Presépio brasileiro em exposição em Roma é feito com fibras naturais e emociona visitantes no Vaticano pela fé simples e criativa vinda do artesanato do país
A Praça São Pedro recebe mais uma edição da exposição “100 Presépios no Vaticano”. São 132 obras de 23 países, em que cada uma são revelas a criatividade e a espiritualidade de povos que expressam o nascimento de Jesus com materiais, técnicas e culturas diversas.
O evento, organizado pelo Dicastério para a Evangelização, foi inaugurado no dia 8 de dezembro por Dom Rino Fisichella. A mostra permanecerá aberta até 8 de janeiro de 2026, com entrada gratuita.
Um olhar global para a Natividade
Os presépios vêm da Europa, das Américas, da Ásia e da África. Há peças feitas de vidro, seda, papel, fibra de coco, lã, resina e tantos outros recursos. Algumas obras chamam atenção pela inovação: uma Natividade montada em um tambor de curtume, outra inspirada em um ônibus romano e até uma Roma antiga reconstruída em miniatura.
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O presépio brasileiro que emocionou o Vaticano
Entre tantas expressões artísticas, o Brasil é representado pelo presépio feito pelas mãos de Eva Gomes, também chamada de Tia Eva, artesã de Cabo Frio (RJ). Ela criou um presépio com fibras naturais da Região dos Lagos: taboa, palha de milho, folhas de bananeira e coco.
Antes de começar o trabalho, Eva Gomes faz uma oração. Em entrevista ao Vatican News, ela explica que seu presépio nasce da simplicidade: “É a coroação de uma vida inteira dedicada a transformar fibras simples em algo que toca as pessoas”. Para ela, materiais humildes podem alcançar lugares que “meus olhos aqui no Brasil talvez jamais alcançassem”.
A obra foi levada ao Vaticano pelo Santuário Cristo Redentor. Segundo o diretor de Marketing, Carlos Lins, a reação dos visitantes tem sido de surpresa e encanto: muitos se aproximam ao ver a imagem do Cristo Redentor iluminando a cena. Ele relata:
“É bonito ver os turistas se questionando: ‘Por que tem um Cristo Redentor no nascimento de Cristo?’”.
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Um presépio que fala da Casa Comum
O tema da exposição é “A Casa Comum: O Redentor que Cuida”, em sintonia com a mensagem da Laudato Si’, que comemora 10 anos. Por isso, ao lado do presépio de Tia Eva, está o quadro “A Esperança que vem do mar”, criado por Marcos Martins com plásticos recolhidos do oceano.
O artista afirma: “As pessoas precisam ter essa consciência de cuidar do nosso planeta, da casa comum”. A obra reforça o compromisso com a ecologia, tema presente no Jubileu da Esperança de 2025.
A expectativa do Santuário Cristo Redentor é levar ao Vaticano, em 2026, um presépio ainda maior, com mais elementos brasileiros. A proposta é criar uma obra no estilo dos presépios napolitanos, porém feita com fibras naturais e ambientação inspirada no Brasil.
Para Carlos Lins, essa missão já vale por si: “O brasileiro, na sua simplicidade, consegue conquistar o mundo todo”.
O reitor do Santuário Cristo Redentor, Padre Omar Raposo, reforça o sentido da iniciativa, de que o presépio brasileiro leva a mensagem de que a fé nasce do cuidado.
“Cuidado com o outro, com a criação, com a nossa Casa Comum. Que ele inspire muitos a acolher o Menino Deus com um coração aberto e responsável”.
O artesanato como caminho de esperança
A técnica tradicional da Família Gomes, utilizada por Eva, será ensinada às mulheres em situação de vulnerabilidade social. As Oficinas Criativas Casa Comum começam em janeiro de 2026 e oferecerão capacitação gratuita com fibras naturais e materiais reaproveitados. O objetivo é gerar renda e valorizar a cultura popular brasileira.
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Fonte: Vatican News