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O trabalho digno na visão do Papa Francisco, em 5 temas

Papa Francisco busca reintegrar a ecologia e o trabalho por meio de um projeto internacional baseado na encíclica Laudato Si'.
Imagem trabalhadores numa mesa do artigo Aparecida completa homologação de 26 cargos do concurso público

Temas são baseados na encíclica Laudato Si’, que trata sobre Ecologia e modos de trabalho

Inspirados na Laudato Si, o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral promove um projeto internacional, iniciado em 2016, em prol de enfrentar a atual crise global ao propor a contribuição, junto com as empresas, de repensar o trabalho dentro do quadro de referência da ecologia integral proposto pelo próprio Pontífice.

Diante desse cronograma, o Papa Francisco recebeu um grupo de jovens empresários e trabalhadores liderados pelo cardeal Michael Czerny, prefeito do Dicastério nesta quarta-feira (8). O projeto, que se encontra em segunda fase desde 2018, se concentra sobre o tema “O cuidado é trabalho, o trabalho é cuidado” para construir uma comunidade transformadora global a pedido do Pontífice.

Para esse estudo, o grupo vai se preocupar em analisar 5 questões que foram lembradas pelo Papa:

Vatican Media
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1. Trabalho digno e as indústrias extrativas

Francisco voltou a lembrar o que já escreveu na Encíclica Laudato si’, sobre as graves consequências geradas pela exportação de matérias-primas que visam satisfazer os mercados do Norte industrializado, como a poluição por mercúrio ou dióxido de enxofre nas minas:

“É fundamental que as condições do trabalho estejam vinculadas aos impactos ambientais, prestando muita atenção aos possíveis efeitos em termos de saúde física e mental das pessoas envolvidas, bem como de segurança.”

2. Trabalho digno e a segurança alimentar

Os números de pessoas sofrendo com altos níveis de insegurança alimentar aguda tem aumentado: em 2023 foram mais de 280 milhões de pessoas em 59 países, exigindo um auxílio assistencial urgente:

Os desastres naturais e as condições meteorológicas extremas, agora intensificadas pelas mudanças climáticas, além dos choques econômicos, são outros fatores importantes que determinam a insegurança alimentar que, por sua vez, estão ligados a algumas vulnerabilidades estruturais, como a pobreza, a alta dependência de importações de produtos alimentícios e a infraestrutura precária.”

3. Trabalho digno e migração

Muitas são as pessoas que e migram em busca de trabalho ou são forçadas a fazê-lo, vistas como “cidadãos de segunda categoria”, um problema e um fardo para os custos de uma nação. A preocupação do Santo Padre diante disso é a queda na taxa de natalidade dos países anfitriões, que poderia ser amenizada com o melhor acolhimento aos migrantes:

“Gostaria de destacar a baixa natalidade. Esses países ricos não têm filhos: todos têm um cachorrinho, um gato, todo mundo; mas não têm filhos. E a desnatalidade (taxa de nascimento menor que de mortalidade) é um problema, e a migração vem para ajudar na crise que causa a desnatalidade. Esse é um problema muito sério.”

4. Trabalho digno e justiça

Uma questão complexa que precisa encontrar respostas adequadas para frear as desigualdades sociais, inclusive no que diz respeito às relações de trabalho e aos direitos fundamentais dos trabalhadores:

“Essa palavra, justiça social, que veio com as encíclicas sociais dos Papas. É uma palavra que não é aceita pela economia liberal, pela economia de ponta. A justiça social”.

5. Trabalho digno vinculado à transição justa

Levando em conta a interdependência entre o trabalho e o meio ambiente, trata-se de repensar os tipos de trabalho que devem ser promovidos para cuidar da Casa Comum, especialmente com base nas fontes de energia que eles exigem:

“O mundo precisa de um compromisso renovado, de um novo pacto social que nos una — gerações mais velhas e gerações mais novas — para o cuidado da criação e para a solidariedade e a proteção mútua dentro da comunidade humana”, conclui o Papa.

Papa Francisco: O trabalho é participação na própria obra da Salvação

Fonte: Vatican News

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