Na Audiência Geral desta quarta-feira (03), na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV refletiu em sua catequese sobre as últimas palavras de Jesus antes da morte: “Tenho sede” e “Tudo está consumado”.
Para o Pontífice, essas frases revelam além do que as dores do corpo, mas a sede mais profunda do coração humano: o desejo de amor, de sentido e de comunhão.
“Se até o Filho de Deus escolheu não ser autossuficiente, então a nossa sede de amor, de sentido, de justiça não é sinal de fracasso, mas de verdade”, afirmou.
A sede que revela a humanidade de Cristo
O Papa destacou que, na Cruz, Jesus não aparece como herói triunfante, mas como alguém que pede humildemente o que não pode dar a si mesmo.
“A sede do Crucificado não é apenas a necessidade de um corpo torturado. É também o grito silencioso de um Deus que quis partilhar tudo da nossa condição humana”, disse.
Para o Santo Padre, o gesto de pedir mostra que o amor autêntico não se limita a dar, mas também precisa ter coragem de receber.
Força que nasce da fragilidade
O Pontífice lembrou que a salvação não vem da autonomia, mas da humildade em reconhecer limites:
“Jesus nos ensina que a realização humana não se alcança pelo poder, mas pela abertura confiante aos outros, até mesmo quando são hostis”.
Segundo o Pontífice, que a vida se consuma não na força, mas na capacidade de aceitar ajuda. Até mesmo a esponja com vinagre oferecida a Cristo mostra como a vulnerabilidade pode se tornar caminho de amor.
Fragilidade como ponte para o céu
Em suas palavras, Leão XIV afirmou que pedir não é indigno, mas libertador:
“A sede de Jesus na Cruz é a nossa também. É o clamor de uma humanidade ferida que ainda procura água viva. Essa fragilidade não nos afasta de Deus, mas nos une a Ele. Se tivermos a coragem de reconhecer, descobriremos que nossa fraqueza é ponte para o céu”.
Convite a oração com os próximos santos da Igreja
Durante a saudação aos fiéis de língua polonesa, o Papa pediu que setembro seja vivido como mês de oração pelas crianças e jovens que retornam às aulas:
“Peçam por eles, pela intercessão dos Beatos, e em breve Santos, Pier Giorgio Frassati e Carlo Acutis, o dom de uma fé profunda em seu caminho de amadurecimento”.
→ A canonização dos dois jovens será no próximo domingo, 7 de setembro, no Vaticano.
Solidariedade ao povo do Sudão
O Papa também recordou a tragédia em Tarasin, na região de Darfur, no Sudão, onde um deslizamento de terra provocou mais de mil mortes. Ele pediu à comunidade internacional respostas urgentes diante da crise humanitária:
“Rezo por todas as vítimas e faço um apelo para que se garantam corredores humanitários. É hora de iniciar um diálogo sério, sincero e inclusivo para devolver esperança e paz ao povo sudanês”.
Fonte: Vatican News