Estamos priorizando a espiritualidade ou alimentando nossa ganância?
Quando falamos sobre a busca por aquilo que é eterno e, na contramão, o que é supérfluo, temos que ter em mente duas passagens do Evangelho: « Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e o caruncho os corroem e os ladrões arrombam e roubam, mas ajuntai para vós tesouros no céu» (Mt 6,19) e «Dai, pois, o que é de César a César, e o que é de Deus, a Deus» (Mt 22,21). Estas duas passagens da Escritura mostram a disputa entre o supérfluo e o eterno.
Num mundo marcado pelo consumo excessivo; pelo mercado «canibal», onde a busca por riquezas e bens chega ao ponto de transformar o semelhante num instrumento para alcançar o que se quer, a busca pelo espiritual; pela espiritualidade é um contra ponto contra o mundo.
Jesus adverte a multidão sobre a ganância e a busca pelos « tesouros do mundo». O que conquistamos no mundo: dinheiro, bens, objetos, propriedades, são para servir o homem e não o contrário.
Numa sociedade consumista, a religião vigente não é aquela que cultua e tem fé no Deus da vida, mas adora o « bezerro de ouro (cf. Ex 32); um falso deus que não dá a vida, mas tira daqueles que menos tem.
O Mestre chama a atenção da população para buscarem os “tesouros que a traça não corrói, o ladrão não rouba e o tempo não desfaz”, que é a vida eterna. Neste sentido, « dar a César o que é de César» é dar ao mundo as coisas do mundo e para Deus o que lhe é tão caro, a nossa vida.
A espiritualidade é, então este transformar a fé invisível em visível, ou seja a espiritualidade é a visibilidade da fé nas obras: lendo bons livros que alimentam a fé, cultivando uma cultura oracional cotidiana, sendo uma boa pessoa, ajudando o irmão, sendo gentil, tudo isso faz parte da espiritualidade, pois como Santo Afonso Maria de Ligório diz em seu livro “A Oração”, o que rezamos deve se fazer concreto na vida.
Devemos buscar viver a nossa fé em Jesus, como Ele nos ensinou, amando e estendendo a mão para aqueles que mais necessitam de nós. Não podemos continuar seguindo esta cultura do descartável, onde se descarta o próximo; o semelhante, porque ele não consegue « ser útil» para a sociedade capitalista.
Devemos sempre nos perguntar: estou alimentando minha espiritualidade ou a minha ganância?