se e crescer na perfeição. Escreveu em seu diário: “Estou certo de que Maria Santíssima, São José, Santo Afonso e Santa Teresa me têm prestado auxílio eficaz em minha aridez, nos meus desalentos, penas, dificuldades e tentações, fazendo-me abraçar todas as cruzes por amor”.
Mais aplicado e mais maduro, não teve nos estudos maiores em Astorga as dificuldades do Seminário menor. Suas notas eram bem acima da média, chegando quase a excelentes. Tanto que, ordenando-se em 28 de dezembro de 1905, e terminado em seguida o último ano de Teologia, foi nomeado professor de Filosofia.
Mas não fora feito para professor. Após breve experiência, destinaram-no à vida missionária, na qual desenvolveu-se de forma extraordinária.
Astorga foi a casa em que mais tempo residiu, e, partindo dali, pregou missões em León, Zamora, Astúrias e principalmente na Galicia, tornando-se um dos grandes missionários de seu tempo. De 1909 a 1921, entre missões e renovações de missões, foram mais de duzentas as que pregou.
Dois anos na Comunidade de São Miguel, em Madri; sete anos na de Valência, e quase outro tanto na de Barcelona, foi onde residiu até 1936, quando voltou à Comunidade de São Miguel, para ali encontrar a morte. Pouco antes dessa última transferência, havia sido designado para trabalhar na América. Alegou que sua saúde não o recomendava para tanto e foi poupado… Poupado para ser assassinado exatamente quando a equipe de missionários partia para o Novo Mundo.
Poucos dias depois de chegado a Madri, teve de abandonar o convento. Saiu com o padre Calvo, pretendendo esconder-se na Torre dos Lujanes, pois padre Calvo tinha muita amizade com seus zeladores. Estes, porém, diante do perigo que correriam se fossem denunciados, uma vez que aquele era um prédio de propriedade do Estado, recusaram-se a recebê-los. Como já era quase noite, voltaram ao convento.
No dia seguinte, 20 de julho, padre Ortiz, padre Miquélez e o irmão Gabriel saíram juntos com a intenção de se hospedarem na casa de uma família muito amiga dos Redentoristas, a casa de Cosme. O jovem Cosme era a alma de todas as obras de apostolado juvenil da paróquia dos Redentoristas, e sua mãe era de tanta confiança dos padres que estes guardaram em sua casa os objetos sacros do convento naqueles dias conturbados. Diante do perigo que corria em Madri, entretanto, esta senhora mudou-se para Ugena, deixando a chave de sua casa no convento para que os Redentoristas fizessem uso dela como se deles fosse. Não obstante essa providência, seus dois filhos, Cosme e Juanito, não escaparam de cair nas mãos dos perseguidores e derramaram seu sangue pelo ideal que sempre os animara.
Vestidos à paisana , os três religiosos saíram de casa lá pelas quatro da tarde e, tendo apenas descido a primeira rua, ao chegarem à praça Cordón, ouviram gritar: “A eles, que são fascistas!” Ao que responderam com valentia: “Fascistas, não! Somos religiosos!” Ali mesmo quiseram linchá-los. Algumas senhoras, no intuito de salvá-los, disseram que eram italianos e pertenciam à Embaixada. Eles, entretanto, revistaram os três, tirando-lhes o que tinham: crucifixos, rosários, medalhas, e, colocando-os num carro, levaram à casa de detenção da rua do Rollo.
As únicas testemunhas de seu caminho para a morte, quando os levaram depois de terem estado na casa de detenção, foram uma jovem da praça Cordón, e um rapaz, Luiz Bernardo, antigo coroinha da Basílica. Luiz reconheceu no carro o irmão Gabriel, que ia com outros dois. A partir desse momento, os três prisioneiros desapareceram, sem que nada mais se saiba de concreto sobre sua sorte final. Apenas que, já depois das oito da noite, um guarda, que se havia interessado por eles, foi perguntar sobre sua situação. Ao que lhe responderam na casa de detenção da rua do Rollo: “Você chegou tarde; foram fuzilados há algumas horas”.
No mês de novembro, algumas lavadeiras da Prisão Modelo, ao serem indagadas asseguraram que eles ainda estavam ali. O estranho é que outros Redentoristas, cinco pelo menos, que por essa época estavam presos na mesma prisão, nunca mais ouviram a mínima referência sobre eles. Se foram levados de carro, como foram vistos, e se nunca mais houve notícias deles, nem do dia ou da hora ou do local da execução – era essa, aliás, a marca registrada dos inimigos da Igreja: fazer ‘desaparecidos’ e não assassinados -, certamente foram de fato fuzilados naquele mesmo dia, conforme informaram na casa de detenção.
Confirmada essa versão, os três formam a vanguarda do grande número de Redentoristas sacrificados na perseguição comunista, pois morreram no primeiro dia dela: 20 de julho de 1936.
Beato Domingos Metódio Trcka
O tcheco, Beato Domingos Metódio Trcka, nasceu no dia 6 de julho de 1886 em Frydlant nad Ostravici, Morávia, hoje parte da República Tcheca. Em 1902 ele entrou para os Redentoristas e começou o noviciado em 1903.
Fez sua profissão religiosa no dia 25 de agosto de 1904. Após completar seus estudos, foi ordenado sacerdote em Praga no dia 17 de julho de 1910.
Nos primeiros anos de sacerdócio, trabalhou nas missões paroquiais. Em 1919 foi enviado para trabalhar com os católicos gregos, na região de Halic, na Galícia e posteriormente para Eparchy de Presov, na Eslováquia, onde desenvolveu uma atividade missionária muito intensa. Em março de 1935 foi apontado pela Congregação das Igrejas Orientais para ser Visitador Apostólico aos Monges basilianos em Presov e em Uzhorod. Quando a Vice-Província de Michalovce foi fundada, o Pe. Trecka foi apontado primeiro Vice-Provincial no dia 23 de março de 1946. Começou a trabalhar zelosamente para fundar novas casas e formar novos jovens redentoristas.
Na noite do dia 13 de abril de 1950, o governo checo suprimiu todas as comunidades religiosas. Após um julgamento sumário, Pe. Domingos foi condenado a 12 anos de prisão, durante os quais foi submetido a longos interrogatórios e a torturas. Em 1958 foi transferido para a prisão de Leopoldov. Nesse meio tempo, passou a sofrer de pneumonia, contraída no confinamento solitário, imposto a ele por ter cantado na prisão um hino de Natal. Morreu no dia 23 de março de 1959.
Foi enterrado no cemitério da prisão, mas após a liberação da Igreja Católica Grega, seus restos mortais foram trasladados para o túmulo redentorista no cemitério de Michalovce, no dia 17 de outubro de 1969. O Papa João Paulo II proclamou Beato Domingos Metódio no dia 4 de novembro de 2001.
Servo de Deus Padre Donato Jiménez Bibiano
UM MENINO QUE NÃO PROMETE MUITO
Missionário: esta palavra define bem a personalidade e a vocação do padre Donato Jiménez, que nasceu em Alaejos, província de Valladolid, aos 21 de março de 1873, e foi batizado no dia 25 do mesmo mês. Seu nome, Donato, era um presságio, pois passaria a vida dando-se às almas por amor a Deus.
Miguel Jiménez, pai de Donato, faleceu quando ele tinha apenas quatro anos. Como próspero exportador que era dos bons vinhos de Alaejos e de Nava del Rey, parecia ter deixado assegurada a boa situação econômica da família. Não foi bem assim, entretanto. Com a incumbência já enorme de manter e levar avante a educação dos sete filhos, dona Brígida Bibiano viu-se assoberbada pelos negócios, e só à custa de sua força e confiança em Deus, e com a colaboração de todos os filhos, conseguiu não deixar atolar o carro da economia doméstica. Até Donato, o caçula, para ajudar, se pôs a vender castanhas. Ganhou, com isso, o apelido de Castanheira.
Donato começou a ir à escola aos seis anos, com o irmão mais velho. Gostava mais, no entanto, de correr pelas ruas e brincar. Tinha de ser seguido e vigiado para se ter certeza de que entrava mesmo na escola. Às vezes, era só à força que a mãe ou o irmão maior o levavam até lá e entregavam nas mãos do professor. Mesmo assim, vez ou outra conseguia fugir. Aos oito anos, foi reprovado pelo pároco no exame de catequese, não podendo então fazer a primeira comunhão. Isso mexeu com seu amor próprio, e ele se pôs a estudar com mais empenho o catecismo para, no ano seguinte, receber a Eucaristia. Conseguiu.
Com um amigo, foi até a ermida da Virgem e lhe prometeu ser melhor dali em diante. Aliás, todos pensavam que, com a primeira comunhão, ele mudaria. E mudou… mas, para pior. Suas peraltices cresceram em número e em qualidade. Ia cada dia menos à igreja. Suas companhias não eram das melhores. Dona Brígida nada sabia por que caminhos andava seu caçula. Já aos treze anos, por bem ou por mal, entrava em cassinos, bilhares, teatros e bailes. Tudo parecia dizer que ia de mal a pior. Sinais de vocação ao sacerdócio? Por enquanto nenhum. Só uma esperança: como ele mesmo testemunhará mais tarde, nunca deixou de recomendar-se à Virgem.
De 17 a 30 de março de 1887, dois missionários de Nava del Rey, padres Negro e o francês Lorthioit, pregaram missão em Alaejos. Donato sentiu-se atraído por eles. Brigava com outros para ser ele o coroinha nas missas que eram celebradas pelos missionários sempre antes de o dia amanhecer. Ao final, ainda de acordo com seu testemunho, o que mais lhe agradou na missão foi um solene ato de desagravo à Virgem do Perpétuo Socorro.
E Donato começa a converter-se. Aos poucos, deixa a companhia dos amigos, que já o estavam transformando num verdadeiro depravado, e passa a fazer amizade com o sacristão da paróquia de São Pedro. Um dia, este lhe conta que estava se preparando para entrar em Nava del Rey. Donato se pôs a pensar: “Que bela vocação escolheu. Porque não faço eu o mesmo?” Passa a ajudar a uma ou duas missas todos os dias, depois fica na igreja por boa meia hora rezando o rosário, comunga pelo menos aos domingos… Já era outro Donato.
Ao falar com a mãe de sua vontade de se tornar sacerdote, recebe dela forte recusa. Uma paroquiana devota, que o via rezar na igreja, ofereceu-se para rezar por sua vocação e a falar com sua mãe. Quando Donato falou com dona Brígida pela segunda vez, esta não só não lhe fez oposição, mas o ouviu com muito agrado.
Convencida a mãe, teve depois de convencer a seu padrasto. A devoção a São José o ajudou. E dinheiro para pagar os estudos no colégio? Novamente com a ajuda da paroquiana que convencera sua mãe, e do Arcebispo de Alaejos, venceu também este obstáculo. Por fim, com mais três companheiros, em 19 de setembro de 1887, entra no seminário.
Aberto e expansivo, dava-se bem com todos. Muito bem igualmente nos estudos e no comportamento, terminou o colégio sem maiores novidades. A 12 de agosto de 1892 davam entrada no Noviciado dois dos quatro de Alaejos que haviam entrado juntos: Donato e Saturnino Martín. Os outros dois saíram por motivos de saúde.
Seu conterrâneo e companheiro, padre Martín, assim escreveu sobre ele em suas recordações: “No Seminário, Donato foi sempre edificante, piedoso, aplicado, obediente, caritativo, sincero e franco com os Superiores. Como era dócil, expansivo, de bom caráter e prestava-se a tudo com boa vontade, os professores tinham grande confiança nele… No Noviciado, continuou cada vez mais piedoso, alegre e comunicativo. Tinha muita ordem em suas coisas, muito esmero e asseio consigo mesmo; estava com a batina sempre limpa e bem passada”.
Padre Chavatte, mestre de Noviciado, cedo percebeu em frater Jiménez um fundo de vaidade que teria de combater, e não se enganava em sua percepção. Mandou-o que colocasse, nas costas, um avental de cor azul e com ele ficasse durante todo o dia. Seus companheiros riam-se dele, mas ele suportou a provação com humildade e paz interior.
Superando assim vaidade e outros defeitos, terminou o Noviciado e, em 8 de setembro de 1893, pronunciou, com grande fervor, os votos religiosos. Vai para Astorga e inicia os estudos de Filosofia e Teologia. O mesmo padre Martín, companheiro dos anos de estudantado, assim escreveu sobre ele: “No Seminário Maior, continuou sua vida de piedade e até a fez crescer. Por isso o padre Prefeito lhe dava cargos de confiança. Fez os estudos maiores com grande aplicação: embora não chegasse a ser extraordinário, tinha muito talento e era esforçado. Ordenou-se sacerdote em 27 de maio de 1899”.
Passou seu primeiro ano de atividade sacerdotal em Nava del Rey, como auxiliar do Mestre de noviços. Era religioso de vida edificante que contribuía, e muito, para o clima de piedade que devia reinar na casa. Já nesse ano, ao pregar os exercícios anuais para a Confraria de São Francisco de Paula, começou a colher os primeiros frutos de sua boa oratória. As senhoras pertencentes a essa Confraria, de uma maneira geral, não iam lá muito bem tanto na vida de piedade quanto nas atividades próprias da Confraria. Um dos motivos disso era porque, nos últimos anos, não haviam tido um bom pregador que lhes avivasse o ânimo. Padre Jiménez, no entanto, teve tamanho êxito que, ao final, as velhas senhoras choravam de alegria dizendo que ninguém até então lhes havia tocado tanto a alma.
Em 23 de setembro é designado para o El Espino como professor de latim e como segundo auxiliar do Diretor do Seminário. Logo nos primeiros dias de outubro vai a Solduengo, um lugarejo próximo, para pregar um tríduo. Grande foi o sucesso e tanto gostou o povo que, tendo ido a pé para lá, deram-lhe, para voltar, um fogoso cavalo. Como testemunhará mais uma vez o padre Martín, “… seus sermões eram substanciosos e bem trabalhados”.
O fervor e elevada espiritualidade do padre Jiménez puderam ser apreciados por quantos com ele conviveram, e são comprovados por alguns de seus escritos espirituais que foram salvos no meio de todo aquele naufrágio de coisas religiosas levado a efeito pelos perseguidores, para quem qualquer papel em que se encontrasse escrito o nome de Deus podia levar o autor à morte.
Teceu para si uma espécie de regulamento de vida, no qual se pode ler, entre outras normas: “Ao ouvir o toque da campainha, eu me levantarei prontamente da cama, oferecendo essa primeira mortificação a Jesus Cristo… Ao colocar a batina, eu a beijarei, pedindo a Nosso Senhor e à Santíssima Virgem ser enterrado com ela. Entregarei o coração a Jesus Cristo, não permitindo que se apegue às criaturas… E os olhos, que para mim são o maior perigo, como me disse o padre Prefeito… Vem depois o ‘eu’ pessoal, tão querido. Quanto à minha honra, já a depositei nas mãos de Jesus Cristo… Quero ser um defensor da Santa Regra e defensor acérrimo da autoridade; nas sugestões contrárias, eu me conduzirei como nas tentações contra a fé e a castidade”.
Em 1923, pregou exercícios espirituais para 550 homens em Nava del Rey, conseguindo muitas conversões. Segundo a crônica da casa, “falou como um verdadeiro missionário”. Mesmo sem técnica de voz, pois começava em um tom muito alto e já na metade do sermão estava meio afônico, fazia seu auditório suspirar e derramar lágrimas. Com o tempo, foi moderando esses fervores de principiante e aprendeu a economizar a voz. Era afável, sorridente, entusiasmado e prestativo, e com isso ganhava os corações.
Residindo em Astorga, Pamplona e Santander, foi o grande missionário da Galícia, León, Astúrias, Santander, Burgos e Navarra. Era chamado com freqüência para pregações solenes, como também para pregar exercícios espirituais a religiosos e religiosas. Muitos conventos, tanto masculinos como femininos, lhe devem bom número de vocações, tal era sua habilidade em conquistar jovens para a vida religiosa.
Além disso, ocupou na Congregação, postos de responsabilidade: foi Superior das Comunidades de Pamplona (nove anos), Santander (três anos), e Vigo (dois anos). Sempre se destacou por sua atividade; costumava dizer que, em suas Comunidades, não queria mais que gente que pudesse trabalhar. Sabia conduzi-las nos caminhos de profunda piedade e sólido crescimento espiritual. Não era homem perfeito, contudo: em seu otimismo não tinha olhos senão para ver seus triunfos.
Ao deixar o cargo de Superior em Vigo, em junho de 1936, foi destinado para a Comunidade de São Miguel, em Madri. Fazia apenas duas semanas que estava ali quando estourou a guerra civil. No dia 20 de julho, abandona a casa religiosa e se refugia na casa de um amigo e conterrâneo seu, o senhor Jerônimo Fernández Puertas. Aí permanece até o dia 12 de setembro, levando vida de recolhimento e oração, e saindo unicamente para celebrar missa na Nunciatura. Otimista, estava convicto de que a vitória da Espanha nacionalista não passaria de dias.
De repente chega a seus ouvidos que umas mulheres estavam comentando que no número 8 da Cava Baja – endereço do senhor Jerônimo – estava escondido um frade. Para não colocar em perigo a vida de seu amigo, decidiu sair. Este se opôs, dizendo: “Padre, não se vá. O que lhe acontecer que aconteça também a nós”. Apesar disso, padre Jiménez se julgou na obrigação de sair para não comprometer o amigo. Escondido o mais que pôde, no dia 12 estava na casa de Lola Moreno.
Tudo parecia tranqüilo… até o meio dia do dia 13, quando se apresentaram sete milicianos, armados de fuzis e pistolas. Lola e o padre combinaram que ele seria apresentado como uma visita sua. De nada adiantou, pois eles já lhe sabiam o nome e condição. Levaram os dois para a casa de detenção e interrogatórios. Lola Moreno, diante de perguntas ofensivas e trapaças canalhas, respondeu-lhes com toda valentia: “Podem matar-me, mas nunca negarei o que sou: católica, apostólica, romana. Não me impressionam as calúnias que quiserem inventar”.
Às cinco da tarde, padre Jiménez foi colocado no porão da casa de detenção, onde não havia nem luz nem ventilação direta. Ali encontrou padre Jenaro Javier Vallejos, célebre escritor, que entretanto conseguiu ocultar sua condição de sacerdote e acabou se salvando. Foi ele quem, mais tarde, forneceu interessantes dados sobre seu companheiro de prisão.
Conta, por exemplo, que os que já estavam ali, ao verem aquele homem de batina negra, sorridente e de semblante sereno, logo pensaram: “Este é frade. Não dá para dissimular”. E ele, de fato, já nas primeiras conversas, declarou abertamente: “Senhores, sou religioso redentorista; por isso me prenderam”. Ficou feliz em conhecer padre Jenaro. E não deixou de exercer seu sacerdócio, animando e encorajando os mais desesperados, e confessando a muitos deles.
Lá pelas oito da noite do mesmo dia foi chamado para depor novamente. Ao subir para a sala, foi visto por Lola Moreno, mas não se falaram. Pouco depois ela foi posta em liberdade. Depois de demorado interrogatório, voltou ao porão, agora pensativo e preocupado. E explicou o motivo: entre os inquisidores havia um que o conhecia, a julgar pelas perguntas que lhe fizera: “Onde está o padre provincial? Onde estão padres fulano e sicrano? Não é verdade que pregou muito na Galícia e em Navarra, e que o chamavam ‘picareta de ouro’?”. Não podia afirmar com certeza, mas acreditou ter reconhecido um apóstata de antes da guerra que havia sido redentorista, Gregório García Muñoz.
A partir de então, já não era tão otimista nem tinha o mesmo bom humor. Mas continuou ajudando e animando a todos, inclusive ao padre Jenaro. Um a quem muito ajudou foi o jovem Antônio Gómez Fernández, que depois ganhou a liberdade. Ao falar mais tarde com os padres Lucas e Colmenares, Antônio não conseguia conter as lágrimas: “Eu sou muito agradecido a ele. Depois de me confessar e confortar, disse estas palavras: ‘Em último caso, meu filho, se nos matam, já sabemos o que temos de fazer: gritaremos com todas as nossas forças: Viva Cristo Rei!, e entraremos no céu’”.
Isso aconteceu em 16 de setembro. No dia 17, já altas horas da noite, soou o chamado na porta do porão: “Donato Jiménez, depor. Toma!”. E o oficial de ordem entregou-lhe um envelope branco, que era a senha da sentença de morte.
O padre Jiménez não mais voltou. Provavelmente naquela mesma noite ou na madruga de 18 de setembro de 1936, frente ao pelotão de execução, pôde colocar em prática seu programa: Viva Cristo Rei! Foi sua última missão, sua última pregação.
Servo de Deus Padre Emanuel Ribera
Sua formação religiosa se funda muito nas leituras. Desde pequeno tem o hábito das leituras. Lê S. Afonso e Sarnelli. Em junho de 1823, com 12 anos entra para o seminário diocesano como aluno. É jovem de grandes virtudes. Aos 16 anos escreve, por ordem do bispo Caracciolo, um regulamento de vida interior para os seminaristas. O pai que retirá-lo quando demonstra vocação. O bispo o protege. Aos 15 anos recebe as ordens menores. O pai morre e deixa os pequenos a seus cuidados. Boccassini, reitor, diz que ele tem vocação para as missões. Não conhecia a congregação. Faz um retiro com um livro de S. Afonso, o que lhe define a vocação. Nas férias cai-lhe nas mãos o livro de Tannoia sobre a vida e o instituto de Santo Afonso. O padre que o convidara para almoço era um ex-redentorista que assistira a morre do santo. Fugindo de uma chuva dão de cara com uma carroça que traz uma cruz. Eram os redentoristas. Convidado, corre e entra em uma delas. E fala da questão da vocação para a missão. O padre escreve ao Superior Geral, Pe. Celestino Cocle. Deve se apresentar em Nápoles. A mãe não queria.
Aos 15.05.1830 entra para o noviciado. (Escreve dia 15 de maio de 1855: aos 25 anos de minha aceitação no Instituto depois de tantas perseguições… decido viver mais fervorosamente e perfeitamente). Um irmão leigo o leva. Pede para fazer-se santo. Sua vestição foi dia 04.06.1830. É um noviço de sólidas virtudes.
Faz profissão religiosa aos 28.05.1830. Vai para Deliceto onde faz filosofia e teologia, tendo como professor o Pe. Lordi, que será superior geral. Tinha boa memória. Conhece bem S. Paulo, tem grande devoção ao Ssmo e a Nossa Senhora. É de observância exata. Continua a teologia em Materdomini e Pagani. Sabe de cor as Glórias de Maria.
É ordenado Sacerdote dia 14 de março de 1835. Vai para a vida apostólica. Faz o segundo noviciado. É pregador insigne. Preparava-se com a oração e o jejum. Sua mãe se faz religiosa e vai morar em Roma. Trabalhando como missionário teve que suspender para repouso em 1838.
O Cardeal Caracciolo, que fora já seu bispo, o quis em Nápoles para pregação na cidade. Pregava retiros em especial aos universitários.
Foi mestre de noviços em substituição a Di Netta em 1839. É um exemplo, uma imagem do Redentor, salientando o culto à Eucaristia e Maria. Em 1842 está muito doente.
O Cardeal Vigário de Roma o chama para resolver negócios da mãe que era a superiora franciscana. Vista as igrejas e conhece santo. Ele mesmo tem grande fama de diretor espiritual.
Em 1846 está em Santo Antônio a Társia, em Nápoles, onde passa por diversas doenças. É diretor espiritual de Bartolo Longo, atualmente beato. Ajuda-o na obra caritativa de Pompéia. Trabalho no apostolado dos livros que muito difunde.
Em 1851 passa por perigosa enfermidade, como sucessivamente nos anos 67. 69. 71. 73. Sofreu 37 anos de bronco-pneumonia .
No ano de 1860 acontece a revolução. São supressas as casas. Retira-se entre os padres escolápios. Em 1864 deve procurar outro lugar. Em 12.2.67 passa a viver em uma casa particular.
No dia 08.04.1874 ele morre, às 7,30 da manhã.
Dia 26.08.86 faz-se a exumação. Realiza a cura de um padre que estava com tifo.
Servo de Deus Padre Francisco Barrechegurem Montagut
Na hagiografia cristã, o caso do Venerável Padre Francisco Barrechegurem Montagut é um caso único: foi casado, pai, viúvo, religioso redentorista, sacerdote.
Sua vida foi a de um novo Jó: órfão de pai com um ano de idade e de mãe aos 5 anos. Por 18 anos sofre do estômago, sua filha fica enferma aos 13 anos e morre aos 21. Sua esposa se torna louca e o faz andar pela estrada da amargura. Contudo está sempre afável, bondoso, com um sorriso nos lábios, dando graças a Deus: Bendito seja Deus que me leva por um caminho verdadeiramente extraordinário de cruzes.
Nasceu dia 21 de agosto de 1881. Seus Pais Manuel e a mãe Manuela, Ele nasceu em Lérida e ela, em Barcelona. Batizado no dia 31 de agosto do mesmo ano. Um tio será o tutor de suas grandes posses. E ele vai morar com duas tias em Granada. É de saúde frágil. Faz a primeira comunhão aos 7 anos, antes mesmo da permissão de Pio X. Sobreveio forte febre inexplicável. Esta será sua marca: sempre carregando alguma cruz.
Inicia seus estudos no Colégio Aguilera e Palo, de grande fama. Recebeu forte informação religiosa e intelectual. Participava efusivamente de todas as festas.
Sua noiva, Concha Garcia, era sua vizinha de frente e eram amigos desde os 7 anos. O namora e noivado terminaram com o casamento no dia 2 de outubro de 1904. Fizeram longa viagem de núpcias, passando por diversos paises, inclusive Roma, onde puderam estar na Igreja de Santo Afonso diante do quadro de N.S.P. Socorro do qual era devotíssima D. Concha. Pediram por acaso ao cocheiro que parasse diante da Igreja. Tiveram oportunidade de uma audiência com o Papa S. Pio X.
Tinham uma elegante casa de tres andares na Gran Via 20, onde vivem 22 anos, até à morte de Conchita no primeiro andar. Sr. Francisco herdara de sua família. Ele é o tipo impecável, tem um temperamento alegre e simpático, de fino humor, bondoso e sorridente, ocultando o que se passava em seu interior. Homem de muita formação intelectual devido ao colégio, às viagens e às leituras, tendo boa biblioteca particular. Pintava e era perito na fotografia. Gostava de teatro e touradas. Apreciador de comida refinada. Era um marido enamorado da esposa que era uma das mulheres mais belas de Granada, terra onde abundam as mulheres bonitas. Dizem de D. Concha: bonita, muito agradável, simpática e simples. Outro diz: belíssima, capaz de enamorar qualquer um. Era sobretudo piedosa. Sempre nas fainas da casa. Saia pouco e sempre de braços dados com o marido. Com a filha, formarão um trio inseparável.
Francisco trabalhava. Seu avô tinha uma fábrica de tecidos de algodão, lonas e seda. Francisco ajudava seu tio do despacho, cuidava da correspondência. Era o administrador da empresa. Nisso trabalhou desde que deixou os estudos até 1915, quando morreu seu tio e o negócio passou para a prima.
Nascimento da filha: dia 27 de novembro de 1905 nasce aquela que será chamada a Flor de Granada. Foi batizada dia 8 de dezembro, com o nome de Maria de la Concepción Del Perpétuo Socorro, Francisca de Paula, Eloísa y primitiva da Santíssima Trindade, Conchita. O pai, a convite de amigos parte para uma viagem. Nestes dias, ela, com um ano e 7 meses tem uma doença grave que a põe em risco de vida. Ao voltar e beijar a filha, ela desperta e o chama de papai pela primeira vez. Graças a N.S.de Lourdes, a menina se recupera.
Para a formação da filha cristã e intelectual, ele faz tudo em casa, sendo ele e a mãe os professores de todas as matérias. O médico aconselhara não forçar a menina. A mãe não passava a filha às empregadas. Preparam também para a primeira comunhão dia 25.12.12. A Eucaristia é centro de sua vida. Dá-lhe uma educação completa.
Francisco levanta cedo para a missa diária e às 8 está no trabalho. Tinha uma vida espiritual boa, mas só boa. Sofria muito com os males do estômago, com dificuldades para comer. Tendo ido fazer tratamento de água, com a oração consegue recuperar-se rapidamente. No relacionamento com a filha, eleva sua vida espiritual e compreende o sentido do sofrimento e passa a uma vida mais recolhida.
A vida familiar de profundo amor e alegria, com festas; assam a ter consertos e festa em casa. Sempre viajavam, peregrinavam e passeavam. A menina absorvia e anotava tudo.
A cruz o acompanha: perde o pai e a mãe. Padece muitas enfermidades, de modo especial do estômago. A grande cruz foi a doença da esposa que adquire uma doença mental. Tem que ser internada 4 vezes. Quando em casa o agredia. Às vezes, a filha, doente para morrer e a mulher enlouquecida. A doença da filha. A partir dos 10 anos a filha começa seu sofrimento. Tem também os males do estômago. Indo a Lourdes e Lisieux, a filha tem a primeira crise de tuberculose. Concita morre dia 13 de maio de 27. Começa sua fama de santidade, o que se torna uma cruz para o pai, pelas perseguições à filha. Em meio aos sofrimentos a esposa morre dia 13 de dezembro de 1937. Diante dos sofrimentos tem a atitude de profunda aceitação e agradecimento. Sua força é a Eucaristia, com a comunhão, as visitas ao Ssmo. Passa horas de oração à noite. Dia 3 de dezembro de 1931, tem o Santíssimo na capela da casa. Agora vivem no Carmen.
Grande devoto de Maria sob diversos títulos, de modo particular Perpétuo Socorro e das Angústias de Granada.
Ele se faz o apóstolo da filha que tinha fama de santidade os comentários eram de que o Pai era o santo. Torna-se ele o primeiro propagador. O culto iniciou-se em sua casa, no Carmen. Ali fica tudo como era no seu tempo para a visitação. O processo ocupa lugar importante na sua vida. Os milagres acontecem e as romarias aumentam. Há perseguição por causa desta fama de santidade. A primeira biografia vem antes do primeiro ano depois da morte. Vem gente de longe, sobretudo no dia 13 de cada mês. Ele trabalha na publicidade. O processo ordinário tem início dia 2109.38 e se fecha em 7 de novembro de 47. Em 1977 faz-se um processo supletório que termina em 79. (há tb a questão das aparições de Conchita)
Era muito amigo das religiosas, e dá a elas a casa do Carmen para o cuidado de manter a casa de Conchita e o culto.
Era um homem de grandíssima correspondência com os mais diversos tipos de pessoas, a começar do cardeal da cidade. Elas são fonte para o conhecimento de sua vida, seu sofrimento e sua espiritualidade. Nas cartas se pode notar o homem de fé, agradecido a Deus, humilde, fino e delicado e de agradável humor.
Sua caridade se manifesta no respeito às pesoas, sobretudo no tempo em que está entre os estudantes, seus colegas de seminário. Os que conviveram com ele o tem como um homem sempre afável com todos, compreensivo e caridoso.
Vocação religiosa:
Homem nobre que era e já de certa idade, não parecia o tipo próprio para a vida religiosa. Logo depois da morte da esposa fala em ser irmão, mas mesmo ele se ri da idéia. O Cardeal faz insinuações em uma carta ao dar os pêsames pela morte da esposa. Fala com um redentorista como irmão ou até sacerdote, mas não se sente digno. Procura conselhos e espera. Passados os bens e o cuidado da casa onde falecera sua filha para as religiosas.
No dia 13 de junho de 1945 entra para o convento redentorista e inicia o postulantado em Granada. A pobreza da vida religiosa contrasta com sua vida de senhor em sua casa. Faz os serviços humildes. Dia 13 de maio de 1946 inicia sua viagem para o noviciado. Um jesuíta importante o avaliara e disse que teria condições para o sacerdócio. Recebe da província a confirmação de uma vocação que lhe oferecida, mesmo que não se sinta nem digno, nem capaz. A vida dura e silenciosa não lhe era fácil, sobretudo para ele que vivia por conta sua. O estudo do latim para ver se poderia assumir o sacerdócio lhe custou muito. Em tudo procurava qual era a vontade de Deus. Está aprovado para o noviciado.
Chega a Nava Del Rey para o noviciado dia 3 de julho de 46. Era conhecido por ser pai de Conchita. Com 65 anos no meio de 20 jovens de 18-20 anos. Dia 23 de agosto tira as vestes elegantes e veste a batina redentorista. Havia noviço que já era sacerdote. Horário pesado, trabalhos humildes. Desenvolveu a espiritualidade redentorista, o que na realidade já vivia. Exerceu diversos encargos. Sofria com a falta de limpeza, com o clima, com o trabalho manual e com a convivência. Havia grande amabilidade entre ele e os outros noviços. Durante o noviciado preocupava-se com o processo de Conchita, com as publicações sobre sua vida. O processo já estava em Roma e o Pe. Lucas que era o postulador, fora transferido. Tinha ainda que manter a correspondência que era avultosa. Recebe carta do Superior Geral Pe. Buys no dia da profissão: “Os caminhos misteriosos da Providência que para o senhor foram de alegria e espinhos especiais, desembocam agora no jardim da vida religiosa. Oxalá seja uma poesia de perene primavera e que os consolos do sacerdócio apaguem as amarguras passadas”.
Durante o tempo do noviciado salienta-se sua humildade, seu espírito de oração, passando longo tempo na capela. Era homem mortificado e de boa convivência. Não se molestava e gostava de escutar os noviços.
Fez sua profissão religiosa no dia 24 de agosto de 1947. Dali vai para Astorga onde vai fazer uma curso de teologia adaptado a sua idade. Serão 2 anos de estudo. Causa curiosidade aos estudantes pela sua personalidade e história pessoal. Não segue o curso regular, mas tem professores particulares. Aos 7 de janeiro de 1949 pedem a Roma a dispensa dos estudos regulares. O motivo da dispensa dos estudos: idade avançada (68 anos), Ser pai de Conchita, cuja fama de santidade se extendeu pelo mundo. Foi aconselhado a ser padre, apesar de ter querido ser irmão. É instruído nas ciências humanas e recebeu a formação de sacerdotes idôneos. Superou as expectativas nos estudos que apresentou. A resposta chega dia 28 de abril de 1949.
Dia 17 de julho, SSmo Redentor, faz a profissão perpétua e recebe o subdiaconato. Dia 24 recebe o diaconato e dia 25 a ordenação sacerdotal. O bispo que o ordena é amigo seu desde o tempo dele casado. Dia 28 celebra em Astorga a primeira missa cantada no dia de Santo Afonso. Pouco depois celebra a primeira missa na capela de sua casa, onde havia Santíssimo desde 1931, el Carmen, onde vivera com sua família. Ali agora estava o corpo de sua filha Conchita, serva de Deus.
Seu trabalho na comunidade exerce diversos encargos. Na Igreja, não confessava nem pregava, pois não estava preparado para isso. Mas atendia o povo, distribuía a comunhão a quem pedia (costumes diferentes). Atendia os doentes com quem conversava longamente. Fica capelão do Carmen. Ali deve ir duas vezes por dia a pé. Trabalha no processo de sua filha. Além disso era o enfermeiro da comunidade e cicerone aos confrades e amigos que vinha visitar Granada. Assim trabalha 8 anos. Havia quem o humilhasse pelo processo de sua filha, duvidando de sua santidade. Era um santo. Todos diziam, que se a filha era santa, era porque o pai o era mais. A oração era o alimento contínuo de sua alma. Pela Virgem, sentia loucura. Sempre estava com o rosário nas mãos.
Sua morte: N dia 7 de outubro de 1957, mesmo sendo frágil, não estava doente; Havia passeado com um padre amigo, que viera da China. Era seu costume levantar-se cedo e chegar primeiro à capela. Naquele dia não aparece. Foram ao quarto, estava com a luz acesa, mas fechado. Passando pela ventarola encontram-no morto, com as mão juntos, rosto tranqüilo. Como estivesse ainda com o corpo quente, dão-lhe a unção. Ao ser enterrado, passam pelo seu Carmen.
Suas virtudes características: bondade, simplicidade, humildade, laboriosidade, e piedade. Sempre um sorriso nos lábios. Apesar de ter sofrido muito, estava sempre de bom humor. Nasceu rico e morreu pobre porque seu coração era maior que o bolso.
A fama de santidade vinha de longa data e é testemunhada por todos que o conheceram tanto leigos, como confrades desde o noviciado. Os testemunhos no processo de Conchita, iniciado 21.09.38 e terminado em junho de 45. O processo ordinário supletório começou em 06.06.79. Neste processo fala da santidade dos pais. Os testemunhos afirmaram sua santidade como secular, noviço, estudante e sacerdote. O processo foi aberto ….. Em 2001 foi colocada a positio super virtutibus.
Servo de Deus Padre Francisco Pitocchi
Nasceu em Vico, na diocese de Alatri, dia 21 de setembro de 1852. Foi ordenado sacerdote em Alatri dia 22 de maio de 1875. Estando trabalhando na paróquia de Vico, conheceu os redentoristas de Frosinone quando pregaram missões e retiros a seu pedido, e acabou por se juntar a eles. Professou em Santo áfonos em Roma dia 8 de setembro de 1885.
Por um tempo ensinou retórica aos estudantes da província romana. Em 1887 editou as cartas de Santo Afonso.
É lembrado como confessor e diretor espiritual do Clero. Foi confessor do Seminário Romano de 1898 e em 1913 foi indicado como diretor espiritual do Colégio Leoniano por Pio X.
Muitos eclesiásticos importantes o tinham como diretor espiritual, inclusive o beato Papa João XXIII. Morreu em Santo Afonso, Roma, dia 13 de junho de 1922
Beato Francisco Xavier Seelos
Reprodução
Amigo dos pobres e guia espiritual fervoroso
Francisco Xavier Seelos nasceu no dia 11 de janeiro de 1819 em Füssen, Baviera, Alemanha. Foi batizado no mesmo dia na igreja paroquial de São Mang. Desde pequeno mostrava um grande desejo de se tornar padre e entrou para o seminário diocesano em 1842, após completar seus estudos de filosofia.
Pouco tempo depois de ter conhecido os missionários da Congregação do Santíssimo Redentor, fundada para a evangelização dos mais abandonados, decidiu entrar para esta Congregação e trabalhar junto aos imigrantes de língua alemã nos Estados Unidos. Ele foi aceito pela Congregação no dia 22 de novembro de 1842 e no ano seguinte embarcou no porto de Le Havre, na França, chegando a Nova York no dia 20 de abril de 1843.
No dia 22 de dezembro de 1844, após completar o noviciado e os estudos de teologia, Seelos foi ordenado sacerdote na Igreja Redentorista de São Tiago em Baltimore, Maryland, USA. Depois da ordenação trabalhou por nove anos na paróquia de Santa Filomena em Pittsburgh, no estado de Pensilvânia, primeiramente por seis anos como coadjutor de São João Neumann, superior da comunidade religiosa e nos últimos três anos como superior e pároco. Durante este tempo, foi também mestre dos noviços redentoristas. Com Neumann se dedicou à pregação das missões. Quanto ao relacionamento entre os dois, Seelos disse: “Ele me introduziu na vida ativa” e “foi meu diretor espiritual e confessor”. Sua disponibilidade e bondade natural no entender e responder às necessidades dos fiéis, o fizeram logo muito conhecido como um excelente confessor e diretor espiritual, a tal ponto que acorriam a ele pessoas de cidades vizinhas.
Amigo dos pobres e guia espiritual fervoroso
Descubra quem são os santos e beatos redentoristas
Fiel ao carisma redentorista, praticou um estilo simples de vida e desenvolveu uma maneira fácil de se expressar. Os temas de sua pregação, ricos em conteúdos bíblicos, sempre foram ouvidos e entendidos por todas as pessoas. Dedicava-se com grande esforço em suas atividades pastorais à instrução das crianças na fé. Considerava seu trabalho ministerial fundamental para o crescimento da comunidade cristã na paróquia. Em 1854, foi transferido de Pittsburgh para Baltimore, depois em 1857 para Cumberland e em 1862 para Annapolis, sempre engajado no ministério paroquial e trabalhando na formação de futuros redentoristas, como prefeito dos estudantes. E também quanto a este trabalho se mostrava sempre um pastor bondoso e feliz, muito atento às necessidades de seus estudantes e consciente da importância da formação doutrinal. Acima de tudo, se empenhou em incutir nestes jovens formandos o entusiasmo missionário, o espírito de sacrifício e o zelo apostólico para o bem espiritual e temporal do povo.
Em 1860 recebeu a proposta para ser candidato a bispo da diocese de Pittsburgh e a negou. O Papa Pio IX aceitou suas razões para não ser eleito. De 1863 a 1866 ele se dedicou à vida de missionário itinerante, pregando em inglês e alemão nos seguintes estados: Connecticut, Illinois, Michigan, Missouri, Nova Jersey, Nova York, Ohio, Pensilvânia, Rhode Island e Wisconsin.
Após um breve tempo no ministério paroquial de Detroit, Michigan, em 1866 foi designado para a comunidade redentorista de Nova Orleans, estado de Louisiana, no sul dos Estados Unidos. Também ali, na Igreja de Santa Maria da Assunção ficou logo conhecido pela sua disponibilidade aos fiéis e pela preocupação especial com os mais pobres e abandonados. Os planos de Deus, no entanto, reservaram-lhe um curto ministério em Nova Orleans.
No mês de setembro, exausto de visitar e cuidar das vítimas da peste da febre amarela, ele próprio contraiu a doença fatal. Depois de sofrer pacientemente por algumas semanas, Pe. Francisco Xavier Seelos passou à vida eterna no dia 4 de outubro de 1867,com apenas 48 anos e 9 meses.
No dia 9 de abril do solene Ano Jubilar 2000, na Praça São Pedro no Vaticano, o Papa João Paulo II o proclamou beato.
A Congregação do Santíssimo Redentor recorda a sua memória litúrgica no dia 05 de outubro.
Nos Estados Unidos, a Congregação Redentorista organizou um site para manter viva a memória e a história do Beato Seelos.
Servo de Deus Irmão Gabriel Saiz Gutiérrez
RELIGIOSO DE VERDADE VAI DIRETO PARA O CÉU
Simplicidade, desprendimento das coisas do mundo e total entrega a Deus são traços que bem definem irmão Gabriel.
Bernardo Saiz Gutiérrez era o nome de batismo desse irmão, que nasceu em 23 de julho de 1896, num vilarejo da província de Burgos chamado Melgosa. Batizado no mesmo dia, recebeu, segundo um costume de Burgos, um advogado no céu, na pessoa de Santo Apolinário.
Manifestou logo cedo inclinação para a vida religiosa. Seus pais, Martín e Casilda, pobres lavradores que eram, opuseram-se. Disseram-lhe que mais tarde se poderia pensar nisso. Tentou outra vez aos doze anos, por ocasião de uma missão redentorista no povoado. E outra vez a resposta foi não.
O chamado se fazia permanentemente presente em seu coração, entretanto. Mesmo vendo o tempo passar, e não sendo possível estudar, mantinha-se preso a essa idéia. O que não tinha lugar em seu coração eram as coisas do mundo, suas pompas e vaidades. Passava os domingos em casa, rezando e lendo livros de espiritualidade. Ao pai e aos irmãos, quando lhe diziam que não se interessava por nada, respondia: “Que interesse vou ter nestas coisas, sabendo que um dia terei de deixá-las?”.
Nisto, seu irmão saiu de casa para servir no exército do Rei. Seu pai chamou-o de lado e apressou-se a dizer a Bernardo que enquanto não voltasse seu irmão, dali a três anos, nem pensar em convento. O pior, advertiu-se, era que, quando o irmão voltasse, era a ele que tocava a vez de servir. E começou desde então a pedir com insistência à Virgem do Perpétuo Socorro que o livrasse de servir. A Virgem o atendeu.
Por fim, com mediação de sua irmã, que morava em Vitória e se prontificou a falar com os padres do El Espino, Bernardo pôde realizar o sonho de sua vida: deixar o mundo e entrar no convento.
Começou o Noviciado já não sendo mais Bernardo, e sim Gabriel, e com esse nome professou em 13 de novembro de 1920, aos 24 anos de idade e quase o mesmo tanto de luta para seguir sua vocação.
Desde que entrou, seu ofício foi o de cozinheiro. Para tanto, freqüentou durante uma temporada um curso que foi ministrado no palácio da Nunciatura. Um irmão que conviveu com ele escreveu a seu respeito: “Era piedoso e trabalhador; não me recordo de que alguma vez tenha se negado a prestar ajuda aos demais; era visto com freqüência fazendo visita ao Santíssimo. Homem de coração sensível, isso o fazia sofrer muito quando tinha qualquer atrito com alguém, e não descansava enquanto não conseguia desfazer qualquer mal feito; mais de uma vez pediu desculpas de joelhos se em algo tinha falhado…”.
Quando começaram a chegar notícias da perseguição religiosa desencadeada na Espanha, dizia com admirável tranqüilidade às senhoras de uma casa para onde levou os objetos sacros da Comunidade e da Basílica para livrá-los de roubo e profanação: “Se ao sair daqui me prenderem e me derem um tiro ou me matarem de outra forma qualquer, não me importa nada. Que há melhor que morrer mártir e ir direto para o céu?”.
Logo depois, haveria de se cumprir seu desejo. Estava para completar quarenta anos.
Beato Gaspar Stanggassinger
“Os santos têm intuições especiais”, escrevia o Beato Gaspar Stanggassinger. “Mas o que é importante para mim, que não sou um santo, são simplesmente as verdades eternas: A Encarnação, a Redenção e a Santíssima Eucaristia”.
Gaspar Stanggassinger nasceu em 1871 em Berchtesgade, no sul da Alemanha. Foi o segundo filho entre 12 irmãos. O pai dele, um homem respeitado por todos, era camponês e possuía uma pedreira. Gaspar viveu pouco entre nós, mas deixou uma marca de santidade e exemplo de vida.
Beato Gaspar | * 1871 + 1899
Desde menino desejava ser padre. Nos anos de infância, Gaspar gostava de brincar de ser padre; pregava curtos sermões a seus irmãos e irmãs; os levava até mesmo em procissão para uma capela na montanha não muito distante de sua casa. Aos 10 anos, foi para Freising continuar os seus estudos, que achava particularmente difíceis. Mas seu pai o tinha advertido que, se não passasse nos exames, ele deveria abandonar a escola. Contra a sua vontade, mas com grande aplicação e fidelidade na oração, fez constantes progressos.
Nos anos seguintes, durante as férias juntou-se a grupos de jovens, que ele afervorava na vida cristã, animava-os a formar entre eles um grupo e os ajudava a organizar seu tempo livre. Diariamente o grupo assistia a missa, eles faziam viagens ou peregrinações. Gaspar era muito dedicado a eles e até mesmo, em uma ocasião, ele correu risco de vida para salvar um companheiro durante a escalada na montanha. Ele entrou para o seminário diocesano de Munique e Frising em 1890 para começar os estudos de teologia.
Para descobrir melhor a vontade de Deus se entregou a um rigoroso programa de oração. Bem depressa viu claramente que o Senhor o chamava a viver sua vocação como religioso. Depois de uma visita aos redentoristas, sentiu o desejo de seguir a vocação deles como missionário. Apesar da oposição de seu pai, entrou para o noviciado redentorista em Gars em 1892 e foi ordenado sacerdote em Regensburg em 1895. Gaspar Stanggassinger entrou na Congregação do Santíssimo Redentor para ser missionário, mas os seus superiores o destinaram à formação de futuros missionários, como vice-diretor do pequeno seminário de Dürenberg, nas proximidades de Hallein. Dedicou-se completamente ao que lhe tinha sido recomendado.
Como religioso, tinham feito o voto de obediência e isto ele o viveu de um modo claro e constante. Toda semana, durante 28 horas, dava suas aulas, mas sempre estava disponível para a mocidade. Aos domingos, ajudava nas igrejas das cidades vizinhas, sobretudo pregando. Apesar deste programa de trabalho, estava sempre disponível de um modo paciente e compreensivo para ajudar as necessidades do outro, principalmente dos estudantes que viam nele mais um amigo que um superior.
Embora o regulamento de formação fosse muito rigoroso, Gaspar nunca se comportou com dureza; Pe. Gaspar tinha sempre o sentimento de ter podido ofender alguém e por isso se desculpava com humildade. Profundamente devoto do Senhor e do Sacramento da Eucaristia, convidava em suas pregações o povo e, em especial a juventude, a recorrerem ao Santíssimo Sacramento nos momentos de necessidade ou de dúvida. Animava-os a irem até o Cristo para o adorar e falar com Ele como a um amigo.
Frequentemente recomendava aos fiéis que levassem muito a sério a vida cristã, que crescessem na fé mediante a oração e por meio de uma conversão contínua. O estilo dele era direto e convincente, sem ameaças de castigos, em contraste com o que era habitual nas pregações de seu tempo. Em 1899, os redentoristas abriram um seminário novo em Gars. O Padre Gaspar Stanggassinger foi nomeado seu diretor. Ele estava então com 28 anos. Ele teve apenas o tempo de pregar um retiro para os estudantes e de participar na abertura do ano escolar.
No dia 26 de setembro de 1899, sua peregrinação terrestre chegou ao fim por causa de uma peritonite. A causa de sua canonização começou em 1935, com a transferência de seus restos mortais para a capela lateral da igreja de Gars. Foi proclamado Beato pelo Papa João Paulo II no dia 24 de abril de 1988.
São Geraldo Majella
Santuário de Materdomini – Itália.
Imagem de São Geraldo do Santuário de Materdomini, na Itália.
“Aqui se faz a vontade de Deus, como Deus quer e por quanto tempo ele quer.”
São Geraldo Majella nasceu em 1726 em Muro, pequena cidade do sul da Itália. Sua mãe, Benedita, foi uma bênção para ele, pois ensinou-lhe o imenso amor de Deus que não conhece limites. Ele era feliz por estar perto de Deus.
Geraldo tinha quatorze anos quando seu pai morreu e ele ficou sendo o arrimo da família. Tornou-se aprendiz na alfaiataria da cidade e era maltratado pelo mestre. Passados quatro anos de aprendizado, quando ele poderia montar sua própria alfaiataria, disse que ia trabalhar como empregado do bispo de Lacedônia. Seus amigos lhe aconselharam a não assumir o trabalho. No entanto, os ímpetos de ira e as constantes repreensões que impediram os outros empregados de permanecer mais que poucas semanas nada eram para Geraldo. Foi capaz de exercer todos os encargos e trabalhou três anos para o bispo até a morte deste. Quando acreditava que estava fazendo a vontade de Deus, Geraldo aceitava qualquer coisa. Se batiam nele na alfaiataria ou se o bispo não lhe dava valor, pouco importava; via o sofrimento como parte do seu seguimento de Cristo. “O senhor bispo gostava de mim” – dizia. E já então, Geraldo costumava passar horas diante de Jesus presente no Santíssimo Sacramento, o sinal do seu Senhor crucificado e ressuscitado.
Em 1745, com 19 anos, voltou para Muro onde montou uma alfaiataria. Seu negócio prosperou, mas ele não ganhou muito dinheiro. Praticamente dava tudo para os outros. Guardava o que era necessário para sua mãe e suas irmãs e dava o resto aos pobres. Geraldo não passou por uma conversão repentina e espetacular, apenas foi crescendo constantemente no amor de Deus. Durante a Quaresma de 1747 ele resolveu ser completamente semelhante a Cristo o quanto lhe fosse possível. Fez penitências mais severas e as humilhações não eram problemas para ele.
Vocação religiosa
Quis servir plenamente a Deus e pediu admissão no convento dos Capuchinhos, não sendo porém aceito. Aos 21 anos tentou a vida de eremita. Tal era a sua vontade de ser semelhante a Cristo, que aceitou imediatamente a chance de representar o papel de Cristo num Drama da Paixão, um quadro vivo apresentado na catedral de Muro.
Com os Redentoristas
Em 1749, os Redentoristas pregaram missões em Muro. Eram quinze missionários e tomaram de assalto as três paróquias da pequena cidade. Geraldo seguiu cada detalhe da missão e decidiu que aquela devia ser a sua vida. Pediu para ingressar no grupo missionário, mas o Pe. Cafaro, o Superior, recusou-o por motivo de saúde. Tanto importunou os padres, que, ao deixarem a cidade, o Pe. Cafaro sugeriu à sua família que o trancasse no seu quarto.
Usando um estratagema que desde então haveria de encontrar imitadores entre os jovens, Geraldo amarrou os lençóis da cama e, descendo pela janela, seguiu o grupo dos missionários. Fez uma dura caminhada de dezenove quilômetros para chegar até eles. “Aceitem-me, me deem uma chance, depois me mandem embora se eu não for bom”, dizia Geraldo. Diante de tamanha persistência, Pe. Cafaro não pôde senão consentir. Mandou Geraldo para a comunidade redentorista de Deliceto com uma carta em que dizia: “Estou mandando um outro irmão, que será inútil quanto ao trabalho”.
6 metas de vida de São Geraldo Majella
Geraldo sentiu-se absolutamente e totalmente satisfeito com o modo de vida que Santo Afonso, fundador dos Redentoristas, traçou para os seus religiosos. Ficava radiante ao constatar como era central o amor a Jesus sacramentado e como era essencial o amor a Maria, Mãe de Jesus.
Professou os primeiros votos na data de 16 de julho de 1752, que, conforme ele ficou sabendo com alegria, era a festa do Santíssimo Redentor. Desde esse dia, com exceção de algumas visitas a Nápoles e do tempo passado em Caposele onde morou, a maior parte da vida de Geraldo foi vivida na comunidade redentorista de Iliceto.
O rótulo de “inútil” não duraria muito. Geraldo era um excelente trabalhador e nos anos seguintes foi por várias vezes jardineiro, sacristão, alfaiate, porteiro, cozinheiro, carpinteiro e encarregado das obras da nova casa de Caposele. Aprendia rápido: visitando a oficina de um escultor, logo começou a fazer crucifixos. Era uma jóia na comunidade. Tinha apenas uma ambição: fazer em tudo a vontade de Deus.
Em 1754 o seu diretor espiritual pediu-lhe que escrevesse qual era o seu maior desejo. Ele escreveu: “amar muito a Deus; estar sempre unido com Deus; fazer tudo por amor de Deus; amar a todos por amor de Deus; sofrer muito por Deus. Minha única ocupação é fazer a vontade de Deus”.
A Espiritualidade de São Geraldo Majella
A Grande Provação
A santidade verdadeira deve sempre ser testada pela cruz, e assim, em 1754, Geraldo devia sofrer uma grande provação, aquela que bem pode ter merecido a ele o poder especial para assistir às mães e a seus filhos. Uma das suas obras de apostolado era a de encorajar e assistir as moças que queriam entrar para o convento. Muitas vezes ele até garantiu o necessário dote para alguma moça pobre que de outra forma não poderia ser admitida numa ordem religiosa.
Néria Caggiano era uma das moças assistidas desta forma por Geraldo. Porém, ela achou desagradável a vida do convento e dentro de três semanas voltou para casa. Para explicar sua atitude, Néria começou a espalhar mentiras sobre a vida das freiras, e quando o povo de Muro recusou-se a acreditar em tais histórias a respeito de um convento recomendado por Geraldo, ela resolveu salvar sua reputação destruindo o bom nome do seu benfeitor. Para isto, numa carta dirigida a Santo Afonso, o superior de Geraldo, ela o acusou de pecados de impureza com a jovem de uma família em cuja casa muitas vezes Geraldo ficava nas suas viagens missionárias.
Geraldo foi chamado por Santo Afonso para responder a acusação. Mas, em vez de se defender, permaneceu em silêncio, seguindo o exemplo do seu divino Mestre. Diante deste silêncio, Santo Afonso nada pode fazer senão impor ao jovem religioso uma severa penitência: foi negado a Geraldo o privilégio de receber a santa Comunhão e foi-lhe proibido todo contato com os de fora.
O segredo do silêncio de São Geraldo Majella
Não foi fácil para Geraldo renunciar aos trabalhos pelo bem das almas, mas este era um sofrimento pequeno em comparação com a proibição de comungar. Sentiu isto tão profundamente, que chegou a pedir para ficar livre do privilégio de ajudar a Missa, receando que, a veemência do seu desejo de receber a comunhão o fizesse arrancar a hóstia consagrada das mãos do padre no altar.
Algum tempo depois, Néria ficou gravemente enferma e escreveu uma carta a Santo Afonso confessando que as suas acusações contra Geraldo não passavam de invenção e calúnia. O santo ficou cheio de alegria ao saber da inocência do seu filho. Mas Geraldo, que não ficara deprimido no tempo da provação, também não exultou indevidamente quando foi justificado. Em ambos os casos sentiu que a vontade de Deus tinha sido cumprida, e isto lhe bastava.
Geraldo fazia milagres
De poucos santos se recordam tantos fatos prodigiosos como de São Geraldo. Seus processos de beatificação e de canonização revelam que seus milagres eram os mais variados e numerosos. Era agraciado com fenômenos espirituais de muitos tipos. Nada disso era motivo de orgulho para ele.
Seus milagres foram feitos para o benefício dos mais pobres. Fatos extraordinários como os que enumeramos a seguir começam a parecer lugares comuns quando se lê a sua biografia. Ele devolveu a vida a um garoto que tinha caído de um alto rochedo; abençoou a magra provisão de trigo pertencente a uma família e ela durou até a colheita seguinte; várias vezes multiplicou o pão que estava distribuindo aos pobres. Certo dia andou sobre as águas para levar um barco de pescadores entre as ondas tempestuosas até a segurança da praia. Muitas vezes Geraldo contou às pessoas pecados secretos de suas almas que tinham vergonha de confessar e levou-as a penitência e ao perdão.
O seu milagroso apostolado em favor das mães também começou durante a vida. Um dia, ao sair da casa de amigos, a família Pirofalo, uma das moças o chamou dizendo que tinha esquecido o lenço. Num momento de intuição profética, disse Gerado: “Guarda-o, pois te será útil um dia”.O lenço foi guardado como uma preciosa lembrança de Geraldo. Anos mais tarde aquela moça estava em perigo de morte em trabalhos de parto. Lembrou-se das palavras de Geraldo e pediu o lenço. Quase imediatamente o perigo passou e ela deu à luz uma criança sadia. Em outra ocasião pediram as orações de Geraldo para uma mulher grávida que corria perigo junto com o filho. Tanto ela como a criança saíram ilesas do perigo.
Morte e Glorificação
De saúde sempre frágil, era evidente que Geraldo não iria viver muito. Em 1755 sofreu violentas hemorragias e disenteria, a ponto de sua morte ser esperada para qualquer momento. No entanto, ele devia ainda ensinar uma grande lição sobre o poder da obediência. O seu diretor mandou-lhe que sarasse, se fosse da vontade de Deus, e imediatamente a doença pareceu desaparecer, ele deixou o leito e juntou-se à comunidade. Sabia, porém, que esta cura era apenas temporária e que tinha pouco mais que um mês de vida.
A história de Geraldo quando escolheu sua esposa
Pouco depois teve que voltar ao leito e começou a preparar-se para a morte. Abandonava-se totalmente à vontade de Deus e escreveu na porta do seu quarto: “Aqui se faz a vontade de Deus, como Deus quer e por quanto tempo ele quer.” Como freqüência ouviam-no recitar esta oração: “Meu Deus, quero morrer para fazer vossa santíssima vontade.” Pouco no dia 16 de outubro de 1755, em Materdomini, a sua alma inocente voltou para Deus.
Na morte de Geraldo, o irmão sacristão, na sua euforia, tocou os sinos à maneira festiva, em vez do toque fúnebre. Milhares de pessoas vieram ver o corpo do “seu santo” e tentar obter uma última lembrança daquele que tantas vezes os tinha ajudado. Após a sua morte, começaram a ser relatados milagres em quase todas as regiões da Itália, atribuídos à intercessão de Geraldo. Em 1893, o Papa Leão XIII o beatificou e, no dia 11 de dezembro de 1904, o Papa Pio X o canonizou como santo.
O Santo das Mães
Por causa dos milagres que Deus fez por meio das preces de Geraldo em favor das mães, as mães da Itália se afeiçoaram a Geraldo e fizeram dele o seu padroeiro. No seu processo de beatificação, uma testemunha atesta que ele era conhecido como o santo dos partos felizes.
Santo das mães e das gestantes
Milhares de mães tem experimentado o poder de São Geraldo. Muitos hospitais dedicam a ele a ala da maternidade e dão a seus pacientes medalhas e santinhos de São Geraldo. Milhares de meninos recebem o nome de Geraldo dos pais, convencidos de que foi a intercessão dele que os ajudou para que nascessem sadios.
A Congregação Redentorista se alegra ao celebrar os 100 anos de sua canonização e os 250 de sua morte, no Jubileu Geraldino. Ele é modelo para todos os que querem seguir o caminho do Redentor, tanto padres, como irmãos ou leigos. Em Geraldo podemos aprender sobretudo a amar a Deus e às pessoas, estar a serviço e viver na alegria fazendo a vontade de Deus.
Em Materdomini, na Itália, um santuário foi erguido em sua homenagem e ali descansa os seus restos mortais. No Brasil, a cidade mineira de Curvelo, abriga a Basílica de São Geraldo, reconhecida internacionalmente por ser a única no mundo exclusivamente a ele dedicada.
Servo de Deus Irmão Gregório Zugasti Fernández
Murillo de Yerri, minúsculo vilarejo distante 6 km da progressiva e histórica cidade de Estrela, na província de Navarra, foi onde nasceu Gregório. Com as apenas treze casas que tinha, era possível guardar de memória o nome de toda a população de Murillo de Yerri.
Em Murillo vive-se bem em todos os sentidos. Povo muito religioso e próspero, que colhe grande quantidade de uvas viníferas e de cereais, cujas vendas estão bem organizadas pelas cooperativas ali existentes.
Gregório nasceu em 12 de março de1884. Seus pais, Patrício Zugasti e Petra Fernández de Esquide, eram, como toda a população do vilarejo, profundamente religiosos, e desde muito cedo incutiram no menino sólidos fundamentos de religião, que haveriam de ser para sempre normas de sua vida.
Fisicamente, Gregório foi se desenvolvendo de tal forma que, desde pequeno, já deixava ver a compleição hercúlea que ostentaria quando homem feito. Isso, aliás, era de família. Seu irmão Julián, que também entrará para a Congregação com o nome de irmão Filipe, era ainda mais forte que ele. A par disso, Gregório era verdadeiro exemplo de seriedade e vida sadia.
Numa linguagem tão sincera quanto pura e cheia de frescor, nos conta sua irmã Leandra: “Ia a Ugarte num domingo para comungar e, no seguinte, a Rocamador de Estela, de onde trouxe, uma vez, de uma tia, o Ano Santo, ou seja: uma coleção de doze livros, cada um para um mês, e passava muito tempo lendo-os. Tínhamos um professor que não servia para nada, então Gregório nos ensinava tudo da escola, nos dava prêmios nos domingos por sabermos as lições, e tinha jogos e baralho para os dias de festa.
Ele estava sempre em casa. …No dia de Quinta-feira Santa, desde que morria o Senhor* até a ressurreição, ficava a pão e água, e as sextas-feiras dizia que eram dias de penitência. Quando foi para ser irmão, dizia que sua maior glória seria morrer mártir. Tenho dois retratos dele, e sempre que os vejo mais alegria sinto, porque nos espera no outro mundo com algum lugar para nós”.
*Na liturgia pré-Concílio Vaticano II, celebrava-se a lembrança da morte de Jesus na Quinta-feira Santa. (N. do T.)
Segundo a crônica da casa, Gregório chegou a Astorga, em 28 de dezembro de 1906. Como postulante, aí esteve durante dois anos, findos os quais transferiu-se para o El Espino para fazer o noviciado sob a direção do santo homem de Deus, padre José Chavatte. Em 25 de dezembro de 1912, emitiu os votos como religioso.
Todos os que com ele conviveram afirmam que era um irmão piedoso, caritativo, trabalhador, obediente e mortificado. Por sua grande prudência e competência em negócios, ganhou a estima de todos e a confiança de seus Superiores. Durante uns dez anos, trabalhou com abnegação na Administração e no Editorial da revista El Perpetuo Socorro. Nesse posto surpreendeu-o a revolução em 1936.
Era atencioso com todos e muito prestativo nas múltiplas tarefas que envolvem um editorial e sua administração. Devido a esse cargo, eram incontáveis as pessoas que conhecia em Madri, o que, naqueles dias perigosos, podia ser uma vantagem ou um perigo: ou salvar-se, pelos muitos amigos que lhe ofereciam abrigo, ou perder-se exatamente por ser por demais conhecido.
Ele optou por correr perigo, não por vã temeridade, mas porque, desde que teve de abandonar o convento, encarregou-se de cuidar do irmão Nicesio, já meio cego. Isso, é claro, limitou ao extremo sua liberdade de ir e vir. Aceitou resignadamente o fato de, precisamente quando mais lhe poderiam valer seus conhecimentos de toda a cidade, ter de a isso renunciar para estar ao lado do irmão que necessitava de sua ajuda. A partir de então, irmão Gregório e irmão Nicesio estarão unidos até a morte.
Servo de Deus Padre Guilherme Janauschek
Nasceu em Viena dia 23 de outubro de 1859. Fez os votos como redentorista em Mautern dia 28 de abril de 1878 e foi ordenado em Mautern dia 29 de agosto de 1881. Depois de sua ordenação foi destinado para trabalhar na formação em Mautern. Em 1885 foi nomeado Diretor do seminário em Leoben e em 1890, mestre de noviços. De 190-9107 foi o provincial da Áustria e continuou a exercer diversos ofícios até sua morte. Foi 14 anos superior Permaneceu sempre um homem de oração.
Apesar de sua agitada vida, sentia muita alegria ao participar das missões que ele pregou em diversas regiões da Áustria e Alemanha, e mesmo uma vez, na Rússia. Toda sua vida foi devotada ao confessionário atraindo penitentes de todas as classes. Sua extraordinária santidade de vida era evidente para todos, sendo sempre um agradável e querido companheiro. Pe. Janauschek morreu em Viena dia 30 de junho de 1926. Sua causa de beatificação foi aberto em novembro de 1934.
Servo de Deus Isidoro Fiorini
Nasceu em Schifelli. Seus pais foram Alexandre Fiorini e Rosa Campoli. O pai faleceu em 1876. Passaram grande misérias. A mãe vai trabalhar no galinheiro da comunidade e Isidoro fazia alguns serviços pela casa. Um padre o instruía e também muito lhe falava da Sicília.
Em 1883 pediu para entrar na Congregação. Iniciou o noviciado em Roma (Convento S.Afonso) em 25.09.85. Aí fez os estudos sob a orientação do Pe. Pitocchi. Vê confrades de todo mundo que o anima a vastos horizontes. 10 anos de estudos e de empenho de vida religiosa. Seu defeito era a ira. Daí vai para Cortona para continuar os estudos. No dia 13.07.1897 recebe a ordenação sacerdotal.
Transferido a Schifelli vai a Bussolengo para pregar missões. No dia 23.03.1902 recebe uma carta do superior Geral que o transfere para a Sicília para a cidade de Uditore. Par pregar depois da supressão garibaldina. Faz grandes missões. Recebiam abusos dos liberais maçons. Sofre por doenças que o incomoda. Na missão de Partana recebe (1913) a notícias da morte da mãe.
Em 27.05.1915 é transferido para Agrigento. Ele é acolhedor, bondoso e compreensivo. Surge, nesse tempo, a guerra do império austro-ungárico. É transferido para Sciacca como superior da casa (terminara a guerra).
Retorna Uditore. Tem uma capelania para retiros e cuida espiritualmente dos uditorenses. Chama uma missão Prega missões. NO meio de tanta atividade mantinha-se em contemplação. Visita também as famílias do campo.
Retorna novamente Agrigento e vive uma segunda juventude. Livre, dedica-se às missões com grande apreço do povo. As igrejas ficavam cheias. O povo queria sua presença. Confessa o tempo todo. Nunca disse não aos superiores.
Longa permanência em Uditore: Volta a Uditore, reforma a Igreja e se torna disponível à missões Trabalha nos diversos setores.É procurado elos seminaristas para as confissões Um servo de deus se confessa com Ele.Preocupado com a juventude, prega retiro aos sacerdotes Dá apoio à Ação Católica. Receberam a visita de um visitador muito duro e centralizador. Ele escreve ao geral protestando em nome dos outros. O Geral responde: “Será que Nosso Senhor agradaria a vocês?” Obedece.
Última etapa em Agrigento: Voltando a Agrigento prepara o centenário da canonização de S. Afonso. Atende o povo. EM 06.02.42 é nomeado superior de Rometta. O Geral muda de idéia. Mesmo sendo velho continua a pregar e confessar. No dia 24 de julho, de 56, tendo ido confessar irmãs, volta de ônibus, mesmo tendo sido oferecido um taxi. Pelas 20 chega diante da casa. Desceu, mas a batina se prendeu e fechada a porta, o ônibus partiu arrastando o padre que fica com as pernas sob as rodas de trás. É levado ao hospital. Levado para casa morreu dia 25.07.56 com 89 anos 2 meses e 2 dias.
Beato Ivan Ziatyk
Ivan Ziatyk nasceu dia 26 de dezembro de 1899 na aldeia de Odrekhova, que fica uns 20 quilômetros ao sul da cidade de Sanok (atualmente território da Polônia). Seus pais, Estevão e Maria, eram pobres camponeses. Quando Ivan tinha 14 anos, seu pai faleceu. O ônus de cuidar do garoto foi assumido por sua mãe e pelo irmão mais velho Mykhailo, que fez as vezes de pai para Ivan.
Quando criança, Ivan era muito quieto e obediente. Quando era aluno da escola primária da aldeia, já demonstrava suas capacidades de estudante prendado. Também era perceptível a sua profunda piedade. Ivan fez os estudos secundários no ginásio de Sanok, que freqüentou de 1911 a 1919. Durante seus estudos no ginásio, seu rendimento acadêmico foi muito bom e excelente o seu comportamento. Em 1919 Ivan Ziatyk entrou no Seminário Católico Ucraniano de Przemysl, e concluiu o curso com distinção a 30 de junho de 1923. Neste mesmo ano, terminados os estudos teológicos, Ivan Ziatyk foi ordenado sacerdote.
De 1925 a 1935 o Pe. Ziatyk exerceu o cargo de prefeito dos Seminário Católico Ucraniano em Przemysl. Além de cuidar da direção espiritual dos seminaristas, ele contribuiu também para a sua formação intelectual: ensinou catequética e teologia dogmática no mesmo Seminário. Além do seu trabalho no seminário, Pe. Ivan Ziatyk era também Diretor Espiritual e professor de catequética no Ginásio Feminino Ukraniano de Przemysl.
Depois de terminar o noviciado em Holosko (perto de Lviv) em 1936, Pe. Ziatyk foi mandado para a comunidade de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro de Stanislaviv (atualmente Ivano-Frankivsk). Mas não ficou muito tempo: no outono de 1937 foi para o convento de Lviv, da rua Zyblykevycha 56-58, atualmente rua Ivana Franka. Aí assumiu o ofício de ecônomo da comunidade. Devia também substituir o superior, Pe. De Vocht, nas suas ausências. Em 1934 os Redentoristas inauguraram o seu seminário em Holosko, e Pe. Ziatyk fez parte do corpo docente como professor de sagrada escritura e de teologia dogmática. De 1941 a 1944 foi superior do convento da Dormição da Mãe de Deus em Ternopil, e de 1944 a 1946 foi superior do convento de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Zboiska, perto de Lviv, onde os Redentoristas tinham o juvenato, ou seja, o ginásio.
O fim da Segunda Guerra Mundial foi um período terrível na história da Ucrânia, da Igreja Greco-Católica e da Província redentorista de Lviv. Todos os bispos Greco-Católicos foram presos e, na primavera de 1946, a polícia secreta soviética reuniu em Holosko os Redentoristas de Ternopil, Stanislaviv, Lviv e Zboiska e os confinou numa ala não-aquecida do convento. O Pe. Ziatyk estava entre esses reunidos em Holosko. Ficaram lá dois anos sob constante vigilância da polícia secreta. A presença deles era controlada três ou quatro vezes por semana. Os confrades eram levados várias vezes para interrogatórios, durante os quais eram-lhes prometidos vários benefícios em troca da apostasia da fé ou da vocação religiosa. Em outubro de 1948 todos os Redentoristas que estavam em Holosko foram levados de caminhão para o convento de Univ.
Pouco depois, o Provincial redentorista, Pe. Joseph De Vocht, foi deportado para a Bélgica. Antes de partir, ele transferiu para o Pe. Ivan Ziatyk os seus deveres de Provincial da Província de Lviv e de Vigário Geral da Igreja Greco-Católica Ucraniana. Isto levou a polícia a vigiar com atenção especial o Pe Ziatyk. No dia 5 de janeiro de 1950 foi tomada a decisão de prendê-lo e no dia 20 de janeiro foi comunicada a ordem de prisão. Depois de numerosos interrogatórios, no dia 4 de fevereiro de 1950 Pe. Ivan Ziatyk foi acusado de “ser membro da Congregação redentorista desde 1936 e de promover as idéias do Papa Romano de divulgar a fé católica entre as nações do mundo inteiro para converter todos ao Catolicismo”.
A investigação sobre o Pe. Ziatyk durou dois anos. Esse tempo todo ele passou nas prisões de Lviv e de Zolochiv. Somente no período de 4 de julho a 16 de agosto de 1951, ele foi interrogado 38 vezes, sendo 72 o número total dos interrogatórios a que foi submetido. Não obstante as cruéis torturas que acompanhavam os interrogatórios, Pe. Ziatyk não traiu sua fé e não se submeteu ao regime ateu, embora seus parentes próximos tentassem persuadi-lo a fazê-lo.
A sentença do Pe. Ziatyk foi anunciada em Kiev a 21 de novembro de 1952. Foi condenado a 10 anos de prisão por “cooperar com organização nacionalista anti-soviética e propaganda anti-soviética”. A pena devia ser cumprida no campo de concentração Ozernyi Lager perto da cidade de Bratsk na região Irkutsk.
Enquanto esteve preso, Pe. Ziatyk sofreu terríveis torturas. Conforme algumas testemunhas, na sexta-feira santa de 1952 foi duramente flagelado com varas, mergulhado na água, e deixado inconsciente fora, no gelo siberiano. A flagelação e o frio causaram a sua morte no hospital da prisão três dias depois, no dia 17 de maio de 1952. Pe. Ziatyk foi sepultado no distrito de Taishet da região Irkutsk. O Grande Artista colocou mais uma pedra preciosa no grande mosaico do martírio.
Em vista dos testemunhos da vida virtuosa do Pe. Ivan Ziatyk, e em particular da sua constância, coragem e fidelidade à Igreja de Cristo no período da perseguição, foi iniciado o processo de beatificação por ocasião do Ano do Jubileu. Em março de 2001 o processo estava terminado no nível da eparquia, e foi transferido para a Sé Apostólica. No dia 6 de abril a Comissão teológica reconheceu o fato do martírio do Pe. Ziatyk, e a 23 de abril o seu martírio foi constatado pela Assembléia dos Cardeais. Sua Santidade o Papa João Paulo II assinou a 24 de abril de 2001 o decreto de beatificação do Pe. Ivan Ziatyk, bem-aventurado mártir da fé cristã.
Beato Januário Sarnelli
30 de junho – Festa do Beato Sarnelli (1702 – 1744 -Nápoles)
No dia 30 de junho, os Redentoristas celebram a Festa do Beato Januário Sarnelli. Companheiro de Santo Afonso Maria de Ligório no apostolado da palavra e na promoção dos marginalizados, Januário Maria Sarnelli, filho do Barão de Ciorani, nasceu em Nápoles no dia 12 de setembro de 1702.
Quando tinha 14 anos, acompanhou a beatificação de Francisco Régis e decidiu tornar-se um jesuíta. Foi logo desencorajado por seu pai, devido a sua pouca idade. Começou então os estudos de jurisprudência e se doutorou em leis eclesiásticas e civis em 1722. Logo se destacou na Associação dos Advogados e se inscreveu na Ordem dos Cavaleiros das Profissões Médico-Legais, dirigida pelos Pios Operários em São Nicolau de Toledo. Entre as normas desta associação, havia a obrigação de visitar os doentes no Hospital dos Incuráveis. E foi neste ambiente que ele se sentiu chamado ao sacerdócio.
Em setembro de 1728, tornou-se seminarista e foi encardinado pelo Cardeal Pignatelli, como clérigo na paróquia de Santana di Palazzo. No dia 4 de junho de 1729, com o objetivo de estudar em condições mais favoráveis, tornou-se interno no Colégio da Sagrada Família, conhecido como o Colégio Chinês, fundado por Mateus Ripa. No dia 8 de abril do ano seguinte, deixou o colégio e no dia 5 começou o noviciado na Congregação das Missões Apostólicas.
No dia 28 de maio de 1731, concluiu seu noviciado e a 8 de julho do ano seguinte, foi ordenado sacerdote. Durante esses anos, além de visitar o hospital, ele se empenhou em ensinar catecismo às crianças que já eram obrigadas a trabalhar. Visitava também os velhinhos no Asilo de São Januário e os condenados perpétuos e que se encontravam internados por doenças. Nesses anos, estabelecei laços de amizade com Santo Afonso de Ligório e entrou em contato com seu apostolado. Juntos eles se dedicaram a ensinar catecismo aos leigos adultos, organizando reuniões à noite.
Após sua ordenação, foi designado pelo Cardeal Pignatelli, Diretor de Instrução Religiosa na paróquia de São Francisco e São Mateus, no Bairro Espanhol. Tornando-se consciente e preocupado com a realidade gritante da corrupção de meninas, decidiu canalizar suas energias contra a prostituição.
Neste mesmo período (1733), ele corajosamente defendeu seu amigo, Afonso de Ligório, contra críticas infundadas e injustas, após a fundação da Congregação Missionária do Santíssimo Redentor, em Scala, no dia 9 de novembro de 1732.
Em junho de 1733, tendo ido a Scala para ajudar os Redentoristas na missão de Ravello, decidiu tornar-se também Redentorista, continuando ao mesmo tempo a ser membro das Missões Apostólicas. Após sua entrada para a Congregação, em abril de 1736, ele se dedicou sem restrições às missões paroquiais e a escrever. Escreveu principalmente em defesa das “meninas em perigo”. Também escreveu sobre a vida espiritual. Trabalhava a tal ponto que chegou à beira da morte. Com o consentimento de Santo Afonso, voltou a Nápoles para tratamento da saúde e lá retomou seu apostolado de recuperação das prostitutas.
Fazendo um apostolado redentorista juntamente com as Missões Apostólicas, ele incentivou a meditação em comum junto aos leigos, ao publicar “O Mundo Santificado”. Fez também campanhas contra a blasfêmia, em outro livro que escreveu. Em 1741 participou com Santo Afonso na grande missão pregada nos arredores de Nápoles, em preparação à visita canônica do Cardeal Spinelli. Apesar da precariedade de sua saúde, continuou a pregar até o fim de abril de 1744, quando sua saúde decaiu e ele muito doente voltou a Nápoles, onde morreu no dia 30 de junho com a idade de apenas 42 anos. Seu corpo jaz na Igreja de Ciorani, a primeira igreja redentorista.
Januário Maria Sarnelli nos deixou 30 escritos, entre meditações, teologia mística, direção espiritual, leis, pedagogia, temas morais e pastorais. Devido a seus trabalhos sociais em defesa da mulher, é considerado um dos mais importantes autores que tratou deste assunto na Europa, na primeira metade do século dezoito.
No dia 12 de maio de 1996, o Papa João Paulo II, o beatificou na Praça de São Pedro, Cidade do Vaticano.
Beato Javier Gorosterratzu Jaunarena
Padre José Xavier Gorosterratzu Jaunarena, C.Ss.R., nasceu em Urroz (Navarra), em 07 de agosto de 1877. Aos 14 anos, contra a vontade de seu pai, entrou para o Colégio dos Capuchinhos, em Lecároz.
Aos 16 anos, entrou para os Redentoristas; fez sua profissão em 08 de setembro de 1896 e foi ordenado padre em 28 de setembro de. Após alguns anos ensinando em El Espino (Burgos) e Astorga (León), viveu nas Comunidades de Pamplona (Navarra), Madri e Cuenca.
Ele era um homem de considerável cultura, bem como um missionário popular, um confessor e diretor espiritual experimentado e procurado. Publicou duas obras históricas e escreveu um manual de filosofia.
Em 10 de agosto de 1936, foi preso pela Milícia da Frente Popular, que o levou para o cemitério de Cuenca e o assassinou. Ele perdoou seus executores enquanto atiravam nele.
Servo de Deus Irmão João Batista Stoeger
Seus pais chamavam-se José e Isabel. Moram num bairro perto de Viena (Enzersfeld) – têm propriedade e um parreiral para vinho caseiro. Família religiosa e de oração.
Pai é severo e jejuador. A mãe tem 8 filhos (os dois primeiros morrem). Nasce João e depois dele tem mais 5, dos quais morrem dois. Duas irmãs se fazem monjas redentoristas. A mãe pede ao pároco que encaminhe as filhas para as redentoristas.
Seu tio Miguel tem uma propriedade, é religioso e influencia João. Leva-o para suas devoções. Na sua formação está presente também Santo Afonso. Conhece também a influência de S.Clemente.
Foi aluno aplicado na escola, acima do normal. Gosta de livros e faz uma biblioteca onde se encontram livros de Santo Afonso. Tem até pinturas de S.Afonso.
Em sua juventude quis ser padre, mas o pai o impediu. Aos 15 anos é encarregado de cuidar dos animais. Mora na cocheira. Lê muito, mesmo quando vai de carroça à cidade. São tempos de crise na sociedade. Ele tem grande espiritualidade e vida de oração.
É grande amigo das crianças. É sempre chamado a ser padrinho de crisma. Num ano teve 8 afilhados. É bom companheiro saindo sempre com os colegas para peregrinações. É estimado pelo povo, alegre prestativo e simpático. Vai a Viena toda semana levando legumes e leite.
Sua vocação religiosa se anuncia. Procura mensalmente o confessor Pe. Máximo. Depois dele o Pe. Medlener, redentorista.
Tem uma espiritualidade voltada para os sofrimentos de Cristo. Repete sempre a música Deixa-me cantar teu sofrimento”. Já preanuncia sua vida dolorosa.
Quer ser religioso:
Aos 24 anos, idade de assumir a direção do sítio, pois o pai já é idoso. O pai lhe pergunta se quer casar? Responde-lhe João: Pai, casar? De jeito nenhum.. O pai sabia de sua vida de oração.
Não é simples. Ele vai aos redentoristas, franciscanos e jesuítas. Eles não têm terra para cuidar.
O irmão franciscano Dídaco, que recolhe esmolas, vai à casa de João e o aconselha buscar os padres de Hofbauer. A mãe pede ao pároco, Pe Pio, que converse com João e escreva ao Pe. Passerat que o aceita.
Dia 1º de janeiro de 1836, despede-se e vão de carroça para Viena. Os livros vão junto.
Na Congregação:
È tempo de guerras e revoluções. Em 1789 a revolução francesa. Em 1813 Napoleão é batido em Leipzig. Em 1815 acontece o Congresso de Viena. As conseqüência ficam. É o tempo do iluminismo e o josefinismo. O grupo de românticos iniciam a contra-corrente, comandados por Clemente. O povo apóia e segue. Também seu pai e o tio apoiaram Clemente.
Primeiras experiências na Congregação:
João entra na congregação e vai para Weinhaus, propriedade agrícola, onde vai aprender a fazer o pão como Ir. Gostinho. Ele leva os legumes e o leite para a casa com carrinho de mão. É uma comunidade sem superior, com confusão que atrapalha o candidato irmão.
NoviçO: Dia ‘9.03.39 inicia o noviciado com o nome de Ir. Colomano. Mais tarde para irmão Batista. Tem duas virtudes: a humildade e a obediência. Pontual, dócil e aberto. Dialoga. Mandam-no para Weinhaus. Pede revisão e é mandado para Eggenburg. Aí trabalha na horta até à morte, 40 anos sofrendo e cantando: deixa-me cantar teu sofrimento.
Dia 18.03.40 faz a profissão religiosa. Sua vida é o heroísmo do dia a dia.
Personalidade:
Amor a Deus e rezador: a oração ocupa largo espaço na vida de João. Vive a presença de Deus, chegando a grande contemplação. Levanta-se às 3 hs para fazer via-sacra e oração. Às 5 h, oração da comunidade e missa da qual é acólito. Gosta da Palavra de Deus. É silencioso. Trabalhador e rezador. “Este irmão salvou mais almas com sua oração do que todos os padres com sua pregação”.
No trabalho: Oração e trabalho são a unidade de sua vida Faz o trabalho com tal fervor como se estivesse realizando uma ação litúrgica. Como hortelão e jardineiro prepara flores para a capela.
Confiança em Maria: Continua suas peregrinações, preferindo o santuário Pulkauer Brünnl,perto de Eggenburg.Quando começa a faltar chuva vai lá.O povo vendo-o diz; “O irmão Batista vai indo, logo vem a chuva”. Quando vai, leva os que pouco saem de casa.
Amor ao próximo: Atencioso para com cada um. Severo para consigo mesmo não exige dos outros. Diz: “A regra não é o retrato, é a moldura”. Nesta moldura que é comum a todos cad um procura encaixar o seu retrato conforme a natureza de cada um e a medida da graça.
Despertador: Era o despertador da comunidade. Quem vai à meditação às 5,30, deve levantar-se às 5h. Quando sabe que um confrade gasta só 15 minutos, ele o deixa dormir um pouco mais, voltando 15minutos mais tarde para acordá-lo. Ajuda quem precisa mesmo em que lhe seja pedido. Não deixa o hóspede sozinho esquecido.
Doentes: Oferece-se para passar a noite com os doentes mais necessitados. Sua delicadeza para com os doentes só pode ser comparada a um anjo.
Amigos: Tem amigos na região os quais visita nos dias em que as pessoas não estão ocupadas por causa do mau tempo.
Amor misericordioso: Respeitoso, não fala mal, não agride. Não julga.
Caminho da humildade: Grande veneração para com os sacerdotes. Quis ser padre mas o pai não deixou. Ajuda à sacristia com carinho. Quer bem aos confrades. Faz os trabalhos duros. Procura passar desapercebido.
Caminho da pobreza: trabalha no jardim, faz o pão, prefere as coisas pobres.
Sofrimento e morte:
Acompanha o tempo litúrgico em suas orações. Na meia idade lhe aparece um problema no pé que o acompanha. As dores aumentam. Rompes-se uma veia e ele cai sem sentidos. Trabalha ajoelhado para acabar uma tarefa. Deve deixar o trabalho. Ajuda nos serviços da cozinha. Não pode deitar-se ou andar por causa da perna. Passa o dia e a noite nua cadeira de encosto, cheio de paciência.
Tentação e angústia: Acrescente-se o sofrimento espiritual: escrúpulos, sentimentos de culpa, angústias. Recorre a Maria. Tem suas lutas com o demônio. Sofre de desconsolo interior. Sente-se abandonado por Deus. Sente-seno inferno e sem fé.
Tudo está consumado: Dia 03.11.1883 pede: hoje quero ficar deitado no chão. Agita-se, dá gritos e emudece. Tem tremores. Recomenda-se à oração das 7 h às 3,30 da manhã, quando diz: agora está bom. Pede para ir para a cadeira. Adormece tranqüilamente no Senhor.
Túmulo glorioso: sepultamento concorrido. Tem seu túmulo visitado. Em 1898 abre-se o processo. Seu corpo é exumado. A província tem continuado o interesse por seu processo.
São João Nepomuceno Neumann
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No detalhe, São João Neumann, na Igreja de Santo Afonso, em Roma.
São João Nepomuceno Neumann, nasceu em Prachatitz na Boêmia (Atual República Tcheca) a 28 de março de 1811, filho de Felipe Neumann e Agnes Lebis. O pai era tecelão, fabricante de meias. O pai era um tanto autoritário, frio e distante. A mãe compensava em sua dedicação aos filhos. Ele era o terceiro de 6 irmãos. Duas irmãs se casaram, uma se fez religiosa e o irmão mais tarde foi para os Estados Unidos e se fez irmão redentorista. A irmã mais nova cuidou dos pais.
João era de pequena estatura; tinha 1,60 m. Calado, tímido, mais dado à reflexão, tendo um coração piedoso. No início de seus estudos, não pensava na vocação sacerdotal. Julgava longe de suas possibilidades. Herdou do pai o gosto pela leitura.
Fez os primeiros 7 anos do estudo e o pai queria tirá-lo da escola. Em 1823, com 12 anos, foi para Budweiss, onde fez os estudos em um colégio de padres, sem pensar em vocação, morando em um alojamento, o que prejudicou seus estudos. Ao entrar para a universidade, não tinha ainda uma definição. A mãe o anima: “Se Deus te chama, vai te ajudar”.
Fez dois anos de filosofia com os cistercienses. Havia um problema para entrar no seminário. Eram 20 vagas e 90 candidatos. Estava com 20 anos. Como o seminário estava pequeno para os 170 seminaristas teólogos, morou na casa particular. Terminou os estudos de teologia na Universidade Charles Ferdinand, em Praga. Seu diário nos traz informações de seu interior justo e correto, sobretudo cheio de fé. Devia enfrentar também as doutrinas errôneas que penetravam todos os ambientes.
Ouça o hino ao santo redentorista, de autoria do padre Pelaquin:
Vocação missionária
Durante a teologia ouve a conversa de um colega sobre ser missionário. Havia uma fundação chamada Fundação Leopoldina, em memória da Imperatriz Leopoldina da Áustria, esposa de D. Pedro I para apoio das missões no estrangeiro. Neumann gostava de artigos e de revistas missionárias. Ele se decidiu e se preparou pelo estudo das línguas. Um dia, vieram procurar no seminário jovens preparados para trabalhar nas embaixadas. Um colega o anima a ir, pois é uma estrela. Neumann mostra no mapa da América: “lá vou ser sol”. Um sacerdote, Pe. Hermann Dichtl, procurava jovens seminaristas para irem para a América, para a diocese de Filadélfia. João estava certo do seu chamado ao sacerdócio, mas todas as portas para seguir esta vocação pareciam fechar-se à sua frente.
Assim, terminados os estudos, seria ordenado e depois iria para as missões. Aconteceu o pior. O superior do seminário decidiu adiar as ordenações por um motivo simples: havia padres demais. Para complicar, o bispo não lhe deu as “cartas demissórias” (documentos para a ordenação). O dinheiro da organização Leopoldina não chegava, nem os documentos ficavam prontos. O Pe. Hermann fez coletas para o pagamento da passagem. O grande problema era a dor da família com esta partida. Saiu de casa no dia 8 de fevereiro de 1836. Não mais veria sua mãe.
São João Neumann: o primeiro missionário redentorista da América
As dificuldades continuaram. O dinheiro prometido para viagem não apareceu, as cartas demissórias o bispo não deu. Começou sua viagem indo para Paris. Em Estrasburgo, recebe do bispo local uma carta de recomendação que lhe será muito útil. Em Paris, não recebeu um dinheiro prometido. Depois de muitos percalços, chegou ao porto de Havre. O navio Europa estava ancorado e ele conseguiu do capitão um bom preço na passagem, mas sem cabine nem comida. Ele comprou umas coisas e fez a longa viagem de 41 dias, chegando a Nova Iorque no dia 1º de junho. Para seguir a vocação divina ao sacerdócio, teve de deixar sua terra para sempre e viajar através do oceano para um país novo e primitivo.
Finalmente, chegando de Nova York, o bispo consentiu em ordená-lo. Neumann diz: “Não tenho as cartas demissórias”. O bispo respondeu que as dispensava. Deu-lhe 10 dias para se preparar. Foi ordenado no dia 25 de junho de 1836. Tinha 25 anos.
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Devotos na igreja onde está enterrrado São João Neumann na Filadélfia.
Em Nova York, João era um dos 36 padres para 200.000 católicos. A sua paróquia, Búfalo, a oeste de Nova York, ia do Lago Ontário até Pensilvânia. Ali fervilhavam os emigrantes. Trabalhou uns dias em Rochester, ajudando um padre irlandês. Por este tempo, conheceu o Pe. Prost, um redentorista alemão, muito alegre. Dele ouviu a frase: “Ai de quem vive sozinho”. Assumiu uma zona rural de 2.000 km quadrados.
Sua igreja não tinha torre nem piso, mas isto não importava, porque João passava a maior parte do tempo viajando de cidade em cidade, subindo montanhas para visitar os doentes, detendo-se em pensões ou tavernas para ensinar e celebrando missas sobre mesas de cozinha. Depois de 3 anos sem contato com a família, apareceu seu irmão Wenceslau, que veio ajudá-lo. Por causa do isolamento da sua paróquia, João desejava uma comunidade e, assim, entrou para os Redentoristas, Congregação de padres e irmãos dedicados a ajudar os pobres e os mais abandonados.
O primeiro redentorista do Novo Mundo
Depois de 4 anos de duros trabalhos, foi repousar uns dias na casa dos redentoristas, e decidiu ser redentorista. Seu irmão foi junto e decidiu ser irmão, apesar de o Pe. Prost oferecer aceitá-lo como candidato ao sacerdócio. Neumann entrou para o noviciado, que na verdade foi especial, pois fazia muito trabalho apostólico, estando às vezes sozinho em casa e mesmo indo para longe a serviço da comunidade. Ele foi o primeiro a entrar para a Congregação na América do Norte. Fez os votos em Baltimore, no dia 16 de Janeiro de 1842. Tinha 31 anos.
O seu conhecimento de seis línguas modernas tornou-o particularmente capacitado para trabalhar na sociedade cosmopolita americana do século XIX. Era muito culto. Além do grego, latim e hebraico, falava com facilidade 7 línguas modernas, o que ajudavam no atendimento das confissões: alemão, inglês, francês, boêmio, grego moderno, italiano, o gaélico e um pouco de espanhol, que aprendeu nos Estados Unidos.
Depois de trabalhar em Baltimore e em Pittsburgh, em 1847 foi nomeado Visitador ou Superior maior dos Redentoristas nos Estados Unidos. O Pe. Frederick von Held, Superior da Província belga, à qual pertenciam as casas americanas, disse dele: “É um grande homem, que combina a piedade com uma personalidade forte e prudente”. Ele precisou dessas qualidades durante os dois anos que exerceu o cargo de superior regional, pois a fundação americana estava passando por um penoso período de adaptação. Quando ele passou o cargo para o Pe. Bernard Hafkenscheid, os redentoristas dos Estados Unidos se preparavam para se tornarem uma província autônoma, o que ocorreu em 1850.
A oração de João Paulo II a São João Neumann
Dois santos amigos
Quando Neumann era pároco e superior, teve como confrade jovem outro grande homem: Francisco Xavier Seelos, agora beato. Os dois eram amigos e Seelos aprendeu dele a vida espiritual e a prática pastoral. Dois santos devem se entender bem.
Bispo de Filadélfia
Como bispo, foi o primeiro a organizar um sistema diocesano de escolas católicas. Fundador da educação católica na sua região, aumentou o número das escolas católicas na sua diocese de 2 para 100. Fundou as irmãs da Ordem Terceira de São Francisco para ensinar nas escolas. Escreveu numerosos artigos em revistas e jornais católicos e também publicou dois catecismos e, em 1849, uma história bíblica para as escolas. As escolas paroquiais são a base do catolicismo americano.
Instituiu a Adoração das 40 horas para o bem da diocese. Entre as mais de oitenta igrejas construídas durante o seu episcopado, deve ser mencionada a catedral de São Pedro e São Paulo. Outra realização de Neumann é a construção de escolas paroquiais em todas as paróquias. Seu lema: “Uma igreja e, ao lado, uma escola paroquial”. Entre suas grandes dificuldades, encontrou a agressividade dos protestantes. Não era bispo de escritório. Viajava pela diocese. Teve que lutar contra as comissões de finanças das paróquias que abusavam e se aproveitavam. Até processos teve que suportar.
Teve a grata alegria de poder participar da proclamação do Dogma da Imaculada Conceição dia 8 de dezembro de 1854, em Roma. Seu nome está marcado em uma das lápides comemorativas, dentro da Basílica de São Pedro. Tem uma entrevista com o Papa que lhe sugere de fundar uma congregação de irmãs para suprir as necessidades das escolas paroquiais. Foi o que fez, criando a congregação das Irmãs da Terceira Ordem de S. Francisco. Nessa viagem passa pela terrinha seu pai ainda vivo, com 80 anos. Foi uma festa calorosa!
Em uma reunião dos bispos de sua região propôs sugerir ao Papa a criação do feriado do dia da Imaculada Conceição. Lutou pela fundação de um seminário nacional americano em Roma, o que se realizou mais tarde. Pediu também a divisão de sua diocese em duas, pois era muito grande. Não conseguiu, mas ganhou um bispo coadjutor, na pessoa do Padre Jaime Frederico Wood, seu amigo. Neumann cuidaria do interior e o Frederico cuidaria do centro e da construção da catedral. Ele entendia do assunto.
Neumann, mesmo sendo bispo, continua um redentorista em sua vida e em sua prática espiritual e pastoral. Todo mês fazia o retiro na comunidade, ajudava a arrumar a cozinha. No último retiro de 1859 prometeu celebrar a missa da noite no Natal na igreja redentorista. Veio, confessou muita gente, celebrou a missa da meia noite. Alguns perceberam que ele não estava bem. Neumann, como bispo, continuava usando a batina redentorista, colocando a cruz peitoral e a faixa roxa.
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Como bispo continuava usando a batina redentorista, colocando a cruz peitoral e a faixa roxa.
Vida breve com muitas realizações
Dando sinais de não estar bem, iniciou com ânimo o novo ano. No dia 5 de Janeiro de 1860 (aos 48 anos), saiu depois do almoço para ir ao correio para despachar um cálice ao um sacerdote de Bellefonte. O relógio do correio marcava 15h30. Andando pela rua Vine, cambaleia e cai. É levado para a casa nº 1218, logo em frente, onde termina sua vida sobre o tapete da sala.
Seu funeral foi grandioso. Foi enterrado na igreja São Pedro, dos redentoristas. O bispo disse: “Que ele descanse onde sempre morou seu coração: entre seus confrades redentoristas”. Seu túmulo tornou-se lugar de peregrinação. Quatro milagres foram reconhecidos para a beatificação e canonização.
Foi beatificado pelo Papa Paulo VI dia 13 de outubro de 1963 e canonizado pelo mesmo Papa dia 19 de junho de 1977. Assim e expressou Paulo VI na sua canonização: “Estava junto aos doentes, gostava de se encontrar com os pobres, era amigo dos pecadores e hoje é a honra de todos os imigrantes”, e ainda: “Neumann foi sensível aos sofrimentos, à opressão, à pobreza e a todas as necessidades do próximo. A primeira das quais é a necessidade da verdade”.
São João Nepomuceno Neumann é invocado como patrono das crianças doentes e dos imigrantes.
Venerável Padre José Amand Passerat
Padre José Amand Passerat, querendo continuar seus estudos passou por diversos lugares: Augsburg, Würzburg. Acabou por chegar a Varsóvia onde se juntou aos Redentoristas com S.Clemente em 1796. Fez os votos em 13 de novembro de 1796 e foi ordenado padre dia 15 de agosto de 1797.
Como não conhecesse nem alemão nem o polonês, não podia trabalhar na pastoral direta. Assim foi professor de teologia, mestre de noviços e prefeito dos estudantes. São Clemente o descreve “como um homem de grande santidade e virtude”.
Em 1805 foi destinado à fundação da casa do Monte Tabor perto de Jestetten, na diocese de Constança. Lá chegou com 3 clérigos. Lá poderia exercer a pastoral, pois era região fronteiriça com a França. Impelido a sair, foi para Babenhausen, na diocese de Augsburg. Durante os 17 agitados anos que se seguem, ele dirige o crescente grupo de estudantes por diversos lugares, sem residência fixa, pela Suíça, até chegar a Valsainte, num mosteiro cartuxo abandonado.
Pelas dificuldades em trabalhar pastoralmente por causa dos problemas de então, ele se torna o grande rezador. Homem de oração e contemplação, com verdadeira paixão pela vida interior. São Clemente diz dele aos confrades em Viena: Está para chegar aqui um grande rezador, e ele vai nos ensinar a todos como se deve rezar”.
Após a morte de Clemente em 1820, foi nomeado como seu sucessor como Vigário Geraldo para a região além dos Alpes. , com residência na nova casa de Maria am Gestade em Viena. Após longos anos de frustrações, os redentoristas, sob sua direção, entram em um período de expansão, chegando aos Estados Unidos. Como superior, um de seus principais objetivos era estabelecer a autêntica observância redentorista nas comunidades pelas quais era responsável. A este propósito, manda Pe. Francisco Springer a Pagani para estudar a missão dos Napolitanos e adquirir as constituições em uso no tempo de Santo Afonso. Teve o prazer de ver as missões tendo brilho fora da Itália. Enviou moças para Scala para entrarem na Ordem do Santíssimo Redentor e trouxe-as para a Áustria de onde se espalharam pelo mundo.
Ele teve que se refugiar na Bélgica em 1848 obrigado pela revolução austríaca. Nesta ocasião, em vista de sua avançada idade, renunciouseu encargo, recomendando que o Vicariato fosse suspenso. Sua resignação ao cargo foi aceita pelo Reitor-Mór e pela Santa Sé.
Nos próximos 10 anos ele viveu em Bruges como capelão das redentoristas. Morreu em Tornai dia 30 de setembro de 1858. A reputação de sua santidade e as graças recebidas por sua intercessãolevaram à introdução da Causa de Beatificação. Ela foi aceita por Roma em 1913 e suas virtudes foram declaradas heróicas a 29 de abril de 1980. Parecia que o processo fora abandonado, mas reapareceu no capítulo Geral, sobretudo depois da mudança de suas relíquias de Tornai para Bischemberg, a primeira casa fundada por Ele.
Na história da Congregação, teve o papel proponderante na difusão e no esforço de se resolverem os assuntos do Vicariato em Relação a Pagani e Santa Se. Consegue a divisão em províncias, que não chega a funcionar por parte dos italianos.
Servo de Deus Irmão José Joaquim (Pascoal) Erviti Insausti
QUIS SER JESUÍTA… FICOU REDENTORISTA
José Erviti Insausti – esse era seu nome de batismo, que na vida religiosa será mudado para Pascual – nasceu em Echalecu, Navarra, aos 11 de novembro de 1902. Foi o undécimo em uma família de doze filhos. Seus pais chamavam-se Francisco e Micaela.
Aos sete anos ficou sem a mãe. Mas mesmo pequeno assim já havia recebido dela o ensinamento das verdades do catecismo e de sólida piedade.
Desde muito jovem perseguia-o a idéia de tornar-se padre. Seu pai, no entanto, era contra. Vendo que seus desejos pareciam irrealizáveis, sua vocação foi esfriando. Quando, aos dezesseis anos, seu pai lhe propôs estudar para padre, José não quis, o que era natural, pois, com essa idade, só tinha a escola primária. Aos dezoito anos, voltaram-lhe os bons desejos: agora queria era ser missionário. Mas nem ele mesmo sabia dizer se aquilo era vocação ou ilusão.
A verdade é que, com dezoito anos, teve, isto sim, que fazer o serviço militar. Foi para Pamplona e soube comportar-se na cidade. Basta dizer que ia à missa quase diariamente. No dia do sorteio para ver quem iria para a frente militar, confessou-se e comungou, pedindo a Deus que o livrasse dos inimigos da guerra, ou seja, dos mouros.
Ficou livre, mas teve de servir três meses no quartel. Também aí, embora deixasse esmorecer a piedade, foi um moço exemplar. Seus companheiros deram testemunho disso: prestativo, atencioso com todos, honrado, sempre disposto a fazer o bem. Uma vez, numa festa, quis dançar, mas, meio desengonçado, o que conseguiu foi só provocar risos entre os colegas. Nunca mais pensou nisso.
Terminado o serviço militar, sentiu de novo o chamado de Deus e, para acabar com as dúvidas, decidiu fazer os exercícios espirituais de Santo Inácio, que duraram de 21 até 27 de fevereiro de 1926. Não saiu totalmente convencido. Voltou aos trabalhos do campo. Enquanto pastoreava, caçava também, do que gostava muito. Na solidão dos montes, meditava. De que lhe valeriam as vaidades do mundo? “Dias virão – dizia para si mesmo – em que passarão bandos e mais bandos de pombos, mas eu já estarei morto… Para que me servirá então tudo o que terei desfrutado? Para nada!”.
Indeciso ainda, fez novamente, um ano depois dos primeiros, os exercícios espirituais de Santo Inácio. Saiu decidido. Pensou fazer-se Jesuíta, mas o pároco o encaminhou aos Redentoristas, e ele obedeceu. Por fim, em 31 de maio de 1928, aos 26 anos de idade, dias depois da morte de seu pai, entrou no convento redentorista de Pamplona. Ficou ali quinze dias, e logo os Superiores o mandaram para o El Espino.
Do El Espino foi mandado para Nava del Rey, em 31 de dezembro de 1928, para fazer o Noviciado. Em 23 de fevereiro de 1929, recebeu o hábito, e exatamente um ano depois, em 23 de fevereiro de1930, professou na Congregação. Estava com quase 28 anos.
No primeiro dia de março, já estava em Astorga, destinado a cuidar da horta, o que aceitou, não só com humildade, mas com alegria. Irmão Bautista, solicitado mais tarde a dar um testemunho dele, disse: “Era um santo!” E seu Mestre de Noviciado assim escreveu em sua ficha: “Muito prudente, sério e piedoso. Era um santo. De grande espiritualidade, consciencioso e de absoluta confiança”.
De hortelão passou a cozinheiro. Continuou afável no trato com todos, sempre bem humorado e disposto a qualquer serviço. Passou em Astorga quatro dos seus seis anos de vida religiosa. Estava muito feliz ali, mas… em 22 dezembro de 1934 foi transferido para Madri. Eram os primeiros passos na caminhada para o martírio.
A partir daqui, a história do irmão Pascual coincide, quase que em tudo, com a do padre Urruchi, como já foi narrado. Eis, em poucas palavras, os detalhes diferentes.
O que primeiro se pode dizer é que, estando há tão pouco tempo em Madri, pouco mais de um ano e meio, e desempenhando trabalhos humildes e escondidos, é estranho que fosse conhecido e procurado pelos perseguidores, como o deram a entender ao encontrá-lo na Comunidade do Perpétuo Socorro: “Estávamos procurando este pássaro – disseram os milicianos – e não nos podia escapar”. Aliás, como registram as crônicas, teve que sair da casa anterior, porque o andavam procurando pessoalmente. Isso era como levar consigo a sentença de morte.
A impressão que deixou em todas as casas em que se abrigou é a mesma: intensa vida de piedade e absoluto acatamento dos desígnios de Deus sobre sua morte. Passava os dias rezando e quase sempre de joelhos, em atitude de silêncio, e sempre sorrindo. Confirmando tudo isso, há o testemunho por escrito de dona Concepción sobre o padre Urruchi e o irmão Pascual: “Eram vistos sempre contentes e dando-nos exemplos de humildade, paciência e conformidade, assim como de mortificação na comida; mas, como devo dizer a verdade, tudo isso eu o vi mais marcante no irmão”.
Servo de Deus Padre José Maria Leone
Nasceu em Trinitapoli, Foggia, no dia 23 de maio de 1829. Foi aceito entre os redentoristas com reservas por causa de seu delicado estado de saúde. Mas fez sua profissão religiosa em Ciorani dia 23 de março de 1851 e foi ordenado padre em Amafli dia 31 de dezembro de 1854. Impossibilitado por causa da saúde de ir à missões, tornou-se renomado pregador de retiros e diretor espiritual e seu escritos de doutrina espiritual.
Viveu algum tempo com a família quando os confrades foram dispersos pelo garibaldinos. Com o retorno da paz foi enviado como formador dos jovens redentoristas. Morreu em Angri dia 9 de agosto de 1907. O processo de beatificação foi iniciado. Foi levado para Pagani em 1920 e para Pompei em 1971 onde é venerado atualmente.
Servo de Deus Padre José Maria Urruchi Ortiz
CURTO DE INTELIGÊNCIA, MAS MODELO DE ESTUDANTE
Padre José Maria Urruchi Ortiz foi o mártir mais jovem da perseguição comunista: morreu aos 27 anos. Os fuzis não lhe deram tempo para fazer história, a não ser aquela que vale por todas: seu holocausto e seu triunfo.
Em 11 de fevereiro de 1909, nasceu José Maria em Ayuelas, povoado não muito distante do Colégio Nossa Senhora del Espino, dos Redentoristas. Seus pais, Marcos e Laureana, eram lavradores pobres, o que dificultou a entrada do menino no Seminário, que já desde muito pequeno havia manifestado essa inclinação.
Por fim, o padre Diretor, vendo as boas disposições de José Maria, abriu-lhe bondosamente as portas, e no dia 21 de setembro de 1921, chorando de alegria, o garoto vestiu o uniforme do colégio.
Como ele mesmo contou, teve dificuldades nos estudos, além de uma doença nos olhos, que o afligiu muito. Com extremo esforço conseguiu chegar ao Noviciado em Nava del Rey, fazendo sua profissão religiosa aos 24 de agosto de 1927.
Nos estudos de Filosofia e Teologia, a curteza de inteligência, a enfermidade nos olhos e outras limitações foram para ele verdadeiro pesadelo, só vencido à força de muita tenacidade. Quase que contrastando com tudo isso, eis o que deixou escrito sobre ele padre Labastida, seu companheiro de estudos e meio conterrâneo: “Nosso padre Urruchi foi sempre modelo de estudante e modelo de religioso, aplicado no estudo, amigo da vida recolhida, humilde, amante da oração, e sofrido. Nunca alguém lhe quis mal e ele jamais ofendeu ninguém”.
Esse calvário de sofrimentos, entretanto, causou estragos em sua personalidade. Tornou-se um homem escrupuloso, tímido, reservado. Mas conseguiu chegar ao sacerdócio, dando-se sua ordenação em 2 de outubro de 1932, em Astorga. Após a ordenação, teve ainda um ano de estudos, como era norma na Congregação, e fez em seguida seu segundo Noviciado em preparação para a vida apostólica.
Findo este, foi destinado, em fevereiro de 1934, a La Coruña, iniciando aí um verdadeiro périplo por diversas casas, buscando sempre onde melhorar sua saúde. Morava em Cuenca em 1935, quando pregou uma missão, junto com padre Ibarrola, nos arredores de Madri. Não há notícias de que tenha pregado outras, e morou pouco tempo em Cuenca. Dali, foi a Vigo e, alguns meses depois, encontrava-se na Comunidade do Perpétuo Socorro, em Madri. A crônica da casa, ao registrar sua chegada, diz: “Padece grande debilidade de cabeça”. Era outubro de 1935; em julho de 1936, morreria.
Quando saiu do convento, em 20 de julho, padre Urruchi, juntamente com irmão Máximo, refugiou-se na casa de Roberto González Nandín, alta patente da Marinha. Refúgio pouco estratégico, uma vez que a casa estava na mesma rua e a poucos metros do convento. Além da proximidade física, havia a proximidade afetiva de González Nandín, que era cristão de firmes princípios religiosos e grande amigo dos Redentoristas, tanto que estes lhe haviam confiado a guarda de vários objetos sacros da igreja e do convento do Perpétuo Socorro. A casa tinha capela, permitindo assim que padre Urruchi celebrasse missa diariamente. E os dois, ele e irmão Máximo, tinham ali uma vida quase conventual.
Mas a companhia do irmão Máximo durou poucos dias. Precisou ceder seu lugar ao irmão Pascual, que estava correndo grande perigo onde se achava escondido. Só quem não entende a linguagem de Deus é que não consegue ver sua mão providencial nessa troca. Padre Urruchi e irmão Pascual viveriam de tal forma unidos em amizade, ajuda e conforto mútuos, oração e modo de vida, que juntos seriam levados ao martírio e juntos morreriam. Dona Concepción Fernández de la Puente, esposa e logo mais viúva de González Nandín, testemunhou que os dois passavam o dia e boa parte da noite diante do Santíssimo, ou lendo e rezando em seus quartos.
Às dez da manhã de 21 de agosto, chegam os milicianos para uma vistoria. Conta dona Concepción que quando os levaram, estavam muito serenos. Mas não fala nada de seu marido que, com a mesma atitude, foi levado junto. E mais: levaram também cálices, castiçais e outros objetos religiosos além de jóias da família. Difícil dizer se os representantes da Frente Popular eram mais assassinos ou mais ladrões.
Na mesma noite do dia 21, o porteiro da casa dava a seguinte notícia a dona Concepción: “Do senhor Roberto nada sei; aos religiosos, vão matá-los esta noite”. Na verdade, mataram aos três.
Não há notícia certa de para onde os levaram. O corpo do senhor Nandín apareceu, no dia 23, no depósito de cadáveres do hospital São Carlos, com a seguinte ficha: “Traído de Getafe”. Junto a seu cadáver, havia outros dois, que o médico, Dr. Ricardo Pérez Ortiz, não pôde identificar, pois não os conhecia, e não se pode afirmar com segurança que seriam dos dois Redentoristas. É muito provável, no entanto, que foram assassinados no mesmo lugar, e, seus corpos, recolhidos juntos.
Felizmente (felizmente?), em 1944, depois de muito esforço e buscas incansáveis, o padre Lucas Pérez pôde anunciar o encontro dos restos mortais dos dois mártires. Isso se deu graças às fotos que a Cruz Vermelha costumava fazer quando conseguia entrar clandestinamente nos locais de execução. Revolvendo uma porção de álbuns de fotos dos assassinados, padre Lucas encontrou as do padre Urruchi e do irmão Pascual, com suas correspondentes fichas.
Servo de Deus Padre José Palewski
Pe. José nasceu no dia 22 de março de 1867 no povoado Stara Wies, que pertenceu à paróquia Limanowa na Polônia. No ano 1866 entrou no Seminário Diocesano em Tarnow e no dia 14 de junho de 1890 recebeu a ordenação sacerdotal. Trabalhou como vigário em Bochnia e depois na catedral em Tarnow.
Do seu bispo ordinário recebeu a permissão para entrar na Congregação do Santíssimo Redentor. O Noviciado começou em Eggenburg (Áustria) no dia 25 de novembro de 1892 e no dia 2 de agosto de 1893 fez a profissão religiosa. Depois da volta para a Polônia, com entusiasmo comprometeu-se a cumprir os muitos compromissos na Província Polonesa. Nos anos 1893-1907 foi o diretor do Seminário Menor.
Como superior em Tuchow nos anos 1901-1904 empreendeu a coroação da Imagem maravilhosa de Nossa Senhora e começou também a editar a revista “Bandeira de Maria”. No ano 1908 o governo da Rússia permitiu fazer as Santas Missões na Sibéria. Pe. José participou delas. Compreendendo a necessidade do apostolado da escrita, traduziu para a língua polonesa algumas obras de Santo Afonso, entre elas “Visitas ao Santíssimo Sacramento”. Deixou escritas as biografias dos Padres: Lubienski, Witkowski e Bohosiewicz.
No final da 1ª Guerra mundial, depois da curta estadia em Lublin, mudou-se para Varsóvia, para analisar as possibilidades e preparar a nova fundação. Desde o ano de 1934 viveu e trabalhou em Varsóvia como ecônomo. Freqüentemente participava nas Santas Missões. Desde o início de seu serviço sacerdotal teve problemas com a garganta.
Por isso nunca teve voz forte. Porém, heroicamente vencia as doenças da garganta e também as dores de estômago. No ano de 1939 explodiu a 2ª Guerra mundial.
Pe. José certamente não esperava que todo o esforço de sua vida sacerdotal e religiosa fosse coroado pela morte mártir no dia 6 de agosto de 1944 durante um levante contra os ocupantes. Neste dia em Varsóvia foram fuzilados 30 redentoristas (15 padres, 9 irmãos, 5 seminaristas e 1 noviço).
Não somente a sua vida, o seu trabalho e as orações, mas também as gotas de seu sangue foram semeadas para que as novas gerações dos filhos de Santo Afonso possam crescer na terra polonesa.
Beato Julián Pozo y Ruiz de Samaniego
Padre Julián Pozo y Ruiz de Samaniego, C.Ss.R., nasceu em Payueta (Álava), em 07 de janeiro de 1903.
Entrou para o Seminário Redentorista, em El Espino, in 1913, onde foi muito apreciado por sua seriedade em sua jornada espiritual. Professou seus votos em 1920 e foi ordenado padre em 27 de setembro de 1925.
Sofrendo de tuberculose desde 1921, foi capaz de aceitar a doença com resignação, dedicando-se à oração, ouvindo confissões e cuidando dos doentes. De um temperamento sereno, foi muito procurado por seus dons como confessor e diretor espiritual.
Em 1928 foi transferido para a comunidade apostólica de Cuenca. Muda-se, então, para o seminário por causa da deflagração da perseguição. Ali, em 09 de agosto de 1936, foi preso enquanto rezava o rosário, foi morto ao longo da estrada que leva de Cuenca a Tragacete.
Beata Madre Maria Celeste Crostarosa
Reprodução
Maria Celeste Crostarosa é uma grande mística da Igreja.
Maria Celeste exerce um fascínio naqueles que a conhecem. Isso podemos constatar na história e no momento atual. Sempre perguntam: Por que é desconhecida? Ou ainda: Por que se tem ‘medo’ dela?
Nascida em Nápoles, no dia 31 de outubro de 1696, foi tomada pelo belo sol mediterrâneo e pelo irradiante Cristo Sol a ponto de dizer: “Ele é meu solo e meu sol”. Pequena em tamanho, mas de estatura humana e espiritual. É uma pérola escondida.
Ela recebeu a missão de aprofundar o Evangelho na dimensão de transformação e de gerar uma nova família religiosa que se funda no amor recíproco que faz dela uma viva memória.
Sua contribuição para a espiritualidade está na linha do ser viva memória de tudo o que Cristo fez para nossa salvação em sua vida terrestre. O Redentor continua em nós e, por nós, sua obra de salvação para ser o que Paulo ensina: “Já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20).
Maria Celeste tem uma espiritualidade feminina que ensina a mulher se relacionar com Deus e com os outros como mulher. Ensina a todos a respeitar a própria condição e torná-la meio de santificação. As inspirações que levou adiante têm caráter evangélico, compreendidas na dimensão mística. Contou com o apoio de Santo Afonso e de São Geraldo.
Celeste e Antonia, modelos de vocação e de espiritualidade feminina
A congregação que ela fundou, a Ordem do Santíssimo Redentor (Monjas Redentoristas) tem mais de 400 religiosas em diversos países. É oportuno o conhecimento sempre maior dessa que continua sua missão entre nós.
MESTRA ESPIRITUAL
Maria Celeste é uma verdadeira mestra da vida espiritual e religiosa. “Exercício” e “Memória” são termos seus, cheios de sabedoria e experiência contemplativa. A “Memória” (pensamento permanentemente em Cristo) sem “Exercícios” (prática evangélica) é vazia e os “Exercícios” sem “Memória”, são infecundos e tornam a vida individual e comunitária artificial e difícil.
A base da vida espiritual ela a coloca no conhecimento pleno e experimental do Cristo, não tanto como exemplo de virtudes a praticar, mas como “mistério”, isto é, “acontecimento histórico-salvífico” da caridade de Deus. Para ela, pela comunhão de vida pessoal e comunitária com o Cristo, tudo se torna existencialmente “memória” teologal, eclesial, eucarística, salvífica. Todo o Instituto torna-se também, pela vida atuante e transparente, Instituto do Santíssimo Redentor.
MULHER COM LUZ PRÓPRIA
Maria Celeste foi a décima entre doze filhos de uma família cristã e nobre, de alta magistratura. Eram cinco irmãos e sete irmãs. Seu pai foi o Dr. José Crostarosa; laureado em ambos os direitos e revestidos de alto grau de magistratura na capital; sua mãe foi Paula Batista, da nobre família Caldari.
No dia 1º de Novembro de 1696, festa de “Todos os Santos”, na Igreja Paroquial, foi batizada e recebeu o nome de Giulia Marcela Santa. Era uma criança normal em suas brincadeiras na convivência com seus irmãos. Era de natureza tipicamente napolitana: sensível, alegre, viva e de inteligência precoce. Também era atenta às leituras da vida dos Santos, feitas em família.
Aos vinte e um anos de idade, Júlia, juntamente com sua irmã mais velha, Úrsula, entra no Carmelo de Marigliano, em abril/maio de 1718. Dois anos mais tarde sua irmã mais jovem, Joana, faz o mesmo. No dia 21 de novembro de 1718, festa da “Apresentação de Maria ao Templo”, as duas primeiras, recebem o hábito religioso; Júlia passa a chamar-se Ir. Maria Cândida do Céu e no ano seguinte faz a Profissão Religiosa.
Deus reservava para Júlia, um caminho todo especial. Cada vez mais, Cristo vai conduzindo-a para Ele, no interior de si mesma. Neste processo evolutivo, descobre o mistério de Cristo, vivendo em sua alma. Pouco tempo depois de sua tomada de hábito, escreve uma Regra de candura para si mesma, dada pelo Espírito da Verdade. Deus a introduzia na vida espiritual, confiava-lhe suas aspirações divinas e a acostumava-a, pela sua familiaridade, à vida íntima com Ele.
Assim, certo dia, depois da Santa Comunhão, penetrada pelo Olhar Divino, teve uma grande luz interior e o Senhor lhe disse:
“Quero fazer-te mãe de muitas almas que desejo salvar por teu intermédio”.
O Carmelo em que vivia, no entanto, ia desaparecer: sua fundadora – a duquesa de Marigliano – Isabel Mastrilli, tomara tal autoridade sobre o Mosteiro que reduziu as pobres Carmelitas a incríveis tribulações. Foi tal a situação que o Bispo aconselhou a fechar o Mosteiro e que as religiosas procurassem ouro lugar para viver.
As três Irmãs Crostarosa, a conselho do Pe. Thomaz Falcóia, já relacionado com as carmelitas, como pregador de retiro e diretor espiritual, resolveram ingressar no Mosteiro de Scala, que era dirigido por este religioso e seu Superior.
Em novembro, as três irmãs Crostarosa entram no Mosteiro de Scala; quinze dias depois, recebem o hábito de Visitandinas. Júlia recebe o nome de Ir. Maria Celeste do Santo Deserto.
ORDEM DO SANTÍSSIMO REDENTOR
Reprodução
As Monjas Redentoristas usam o hábito vermelho. No Brasil há um outro mosteiro que usa o azul (regra antiga)
Mulher de cabeça e coração, sobretudo uma mística, foi a escolhida por Deus para dar ao mundo esta nova família religiosa.
Em 25 de abril de 1725, Ir. Maria Celeste, no silêncio da oração percebe como experiência forte de fé, que Deus deseja uma nova família religiosa na Igreja, que faça presente no meio da humanidade a expressão do Amor que Ele tem por seus filhos. Compreendeu que um novo Instituto seria fundado por seu intermédio, e que as Regras e leis que nele se devia observar, seriam uma imitação de Jesus. Ele devia ser a Pedra Fundamental; os conselhos evangélicos de Sua Divina Doutrina, seriam o cimento; o coração dela devia ser a terra em que se elevaria este edifício; e o Divino Pai, seria o obreiro.
“O Pai escolheu este Instituto para que seja para o mundo recordação viva de tudo que seu filho Unigênito operou para sua salvação”.
Maria Celeste, fazendo-se eco a voz que, com clareza, percebe em seu interior, revela-nos o porque deste projeto religioso: “O Pai escolheu este Instituto para que seja para o mundo recordação viva de tudo que seu filho Unigênito operou para sua salvação”. É o que, em sua Regra, ela denomina “O Desígnio do Pai Eterno”.
Sem perder tempo, Irmã Maria Celeste escreveu as Regras como Nosso Senhor colocara em seu coração. Pe. Falcóia examinou o manuscrito das Regras e, sem perda de tempo, comunicou que iria a Scala examinar o caso.
Enquanto as religiosas de Scala e o Pe. Falcóia lutavam com as dificuldades, Nápoles se edificava com a admirável piedade de um jovem sacerdote, que vivia dentro de seus muros. Todos repetiam a história desse advogado que renunciara ao fórum para se retirar ao seminário dos chineses. Era ele: Afonso Maria de Ligório que, a 21 de dezembro de 1726, fora ordenado sacerdote.
Dada a celebração da consagração Episcopal de Pe. Falcóia, sua estadia aí se prolongaria; por isso resolveu enviar a Scala seu amigo Afonso de Ligório, como confessor e pregador dos exercícios espirituais. As Religiosas poderiam dirigi-se a este com inteira liberdade e confiança.
Pe. Afonso aceitou o encargo e dirigiu-se ao Mosteiro em Setembro de 1730. Essa foi a primeira e decisiva entrevista do Santo Doutor com a Beata. Ela nada ocultou, e Santo Afonso compreendeu essa alma e os desígnios de Deus sobre ela.
Ali em Scala, cada um em seu momento, descobriu a vocação à qual eram chamados: dar à Igreja uma família religiosa que, seguindo o Redentor, se convertesse em Memória Viva de sua vida e sua obra durante os anos em que peregrinou pelos caminhos do mundo.
Maria Celeste, assessorada por Santo Afonso, deu forma a uma comunidade que se esforça para viver plenamente o Evangelho de Cristo em todas as dimensões de sua vida humana e religiosa, para ser na Igreja e no mundo um testemunho visível e um memorial vivo do Mistério Pascal da Redenção no qual o Pai realizou seu desígnio de amor pelo Cristo e no Espírito Santo.
Terminado o exame da proposta de Maria Celeste, Santo Afonso declarou a todas as Religiosas que a nova Regra tinha sido dada por Deus, e com a graça do Senhor a 13 de Maio de 1731, dia de Pentecostes, deu-se finalmente princípio ao novo Instituto, com o nome de “Ordem do Santíssimo Salvador”, e aos 06 de Agosto, festa da “Transfiguração do Senhor” do mesmo ano de 1731, as irmãs receberam o hábito da ordem.
Paralelamente à Ordem, Santo Afonso fundou, em 1732, a Congregação do Santíssimo Redentor para os homens, os missionários.
Por suas origens, por seu nome e sua espiritualidade, a Ordem do Santíssimo Redentor, está ligada à Congregação do Santíssimo Redentor. Os Institutos são chamados a realizar um fim comum de maneira complementar. Ambos tem por missão, ser testemunhas fiéis do amor do Pai e continuar assim, com a graça do Espírito Santo, o Mistério do Cristo Jesus, nascido da Virgem Maria, para a salvação da humanidade.
Como Jesus, a vida de Maria Celeste foi sempre cheia de sofrimentos e dificuldades. Por dificuldades com o bispo Falcoia e a comunidade, foi expulsa do mosteiro de Scala. Indo para Pareti, com sua irmã. Ali de 1733 -1735, a pedido do Bispo, reforma o Convento da Anunciação. De 1735-1738,com sua irmã, inicia o “o convento Mater Domini”, no qual vivem, tanto quanto possível, as normas e estilo de vida da revelação de Scala.
Dali vai para Foggia onde dia 09 de março de 1738, ocupando provisoriamente o Colégio de Orti, dos Padres Jesuítas. No dia 04 de Outubro de 1739, Madre Maria Celeste, sua irmã Iluminata e 6 jovens, vão para o Mosteiro definitivo em Foggia. Ali mantém grande amizade com São Geraldo que era diretor espiritual do Mosteiro. Aí escreveu a autobiografia e completa os manuscritos que manifestam bem claramente sua evolução espiritual.
No dia 14 de Setembro de 1755, Madre Maria Celeste, com a idade de 59 anos, faleceu às 15h00, no dia da festa em honra da Santa Cruz.
BEATIFICAÇÃO
Madre Celeste foi beatificada no dia 18 de junho de 2016, na Catedral Basílica de Maria Santíssima, na Diocese de Foggia, na Itália. A solene celebração da beatificação foi presidida pelo cardeal Angelo Amato, prefeito da Congregação para a Causa dos Santos.
O processo de Madre Celeste recebeu aprovação do Vaticano em 1901, quando a religiosa foi declarada Venerável, 146 anos depois de sua morte. Até a beatificação ocorreram diversas fases, até considerar a religiosa uma beata da Igreja Católica.
Scala.
Irmãs redentoristas no dia da beatificação, em 2016, na Itália.
ORAÇÃO
Confiantes em vossa intercessão e sustentados pelo exemplo de vossa vida, nós vos invocamos, ó Beata Madre Maria Celeste. Vós que conhecestes o Cristo Redentor como Palavra de vida no seu Evangelho, vós que o assimilastes como Salvador na contemplação de seus mistérios, vós vos revestides dele como viva memória na participação na Eucaristia, obtende, para quem busca a verdade a paz, a graça de encontrá-lo na misericórdia da Igreja, na alegria fraterna e na caridade para com os pobres e sofredores. Assim todos se encontrem unidos no abraço do amor do Pai. Amém.
Onde encontrar Monjas Redentoristas?
Em Itu-SP há um mosteiro dessa ordem, o Mosteiro da Imaculada Conceição e em São Fidélis-RJ, o Mosteiro da Santa Face e do Puríssimo e Doloroso Coração de Maria. O de São Fidélis segue a regra antiga, e as monjas usam o hábito azul.
A vida das Monjas Redentoristas
Servo de Deus Marcel Van
Primeira Infândia
Ir. Marcel Van (Joaquim Nguyen Tan Van), nasceu no dia 15 de março de 1928, em uma família cristã. Seu pai, Joaquim Triet era alfaiate e sua mãe Ana Maria, trabalhava no campo de arroz e era parteira. Criança formada com carinho e muita piedade. Ele era alegre, gentil e brincalhão. Sua irmã Ana Lê, lhe foi de grande alegria no seu nascimento. Atualmente é uma quase octogenária irmã redentorista no Canadá.
O desenvolvimento espiritual do menino, que por sinal era muito pequeno, se faz com serenidade e muita profundidade sob a orientação da mãe e de uma das avós. Era apaixonado pelas brincadeiras, deixando mesmo a refeição, mas ao toque do sino deixava tudo. Gostava de rezar o terço e brincar de fazer procissões, como é muito a gosto dos vietnamitas.
Depois do nascimento da irmã, quando tinha 4 anos, é levado para a casa da tia para ajudar na educação. O ambiente não é o mesmo da casa materna, onde a religião era em menor conta. A tia lhes contava a história do santos. Ele se punha a dizer que queria se santo. Era tão pequeno que diziam que seria santo de bolso.
Volta para casa dos pais quanto já tem 6 anos. Faz o catecismo para a primeira comunhão. Sabia de cor as respostas do catecismo. O padre diz: “Nunca pensei que sta criança fosse tão espera e inteligente. Ao fazer a confissão no confessionário, mesmo de pé, não alcançava a grade. Tiveram que trazer um genuflexório para aumentar a altura. Quer muito o diálogo pessoal com Jesus, mas as orações são comuns. Oferece a Deus sua primeira comunhão pelo seu papai, que, depois que seu filho Liêt ficou cego, ele se deu ao jogo e bebida, esquecendo-se da família. Van prometeu não beber vinho por toda a vida. Pouco tempo depois recebe a crisma. Desde logo desejou ser padre. A partir da primeira comunhão este desejo se tornou sempre mais forte.
Vai à escola de Ngam Giao.
Começa a freqüentar a escola. Fica doente. Era mal dos nervos. O motivo era a o gênio do professor duro que batia muito nas crianças. Em 1935, senhora Maû, sua mãe, visitam o Pe. Nhá, pároco de Hua Bang. É a primeira vez que vê uma cidade grande.
Voltando para casa, Van fica na escola paroquial, pensando já viabilizar o sacerdócio. O Pe. Joseph Nhá admite-o como aspirante ao sacerdócio. Tinha sete anos. Uma semana depois, depois de decoradas as respostas começou a ajudar missa.
Pelo preferência do padre, os colegas se enciumaram. Ele mesmo, considerando-se o maior, indispôs contra si os catequistas. O chefe dos catequistas decide tornar sua vida insuportável. Tentou violentá-lo. Sob pretexto de formação à vida perfeita e penitências bati com chibata no aluno nú por terra. Depois de uma semana não podia nem deitar-se, nem sentar-se. E Van não podia contar, sob piores ameaças. Quando, fpois de uma semana foi descoberta a questão pela lavadeira, o padre proibiu o catequistas destes usos.
Numa ausência do padre, o catequista se vinga, deixando-o quase sem alimento. Mesmo para comungar devia ser batido antes. Para impedir a comunhão, o catequista lhe propõe uma ação ilícita a que ele recusa, apesar das ameaças de ser enterrado vivo. Tirou-lhe o alimento. Para não morrer de fome teve que deixar a comunhão. Para suprir a falta da comunhão buscava o terço que também lhe foi tirado. Pega sementes de fava e passa de um bolso ao outro para rezar. Estas também lhe foram tiradas. Sobram os dedos que ele não teme perder para não parar de rezar. Por fim, o catequista se foi.
Empregado do Pároco: Com a idade de 8 anos deve trabalhar como um empregado adulto. O padre só se preocupava com a construção da Igreja. Para aumentar os sofrimentos, um tufão tinge a região e destrói as plantações de arroz. Os alunos devem voltar à família. Ele, sendo de longe, não tinha notícia dos seus e deve permanecer, por força, na casa do pároco. As notícias da família não são das melhores, pois o pai abandonou-se totalmente ao jogo e bebida, perdendo as plantações de arroz e até as pedras que calçam a frente da casa. A mãe lhe comunica que não pode lhe enviar nem roupa, nem dinheiro. Em casa, nasce mais um irmão.
Acidente grave. Em 1937, o padre, partindo em visita pastoral leva consigo Van que tem 9 anos. Van ao subir em um muro, caiu, atingindo o joelho. E´levado então à casa de uma senhora que cuida dela por própria conta. Van a consideraria sua segunda mãe. Morre depois dele.
Fugas.
Van, com 12 anos, em 1940, não obtivera o diploma de estudos primários. O Pároco não lhe permitia seguir as aulas. Pediu para voltar para casa e o pároco não lhe permitiu. Como seguir a vocação? Foge e toma o caminho de Ngoc Bao. O padre manda procurá-lo e trazê-lo de volta. O Pároco mandou-o para a casa paroquial de Thai Nguyên. A situação não melhora. Foge e volta para casa, e por ser fugitivo é maltratado. A mãe foi levá-lo de volta ao pároco. Percebeu a situação, mas não pode levá-lo de volta, pela situação em que viviam. Agora cuidava dos gansos. Ao brigar com um maior do que ele sofre, e é ameaçado novamente. Diante da impossibilidade de fazer os estudos para padre, foge de novo, apesar de procurado, entra em um barco e vai para a estação ferroviária. Entra em um trem cheio de soldados japoneses que, agradando-se dele, permitem que viagem.Desceu em Vinh Yên, Depois para Yên Viên. Ali encontra duas irmãs franciscanas que viviam com ele na cassa paroquial de Hau Bang. Levaram-no a Dão Ngan, onde havia uma sua comunidade. Decidiram levá-lo de volta. Mas graças à irmã Ngam, sua parenta, pode partir, levando consigo algum dinheiro.
Duas semanas de aventura.
Van vagou pelas ruas de Bac Ninh. Tinha medo de voltar para casa, não conseguiu lugar em um ônibus para ir para a casa da tia. Empregou-se em um restaurante, mas não lhe pagaram. Depois de 3 dias saiu. Foi trabalhar com uma vendedora de sopa chinesa. Ela afeiçoou-se a Van e quis adotá-lo. Era muito pobre. O irmão dela, não gostava dele quis matá-lo com uma faca. Teve que ir embora. A história do menino que quase foi degolado se espalhou pela cidade. Muitos queriam adotá-lo. Uma delas levo-o para casa. Era pagã. Vã percebeu que a senhora queria vendê-lo, fugiu. Um cristão o acolheu, mas a mulher não gostava dele e criticava sua devoção. Expulsou-o de casa. Estava de novo na rua. Assim tornou-se mendigo. Permanecia em frente da Igreja ou na estação ferroviária estendendo a mão aos passantes após 5 dias já erra irreconhecível de tão magro, desalinhado, sujo.
Retorno a casa.
Um dia, pedindo esmola acaba estendendo a mão a um tio seu (Hang) que apenas suspeitou. Passou a mendigar no trem de Bac Hinh a Hanói. Esperava ter o dinheiro para voltar para a casa da tia, mas não dava nem para comer. Uma noite, estando em Yên-Viên, lembrou que no dia seguinte era domingo. Não alcançou o trem para a cidade. Tomou o trem para Lao-Kay. Desceu em Huong Canh e entrou na Igreja, para assistir à missa escondido. Os meninos o reconheceram. N dia seguinte teve de comparecer diante do velho catequista para pedir perdão por aquelas duas semanas de ausência. O pároco o repreendeu duramente. Ao meio do dia seguinte, Van, que tinha escrito uma carta, com o pretexto de levá-la ao correio, abandonou Huu Bang, dirigindo-se à casa da sua tia Kahn, onde ficou por suas semanas. A família o exigiu de volta, apesar de sua insistência de ficar com a tia.
Retornado foi tratado com um degenerado. O pai continuava na vida perdida. Os filhos não tinham o que comer. Tinham que trabalhar para sustentar o pai. A mãe não quer reconhecê-lo como filho. Na situação foge com a irmã, mas são pegos pelo pai e espancado. Da escola onde estivera vem a acusação de que tinha roubado 30 piastras de intenções de missa. Não pode se desculpar. Deus conhece a verdade, dizia. A história do roubo se esparramou pela aldeia.
Entra em sofrimento. Será que Deus também vai me suportar? Na confiança em Maria pede socorro. Faz uma confissão e o padre lhe diz: “Aceita de boa vontade todas essas provações e oferece-as a Deus. Podes crer que se Deus te enviou a cruz, pé porque Ele te escolheu”. Ele tem 12 anos. Naquela noite recebe uma luz que o faz ver claramente que o sofrimento é dom de Deus. Recebia a missão: transformar o sofrimento em alegria.
Pelos fins de janeiro de 1941, a tia Kahn, vindo visitar os parentes levou Van consigo para um pouco de descanso. Deu-lhe como trabalho levar o boi a pastar. O tempo ele gasta com suas devoções. Sua alma mantinha-se unida à Virgem Santíssima e por ela a Deus, sempre presente em seu pensamento.
Cinco meses depois, na festa da Ascensão, 22.05.41, o Pe Nhá, pároco de Huu Bang foi à casa de Van para pedir aos pais a autorização para que ele regressasse. A maioria dos meninos havia deixado e ele precisa de servidores. Para obter o retorno, o padre reconheceu a prefeita inocência da criança e sua conduta irrepreensível sob todos o pontos de vista. Ele volta.
Voto de virgindade.
Cruzada de pureza: Agora com 13 anos, Van procurou melhorar a situação espiritual dos meninos da casa paroquial. No mês de outubro, Van teve uma visão horrível dos pecados do mundo, sobretudo das faltas contra a pureza. Que queres que eu faça? Coloca-se diante da imagem de N.S.P.Socorro e diz: “Oh Mãe, faço voto de conservar a virgindade, com vós durante toda a minha vida. Sentiu o coração inundado de felicidade. No dia seguinte cria uma associação entre os mais jovens para auxílio mutuo e defesa no regulamento e no progresso espiritual da casa paroquial. Eram o Grupo dos Anos da Penitência. A conduta destes meninos era uma repreensão aa falta de fervor e à negligência dos mais velhos, o que lhes valeram chibatadas.
Seminário menor de Lagson:
Após a festa do Natal de 1941, Van recebeu do seu amigo Tân, seminarista em Lagson, uma carta anunciando que o padre dominicano, diretor da instituição, aceitaria de bom grado outros alunos. Com a licença do pároco, ele entrou no seminário menor, no início de 1942. De início tímido, mas conquistou a confiança dos padres que eram franceses. Avançava rapidamente na vida espiritual. Ser padre era todo o seu desejo.
Seis meses após, o seminário fechou as portas porque faltavam recursos e porque os japoneses requisitaram a casa. Nessa situação, ele escreve ao Pe. Drayer Dufer, a quem estava ligado no seminário, para que lhe encontrasse uma solução.Dia 13 de agosto chegou a respostas dizendo que fora escolhido para continuar seus estudos em Quag Uyen. Assim ficava com os dominicanos e continuava seus estudos com mais três colegas. A alegria durou pouco, pois veio uma seca muito forte que queimava os campos. O padre tira os alunos da escola e manda cada um cuidar de uma vaca, levando a pastar ao pé da montanha. Três meses depois a situação melhorou e voltaram às aulas.
Da leitura de uma santa à sua escuta.
Em Quamg Uyen, Van procurava na intimidade com deus e sentia um grande desejo de alcançar a santidade. As vidas de santos que lera o desencorajavam. Pediu à Virgem Maria que o guiasse na escolha dos livros espirituais. Pegou um chamado a História de uma alma. Nutriu por Santa Teresinha um afeto de irmão menor. Uma manhã, contemplando o sol que nascia, ouviu uma voz: – Van, Van, meu irmãozinho! – Santa Teresinha, minha irmã? Respondeu Van. Si, eu mesmo. Deus quer que as lições de amor que êle me ensinou outrora, no segredo da minha alma se perpetuem no mundo, por isso dignou-se escolher você com pequeno secretário, para executar o trabalho que deseja confiar-lhe. Você sempre caminhou no seguimento de Deus, procurando vivamente dar-lhe prazer. É nisso precisamente que consiste a santidade. Irmãozinho, siga meu conselho: esteja sempre atendo em oferecer a Deus o seu coração, os seus pensamentos e todas as suas ações. Nosso Pai celeste não despreza as pequenas coisas. De agora em diante, irmãozinho, em sua relação com o Pai, siga os meus conselhos.
Na tarde deste dia feliz, às escondidas, Van retornou ao pe da montanha. A santa lhe falou novamente. Depois de lhe ter ensinado a maneira de conversar familiarmente com Deus, recordou-lhe a necessidade de rezar pelas crianças, pelos pecadores e pelos sacerdotes….” Um dia pediu licença para dizer algo que poderia entristecê-lo; em seguida, disse-lhe: Deus me deu a conhecer que você não será padre… o estado de vida mais excelente é o de se conformar em tudo com a Vontade de Deus…Você será religioso. A Virgem Santíssima lhe dará a conhecer a congregação na qual deverá entrar.
Um sonho maravilhoso: limpando um armário encontrou um punhado de revistas de N. S. P. Socorro publicada pelos redentoristas de Hanói. Lendo-as avivou o interesse de entrar para a Congregação do Santíssimo Redentor. Teresinha lhe diz que é a congregação que Nossa Senhora escolheu para ele…Se você quiser se tornar religioso redentoristas deverá aceitar ser maltratado como o foi Jesus Redentor.
Os sofrimentos começaram. Van pediu ao padre de quem dependia de que queria ir a um juvenato. Ele indicou os dominicanos. Mas ele queria os redentoristas. Irritou-se mais ainda porque fora porta voz das crianças em algumas das reivindicações sobre os alimentos que lhes faltavam. Expulsou-o e ele voltou à paróquia de Huu Bang, sem passar na casa dos pais. Posteriormente vai lá e a mãe dá o consentimento para que ele entre para os redentoristas desde que o pároco desde que o pároco esteja de acordo.
Escreveu aos redentoristas, mas com um endereço ilegível para esconder do pároco. O superior respondeu ao pároco para saber quem era. O pároco se ofendeu e retirou toda sua ajuda. “Vá aonde quiser, , mas terá que se virar sozinho”. Assim escreve uma segunda carta. O padre dá a resposta dizendo que se quisesse ser padre, deveria ir para o juvenato, se quisesse ser irmão, que esperasse 3 anos. Tentou outras cartas, mas sem resultado. S. Teresinha o aconselha a manter correspondência com os padres. Escreve ao Pe. Antonio Boucher, mestre de noviços que lhe ensina sobre a vida redentorista.
O pároco, em suas visitas pastorais, dava a Van o cuidado da catequese das crianças. O que os outros não queriam, ele adorava fazer. Van sabia lidar com elas, com brincadeiras e ao mesmo tempo ensinando. Amava as crianças por causa de suas almas puras e seus corações habitados por Deus.
As despedidas da Família:
Dia 22 de junho de 44, Van recebe uma carta do Padre Maurício Letorneau autorizando-o a entrar imediatamente para o convento. Exigia-se um enxoval. Ele não tem nada e a família é pobre. O Pe. Nhá lhe diz: “ Se você entra para um convento, é por conta sua e não pela minha. Como tem coragem de me pedir para preparar o enxoval? Sua senhora amiga, Sal, não o quis ajudar porque estava decepcionada com aquela decisão. Esperava que se casasse com sua filha. Dia 27 de junho, Van deixou a casa paroquial e foi para a de seus pais. A família se cotizou para o que era prescrito, que na realidade não era tudo exigido. No dia 15 de julho, a família assistiu a missa. Na hora de sair ainda faltava o par de sapatos de couro. Quem lhe dá é um jovem adotado pela família. Sai de casa acompanhado pela mãe até à altura dos arrozais. Neste momento ela lhe dá os últimos conselhos. Pouco adiante foi atacado por guardadores de búfalos que lhe roubam as coisas. É defendido pela mãe. Vai para Am Duong e lá passa a noite na casa paroquial. No dia seguinte toma o trem para Hanói. E pelas 9 da manhã estava no convento dos redentoristas.
É dia 16 de julho. Pe.Létorneau acolhe com benevolência e pergunta, diante da pequenez, quantos anos tem: 16. Pensou que não fosse verdade. O superior, Pe. Couture lhe diz: se quiser pode ir para o juvenato e fazer os estudos para padre. Ou terá que esperar. Van responde que Deus não que eu seja sacerdote. Então volte para a casa e regresse mais tarde. O padre lhe deu dinheiro para a volta. Voltou para casa. A mãe escreve ao superior pedindo que o aceite e indica os motivos dos perigos de estar em casa. Van voltou para o convento e era dia 1 de agosto. Não foi aceito na comunidade e ficou na acomodação do porteiro. A hospedagem era da pior. Passou dos meses e meio no sótão. Sofreu, mas sentia a consolação de sua santa.
Enfim, na comunidade:
Chegou o dia 16 de outubro, festa de S. Geraldo. Van havia feito uma novena fervorosa para ser admitido no convento naquele dia. Passaram-se os dias e nada. No dia 18, celebra-se o Pe. Reitor, Panfílio Couture. Aconselhado por Teresinha, já na tarde de 17, Van foi ao locutório para desejar-lhe boas festas. O padre que o rejeitara diz: é com alegria que o recebo na comunidade, hoje à noite. Pouco depois Van foi apresentado à comunidade que o acolheu e lhe deu o quarto.
As cruzes continuam: Ridicularizavam de seu tamanho e cada de menino. O tamanho lhe prejudicava os trabalho pesados, o que lhe ocasionava ser chamado de preguiçoso. Crescia na caridade fraterna buscando os dons dos confrades. Nesse início recebeu o nome de Marcel, conforme o costume da congregação. Queria ser chamado de Marcel do Menino Jesus, mas o superior não permitiu.
Intimidade divina:
Deus o chama, desde o postulado a um diálogo divino. Em determinada tarde, escreve ele ao mestre, trabalhando e pensando no amor de Jesus sofredor, sentia que Deus se encontrava perto de mim e me amava muito e o sentimento daquele amor me causava uma imensa alegria. Ouço uma voz que me dizia com doçura: Marcel, você me ama muito? Sim, meu Deus, eu te amo muito. Fora de ti não sei o que poderia amar.Eu te amo muito, muito…” Foi o início de uma intimidade quase contínua com o Senhor, que comunicava seus ensinamentos a Marcel… Não só falava, mas exigia que falasse de suas coisas.
Marcel tem consciência espiritual do mal do mundo, a partir de encontros e diálogos com Jesus. Prova igualmente a misericórdia de Deus na cura de seu pai que voltou à confessar e comungar.
O Noviciado e a profissão
No mês de agosto de 1945, o Irmão Marcelo foi admitido ao noviciado. Esta feliz notícia chegou-lhe quando ele menos esperava, se é que a esperava ainda. Desde o início do noviciado, Jesus foi o seu companheiro de estrada, caminhando ao seu lado, sem cessar, até o final daquele ano de prova.
O dia 8 de setembro de 1946 foi, para o querido irmão, um dia três vezes feliz. Em primeiro lugar, porque era a festa da Natividade da Mãe de Deus; em segundo lugar, porque era o aniversário da profissão religiosa da sua irmã muito amada, Teresa de Lisieux e, finalmente, porque ele mesmo obtinha o que esperara por tanto tempo – fazer a profissão no mesmo dia da sua querida santa.
Na alegria inebriante do dom total de si mesmo a Deus, naquela bela festa, o feliz professo teria podido morrer de amor. Mas Jesus queria conduzi-lo antes ao cume do Calvário, para morrer na cruz juntamente com ele. O Irmão Van pressentiu-o, quando escreveu no seu diário íntimo: “Quando realizar-se-á esta visão longínqua, da qual tenho sede atualmente, como um homem que chegou aos limites da sua força?”.
Na comunidade de Hanói
Após a sua profissão, agora membro da comunidade, o Irmão Marcelo foi nomeado alfaiate. Teve receio, mas o superior disse: “O que você não for capaz de fazer, Deus estará ali para ajudá-lo a fazer, porque você obedece sinceramente ao superior. Foi um excelente alfaiate. Depois teve que aceitar o da sacristia.
Nas comunidades de Saigon e de Dalat
No dia 7 de fevereiro de 1950, o Irmão Marcelo embarcava de avião em direção a Saigon. A intenção dos superiores era de proporcionar-lhe um tempo de repouso em uma comunidade menos numerosa do que a de Hanói.
O Irmão permaneceu ali por dois anos. Progredia visivelmente no amor de Deus e do próximo. Depois subiu a Dalat, estação de montanha, que os europeus compararam à Suíça, pela beleza do lugar e pelo frescor do clima. Foi ali que o caro Irmão viveu os seus últimos anos no Vietnã do Sul, na grande comunidade da casa do estudantado, em companhia de numerosos estudantes. Foi aí que fez a profissão perpétua, no dia 8 de setembro de 1952.
Volta a Hanói
Em julho de 1954, o Vietnã do norte foi cedido aos comunistas. Aconteceu então o grande êxodo dos católicos do norte em direção ao sul. Alguns Redentoristas deviam permanecer na casa de Hanói, para cuidar dos cristãos, agrupados na paróquia, após a evacuação. O Irmão Marcelo ofereceu-se como voluntário para residir naquela casa de Hanói. Aos 26 anos de idade, religioso há 9 anos, o Irmão tinha sobressaído por sua grande piedade, perfeita regularidade, espírito de trabalho e de sacrifício. Desde o noviciado, desejava o martírio… Chegando a Hanói, ainda afirmava estar disposto a sofrer todos os tormentos e até mesmo a morte, por amor de Deus.
Preso e no cárcere
Em 7 de maio de 1955, Van parte ao mercado. Na rua, ele ouve pessoas discutirem contra o governo do Sul, que eles acusam das piores abusos de poder. Então, secamente, ele interrompe os faladores: – “Eu estou chegando do Sul. E eu posso lhes dizer que esse governo não agiu de forma…Um grande silêncio segue as palavras de Van…Durante dias, nos escritórios da Segurança, Van é submetido, das 7 horas à meia noite, a interrogatórios intermináveis para fazer-lhe confessar que é um inimigo do regime Resistiu com coragem, rezando continuamente. Esta constância causou admiração em uma jovem senhora, advogada, que assistia ao processo e que fez a seguinte observação: “Uma tal força de alma em um jovem como o Irmão Marcelo é o testemunho da extraordinária vitalidade do espírito católico”.
A prisão central de Hanói
Diante da heróica resistência do Irmão Marcelo, os comunistas perderam a esperança de obter a mínima confissão de sua parte. Cessam a pressão e enviam o Irmão à prisão central de Hanói. Daquele período, temos algumas cartas, trazidas por prisioneiros postos em liberdade. Escreve à irmã: “Na prisão, como no amor de Jesus, nada pode retirar-me a arma do amor. Nenhum sofrimento é capaz de apagar o sorriso carinhoso que deixo transparecer habitualmente no meu rosto emagrecido. E para quem é o carinho do meu sorriso, se não para Jesus, o meu Bem Amado?” … “Só me resta o amor e, com o amor, uma vontade heróica. Sou a vítima do Amor e o Amor é toda a minha felicidade, uma felicidade indestrutível”.
O Irmão Marcelo permanecerá sempre alegre e sobrenatural. Para com os demais prisioneiros, mostrava-se muito caridoso. Não somente os consolava com palavras de conforto, mas partilhava com os mais desprovidos o seu alimento, as suas roupas, remédios e dinheiro. Ele foi condenado a quinze anos de prisão.
A pequena irmã Anne Marie Tê partiu para o Canadá. Ele escreve a ela: “Depois de ter estado preso durante cinco meses, numa cela obscura, que as pessoas chamam de ‘San lim’, foi-me permitido sair para o campo exterior, melhor arejado. Vários irmãos estavam detidos comigo, mas agora eles foram dispersos em outras regiões e eu ignoro em que eles se tornaram.” “O inimigo pode destruir meu corpo, mas ele não pode abalar minha vontade. Ore muito por mim, para que eu não tenha a coragem de lutar com ardor até o fim”.
Campo de Mochen
“Desde que cheguei aqui, o meu trabalho se assemelha ao encargo de um padre de paróquia. Fora das minhas horas de trabalho forçado, devo receber as pessoas e aconselhá-las. Todos me procuram, pensando que sou um homem incansável. Vêem que sou fraco, mas onde podem encontrar consolo? Então, é bem necessário que eu me doe”. “Agradeço de coração a Deus. Estes meses de prisão não causaram qualquer prejuízo à minha vida espiritual. Muito freqüentemente Deus me faz ver que é a sua vontade que estou realizando aqui. Diversas vezes pedi que me viesse buscar… A cada vez parecia-me que Ele respondia: ‘Caro filho, pense em todas estas almas que o procuram em busca de consolação, que distribuo por seu intermédio. A quem iriam e como eu chegaria a elas, se você não estivesse aí?’ E só posso responder com uma palavra: Meu Deus, quero obedecer-te em tudo”.
Campo de Yen Binh
Agosto de 1957. Ele é transferido para Yen-Binh (150 km ao nordeste de Hanoï). Ele tenta fugir, é preso de novo, espancado, preso na solitária… Durante dois anos! Declaram-no “irrecuperável”. Então, nada de visitas, nada de correio, nada de luz, exceto aquela que brilha no fundo do coração dele.
Durante os dois últimos meses da vida, o Irmão Marcelo não pôde enviar mensagem alguma. Sabemos, no entanto, de outros prisioneiros, que ele irradiava fé, paz e alegria. Muito enfraquecido pela doença, sofrendo de beribéri e de tuberculose, ele morreu no dia 10 de julho de 1959, ao meio-dia, assistido pelo Padre Vinh, Vigário Geral de Hanói.
Epílogo
Durante toda a sua vida, sob a direção de Santa Teresinha, de Maria e de Jesus, Van tornou-se um pequeno redentor, correspondendo à missão de apóstolo escondido do Amor, pela oração e pelo sacrifício. Aprendeu a transformar o sofrimento em felicidade, introduzindo as almas no amor de Jesus. Escreveu muito, tornando-se, por obediência, um pequeno secretário de Jesus. Atualmente, por seus escritos e intercessão, do céu continua a sua missão. Da África e da Ásia, da Austrália, do Brasil e da Argentina, dos Estados Unidos e do Canadá, da França e de toda a Europa chegam mensagens daqueles que, graças a Van, descobrem, como Teresinha ensinou a seu irmãozinho logo no primeiro encontro, que “Deus é Pai e que este Pai é Amor”. Na escola de Teresinha, Van se tornou um verdadeiro discípulo de sua “grande irmã” que dizia:
“No coração da Igreja da minha Mãe, eu serei o Amor”.
Beato Miguel Gõni Ariz
Padre Miguel Goñi Ariz, C.Ss.R, nasceu em Imarcoain (Navarra), em 27 de abril de 1902. Manifestando o desejo de tornar-se padre, ainda quando era uma criança, entraria para os Redentoristas em 08 de setembro de 1918 e professou seus votos em 26 de agosto de 1920.
Apesar da saúde fraca e uma natureza tímida, foi ordenado padre em 27 de setembro de 1925, e provou ser um pregador vigoroso e incansável de Missões Populares.
Após Trabalhar nas Comunidades de Nava del Rey (Valladolid), Granada, Santander e Vigo, foi transferido, em 1932, para Cuenca, onde trabalhou especialmente na Igreja Redentorista de São Felipe Neri. Em 31 de agosto de 1936 foi preso pela Milícia, baleado e deixado sangrar até a morte.
Servo de Deus Irmão Nicesio Pérez Del Palomar
É preciso começar dizendo que, devido à sua idade, irmão Nicesio é a vítima mais venerável entre os Redentoristas mortos na perseguição espanhola. Nascido em Tuesta, província de Álava, aos 2 de abril de 1859, tinha 77 anos quando foi levado à morte.
Praticamente nada se sabe de sua infância e juventude. Antes de entrar como postulante na Comunidade de Astorga, aos 24 anos de idade, foi soldado na guerra carlista. Em dezembro de 1884, ajudou nas obras de Nava del Rey; em 13 de julho de 1885, foi para o El Espino, onde fará seu noviciado e, em 30 de março de 1891, sua profissão religiosa.
A maior parte de sua longa vida passou-a nas casas de formação de El Espino, Astorga e Nava del Rey. Às vezes ajudando nas obras dessas casas que pareciam nunca terminar, outras atuando como hortelão com a competência de um profissional do campo. Tanto que, em vista da capacidade que demonstrava nas atividades agropecuárias, o Visitador, padre Desnoulet, o mandou estudar o ofício na casa de Contamine, na Província redentorista francesa. Lá permaneceu dois anos.
Voltou mais habilitado ainda nessa área e era freqüentemente requisitado para orientar essas atividades em diversas casas. Mas era também hábil carpinteiro e mestre de obras, motivo pelo qual tinha sempre que deixar os trabalhos do campo porque sua presença era solicitada nas obras ou reformas de casas, e em quase todas as novas fundações.
Na construção da igreja redentorista de Santander, aconteceu um grave acidente. Quando irmão Nicesio e outros trabalhadores montavam o madeiramento do telhado, a uma altura de 15 metros, os andaimes cederam ao peso das enormes vigas, e tudo veio ao chão: andaimes, vigas, outros materiais e todos os trabalhadores, entre eles o irmão Nicesio. Acorreram muitos em auxílio dos acidentados. Ao chegarem ao irmão Nicesio, retiraram-no para um lado e o deixaram, dando-o como morto, para correrem em socorro dos que ainda estavam vivos. Depois de atendidos os feridos, voltaram para retirar os mortos. Foi quando notaram que o irmão ainda dava sinais de vida. Estava com muitos ferimentos graves e todo ensangüentado. Extraída uma lasca de madeira que lhe havia entrado no pescoço e feitos outros curativos, o forte irmão Nicesio foi recobrando a vida, e em pouco tempo não lhe restava outra marca do acidente senão a triste lembrança daquele trágico dia.
Irmão Nicesio distinguiu-se por seu temperamento austero, seu caráter íntegro, mas um pouco rude, e por invioláveis princípios ascéticos. Tinha grande amor ao trabalho e à oração, e profundo sentido sobrenatural da vida. Homem de forte compleição, tanto física quanto moral.
Beato Nicolau Charnetskyi
Mykolay Charnetskyi nasceu dia 14 de dezembro de 1884 em Semakivka, aldeia da Ucrânia ocidental, de uma família numerosa e piedosa de camponeses. Mykolay era o mais velho de nove irmãos. Recebeu a instrução primária na aldeia de Tovmach e entrou no ginásio São Nicolau (curso de letras) em Stanislaviv (atualmente Ivano-Frankivsk).
Mykolay descobriu sua vocação para o sacerdócio quando era jovem e logo manifestou a intenção de se tornar sacerdote. Em 1903 o bispo Hryhoriy Khomyshyn enviou-o a Roma para estudar. Durante a curta visita de Mykolay à Ucrânia, o bispo Hryhoriy Khomyshyn ordenou-o sacerdote a 2 de outubro de 1909. Pe. Mykolay regressou depois a Roma a fim de prosseguir seus estudos e receber o grau de doutor em teologia.
A partir do outono de 1910 Pe. Mykolay foi professor de filosofia e de teologia dogmática no seminário de Stanislaviv. Era também o Diretor Espiritual do mesmo seminário. No fundo do seu coração, porém, seu desejo era a vida religiosa. Por isso, em outubro de 1919 entrou no noviciado redentorista em Zboiska, perto de Lviv, e um ano depois, a 16 de outubro de 1920, fez os votos como Redentorista.
Cheios de ânimo para trabalhar pela reconciliação dos cristãos e converter as pessoas espiritualmente abandonadas, em 1926 os Redentoristas da Província de Lviv fundaram um centro missionário em Kovel na região chamada Volhyn. Pe. Mykolay, que era um ardoroso missionário, foi mandado para lá. Bem cedo ganhou o máximo respeito do povo do lugar e mesmo do clero ortodoxo. Fundou um convento e uma igreja em Kovel, e deu o melhor de si para preservar a pureza dos ritos litúrgicos orientais. Em 1931, em atenção ao devotado trabalho do Pe. Mykolay, o Papa Pio XI o nomeou bispo titular de Lebed e Visitador Apostólico dos Católicos ucranianos nas regiões Volhyn e Pidliashsha. Essas regiões se tornaram o campo de apostolado do Pe. Mykolay, primeiro como missionário, depois como bispo, por quase 14 anos.
Como primeiro bispo ucraniano redentorista, sofreu perseguição desde o início da sua atividade. Durante a ocupação soviética da Ucrânia Ocidental em 1939, os Redentoristas foram forçados a deixar a região de Volhyn, e o Dom Mykolay foi transferido para Lviv, para o convento da Rua Zyblykevycha, que hoje se chama Ivana Franka.
Com a reabertura da Academia Teológica de Lviv em 1941, Dom Mykolay Charnetskyi trabalhou na faculdade da Academia como professor de filosofia, psicologia e teologia moral. Sua calma, baseada numa fé robusta e inabalável, seu espírito de obediência e de oração, davam aos seus estudantes bons motivos para considerar seu professor um santo. Dom Mykolay Charnetskyi era para eles uma figura exemplar como religioso e como pessoa virtuosa.
Em 1944 as tropas soviéticas entraram na Galícia pela segunda vez. Isto marcou o início do calvário de Dom Mykolay. Foi preso a 11 de abril de 1945 e mantido na prisão da polícia secreta soviética na rua Lonskoho. Lá o bispo sofreu muitas aflições: interrogatórios altas horas da noite, cruéis sevícias e torturas. Mais tarde foi transferido para Kiev, onde passou mais um ano de sofrimento, até que o seu processo chegou ao tribunal. Foi condenado a dez anos de prisão pelo crime de ser um “agente do Vaticano”. Cumpriu a pena juntamente com o metropólita Yosyf Slipyi, primeiro na cidade de Mariinsk, na região de Kameroc (Sibéria), e depois em várias outras prisões.
Conforme fontes fidedignas, enquanto esteve no cárcere (desde a sua prisão em Lviv em abril de 1945 até sua libertação em 1956), Dom Mykolay passou mais de 600 horas submetido a tortura e interrogatórios, e por várias vezes foi preso em 30 prisões e campos de concentração. Apesar de todos esses sofrimentos, o bispo sempre conseguiu encontrar uma palavra de consolo para seus colegas de prisão. Deu-lhes apoio moral e conhecia-os a todos pelo nome. Não admira que Dom Charnetskyi fosse muito popular entre os prisioneiros, sendo a única fonte de consolo para eles.
Dom Mykolay Charnetskyi passou seus últimos anos de cárcere no hospital da prisão em Mordóvia. Em 1956 sua saúde decaiu tanto, que os médicos não tinham nenhuma esperança de ele sobreviver. Uma roupa especial, com a qual os presos eram sepultados, já tinha sido feita para ele. Levando em conta as condições desesperadas do bispo, para que o regime soviético pudesse evitar a censura de ter causado a sua morte, a administração da prisão decidiu libertá-lo e enviá-lo a Lviv. Depois do seu retorno a Lviv em 1956 e por ter contraído hepatite e uma série de outras doenças, Dom Mykolay Charnetskyi foi imediatamente hospitalizado. Todos tinham certeza de que ele ia morrer em breve. Mas Deus tinha um plano diferente: decidiu prolongar a vida de um homem, cuja vida era tão valiosa e necessária para a Igreja ucraniana. Logo o bispo melhorou e instalou-se num apartamento da Rua Vechirnia, no 7 junto com o Irmão Klymentiy, C.Ss.R. Aí Dom Mykolay continuou o seu apostolado de constância e oração. Passou a maior parte do tempo rezando e lendo. Os que visitaram o bispo nesse período testemunharam que o viram muitas vezes num estado de êxtase. Durante sua estadia em Lviv, Dom Mykolay continuou fiel à sua missão de Bom Pastor: confortava seus confrades espiritualmente, preparava candidatos para o sacerdócio e ordenou mais de dez padres.
Infelizmente, a recuperação “milagrosa” de Dom Charnetskyi não duraria muito. Dia 2 de abril de 1959 o bispo faleceu santamente. Suas últimas palavras foram uma súplica de auxílio à Mãe do Perpétuo Socorro. Os funerais de Dom Mykolay Charnetskyi foram celebrados dia 4 de abril de 1959. A notícia da cerimônia, conservada no arquivo da Província redentorista de Yorkton (Canadá) termina com as seguintes palavras: “Todos nós pensamos que chegará o dia da sua canonização, pois ele foi realmente um santo bispo”.
Todos que conheceram Dom Mykolay Charnetskyi são unânimes em testemunhar sua santidade. Não causou surpresa, pois, que imediatamente após a sua morte muitas pessoas começassem a fazer orações ao Dom Mykolay. Tem-se esta impressão de santidade e de uma poderosa intercessão junto de Deus durante as orações no túmulo do bispo no cemitério de Lychakiv. Numerosas pessoas visitam o lugar da sepultura de Dom Mykolay para obter a sua intercessão quando rezam a Deus pedindo graças. Uma mulher, cujo braço estava para ser amputado, aplicou no braço terra do túmulo do bispo e ficou completamente curada. Desde então, o povo tem tirado terra do seu túmulo para pedir a cura de várias doenças.
Em vista dos testemunhos sobre a vida virtuosa de Dom Mykolay Charnetskyi e particularmente da sua constância, coragem e fidelidade à Igreja de Cristo durante o período de perseguição, o processo de beatificação começou em 1960. A 2 de março de 2001 o processo estava terminado na eparquia e a causa foi levada à Sé Apostólica. A 6 de abril de 2001 a Comissão teológica reconheceu o fato do martírio do Dom Mykolay, a 23 de abril seu martírio foi constatado pela Assembléia dos Cardeais e a 24 de abril de 2001 Sua Santidade o Papa João Paulo II assinou o decreto de beatificação de Dom Mykolay Charnetskyi, bem-aventurado mártir da fé cristã.
Beato Pedro Donders
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Beato Pedro Donders, o Apóstolo do Suriname.
O beato Pedro Donders nasceu no dia 27 de outubro de 1809, na Holanda, na cidade de Tilburg, filho de Arnaldo e Nélia. É considerado o Apóstolo do Suriname por ter dedicado grande parte da sua vida cuidando de leprosos no Suriname, com uma vida entregue a Deus de maneira muito generosa.
Ele foi batizado por um padre norbertino, nos primeiros dias de vida. Desde os cinco anos tinha o desejo de ser padre. Brincava com seus colegas de infância e ajudava os pais nos trabalhos da casa e como tecelão. Costumava rezar durante o trabalho e cada dia ia também na igreja, e dava aulas de catecismo para as crianças.
Com ajuda do seu pároco W. De Ven entra no seminário menor, pagando seus estudos com serviços internos, bem como com a ajuda de benfeitores. Vence assim duas dificuldades: a de não ser um dos alunos mais inteligentes e ser pobre. É aconselhado por seus diretores a entrar numa família religiosa, mas não é aceito por franciscanos, jesuítas e até redentoristas, em um dado momento da sua vida.
Pouco antes da sua ordenação sacerdotal escuta uma conferência sobre a missão do Suriname. Isso o anima e aumenta seu desejo de ser missionário. Aos 5 de junho é consagrado como sacerdote. No dia 22 de maio de 1842 faz sua pregação de despedida. No dia 1º de agosto, dia de Santo Afonso Maria de Ligorio, fundador dos redentoristas, parte de navio para o Suriname. Chega em Paramaribo, capital deste país, aos 16 de setembro. Esta terra torna-se o seus segundo país, que ele nunca mais deixará.
O bispo Dom Grooff convida-o a ir a Batávia, uma colônia de leprosos, três semanas após sua chegada. Ele se apaixona pelos leprosos e pelo lugar. Pedro Donders escreveu sobre a construção de casas:
“Os pobres leprosos vindos de diferentes fazendas, enviados para Batávia porque contaminados, começam a construir casas, em forma de cabana, todas com o mesmo tipo, feitas de palha para cobrir e parecendo mais como um chiqueiro de porco, sobretudo por dentro, do que casas para pessoas humanas”. (cf. livro do Pe. Sebastião Mulder, Felizes aqueles que se doam)
Outro bispo de sua época, Swinkels, escreveu sobre a realidade desses pobres enfermos: ”Pela primeira vez tive repugnância pela lepra. Eu ministrei a crisma a uma senhora leprosa, que jazia em tábuas no chão da sua cabana. Não havia um ponto sequer no seu corpo que não tivesse sido atingido pela doença incurável. O odor era forte e repugnante como de um corpo em pleno apodrecimento. De tal maneira eu estava tão sensível, que eu tive que abrir as duas portas externas para poder cumprir a minha função até o fim”.
A este local de espanto, Pedro Donders foi levado por estas pessoas, não sabendo que durante vinte e sete anos por lá iria passar.
Beato Pedro Donders: solidariedade e compaixão em favor dos irmãos
No entanto, ele volta a capital, para trabalhar como pároco por 14 anos. Diz-se que ele era um confessor rigoroso e uma pessoa que repartia o que possuía. Repartia o pequeno salário mensal, dava suas coisas, comida e roupas a toda gente que precisasse. Ao visitar uma escrava, vê ele que ela está quase sem roupas. Vai atrás da casa, tira sua camisa, ficando de batina. Joga para dentro sua camisa pela fresta da porta.
Não só crianças mas muitos adultos vinham ouvir as lições do padre Pedrinho. Uma escrava, Mathilde Dundas, veio também para ouvi-lo. Ela ficou tão tocada por sua catequese que foi batizada em segredo. O seu patrão ficou furioso depois que isso aconteceu. Mandou açoitá-la no piquete público, de maneira que o sangue escorreu do seu corpo por todos os lados. Então, ela foi a Pedro Donders que a consolou e disse: “Agora você recebeu três batismos, o batismo da reconciliação, o batismo da água e o batismo de sangue. Agora cuida bem para ficar sempre fiel na fé”.
Em 1851, Pedro Donders contraiu febre amarela e ficou acamado por quatro semanas.
Missionário Redentorista
O Papa pede aos missionários redentoristas para assumirem a missão do Suriname em 1865. Os padres podiam escolher: voltar para a Holanda ou entrar na família redentorista. Pe. João Rommen e Pe. Pedro Donders resolvem ser redentoristas. Fazem a consagração religiosa com muita alegria, aos 24 de junho de 1867.
Estes vão servir aos abandonados leprosos, negros e índios, por tantos anos, doando sua vida à Igreja e sociedade. Esta colônia para leprosos teve início em 1824. chegou a ter 500 leprosos, e em média, morriam 150 por ano. As crianças nascidas lá, que não tinham esta doença, porque eram enviadas à cidade de Paramaribo. Quando a colônia foi fechada em 1897, 83 pacientes são transferidos para a nova leprosaria de Chatillon.
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Beato Pedro Donders cuidando dos leprosos da Batávia.
Fim de ministério
No fim da sua vida, Pedro sente suas forças diminuírem; tem febres frequentes, os joelhos já não ajudam a caminhar, a ajoelhar-se. A isto ele diz: “Isto vem por si, e também vai embora por si mesmo”. No último dia de 1866 ele sofre fortes dores nos rins. Os medicamentos não aliviam a dor. A situação vai piorando, ele não reclama; somente diz: “Seja feita a vontade de Deus. Em tudo seja feita a vontade Dele”.
Recebe com muita fé a unção dos doentes, e aos 12 de janeiro de 1887 diz: “Vou morrer nesta sexta-feira, depois de amanhã, às 15 horas”. O irmão que cuidava dos doentes, Gustavo Bles diz: “Às quinze para as três da tarde visitei o Pedro. Ele estava consciente e rezava em silêncio. Tinha muita paz e sem medo da morte”. De fato, a morte o alcançou perto das 15h30, numa sexta-feira, dia 14 de janeiro.
Beato Pedro Donders: o incansável apóstolo no Suriname
No dia 15 de janeiro de 1887 é sepultado junto da cruz missionária, na Batávia, com rezas, cânticos e lamentações de todos. Em 1901, seus restos mortais são transladados para a catedral São Pedro e São Paulo de Paramaribo, onde permanecem até hoje.
Nas dioceses de Den Bosch, na Holanda, e de Paramaribo, no Suriname, é aberto o processo de beatificação.
Em 1913 é dado um passo a mais, ele é reconhecido como Servo de Deus. Em 1945 o papa Pio XII decreta que ele viveu de uma maneira heroica as virtudes cristãs, e aos 23 de maio de 1982 é beatificado pelo Papa João Paulo II.
Aos 27 de outubro de 2009, celebrando os 200 anos do seu nascimento, é aberto na sua cidade natal na Holanda, Tilburg, o museu do “Amor ao próximo”. Um filme documentário, com duração de uma hora mostra Pedro Donders, sua vida, suas cartas. Cenas são feitas no Suriname e em Tilburg, tendo sua primeira exibição nesta cidade, em 09 de outubro de 2009.
Mensagem
O que nos atrai na vida do Beato Pedro Donders? O ambiente simples e pobre vivido por esta criança, dando-lhe muitas alegrias? Sua vontade firme de lutar por aquilo que ele desejava: ser padre para o povo? O desejo de se aventurar como missionário levando amor, longe do seu lar, da sua terra? O jeito de viver com grande alegria, fazendo-se amigo dos escravos, dos negros, dos índios, dos brancos? O fato de nunca deixar de abraçar leprosos? Ou a sua convivência global sem fazer distinção de origem, religião, cor, sexo e identidade?
Oração
Querido Pedro, és uma bênção para as pessoas, porque para ti não há diferenças de cor, religião, posição social. Com teu olhar aberto para o mundo, vais ao encontro de cada pessoa como um amigo; com teu coração de ouro mostras como Deus faz acolhendo e se doando a todos. Pedro querido, nas dificuldades da vida ajuda-nos a sermos fortes juntos; ajuda-nos a nos conhecermos e a queremos bem uns aos outros; ajuda-nos a construir uma terra mais bonita e melhor.
Adaptação dos livros em língua holandesa: ‘Felizes os que se doam’, 2006, ‘Rezar com Pedrinho Donders’, 2009, ‘Pedro Donders junto com os pobres’, 2009.
Beato Pedro Romero Espejo
Padre Pedro Romero Espejo, C.Ss.R., nasceu em Pancorbo (Burgos), em 28 de abril de 1871. Entrou para a Escola Redentorista em El Espino e professou, finalmente, em 24 de setembro de 1889.
Foi ordenado em 29 de fevereiro de 1896. Era uma pessoa extremamente tímida e não dada à atividade missionária expansiva. Assim, dedicou sua vida ao ministério da reconciliação e à vida religiosa de meditação, oração e mortificação, testemunhando, para os outros, um grande espírito de pobreza.
Após estar nas comunidades de Astorga (León) e Madri, foi transferido para Cuenca. Com a eclosão da Guerra civil, foi forçado a deixar a comunidade e viver, como foi o caso de outros colegas, com uma família local, em sua casa particular. Para escapar da atenção dos perseguidores e continuar a exercer o apostolado, escolheu mendigar nas ruas da cidade.
Detido várias vezes pela Milícia, enfim em maio de 1938 foi capturado e levado à prisão onde, atendido fisicamente e espiritualmente por outros padres prisioneiros, morreu de disenteria, em 29 de maio.
Servo de Deus Padre Pelágio Sauter
Pe. Pelágio Sauter nasceu dia 9 de setembro de 1878, na aldeia de Hausen am Thann (Alemanha) e foi batizado três dias depois. Seus pais, Matias Sauter e Maria Neher, tiveram 15 filhos. Dois deles (Pelágio e Gaspar) tornaram-se padres redentoristas.
Em 1892 Pelágio recebeu os sacramentos da Primeira Eucaristia e Crisma. Trabalhou dois anos como aprendiz de serralheiro numa cidade vizinha. Em 1894 ingressou no Seminário Redentorista em Bachham. Estudou ainda em Dürrnberg (onde foi aluno do Bem-aventurado Pe. Gaspar Stangassinger) e terminou seus estudos ginasiais em Gars am Inn. A 8 de setembro de 1902 consagrou-se a Deus pelos votos religiosos de Pobreza, Castidade e Obediência. Dia 16 de junho de 1907, foi ordenado presbítero por Dom Antônio Henle em Deggendorf.
Quando convidado para vir ao Brasil, aceitou logo, pois sempre quis trabalhar nas missões estrangeiras. Dia 6 de agosto de 1909, desembarcou no Rio de Janeiro, com mais quatro confrades. Nunca mais voltaria para rever a pátria.
Estes 52 anos foram assim distribuídos: Cerca de 5 anos em algumas paróquias de São Paulo, e os outros 47 em Goiás. Durante esses longos anos desenvolveu múltiplas atividades pastorais. Nunca foi Superior canônico. Seu apostolado predileto foram as “desobrigas” no sertão goiano. Percorreu centenas de comunidades, quase sempre a cavalo, tornando-se conhecido e estimado pelo povo.
Onde mais trabalhou, foi em Trindade, famoso Santuário de Goiás, dedicado à Santíssima Trindade. Os romeiros vinham visitar o Divino Pai Eterno na festa, mas não voltavam sem pedir também a bênção do Pe. Pelágio.
Dedicou-se com carinho aos pobres e enfermos. A quantos abençoou e curou das doenças do corpo e da alma! A quantos visitou nas próprias casas. Não tinha hora marcada para os que o procuravam em suas aflições e necessidades. Dizem as crônicas que somente num ano visitou cerca de trezentos enfermos.
Seus últimos cinco anos foram dedicados unicamente à pastoral dos enfermos. Ficaram famosas as bênçãos que dava na igreja matriz de Campinas/Goiânia, todos os dias de manhã e à tarde. Contam-se muitas curas extraordinárias, atribuídas ao seu carisma curativo. Algumas não tiveram explicação médica.
Também sua morte está ligada a um ato de caridade. Ao visitar uma pessoa enferma, apanhou chuva na volta, ocasionando-lhe forte pneumonia. Foi internado na Santa Casa de Misericórdia, e assistido carinhosamente pelo corpo médico, confrades e amigos. Mas sobreveio um enfisema pulmonar, com outras complicações, tudo agravado pelos achaques da idade. Após uma semana de sofrimentos, morreu santamente às 13 horas do dia 23 de novembro de 196l. Tinha 83 anos. Por isso é chamado o apóstolo de Goiás.
Casa em que nasceu Pelágio em 1878. Nela nasceram seus ascendentes e descendentes. No seu frontispicio se lê a data da construção: 1826. Hoje está nas mãos de um estranho. Muitos acham que deveria ser readquirida e transformada num museu histórico. Pelágio residiu aqui até os dois anos de idade. Depois a familia mudou-se para outra localidade, a 200 kms. onde o menino viveu até seus 16 anos.
Servo de Deus Irmão Rafael (Máximo) Perea Pinedo
QUERIA SER PADRE, FICOU IRMÃO COADJUTO
Eis aqui outra história de vocação sacerdotal frustrada, embora não tão dolorosa quanto a do irmão Aniceto.
Irmão Máximo – nome de religioso, pois na pia batismal recebeu o nome de Rafael – nasceu aos 24 de outubro de 1903, num lugarejo que nem escola tinha, chamado Múrita, na província de Burgos.
Seus pais, Sandallo e Saturnina, cristãos fervorosos, deram-lhe piedosa formação religiosa. Desde cedo, Rafael ajudava à missa. Dos nove aos doze anos, morou com seus tios em outro povoado para poder ir à escola. Como no seu povoado, também ali era sempre ele o coroinha, a ninguém cedia o posto.
Tempos depois de retornar a Múrita, dois missionários Redentoristas pregaram missão em um povoado vizinho. Padre Aniceto, bom caçador de vocações, convidou-o a ir com eles. Jogou como isca o fato de Rafael já ter no seminário um irmão, Eduardo, e um primo, Daniel. Desde então isso não lhe saiu da cabeça, até que lhe escreveram do El Espino para que se apresentasse. E no dia 13 de setembro de 1915, não cabendo em si de alegria, ingressou no Colégio Nossa Senhora del Espino.
Começou os estudos com entusiasmo, mas também com muitas dificuldades. Talento escasso e, além disso, curteza de vista. A alegria e o entusiasmo deram lugar à tristeza quando três anos depois teve de voltar à casa paterna porque não conseguia levar avante os estudos.
Novamente em Múrita, já não seria coroinha; subiu ao posto de sacristão, que desempenhou com competência durante um ano. Deixou Múrita e seguiu para Valladolid, com os Irmãos Lasallistas, para terminar o colegial. Estes encantaram-se com o menino e tentaram atraí-lo para ser um deles. Inseguro, Rafael respondeu com evasivas e disse que mais tarde pensaria no assunto.
Chegou então o dia da grande alegria da família: a ordenação sacerdotal de Eduardo. Rafael recebeu o convite para a ordenação e para a primeira missa. E no encontro dos dois irmãos, entre eles ficou acordado um novo passo, que ia ser definitivo na vida de Rafael: ele entraria na Congregação Redentorista como irmão coadjutor, já que não podia ser padre.
Voltou ao colégio Lasalle, em Valladolid, e logo em seguida chegou-lhe carta de Eduardo comunicando que já estava tudo acertado para sua ida a Nava del Rey. No dia 15 de abril de 1921 deu início a seu Noviciado. Menos de um ano depois, em 26 de fevereiro de 1922, vestiu o hábito redentorista, com o firme propósito de não deixá-lo nunca e de ser fiel a sua vocação até a morte. Rezava assim a Nossa Senhora todos os dias: “Maria, minha mãe, dizei a vosso Filho Jesus que me castigue como quiser por meus pecados, contanto que me deixe este santo hábito até a morte”.
Feita a profissão religiosa em 17 de fevereiro de 1923, viveu vários anos nas comunidades de Astorga e El Espino, desempenhando os ofícios de sacristão, porteiro, ecônomo e cozinheiro, sempre com boa vontade e o rosto iluminado por um sorriso que nunca o abandonava. Estava em Astorga em 1933 quando foi transferido para a Comunidade do Perpétuo Socorro, em Madri.
Irmão Máximo demorou em cair nas mãos da Frente Popular. Como os demais da Comunidade, deixou o convento na noite de 20 de julho de 1936 e hospedou-se, junto com o padre José Maria Urruchi, na casa do senhor Roberto González Nandín. Alguns dias depois teve de trocar de casa com o irmão Pascual, passando a morar onde este morava, ou seja, na casa de dona Emília Alcázar. Mais alguns dias e foi obrigado a sair também dessa casa e transferir-se para a residência dos Montenegro, onde já se achava escondido o padre José Morán Pan.
Muito corajoso, aventurava-se a sair à rua por qualquer necessidade. Numa dessas foi detido, mas solto logo em seguida. Não passou de um susto que serviu para lhe botar um pouco de medo.
Passou um segundo susto na noite em que houve uma vistoria na casa dos Montenegro. A família mandou que seus hóspedes fossem imediatamente para o quarto e se metessem na cama. Um filho do senhor Montenegro, que acompanhava os milicianos na vistoria, disse-lhes com naturalidade que aquele era o quarto de seus tios. Os milicianos só entreabriram a porta, deram rápida olhada pelo quarto e se foram. Mais um susto que não passou de susto, mas que fez com que, a partir daí, irmão Máximo se tornasse um pouco mais prudente.
Dias depois, o porteiro da casa de repente entrou esbaforido contando ter acabado de dissuadir a dois foragidos que, acercando-se da porta, gritavam que ali havia dois Jesuítas escondidos. O bom porteiro conseguiu afastá-los apostando sua cabeça que isso não era verdade. Esse incidente foi a gota d’água que faltava para que todos da casa, hospedeiros e hóspedes, se convencessem de que ali já não havia segurança.
E saíram os dois, cada um para um lado. Antes de sair, padre Morán deu ao irmão um documento de um parente seu, que lhe poderia valer em algum apuro. Padre Morán conseguiu salvar-se. Já o irmão foi detido naquele mesmo dia. De nada lhe valeu o documento. Os milicianos levaram-no até um muro e, mandando que se colocasse de costas, deram alguns passos para trás para disparar sobre a vítima. Sentiu que havia chegado sua hora. Preparou-se para morrer. Mas os segundos foram passando e… nada de tiros. As vozes também sumiram. Atreveu-se a olhar para trás e não viu mais ninguém. Os milicianos haviam desaparecido. Irmão Máximo saiu em louca disparada, mas… infelizmente não tinha para onde ir.
Ocorreu-lhe então telefonar para a leiteria do senhor João Redondo, que diariamente entregava leite na Comunidade do Perpétuo Socorro. Atendeu-o a filha do senhor João. Como o irmão conhecia muito pouco Madri, ela explicou-lhe todo o trajeto que devia fazer e ele com muito custo conseguiu chegar. Entrou pelos fundos, como lhe pedira a moça. E finalmente começaram ali alguns dias de sossego para ele. Já não era, porém, o mesmo irmão Máximo corajoso. O medo de que o pior estava para acontecer instalou-se em seu coração. Era começo de agosto.
Sossego, que sossego? Ele não fora feito para o irmão Máximo. Logo depois que ali havia chegado, o senhor João Redondo adoeceu, vindo a falecer a 17 de agosto. Imagine-se a aflição dos da casa vendo que ela se enchia de parentes e conhecidos, que vinham para o velório. Nem todos, certamente, seriam a favor dos nacionalistas. Entre eles seria possível haver algum ‘amigo’ dos frente-populistas. Mais que depressa, Germana, uma das filhas de João, decidida e engenhosa, mandou que irmão Máximo e padre Câmara, outro que ali havia chegado dia 14, se trancassem num quarto, abasteceu-os com uma provisão de comida, pegou uma pequena escada e, colocando-a em frente da porta, sentou-se em um de seus degraus e dali não arredou pé durante as 24 horas do velório. A quem estranhava sua atitude, dizia que era porque não havia mais cadeiras na casa e que gostava de se sentar na escada.
Dia 24 de setembro, mais uma transferência, desta feita para a pensão de Frederico García, situada na parte baixa de Madri. Tanto pela bondade dos proprietários da pensão, quanto por sua localização, uma vez que nos arredores ninguém conhecia o irmão, essa transferência pareceu acertada. Rosário, irmã de Germana, visitava-o com freqüência e era quem pagava a pensão, com o dinheiro que lhe havia deixado padre Câmara. Pensou ele que, no caso de alguma vistoria repentina, era mais seguro o dinheiro estar com ela do que com o irmão. Ledo engano. Denunciada como refúgio de frades, a leiteria foi vistoriada, roubaram o dinheiro de Rosário e prenderam-na.
Em carta de 20 de janeiro de 1953, Frederico García informa o seguinte ao padre Colmenares, responsável por levantar dados sobre os mártires: 1. Que o irmão usou na pensão o nome de Rafael Morán, um parente do padre Morán Pan; 2. Que dia 2 de novembro, às duas da madrugada, houve uma vistoria na pensão e levaram o irmão, e nunca mais se teve notícia dele; 3. Que junto com ele levaram também um rapaz de nome Angel Bellot, e que este voltou às quatro da madrugada; 4. Que isso tinha sido presenciado por duas Irmãs de Caridade, que também se hospedavam ali; 5. Que o irmão havia sido denunciado por um guarda.
Este guarda era provavelmente um vizinho da pensão que, da janela de sua casa, podia observar o que nela se passava. Notando que irmão Máximo e Angel nunca saíam à rua, suspeitou de algo e os denunciou como fascistas.
Nada mais foi possível averiguar sobre a hora, o local e outros detalhes da morte do irmão Máximo. Nem nunca se soube do paradeiro de seus restos mortais.
Servo de Deus Irmão Rosário Vito Domenico Adduca
O Servo de Deus Irmão Rosário Vito Domenico Adduca, teve como pai o senhor Carmine Adduca (*30.11.1763 – + 18.09.1808) e mãe, a senhora Maria Cappariello (*10.11.1768 – +21.07.1817), a família viveu em Maschito (Potenza). Seus pais casaram-se dia 23.07.1785. Tiveram 6 filhos. O 3º filho do casal, Rosário, ganhou o nome por causa da festa de N.S.do Rosário. Foi batizado no dia dia 7.10.1793 e crismado no dia 24.06.1795.
De pequeno tem um grande amor a Maria, o que lhe foi ensinado pela Mãe. Aprendeu a ler e a escrever com o Padre Vicente Pelosa. Aos 10 anos faz a primeira comunhão. NO dia 18 09.1808, morre o Pai com 44anos. Rosário procura o trabalho de pastor. A solidão lhe era lugar para a oração. Enquanto as ovelhas pastavam, ele rezava. Levava consigo, santinhos e vela.
Vocação: A família procurou-lhe um casamento quando tinha 20 anos. Com a insistência da família pede para pensar 7 dias. Conversando com o pároco que lhe diz: seu coração dever ser todo e sempre consagrado a Deus, recusou. Por ali passaram os redentoristas. Por ali nascera Domingos Blasucci e Paulo (Reitor-Mór da Congregação). Segue o relatório do pároco que o ensinara a escrever: “Atesto eu, o abaixo-assinado, pároco da Matriz, sob o título de Santo Elias, Maschito, diocese de Vanosa, que Rosário Adduca de Carmine, meu paroquiano, é um jovem de ótimos e puríssimos costumes, freqüentador da Igreja e dos Sacramentos, com edificação tanto minha como de toda a população. É um leigo de espiritualidade”.
“No dia 1º de janeiro de 1824 entra para o noviciado Fr Adduca Rosário de Masquito”. Não se sabe quem foi o mestre nem onde. Recebe a batina dia 29 de junho de 1824. Terminado o ano de prova não emite os votos após os primeiros meses. Deveria esperar um tempo (anos) como todos os irmãos.
Do noviciado vai a Pagani e é destinado à Sicília. Passa por Masquito. A mãe morreu antes – 21.07.1817. Não tem ligação com os parentes que não o esqueceram, mesmo a um século de distância. Vai para Agrigento aonde chega entre a metade de 1824 e metade de 1826. Não se têm documentos, porque, pela supressão de Garibaldi em 1860 se perderam as crônicas e documentos dos conventos.
Os redentoristas chegaram à Sicília pela primeira vez em 1761. O bispo fizera uma biblioteca e confiara aos redentoristas. Um espertalhão mandara cartas aos bispos pedindo ajuda para a missão em nome de Afonso de Liguori. Ir. Tartaglione, que buscava a correspondência, um dia por acaso, chega primeiro e pega as cartas. Assim se descobre. Afonso escreve ao bispo dizendo do fato e o que faz com o dinheiro. O bispo responde que deve aplicar nas missões e pede padres para sua diocese. No dia 03.10.1768 morre o bispo. Os padres são perseguidos. Santo Afonso os recolhe em 1773. O povo se revolta e o rei permite a casa a 3.12.1774. Em 1775 os padres voltam. Dirigem de novo a biblioteca. Há um bibliotecário, um vice e um atendente. Quando estava à porta ou rezava ou fazia terço.
Em 1854 inaugura-se a Igreja de Santo Afonso. É primeira a ele dedicada.
“Se ordena ao Reitor de Girgenti, de mandar o irmão Rosário A Sciacca para fazer o segundo noviciado sob as ordens do Reitor e do Pe Guadagnino, e irmão Plácido vá em seu lugar. Estão no dia 08.07.1827, faz a profissão. Volta a Agrigento e à biblioteca.
Em 1831 houve visita canônica. Esta diz no relatório: Ir. Rosário de Maschito, bom filho, mas sem saúde. Participa de Missões. Nos anos 21.11.1830 – 29.1.1831 – Missão de Licata. Participou só de 3 missões. (Naró – 04.12.35 – 01.02.1836. S. Stevano di Quisquina de 10.04 a 10.5.1836. Igreja de Santo Afonso 02.08.1854)
Em 1851 houve mudanças. A comunidade é composta por 7 padres e 3 irmãos. Entre eles está Rosário que é o sacristão. Sempre em serviço. Não se sabe se antes já fora sacristão. Mas exerce até o fim de sua vida. Neste tempo testemunhou suas virtudes. Era rápido. Parecia que não punha os pés no chão. Quando não tinha trabalho, ajoelhava-se parar rezar. O povo se recomendava às suas orações. Para ele o irmão sacristão devia ser modelo e exemplo.
Decreto de Garibaldi: No dia 17.06.1860, obriga a todas as comunidades se dissolverem e sair da Sicília. Em 25.06.60 confiscam os bens. No dia 7 de julho, a comunidade cercada pela guarda nacional foi mandada de navio (pequeno) para Malta. Ir. Rosário fica para guardar a Igreja porque estava velho e doente. Ali fica do dia 07.07.1860 até 18.06.60, dia da morte. Fatos milagrosos se contaram.
Morte: Não podendo sair do quarto, Afonso Manto cuida dele e da Igreja. Estando com ele é mandado sair. Afonso, sai e me deixa só. Este permaneceu fora, olhando pela greta. Assenta-se sorri para o quadro de Nossa Senhora das Graças, absorto. Afonso entra e ele está morrendo. São 10 hs do dia 19 de agosto de 1860, com 66 anos, 10 meses e 12 dias. Era dia de Santo Afonso na Igreja. Com fama de santidade. Foi enterrado na Igreja de Santo Afonso, aos pés do altar de N.S. das 7 Dores. Nesta Igreja trabalhou também o Pe Fiorini (em processo).
Os padres voltaram em 1914, 1º de fevereiro. Ao reformar o piso da Igreja foi encontrão seu túmulo no dia 13.09.1929, havia poucos ossos. Em 27.10.81 a comunidade decide levar adiante o processo de beatificação.
Em 17.05.83 fizeram a exumação dos ossos. Em 04.01.1984 fizeram a transladação dos ossos. A abertura do processo foi no dia 14.04.85. Em 1993 colocaram no monumento.
Servo de Deus Santiago Margusino Fernández
Nasceu dia 24 de julho de 1863, em Muga de Alba, província de Zamora. Aos 24 anos entra como postulante em Astorga. Fez sua profissão religiosa como irmão redentorista dia 19 de março de 1891. Foi destinado à fundação de Porto Rico, voltando à Espanha em 1897. Depois de passar por várias comunidades chega a valência em 1917, onde permanecerá até o momento de sua morte.
Alguém que conviveu com ele dá este testemunho: “Homem de poucas palavras, mas de muitos feitos pelo bem da comunidade em que vivia. Nunca ficava ocioso. Estava sempre ocupado com o trabalho ou com a oração. Fazia com perfeita ordem tudo o que lhe era encomendado. Modelo de caridade e respeito religioso. Sua presença era garantia de ordem e pontualidade, com grande satisfação para os da casa e estranhos. Era bom em todos os ofícios, mas trabalhava principalmente como alfaiate e sacristão”.
Ao explodir a revolução, o irmão Santiago buscou a hospitalidade de D. Carmen Aparisi y Guijarro. Ali não fazia outra coisa que rezar, não tirava o terço das mãos enquanto esteve naquela casa, como nota uma das empregadas de D. Carmen. Esta senhora teve que fechar a casa, mas, antes deixou o irmão instalado em uma pensão da rua Serrano nº 10. Ela pagava todos os meses a pensão para o irmão.
Depois de muitos sustos, por fim no dia 23 de outubro se apresentaram sete militares e levaram o irmão juntamente com um jesuíta que estava na mesma pensão e os fecharam no cárcere das Torres de Cuarte. Aqui já estava encarcerado o Pe. Benjamin Piorno, da mesma comunidade de Valência.
Um dia levaram um aviso ao Padre dizendo que o irmão estava de cama e queria falar com ele. Estava mal e já se pensava na morte. Queria confessar-se, o que fez fervorosamente. Reconhecida a gravidade do irmão, chamou-se o médico, pessoa sensata e católica ao qual se comunicou a condição religiosa do irmão. O médico deu ordem de que fosse levado ao Hospital, Antes, porém, para reanimá-lo, deram-lhe uma injeção de óleo canforado. Assim pode vestir-se por si mesmo, despediu-se da sala e desceu as escadas até chegar ao carro que o levaria ao hospital.
Que aconteceu depois? Morreu pelo caminho? Foi assassinado.Certo é que ao chegou ao hospital. Desapareceu sem deixar rasto nem nos registros do hospital, nem nas listas dos cárceres, nem nos cemitérios. A data de sua morte ficou para o dia 23 de dezembro de 1936.
Servos de Deus Irmãos Nicesio e Gregório
DOIS IRMÃOS A CAMINHO DO MARTÍRIO
Quando estourou a guerra, fazia apenas dois anos que irmão Nicesio havia chegado a Madri, e nesses dois anos, com a humildade que lhe era característica, exerceu o cargo de hortelão. Pouco saía do convento, pouca gente conhecia.
Juntos, irmão Gregório e irmão Nicesio, no dia 20 de julho abandonaram o convento e abrigaram-se na casa de dona Trinidad Bru, viúva e mãe do padre Lino, diocesano e amicíssimo dos Redentoristas, que só não entrou na Congregação por ser filho único e ter de cuidar da mãe. Morreu, também como mártir, sem realizar seu sonho.
Ali viveram em paz, desfrutando do ambiente de carinho daquela família, até 27 de julho, dia em que o porteiro do prédio, acompanhado de um motorista, bateu à porta de dona Trinidad intimando-a, de forma autoritária, a tirar do prédio os dois religiosos. A bondosa mulher pedia-lhe educadamente, mas com insistência, que lhe desse mais algum tempo para conseguir outro lugar para abrigar seus hóspedes. O porteiro, no entanto, que não entendia de delicadezas, e com ameaças, manteve sua ordem.
Padre Lino, exibindo todo o porte de atleta que Deus lhe dera, saiu à porta, e com voz firme replicou ao porteiro: “Pois eu lhe asseguro que, com grosserias assim, não sairão senão por cima de meu cadáver”. O porteiro retirou-se sem dizer palavra. Poucos dias depois, o corajoso padre Lino, grande como um gigante, mas ingênuo como uma criança, caía varado por balas enquanto caminhava pela calçada.
Com uma documentação falsa que conseguiram para o irmão Gregório, ele e o irmão Nicesio saíram da casa de dona Trinidad e, com todo o cuidado, dirigiram-se a uma pensão na rua Pelayo. A proprietária da pensão preencheu a ficha de hóspedes e pediu ao irmão Gregório que assinasse. Mas aquele irmão Gregório, que em seu contato com o mundo tanto aprendera, não havia aprendido a dissimular. Declarou que aquela cédula de identidade não era sua. Diante disso, é claro, não puderam ser aceitos na pensão. Estavam, literalmente, na rua.
Recomendados pela senhorita Maria Ruiz, apresentaram-se ao Comissariado de Chambery. O Comissário, porém, dizendo-lhes que ali a vigilância dos milicianos era implacável, e, se os acolhesse, colocaria em risco a ele e a todos os demais que ali trabalhavam, lamentou, mas nada podia fazer. Apenas permitiu que ficassem num banco ao canto da sala, até que caísse a noite e se dispersassem as turbas e os milicianos que rondavam pela rua. Ali ficaram até a meia noite.
Quando viram a rua livre de inimigos, saíram e dirigiram-se à rua Arrando, que o irmão Gregório conhecia muito bem, pois trabalhara bom tempo num imóvel dessa rua reformando um sótão para transformá-lo em depósito do Editorial El Perpétuo Socorro. Esconderam-se ali por vários dias, enquanto durou o estoque de alimentos que traziam consigo. E por mais dois, que passaram sem comer praticamente nada, quando então foram socorridos por Maria Ruiz e Pepita Moreno.
Pepita, que tanto se desvelou por vários Redentoristas, visitava-os e levava-lhes alimentos, ao mesmo tempo em que procurava outro abrigo para eles. Mas foi Maria Ruiz quem acabou conseguindo a casa da família Quintanilla, na rua Covarrubias, a mesma rua do Editorial El Perpetuo Socorro. Como ninguém os viu entrar, tiveram mais alguns dias de paz.
Paz que durou pouco. Dia 14 de agosto, véspera da festa da Assunção, lá pelas duas da tarde, chegaram dois milicianos e levaram os irmãos. Não respeitaram nem a idade nem a doença do irmão Nicesio, que se achava de cama. Ao que tudo indica, ou foi o porteiro do prédio ou sua filha – “uma criatura perversa” -, como a classifica o padre Ibarrola, quem os denunciou.
Não se sabe quanto tempo ficaram no palácio de Valdeiglesias, transformado em casa de detenção para interrogatório e tortura, que foi para onde os levaram. O mais provável é que tenham sido mortos na madrugada da festa da Assunção, dia 15 de agosto de 1936.
Do irmão Nicesio contam que, com doçura na voz, disse ao chefe do pelotão: “E você se atreve a matar um velho, que pode ser seu pai e até seu avô?” E lhe deu um abraço. De um soldado, testemunha da execução, contam que saiu exclamando: “Que energia tem esse velho!” O primeiro a tombar foi irmão Gregório. Quando chegaram ao irmão Nicesio, pediu-lhes que o deixassem rezar uma oração. E, feita a oração, falou: “Agora podem disparar”. E eles dispararam. Em seguida, apenas juntaram os dois cadáveres e os abandonaram.
Quão maravilhosa se tornou essa estreita união, amarrada pela caridade! Este é, seguramente, um dos mais belos feitos da história dos mártires redentoristas da Espanha.
Servo de Deus Padre Vicente Renuncio Toribio
O DISCÍPULO HÁ DE SER CÓPIA VIVA DO MESTRE
Se padre Girón era o tipo do asceta, abstraído das coisas e voltado para dentro de si, onde encontrava a Deus, padre Vicente Renuncio foi, bem ao contrário, um homem ativo, que consumia a vida a serviço do próximo e da família religiosa à qual pertencia.
Vicente Renuncio Toribio nasceu em Villayuda, pequeno povoado a quatro quilômetros da capital, Burgos, e aos pés de uma montanha não muito alta, em cujo cimo se ergue o mosteiro da Cartuxa de Miraflores. Nasceu aos 11 de setembro de 1876. Estava, portanto, com 60 anos quando entregou sua vida ao Senhor; mas 60 anos que não eram o começo da velhice, e sim uma vigorosa maturidade, pois se mantinha tão robusto e ágil que nada nele denunciava o crepúsculo da vida.
O pai de Vicente chamava-se Nicasio Renuncio Manzanedo, nome que padre Renuncio haveria de adotar durante a perseguição, mas sem resultado positivo. Ignacia Toribio era o nome da mãe. A casa estava sempre aberta à caridade; todo aquele que necessitava de algo recorria com confiança ao senhor Nicasio e à dona Ignacia, pois ali se socorria a todos. A ninguém se negava nada.
Aos três anos foi acometido de grave enfermidade, e dado como caso perdido. O médico não lhe receitava mais nada. “Que coma o que lhe apeteça e que morra contente o pobrezinho”, dizia. Mas foi exatamente por comer coisas estranhas entre si, como leite, vinagre, frutas, todas juntas e de uma vez, e por ser muito ativo desde pequeno, é que acabou se curando.
Na escola, não foi nenhum talento, como ele mesmo registrou em seus apontamentos biográficos. Já no catecismo, ninguém sabia mais que ele. Um primo seu quis ensinar-lhe latim; mas latim era o que menos lhe entrava na cabeça. Quiseram mandá-lo para os Jesuítas; estes, porém, não o aceitaram dizendo que dele pouco se podia esperar. Isso o deixou bastante desconsolado, pois lhe parecia desfeito seu sonho de ser sacerdote.
Dizem, entretanto, que Deus, se fecha um caminho, abre outro. Foi o que aconteceu. Em uma missão pregada pelos Redentoristas em Agés, vilarejo vizinho de Villayuda, um missionário simpatizou com Vicente e lhe propôs levá-lo para o seminário. Vicente não queria outra coisa, e em 13 de setembro de 1889 estava entrando no El Espíno.
Anos mais tarde, também a irmã caçula de Vicente, Pilar, entraria para a vida religiosa no mosteiro Beneditino de Palácios de Benaver. Ela conta que Vicente era sério, mas nunca se aborrecia com nada. Quando ela ficava aborrecida, ele, com palavras mansas e com carinho, fazia com que descarregasse o cenho. E ele seria sempre assim, inalterável em sua mansidão.
Com o passar do tempo e em contato com o mundo, foi mudando um pouco o temperamento. Sem deixar de ser sério, prestativo e atencioso, foi deixando para trás o camponês sisudo, e se tornou expansivo e alegre.
No Noviciado, que fez de 1894 a 1895 em Nava Del Rey, chamava-se frater Renuncio, e o passou sem maiores dificuldades. Oração e sólidas virtudes era o que melhor harmonizava com seu gênio.
Em 8 de setembro de 1895, fez sua profissão religiosa e logo se transferiu para Astorga para cursar os estudos maiores. Talento, como já se disse, ele não tinha muito. Mas com empenho, aplicação e oração sempre, conseguiu chegar ao sacerdócio, recebendo a ordenação aos 23 de março de 1901.
No começo da vida de padre foi missionário e, pouco tempo depois, destinaram-no a ser professor no El Espino, cargo que ocupou de 1902 a 1906. Em seguida volta a ser missionário. Embora lhe faltassem as qualidades de bom orador, como memória, palavra fácil, gestos, sobravam-lhe piedade sólida, seriedade, aplicação e objetividade no trabalho, além do zelo pelas almas e sua característica bondade e facilidade no trato das pessoas. A todos que a ele acorriam em busca de conselho para enfrentar os problemas do dia-a-dia, era homem que sabia dar soluções acertadas.
Sai das missões em 1909, e embora ainda pregue alguma missão aqui e acolá, nunca mais retornou efetivamente a esse campo. Voltou a ser professor e auxiliar do Diretor no Seminário, consultor, administrador de vários departamentos, inclusive da revista El Perpetuo Socorro, e, por último, já fazia alguns anos que estava em Madri, na Comunidade do Perpétuo Socorro, como Prefeito do Santuário.
No dia 18 de julho, abandonou o convento e refugiou-se na casa de Miguel Huidobro, local não muito apropriado para esconder-se, pois seu dono era de atuação direitista e, por isso, também buscado pelos vermelhos. Poucos dias depois fizeram uma vistoria ali, mas padre Renuncio estava fora no momento. Havia saído para celebrar missa, o que fazia praticamente todos os dias, apesar de ser advertido por todos do risco que isso significava. Ao voltar, foi informado da vistoria e não quis entrar. Dirigiu-se à casa de umas conhecidas suas, as senhoritas de Salinas.
Não se sabe exatamente quantos dias permaneceu ali, mas o certo é que no dia 24 estava na casa de dona Dolores Rosado, onde ficou até 8 de setembro. E continuava saindo sempre para suas missas e para visitar famílias conhecidas, no exercício de seu ministério sacerdotal.
Dona Dolores arrumou para ele uma pensão na rua Malasaña, julgando que ali estaria mais seguro. Foi, no entanto, sua perdição. Surpreendido sem documentos, foi levado à Comissaria do Distrito de Chamberi e, dali, à Direção Geral de Segurança. No dia seguinte, levaram-no para a prisão Modelo, galeria 2.
Dos companheiros de prisão conservam-se vários testemunhos por escrito, que falam de seu espírito afável, bondoso, serviçal, sempre de bom humor, de caridade inesgotável, sobretudo ouvindo confissões no pátio da prisão ou nas celas, e distribuindo alimentos e remédios que seus amigos lhe levavam.
Dia 7 de novembro de 1936 foi o dia da grande retirada de prisioneiros, de várias prisões, para, como diziam, serem transferidos para o cárcere de Alcalá: 970 da prisão Modelo; 175 de Santo Antão; 200 da prisão Nova; outros 200 da prisão de Porlier, e alguns mais, totalizando 1600. Na verdade, porém, destes, só 300 chegaram à prisão de Alcalá. Os demais 1.300 foram fuzilados na noite do mesmo dia 7 de novembro, na grande matança de Paracuellos del Jarama. Entre eles, o padre Vicente Renuncio, a respeito de quem , a partir daí, nunca mais se soube nada.
Ao ouvir seu nome na lista de chamada, levantou-se e, emocionado, diante do padre José Machiñena, seu Superior e companheiro de prisão, renovou os votos religiosos. Padre Machiñena animou-o a que estivesse preparado e, se fosse o caso, que oferecesse a Deus sua vida pela Igreja, pela Congregação e pela Espanha. Com ânimo, e marchando resolutamente, falou padre Renuncio em alta voz: “Ofereço minha vida pelos Confrades da Província, pela Congregação, e por nossa desventurada pátria”. Padre Renuncio foi a última vítima redentorista da perseguição vermelha espanhola.
Descrever toda a sanha e desumanidade dos milicianos, e dos episódios desse dia é quase impossível. Aqui estão, entretanto, alguns traços retirados dos relatos do padre Machiñena:
“Naquele dia, saímos tristes para o pátio… Em surdina, comentava-se o acontecimento do dia. Uns diziam que tinham ido para Alcalá, outros, que para Chinchón… Um comandante amigo meu acercou-se de mim e, com toda reserva, transmitiu-me a versão que tinha ouvido de um Oficial de Prisões: que os que saíram no primeiro carro haviam ido para Alcalá, e que aos demais os haviam assassinado todos nos arredores de Madri, e que muitos deles haviam sido enterrados vivos. E acrescentou: “Quando se souber toda verdade causará horror e espanto.”… Despojando-os de tudo o que tinham de pessoal e amarrando-lhes as mãos empurravam-nos para o carro… Assim foram levados ao local da execução. Uma vez ali, colocados à beira de valas, amarravam-nos de novo, em grupos de três ou quatro, que, ceifados pelas metralhadoras, iam caindo nas valas, arrastando uns aos outros, uns mortos, outros ainda vivos. Esses detalhes, eu mesmo os ouvi de um diplomata de Embaixada. O Corpo Diplomático teve notícias e até informações detalhadas dos atos monstruosos a que faço referência, mas só se ouviu a voz de protesto do representante do Governo Norueguês, que caiu no vazio. Os marxistas, impotentes para conter o avanço dos nacionalistas, vingavam-se de suas derrotas assassinando aos presos, que não haviam cometido outro crime senão o de não pertencer à Frente Popular.”
Sóror Pilar, a irmã de padre Renuncio, havia composto fervorosa oração em forma de poesia, rogando a Deus e à Virgem que livrassem o irmão das mãos dos perseguidores. Mas, ao inteirar-se de seu martírio, compôs esta outra:
Que o discípulo há de ser
do Mestre cópia viva.
De ser irmã de um mártir
estou mui enobrecida;
e por isso hoje, a teus pés,
te dou mil graças, rendida
por ter sido meu irmão
uma vítima escolhida.
Beato Victoriano Calvo Lozano
O Ir. Victoriano Calvo nasceu em Horche, província de Guadalajara, dia 23 de dezembro de 1896. Seu nome era Victor. Na Congregação passou para Victoriano. Teve uma infância muito piedosa. Era um homem de muita reflexão. Tinha gosto pelas leituras piedosas. A regra de São Bento lhe fez nascer a vocação religiosa e o introduziu nas penitências. Sem orientação sente o vazio da vida que o cerca. Com a morte da mãe voltaram as primeiras inclinações.
Durante uma missão pregada pelos redentoristas em sua aldeia, retomou sua piedade, aumentado muito. Rezava enquanto segurava o arado ou manejava a enxada, até perceber que era demais. Lia muito. Lia obras de Santo Afonso. O tio ameaçou de queimar os livros, ao que respondeu que primeiro devia queimá-lo. Quis estudar, mas era tarde e não tinha como se sustentar. Fez o serviço militar em Madri. Busca os redentoristas, mas a timidez fê-lo voltar atrás. No quartel quiseram levá-lo por engano a uma casa alegre. Ao se dar conta voltou atrás indignado.
Afinal expõe sua idéia ao pai que se opõe e procura tirar-lhe a idéia da cabeça. Tinha como amigo o pároco. O pároco pede seu ingresso na Congregação como irmão. Saiu de casa sem avisar ninguém, deixando uma carta de explicação. Já era de maior. Era 31.03.19.
Ingressou na Congregação em 1919. Dia 2 de abril é postulante. Aos 12.11.19 recebe o hábito. Fez sua profissão religiosa dia 20 de novembro de 1920. Foi hortelão e ocupa todos os ofícios. Muito habilidoso para todos os trabalhos. Parco em palavras, rendendo muito nos trabalhos. Era um enigma para quem o via. Depois de passar por diversas comunidades, em 1925 estava em Cuenca.
Era porteiro e sacristão de Cuenca, na Igreja de São Felipe. Mas poucos o conheciam. Era calado, mas não intratável. Era afável e afetuoso com quem ser harmonizava. Tinhas amigos com quem tratava a vida espiritual (Paulina Muñoz). Seu afeto era informado pelo espiritual. As irmãs Paulina e Eugênia eram zeladoras do altar da Virgem. Paulina era de grande formação espiritual e de profunda experiência de Deus. Escolhe o silencio irmão como seu diretor espiritual em sentido pleno (com permissão e recomendação do Pe. Leoz, superior de São Felipe). Paulina o narra em sua autobiografia que é profunda e de correta doutrina. A partir de abril de 1929 foi diretor espiritual. Ir. Victoriano deixou escritos sobre vida espiritual. Paulina morre em 1933 e Eugênia salva os escritos de ambos. Escreve para Paulina retiros espirituais com grande propriedade (ele era um bom leitor). Reassume um livro de Lehodey sobre o santo abandono e o ilustra com Santa Tereza, São João da Cruz e São Francisco de Sales, Saint-Jure e Santa Terezinha. Em seus escritos releva seu íntimo. A amizade espiritual foi frutuosa para o irmão. Diz: “Ganhei mais nestes 5 anos que em todos de minha vida religiosa”. Ele era um irmão de formação de escola rural e pode exercer uma direção espiritual que é um assombro para os diretores espirituais de ofícios. Ele se ofereceu para a difícil missão da China.
Quando começa a guerra, seu primeiro refúgio, depois que estourou a guerra, foi a cada de D. Eugênia Muñoz e depois o seminário. Dia 10 de agosto de 1936 foi lavado dali juntamente com o padre Xavier Gorosterratzu. Foram imolados juntos às primeiras horas da manhã. Ele era calado. Foi morto por ser religioso. Quando se procedeu a exumação de seu cadáver, se viu que o tórax estava todo quebrado, o que faz supor que depois de morto ainda massacraram seu cadáver.
Venerável Padre Vito Michele di Netta
Nasceu em Vallata (AV), no dia 26 de fevereiro de 1787, primogênito de 9 filhos. Seus pais foram Platone Di Netta e Rosa Villani. Entrou para o Seminário diocesano em 1804. Seu tio, Pe. Felice o aconselha a passar aos redentoristas. Ajudou missa do Pe Antônio Tannoia, primeiro biógrafo de S.Afonso. Este lhe diz: O Senhor o chama para nossa Congregação para ser um zeloso missionário em sua mística vinha.
Aos 07.10.1804, vai a Deliceto para o exame. Espera por meses o despacho real permitindo a entrada nos redentoristas. Entra em S. Angelo a Cupulo, nos Estados Pontifícios e não no Reino de Nápoles. Ingressa no noviciado dia 29.01.1804. Em junho Napoleão toma o Ducado de Benevento e expulsa os religiosos. Ele volta para casa e estudo com o seu tio. Não podia voltar por enquanto. Pe. Blasucci, superior geral, aconselha-o a continuar firme. Volta a Ciorani para um meio noviciado e vai a Deliceto onde, a 25.04.08, faz a profissão religiosa. Propõe a ser uma cópia fiel de |Jesus Redentor. Faz-se um regulamento de vida.
Em 30 de Março de 1811 é ordenado em Lacedonia. Faz o segundo noviciado. Desde 1790 há 3 casas na Calábria. Escolhido para ir morar na Calábria logo após a ordenação, 10.10.1811.
Partem para Catanzaro/Tropea. Exerce 37 anos de apostolado missionário. O segredo de suas missões: oração, penitência e humildade. Implanta a meditação para manter os frutos da missão.
Em 1822 é superior de Tropea. Depois mestre de noviços em Ciorani em 1836. Depois de 25 anos na Calábria. Retorna à Calábria em 1839. Superior de Tropea novamente de 1842-1846. Restaura a Igreja, é Visitador em nome do Superior Geral para as visitas canônicas. Apresenta muitas virtudes e dons sobrenaturais. Cai doente de 1847-1849. Profetiza sua morte dia 3.12. Às 9 da manhã diz: Eis-me aqui, Senhor, Eis-me aqui.
Seu processo de beatificação se abre 05.12 de 1896. É declarado venerável em 1910.
(Pe. Di Coste Antonio, 1914, 268 p).
Servo de Deus Padre Vítor Coelho de Almeida
O Padre Vítor Coelho de Almeida nasceu dia 22 de setembro de 1899, em Sacramento (MG), filho de Leão e Maria Sebastiana.
Aos 12 anos entrou para o Seminário Redentorista Santo Afonso, em Aparecida. Em 1918 fez sua profissão religiosa em Perdões e dia 5 de agosto foi ordenado sacerdote em Gars Am Inn, na Alemanha onde fizera os estudos de filosofia e teologia.
Voltando ao Brasil, dedicou-se às missões populares, vivendo, sobretudo em Aparecida. E, de 1925-1929 em Araraquara. Depois de ter estado em Campinas de Goiás, de 1933-1940, residiu em Araraquara e S. Paulo.
Sua generosa disponibilidade, seu estilo simples e a linguagem fácil fizeram-no muito popular nos estados de S. Paulo, Paraná, Minas Gerais e Espírito Santo.
Acometido de tuberculose, foi internado sanatório divina Providência de Campos do Jordão. Depois de sete anos de dolorosas tratamentos, suportados com evangélica paciência, não podendo retornar às missões por causa da saúde precária, voltou a Aparecida para trabalhar no Santuário.
Por 36 anos fez missão através da Radio Aparecida, fundada com sua contribuição em 1951 e da qual foi diretor de 1965 a 1970.
Ainda hoje, permanecer inesquecíveis entre o povo suas alocuções radiofônicas e seus programas – Os Ponteiros Apontam para o Infinito, Consagração a N.S.Aparecida e Entrevista com os Romeiros.
Através da Rádio, Pe. Vitor pode evangelizar também aqueles que viviam nas regiões mais remotas e abandonadas do Brasil. Podia ser facilmente encontrado pelos peregrinos que, depois da participação das missas, pediam para conhecê-lo, conversar com ele e tirar uma foto.
Dia 21 de julho de 1987, depois de uma embolia pulmonar, faleceu em Guaratinguetá, no Hospital Frei Galvão, com a idade de 87 anos.
A notícia de sua morte fez acorrer para os funerais, celebrados no dia seguinte na Basílica de N.S.Aparecida, uma multidão de certa 20.000 pessoas.
Seu processo de beatificação foi aberto dia 12 de outubro na basílica de N.S.Aparecida, na missa das 11h.
Servo de Deus Padre Vitório Loyodice
Pioneiro de dois hemisférios
Nasceu em Corato no dia 25 de julho de 1834. Em 1889 vai para Montevidéu, Argentina. Faleceu aos dezesseis de outubro de 1916.
Corato tem ligação com a congregação. Ali em 1732 atua S. Geraldo com seus milagres. Ali nasce Pe.Antônio Tannoia (1727-1808). Publicou a vida de Santo Afonso (1798-1802). Ali também nasceu João Camilo Ripoli (180-1850) – 18 anos superior geral da congregação.
Seu avô era médico, era francês, entrou exército de José Bonaparte e Murat. Casou-se com a nobre Margarida Azzariti de Corato. Morreu na campanha napoleônica da Rússia com 42 anos. Teve dois filhos: Mariana que aos 19 anos se casa com José Loyodice, homem de grande formação humana e religiosa. Foi educado no seminário (aberto) de Bisceglie. Tiveram 11 filhos, dos quais 11 sobreviveram. Vitório é o 2º, batizado com o nome de Vitório Maria Geraldo Cristóvão Luis. Nasce no dia 28 de julho de 1834. Assemelha-se mais à mãe, filha de um francês, de cabelos loiros, pele branca, olhos claros, inteligência rápida, extraordinária vivacidade. Era chamado o francês.
Quando menino, passando diante de um quadro de N.S.do Bom Conselho tendo ao lado 2 anjos e com busto de Santo Afonso, sem auréola, (entre os anos 1808-16), subindo, os 2 garotos vêm S. Afonso fazer um gesto de convite. Correu a contar à mãe que não acreditou no fato e diz: “Oxalá S. Afonso te tivesse pego pelos cabelos e te tivesse levado consigo você é muito moleque”.
Com 17 anos, com o pai e o tio Pe Benedito vão a Nápoles encontrar o Pe Geral Trapanese. Pe Ribera (tb servo de Deus) leva-os a Pagani e a Ciorani, casa do noviciado 12.03.51. Faz a profissão 20.03.52. Em 53 há a divisão da Congregação. Faz os estudos de teologia em Deliceto. Ordenado aos 19.09.57em Amalfi. Passa dois dias em casa e vê inaugurar a casa redentorista de Corato para a qual se empenhara seu pai José Loyodice.
Em 1750 Afonso recebe a proposta de ir pregar aos nestorianos que voltavam à Igreja. Jovens e anciãos se ofereceram para abandonar a pátria e seus caros. Um século depois, jovens pedem em 1858 ao Superior Geral Celestino Berutti para ir em missão estrangeira. O geral pede um território. A congregação da Propaganda Fide – Evangelização dos povos, oferece Casanare – Colômbia (6.000 km2), com 24.000 hb entre os quais índios, todos em abandono. Vão Pe. Tirino de 54 anos, Pe. Joaquim D’Elias 26 e Loyodice de 25. Escreve ao Geral: “Soube do barulho que o pai fez por causa de minha viagem”.
Partem de Nápoles dia 1º de maio. Passam por Roma. Na Venezuela perdem a bagagem. 6 meses depois chegam a Casanare. Elias vai para Arauca – total abandono. Loyodice morava em Moreno. Aí ocorrem as peripécias da missão. Tirino morreu ao atravessar o Ariporo em 1860. D’Elia morre em 1863. Loyodice permanece só com 26 anos. Vai a Bogotá para aconselhar-se ao Núncio Miecislao Ledochovski. Fica seu secretário. Em 1861 foram expulsos pelo presidente anti-religioso Mosquera. Os redentoristas deixaram as melhores impressões no dizer do delegado apostólico: “a virtude e a conduta dos padres edificaram a todos os que se aproximaram deles e se aconselharam com eles e deixaram as mais vivas simpatias…isso me dá a esperança de que a congregação poderá lançar profundas raízes na Colômbia”.
Loyodice, pertencendo à congregação redentorista napolitana, então separada de Roma, não volta a Nápoles e sim a Roma. Por quê? Situação precária e pouco segura das ordens. Vai à casa geral da congregação “transalpina”. Trabalha na Igreja Sant’Alfonso e dá aula de filosofia ao pequeno grupo.
Uma carta de 28.09.62, da Espanha de D. André Martinez de Noboa, grande admirador de S.Afonso, pede 2 ou 3 padres para observar e ver os meios para se fixarem na Espanha. (O primeiro espanhol a entrar na congregação era Pe Isidoro Antoñanjas. Morreu 9.04.45). Não havia espanhol na congregação. Pe Loyodice responde ao Pe André em nome do Geral, por saber espanhol. É também escolhido com 29 anos ( tem vasto conhecimento). Partem 08.02.1863, com Pe Egídio Zanini e o rimão Luis Estevão Zanichelli para se estabelecerem na Espanha.
Espanha – 1863-1884.
Não tem reconhecimento do estado, o que dificulta a formar uma comunidade reconhecida. Moram na casa do Pe Andréia Noboa. Trabalham em confissão e pregação. Dia 11.10.63 passam a morar em Alcala de Henares.
Nos inícios de 64 pregam a primeira missão, o que continua com preoveito. Em 25.06.64 recebem o primeiro convento com Igreja em Huete, diocese de Cuenca. Pregam a missão no local. Relação permanente com o Geral Mouron. É organizador nato das funções religiosas. Passam ao convento de las Mercês. Émaior.
É oferecida uma casa em Alhama (Granada). Vai com três padres.Um deles é já fruto dos trabalhos (Pedro Lopes – Espanhol). Em 1867 (18.11.67) a Congregação é aprovada na Espanha. Abre-se o noviciado na Espanha. Em 18.09.68, o movimento revolucionário anti-religioso fecha as 2 casas e os padres são dispersos. O Geral pede que 2 fiquem na Espanha (Loyodice e outro) esperando os tempos melhorarem. Continua em Madri na Igreja das irmãs alcantarinas. Trabalho de confissão e pregação. Deixa uma crônica ampla sobre os acontecimento dos primeiros anos dos redentoristas na Espanha.
Publica um devocionário extraído das obras de S.Afonso (1870) e uma biografia de S.Afonso (1874). Em 1869-79 passa meses em Roma como auxiliar de 2 bispos que vão ao Concílio Vaticano I a pedido do Geral. Antes do Natal visita a família em Corato. O aviso da morte de seu pai lhe é dado durante uma pregação, justo sobre a morte. Interrompe a pregação, reza e continua.
Em 1874 a monarquia é restaurada. Também as congregações são restauradas. Os bispos querem os redentoristas. Havia somente 2 (Loyodice e Luis Cograio (?). Escreve ao Geral pedindo 8 padres de uma vez. Mouron confia a Desurmont, superior da província francesa de introduzir novamente a congregação na Espanha. Loyodice não estava à frente, mas dependia de um superior francês. Permanece como superior da pequena comunidade de Madri. Em 1877 vai fundar a casa de Granada. Trabalha como confessor e pregador).
Partida da Espanha – 1884
Com os padres franceses houve mudanças no modo de viver a vida religiosa. Pe. Loyodice sofre um forte esgotamento e depressão que o põe em grave situação pessoal e espiritual. Pede para deixar um pouco a Espanha. Não atendem imediatamente. No dia 20.05.84 escreve ao Geral pedindo um ano para recuperar-se. Seja como uma ordem para não escandalizar os confrades e amigos. O Geral Mouron manda que esteja em Roma em Setembro. Sai dia 5 de setembro, chegando a Barcelona. Por causa da cólera não pode partir sem quarentena. Volta pela Suíça. Mas é retido pelo vigário geral que o manda esperar. Mouron escreve-lhe: “Em lugar de ir a Roma, fosse para Buenos Aires. A casa fundada pela província alemã necessita de um padre que fale italiano (há 60.000 italianos) uma vez que fala bem o espanhol e o italiano..que pensa?” Responde: “se era o desejo do superior era a vontade divina”. Como o superior não oferece uma visita a sua velha mãe (72) e irmão vai para Luxemburgo. Parte de Hamburgo dia 20.09.84 para permaneceer 32 anos na nova missão.
Na Argentina – 1884 – 1897
Chega a Buenos Aires 22 de dezembro de 1884. Atende os emigrantes italianos com confissão e pregação. Dirige a arquiconfraria N.S.P.Socorro como diretor espiritual Pregava missões de 86-97. Pregava retiros.
No Uruguai 1897-1916
Em 1889 os redentoristas alemãs fundam a casa de Montevidéu. Foi para ali transferido. Continua diretor da arquiconfraria e conferência de São Vicente de Paulo. É grande pregador. Aos 80 ainda pregava a ovena de S.Francisco. Caompnha religiosos. Prega missões. O bispo Pio C. Stella, auxiliar de Montevideo, dá dele um belíssimo testemunho. Entre outras diz: Tido como santo, não tinha impaciência nas adversidades. Não murmurava, jejuava, dormia das 11-4. Trabalhava com diligência, pessoa agradável, pregava mjuito bem, com clareza e simplicidade. Estava sempre ocupado. Confessava o povo longas horas, mesmo estando doente e assentando-se sobre chagas.
No dia 12 de agosto adoeceu gravemente. Recupera-se e retorna às atividades. No seus jubileus era bem festejado. Pio X manda uma bênção, como tb o Geral Murray. Recebe tb a visita do Oblato Solari de quem era amigo (está em processo de beatificação). Dia 16.10.16 morre sem agonia, vendo o resultado de seu trabalho na Espanha com 240 membros (mais uns 50 já mortos). Teve um funeral grandioso com 70 carros. Foi escritor traduzidno obras de S. Afonoso, biografia de nossos servos de Deus, livro para religiosos “Guia da Vida Religiosa”. Em 3 anos 3 livros que somam 1140 páginas com a idade de 78 anos: Reio de Satanás (1910), Reino de Jesus Cristo (1911) e Reino de Maria (1912).
Retrato físico e espiritual
Homem alto, magro, voz sonora e forte, cabelos loiros e depois brancos. Recolhido, modesto, olhar singular beleza. Carrega as virtudes dos santos, sobretudo a caridade. Grande pregador e confessor. Discreto na alimentação, roupas pobres, longo nas orações. Clarividência que sabia ler os corações. Em 1937 se decidiu iniciar seu processo de beatificação que se inicia em 1.10.42. Os milagres se sucedem. É o homem de muitas terras.
Bibliografia: Clemente M. Henze cssr. Un Pionere del Signore nei due emisferi. Il servo di Dio Vittorio Loyodice, missionario Redentorista. 1834-1916
Beato Zenobio (Zenão) Kovalyk
O Beato Zenobio Kovalyk nasceu dia 18 de agosto de 1903, na aldeia de Ivachiv Horishiniy, perto de Ternopil, em uma pobre família de camponeses. Antes de entrar para a vida religiosa, trabalho como professor de uma escola primária em sua aldeia. Tem um caráter forte e não permite meios termos em sua fé. Desde a infância, o sonho de Zenóbio é tornar-se sacerdote. Descoberta sua vocação para vida consagrada, entra para a congregação redentorista, professando seus votos dia 28 de agosto de 1926. Pouco depois foi mandado para a Bélgica para completar seus estudos de filosofia e teologia.
Voltando para a Ucrânia, dia 9 de agosto de 1932, foi ordenado sacerdote. A 4 de setembro de 1932, celebra sua primeira Liturgia em sua aldeia natal de Ivachiv. No santinho de sua ordenação traz a seguinte inscrição: “O Jesus, recebe-me como sacrifício junto ao santo sacrifício de vosso corpo e vosso sangue: recebe-o pela Santa Igreja, pela minha Congregação e por minha mãe pátria”. O Cristo gostou destas palavras que eram uma oferta pura. Pe. Kovalik não sabia que estas palavras eram proféticas, e que logo, somente 9 anos depois, seriam confirmadas em seu martírio.
Depois de sua ordenação, Padre Kovalyk partiu juntamente com o bispo Nicolau Charnestskyi para a região de Volhyn para trabalhar pela causa da reconciliação dos ortodoxos ucranianos. O jovem sacerdote é uma verdadeira alegria par seus confrades. Padre Kovalyk é espirituoso, tem uma bela voz e uma pronúncia muito boa. É um grande cantor e um verdadeiro pregador com uma “boca de ouro”. Sua pregação apostólica atrai milhares de pessoas. Ele ama a Mãe de Deus com todo o coração e não deixa de mostrar sua sincera piedade para com Maria. Essas qualidades fazem com que tenha muito sucesso em suas atividades missionárias.
Depois de vários anos de trabalho na região de Volyn, o Padre Kovalyk foi transferido para Stanislaviv (antes, Ivano-Frankvsk) para pregar missões na cidade e nas aldeias. Pouco antes da invasão soviética de 1939, transferiu-se para Lviv, para o convento Redentorista de rua Wyblykevycha (então, Ivana Franka), sendo nomeado ecônomo da comunidade.
O corajoso sacerdote continua a pregar a Palavra de Deus, mesmo quando se iniciou invasão soviética. Um campo importante do trabalho do Pe. Kovalyk é o confessionário, e é justamente neste campo que teve muito sucesso: era procurado por grande número de pessoas que procuram força espiritual.
Enquanto a maior parte dos ucranianos da Galícia estava arrasados pelo terror, Pe. Zenóbio demonstrava uma coragem admirável. Muitos pregadores eram extremamente cautelosos em seus sermões. Procuvam evitar assuntos candentes do dia e se limitavam em exortar o povo a ser fiel a Deus. Ele, ao contrário, jamais temia condenar abertamente os costumes introduzidos pelo regime soviético. Seus sermões provocavam um forte impacto sobre os ouvintes, mas ao mesmo tempo eram um perigo muito grande para o pregador. Avisado pelos amigos do possível perigo que ele corria por causa de seu modo de pregar, ele respondeu: “Recebo com alegria a morte, se esta for da vontade de Deus, mas não cederei jamais ao que possa comprometer minha consciência de pregador.
O último grande sermão do padre foi em Ternopil, dia 28 de agosto de 1940, por ocasião da Assunção de Nossa Senhora. Aquele dia, os fiéis ouvintes eram cerca de 10.000. Mas o sonho do martírio estava para se realizar dentro de poucos meses.
Na noite de 20 para 21 de dezembro de 1940, os agentes da polícia secreta soviética entraram no convento dos redentoristas para prender o Pe. Zenóbio pelos seus sermões que fizera na novena da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, na igreja do convento. Antes de deixar seus confrades, ele pede a seu superior, Pe Vocht a última bênção e a absolvição.
Por muito tempo os redentoristas tentaram saber qual fora a sorte de seu confrade prisioneiro, mas somente em abril de 1941 souberam que estivera preso na Rua Zamarstynivska ( a fomosa prisão Brygidky). Durante sua prisão, que durou 6 meses, ele sovreu 28 intrrogatórios dolorosos. Três vezes foi conduzido a outras prisões para ser interrogado. Depois destes interrogatórios, acompanhados de torturas particularmente cruéis, adoeceu por causa da grande perda de sangue.
Mesmo na prisão ele continua seu trabalho apostólico. Condivide uma cela apertadíssima (4,20 por 3,50), sem móveis, cooutros 32 companheiros. Ele, juntamente com os prisioneiros, reza o terço todos os dias e um rosário inteiro no domingo. Faz as orações litúrgicas. No mês de maio, organiza orações à Mãe de Deus e no dia da Epifania convida os companheiros à consagração litúrgica da água. Além da oração, ele ouve as confissões, dirige retiros espirituais e ensina catecismo, consola os companheiros contando, com seu estilo típico e espirituoso – várias histórias religiosas. Não é de se admirar do fato que os prisioneiros – gente em extrema necessidade de esperança e consolação – amassem o padre com todo o coração pelo seu zelo apostólico.
Em 1941, quando as tropas alemãs começaram sua ofensiva, os guardas da prisão, ansiosos para fugir, não podendo levar consigo os prisioneiros, começassem a disparar sobre seus companheiros. Mas não foi suficiente sua idéia de disparar sobre o Pe. Zenóbio, recordando seus sermões sobre Cristo Crucificado, pregaram-no na parede da prisão diante de seus companheiros prisioneiros.
Quanto as tropas alemãs entraram em Lviv abriram imediatamente as prisões para limpar o lugar das pilhas de corpos já em putrefação. O povo correu para invadir as prisões na esperança de encontrar algum parente. E todos testemunharam a horrível visão daquele padre crucificado à parede da prisão, com um corte na barriga e dentro da ferida um feto humano.
Para descrever o Pe. Zenóbio, podemos justamente usar as palavras das vésperas dos Mártires que fala do guerreiro glorioso e invencível que, armando com a cruz de Cristo, destrói o inimigo e recebe a coroa da vitória do único Vencedor e Senhor que reina para sempre. O beato martírio pode servir como representação gráfica das seguintes palavras das Escrituras: “ As almas dos justos estão nas mãos de Deus e nenhum tormento as tocará…aos olhos dos homens sofrem castigos, mas sua esperança é cheia de imortalidade. Por um breve sofrimento receberão grandes benefícios, porque Deus os provou e os encontrou dignos de si” (Sb 3,1.2-5).
Tendo em conta os testemunhos sobre a vida virtuosa do Padre Zenóbio Kovalyk, e sobretudo de sua perseverança, de sua coragem e de sua fidelidade à Igreja de Cristo durante o período da perseguição, foi dado início ao processo de beatificação por ocasião do Ano Jubilar. Completado o processo a nível de eparquia, dia 2 de março o caso foi levado à Santa Sé. Dia6 de abril a comissão teológica reconheceu o martírio do Pe. Zenóbio. Dia 23 de abril seu martírio foi reconhecido pela assembléia dos cardeais e dia 24 de abril de 2001 o Santo Padre assinou o decreto da beatificação do Padre Zenóbio Kovalyk, beato mártir da fé cristã.
Dia 27 de junho de 2001, juntamente com outros 3 redentoristas e mais 24 mártires, Pe. Zenóbio Kovalyk foi beatificado pelo Papa João Paulo II em sua viagem à Ucrânia.