O Papa Francisco e o Big Bang

Ultimamente, a Igreja Católica está buscando descartar sua imagem de inimiga da Ciência. “As explicações científicas para o mundo não excluem o papel de Deus na criação”, disse Papa Francisco.
Imagem Papa Francisco em Audiencia Geral do artigo 'Dubias' de cardeais são respondidas por Papa Francisco

No dia 28 de outubro de 2014, perante mais de oitenta cientistas de prestígio, integrantes da Pontifícia Academia de Ciências, no Vaticano, o Papa Francisco disse que “as explicações científicas para o mundo não excluem o papel de Deus na criação”.

“O Big Bang, que hoje é considerado a origem do mundo, não contradiz a intervenção criativa de Deus, pelo contrário, a requer” argumentou. “A evolução na natureza não contrasta com a noção de criação (divina), porque a evolução requer a criação de seres que evoluem” disse o Pontífice.

big bang

A origem da criação do mundo ainda gera vários debates, pesquisas e teorias que possam de alguma forma explicar tal fenômeno. E ainda assegura polêmicas de cunho religioso, filosófico e científico. A explicação mais aceita hoje em dia para a criação do Universo, consta na teoria da Grande Explosão (Big Bang).

A Teoria do Big Bang foi anunciada em 1948 pelo cientista russo George Gamow e o Padre Católico e astrônomo belga Georges Lemaitre. De acordo com eles o universo teria surgido após uma grande explosão cósmica aproximadamente 13,7 bilhões de anos atrás.

O Papa Francisco declarou que a teoria científica da evolução do Big Bang está correta e que não é incompatível com a existência de um criador. “Quando lemos sobre a criação no Gênesis, corremos o risco de imaginar que Deus era um mágico com uma vara capaz de fazer tudo. Mas não é isso” afirmou o Papa.

Em tempos passados, a Igreja Católica se opôs às primeiras explicações científicas do universo, que contradiziam o relato da criação na Bíblia, condenando o astrônomo Galileu Galilei, no século 17, que mostrou que a terra gira em torno do sol.

“A evolução na natureza não contrasta com a noção de criação (divina), porque a evolução requer a criação de seres que evoluem” disse o Pontífice.

Entretanto, ultimamente a Igreja Católica está buscando descartar sua imagem de inimiga da ciência. Por exemplo, em 1950, o então Papa Pio Xll publicou uma carta encíclica intitulada “Humani Generis” (Raça Humana) onde não rejeita que o homem possa ter evoluído como dizia Darwin pelo evolucionismo, mas o autor e portador de todo mérito é Deus.

O Papa Pio Xll também defendeu o livro “O Fenômeno Humano” do padre jesuíta Teilhard de Chardin, um dos pensadores e cientistas mais destacados dos últimos tempos. Ele era biólogo, paleontólogo, filósofo e teólogo. O citado livro foi uma tentativa de explicar a origem do mundo e da vida conciliando fé e ciência.

Em 1996, o santo João Paulo ll reiterou essa posição. Ele disse “a teoria da evolução é mais do que uma hipótese”, e não rejeitou ou condenou o livro “A Origem das Espécies” de Charles Darwin.

Em 2007, no Vaticano, o então Papa Bento XVl afirmou “A teoria da evolução pode coexistir com a fé”. Quatro anos mais tarde em 2011, o Papa Bento XVl disse que as teorias científicas da origem e desenvolvimento do universo e dos humanos, embora não entrem em conflito com a fé, deixam muitas perguntas sem respostas. Acredito que a maioria das pessoas concordará com essa afirmação.

Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald, C.Ss.R.

Missionário Redentorista

Assessor do Regional Nordeste 1 da CNBB

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