Por Ir. Miria Kolling
Da Mesa da Palavra à Mesa Eucarística! Quatro gestos de Jesus na Última Ceia constituem a essência da Celebração Eucarística: Ele “tomou o pão e o cálice com vinho” – preparação dos dons, “pronunciou a bênção de ação de graças” – oração eucarística, “partiu o pão” – fração do pão “e o deu a seus discípulos” – comunhão.
- Jesus tomou o pão…O primeiro gesto de Jesus inclui os seguintes momentos: preparação do altar, procissão dos dons, incensação dos dons e do altar, o lavabo, oração sobre as oferendas. Normalmente o rito da apresentação do pão e do vinho vem acompanhado docanto das oferendas,que é facultativo, sendo um dos menos importantes da liturgia eucarística. Tem a finalidade de criar um ambiente de alegria, partilha, louvor e generosidade, enquanto são apresentados os dons para a eucaristia. Pode-se responder cantando às orações de bênção do presidente, com o “Bendito seja Deus para sempre!”ou fazer um solo instrumental. O canto acompanha o rito, portanto não deve se prolongar. O termo “ofertório” é inadequado, pois a grande Oferta se realiza na Oração Eucarística, quando pão e vinho se tornam Corpo e Sangue de Cristo.
- Jesus deu graças – Oração Eucarística(2º gesto de Jesus) – “é o centro e o ápice de toda a celebração eucarística” (cf. Instrução Geral do Missal Romano-IGMR, 78), iniciando-se com o diálogo do Prefácio até o Amém da Doxologia. Pode ser cantado, pois é uma oração de ação de graças pelas maravilhas de Deus, sobretudo pela obra da salvação, em Jesus Cristo. São aclamações jubilosas da Oração Eucarística:
– Santo: Diante da salvação e das maravilhas de Deus, convidamos o céu e a terra para cantar o Santo, Santo, Santo, que é a grande aclamação doxológica da liturgia, o primeiro canto em ordem de importância, devendo ser cantado por toda a assembleia, e com o texto integral. Não deve ser substituído por outro canto qualquer, pois constitui o próprio rito, e todo ele é bíblico, glorificando a Deus que enche os céus e a terra com sua glória, e bendizendo o Cristo, que vem em nome do Senhor para nos salvar: a ele, Hosana nas alturas!
– Aclamação Memorial – O presidente narra o memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor, durante a qual se faz silêncio sagrado, pois não é momento de devoção à presença real de Jesus através de um canto eucarístico, e sim de anúncio do mistério pascal. Após a Consagração, ao ” Eis o mistério da fé” do presidente, o povo profere uma das três aclamações, de preferência cantadas: ” Anunciamos, Senhor…”, “Salvador do mundo…” ou ” Todas as vezes…” Por ser uma profissão de fé, de anúncio e proclamação do mistério pascal de Cristo, a atitude mais adequada é a de pé, como ressuscitados no Senhor.
– Aclamação à Doxologia final: o grande “Amém”! – A Oração Eucarística, pelo presidente, termina com esta aclamação jubilosa e vibrante de toda a assembleia, glorificando o Pai, por meio de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo. É uma espécie de assinatura, de adesão, de concordância com a ação de graças feita, e por isso deveria ser sempre cantada. O Missal apresenta várias formas, pois só o Amém parece pouco para expressar o entusiasmo e a alegria deste momento, quando, por Cristo, com Cristo e em Cristo damos ao Pai todo o louvor.
3) “… Partiu o pão e o deu…” – Rito da comunhão (3º e 4º gesto de Jesus) – É o momento culminante da refeição pascal. A comunhão é precedida por alguns gestos e ritos:
– Pai Nosso: a oração do Senhor tem especial valor, porque é palavra de Jesus, além de ter um sentido ecumênico. Não deve, de modo algum, ser substituído por outros textos. Pode ser recitado ou cantado, com a participação de toda a assembleia.
– Rito da paz: por meio dele, o povo implora a paz e unidade para a Igreja e o mundo todo, seguido do gesto da paz. O canto da paz não faz parte da saudação. Quando houver o canto, cuide-se para não prolongá-lo a ponto de ofuscar e obscurecer o rito seguinte, a fração do pão, importante sinal de unidade.
– Cordeiro de Deus: canto litânico executado durante o rito da fração do pão e a mistura, invocando Cristo, o Cordeiro Pascal que tira o pecado do mundo. Pode ser cantado por um solista ou pelo coro, com a resposta da assembleia: Tende piedade de nós!… Dai-nos a paz!
– Canto de Comunhão (“… e o deu a seus discípulos“) – Enquanto o sacerdote e os fiéis comungam, entoa-se o canto, expressando nossa comum-união espiritual em torno do Senhor: recebemos o “corpo sacramental de Cristo, para que o Espírito Santo nos transforme no corpo eclesial do Ressuscitado”. Como a Palavra se faz Eucaristia, sugere-se que este canto retome a mensagem central do Evangelho do dia, fazendo a ligação entre as duas Mesas. É um canto mais contemplativo e tranquilo, devendo ter a participação de todo o povo, pelo menos no refrão. Não seja prolongado além do rito.
– Após a Comunhão – Sugere o Missal Romano: ” Quando se terminou de distribuir a comunhão, o sacerdote e os fiéis… podem orar um instante em recolhimento… Também é possível que toda a assembleia cante um hino, um salmo ou algum outro canto de louvor”. É importante um breve momento de silêncio, do qual pode nascer um refrão orante, um canto breve, sereno, que ajude a interiorização, o clima de recolhimento e intimidade com o Senhor. É facultativo.
A Eucaristia é o sacramento da unidade: “Fazei isto em memória de mim!”
*Ir. Miria Kolling é Religiosa da Congregação do Imaculado Coração de Maria, compositora da música litúrgica e religiosa, musicista, pedagoga, gravou mais de 30 trabalhos em LPs e CDs, como também livros sobre canto e liturgia.
FONTE: https://www.irmamiria.com.br