É certo dar hóstia não consagrada para crianças?

Existe algum outro contexto, sem ser de profanação ou de confusão, no qual possa ser dada a hóstia sem ela ter sido consagrada? Explicamos neste artigo.
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Como muitas coisas na vida: depende. Bem, se a pessoa tem o intuito de profanar o sentido do sacramento ou de confundir as pessoas, fica bastante claro que está fazendo um mal. Mas cabe a pergunta: existe algum outro contexto, sem ser de profanação ou de confusão, no qual possa ser dada a hóstia sem ela ter sido consagrada?

Um catequista me contou que algumas crianças da catequese ficam muito curiosas (e, portanto, distraídas) quanto ao sabor e textura da hóstia. Percebeu que era bastante prático que, no ensaio da Missa, uma semana antes da Primeira Comunhão (portanto, após o percurso da catequese), deixando claro que não se tratava da Eucaristia, desse a experimentar esse pão sem fermento (a hóstia sem consagrar) às crianças, de forma que a curiosidade delas não as distraísse do mistério no qual participariam pela primeira vez.

Lembremos antes que nossa fé faz com que acreditemos que, pela ação do Espírito Santo, a celebração do Sacramento Eucarístico verdadeiramente transforma o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Cristo.

Partindo daí, fixemos duas ideias:

– As oferendas, antes de serem transformadas, são realmente pão e vinho. A Igreja sempre prestou muita atenção a isto, de forma que se o pão ou o vinho estão adulterados, não podem ser usados para a celebração eucarística.

Ou seja, já que a hóstia, antes de ser consagrada, realmente é um pedaço de pão, não seria errado que alguém a comesse. Sei de um país que tem uma sobremesa baseada em pão sem fermento (isto é, pão com a mesma composição das hóstias) e doce de leite. Quem comer a sobremesa ou os seus ingredientes provavelmente não busca profanar o sacramento. Simplesmente está comendo comida.

Se a mistura de farinha e água não é consagrada, não se pode dizer que é “o Corpo de Cristo”. É, portanto, um alimento qualquer.

Isto é interessante, pois, na forma atual do rito da Missa, muitos têm dificuldade para ter a percepção de estar sendo alimentados. Isto porque, por praticidade, chegou-se à produção de hóstias muito pequenas, chamadas de partículas. Sendo elaboradas com farinha de trigo e água, são realmente pão sem fermento. Mas sendo tão pequenas, dificilmente evocarão o fato de serem pão, de serem alimento.

Quem sabe, um fruto desta reflexão possa ser dar mais atenção a esta dimensão da Eucaristia: o fato de Deus nos alimentar, de tomar esse alimento em comunhão com os irmãos, de Cristo Se fazer Ele próprio o nosso alimento, o nosso pão de cada dia.

– Por outra parte, é importante observar que, para a distribuição da Sagrada Comunhão para as crianças, o requisito básico é que saibam “discernir o Corpo de Cristo do alimento comum e comungar com reverência” (ver os números 913 e 914 do Código de Direito Canônico).

Por isso se indica a necessidade de terem “atingido o uso da razão” e de “estarem suficientemente preparadas, de forma que possam compreender, segundo a sua capacidade, o mistério de Cristo e receber o Corpo do Senhor com fé e devoção”.

Assim, se por algum motivo uma hóstia não consagrada é dada a uma criança, o importante é que ela tenha o discernimento para saber que esse pão, mesmo conservando a aparência, cheiro e sabor, não é o Corpo de Cristo.

Confira no vídeo abaixo outros 5 conselhos para o momento da Comunhão

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