Na Festa da Sagrada Família, Leão XIV alerta que o sucesso vazio pode sufocar o amor e, inspirado na Sagrada Família, mostra como viver a fé, o diálogo e a fidelidade.
A Festa da Sagrada Família, celebrada no último domingo (28), levou o Papa Leão XIV a fazer um forte apelo às famílias. Diante de uma sociedade que está apressada, que compete entre si e vive de aparências, o Pontífice pediu que os lares cristãos não deixem que o essencial seja sufocado.
Ao rezar o Angelus na Praça São Pedro, o último de 2025, Leão XIV pediu aos fiéis que olhassem para o Natal com atenção à própria vida familiar.
“Enquanto contemplamos este mistério com admiração e gratidão, pensamos nas nossas famílias e na luz que elas também podem trazer à sociedade em que vivemos.”
A Sagrada Família em um mundo hostil
A liturgia do dia recordou a fuga da Sagrada Família para o Egito (Mt 2,13-15), um episódio de medo e ameaça, mas também de fidelidade. O Papa explicou que Herodes representa um modo de viver centrado no poder e no medo.
“É um momento de provação para Jesus, Maria e José. Realmente, no contexto luminoso do Natal, projeta-se, quase de repente, a sombra inquietante de uma ameaça mortal.”
Herodes, segundo o Papa, não conseguiu enxergar o maior acontecimento da história.
“No seu reino, Deus está realizando o maior milagre da história, porém, ele não consegue vê-lo, cego pelo medo de perder o trono, as suas riquezas e os seus privilégios.”
Para o Papa, essa cegueira continua atual e aparece quando o sucesso, o dinheiro e o status ocupam o lugar de Deus.
Quando o sucesso vazio invade os lares
Sobre a realidade moderna, o Papa também foi direto ao ligar a história de Herodes:
“Infelizmente, o mundo sempre tem os seus ‘Herodes’, seus mitos de sucesso a qualquer custo, de poder sem escrúpulos, de bem-estar vazio e superficial. E muitas vezes paga as consequências com solidão, desespero, divisões e conflitos.”
Em contraste com o palácio de Herodes, o Papa destacou a força silenciosa da Sagrada Família.
“É o ninho e o berço da única resposta de salvação possível: a de Deus que, em total gratuidade, se doa aos homens sem reservas e pretensões.”
José, ao proteger Maria e Jesus, mostrou que o amor salva:
“No Egito, a chama do amor doméstico a que o Senhor confiou a sua presença no mundo cresce e ganha vigor para levar luz ao mundo inteiro.”
Como manter viva a chama do amor?
O Papa indicou caminhos para que os lares cristãos não se deixem apagar e apontou práticas que fortalecem a vida a dois e em família:
“Não deixemos que essas miragens sufoquem a chama do amor nas famílias cristãs. A oração, a frequência aos sacramentos especialmente a Confissão e a Comunhão, os afetos saudáveis, o diálogo sincero, a fidelidade, a concretude simples e bela das palavras e dos bons gestos de cada dia. Isso torná-las-á luz de esperança para os ambientes em que vivemos, escola de amor e instrumento de salvação nas mãos de Deus.”
Famílias que revelam Deus ao mundo
Ao final, o Papa entregou todas as famílias aos cuidados de Maria e São José e também pediu oração pelas vítimas da guerra:
“Que abençoe as nossas famílias e as do mundo inteiro, para que elas sejam para todos um sinal eficaz da sua presença e da sua caridade sem fim. Rezemos pelas famílias que sofrem por causa da guerra, pelas crianças, pelos idosos e pelos mais frágeis.”
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Fonte: Vatican News