Dando continuidade à nossa série pelos 1700 anos do Concílio de Niceia, meditamos agora a afirmação do Credo:
“Por Ele todas as coisas foram feitas.
E por nós, homens, e para nossa salvação,
desceu dos céus.”
Essas palavras revelam dois mistérios centrais da fé cristã: a ação criadora do Filho e sua missão salvadora. O mesmo Jesus que nasceu da Virgem Maria é o eterno Verbo por meio do qual tudo foi criado.
Como ensina São João: “Tudo foi feito por meio dele, e sem ele nada do que existe foi feito. ” (Jo 1,3).
O Catecismo também nos ensina:
“Insinuada no Antigo Testamento revelada na Nova Aliança, a ação criadora do Filho e do Espírito Santo, inseparavelmente unida à do Pai, é claramente afirmada pela regra de fé da Igreja: «Existe um só Deus. Ele é o Pai, é Deus, é o Criador, o Autor, o Ordenador […] A criação é obra comum da Santíssima Trindade.” (CIC 292).
O Filho, portanto, não apareceu apenas no tempo, na encarnação. Ele já estava presente desde o princípio. Nele, por Ele e para Ele foram criadas todas as coisas.
Mas o Credo vai além da criação: o Filho eterno desceu dos céus por nós e para a nossa salvação. Não fomos salvos por nossos próprios méritos, mas pelo próprio Deus, que por amor assumiu a nossa condição humana.
É importante notar que a motivação da encarnação é profundamente pessoal: por nós. Cada ser humano é destinatário dessa salvação. E essa descida não foi apenas um gesto simbólico, mas um esvaziamento real, como diz São Paulo: “apesar de sua condição divina, ele não reivindicou seu direito de ser tratado como igual a Deus.” (Fl 2,6-7).
Niceia reafirma que aquele que criou todas as coisas também é o que nos resgata. Não há dois Cristos, um criador e outro salvador, mas o mesmo Filho de Deus que, sendo eterno com o Pai, entra na história para nos elevar à vida eterna.
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