Primeira Solenidade do Tempo Comum é um convite ao mistério do Deus trino que nos criou, quer sempre nos salvar e nos santificar
“Então Jesus aproximou-se e falou: ‘Toda a autoridade me foi dada no céu e sobre a terra. Portanto, ide e fazei discípulos meus todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, e ensinando-os a observar tudo o que vos ordenei! Eis que eu estarei convosco todos os dias, até ao fim do mundo’”. (Mt 28, 18-20)
Após celebrarmos o Tempo Pascal, recordando a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, concluído com a celebração do dom do Espírito em Pentecostes, neste domingo (26), a Igreja Católica nos chama a proclamar com alegria a glória da Santíssima Trindade, o Deus uno e trino que nos salvou por amor! A partir da Solenidade, somos convocados a termos este vínculo com essa comunidade de amor que é a família trinitária.
No Evangelho de São Mateus (Mt 28,16-20), compreendemos que para Jesus ser seu discípulo é tornar-se membro da comunidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Os apóstolos recebem a missão de testemunhar o Reino dos Céus e são enviados a apresentar a todos (línguas, povos e nações) o convite de Deus para integrar a família da Trindade.
É esta a fé na qual fomos batizados e fomos introduzidos na vida desse Deus uno e trino. O amor eterno vivido entre o Pai, o Filho e o Espírito, é o amor que devemos viver entre nós, realidade concreta que se envolve com nossa vida e nossa missão na Igreja.
“O Senhor ressuscitado deixa como herança espiritual para a comunidade nascente a fé trinitária o dever de ensinar ou transmitir seus ensinamentos e a certeza de sua colaboração na obra missionária. A inclusão de novos membros na comunidade-Igreja se realiza mediante o batismo em nome da Santíssima Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Jesus garante a sua presença permanente na comunidade“, diz Dom Anuar Battisti. Arcebispo emérito de Maringá (PR) neste artigo para o site da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
O Santo Evangelho apresenta os passos da Iniciação à Vida Cristã que nossas dioceses buscam apresentar à sociedade contemporânea: os discípulos devem começar a anunciar e ensinar tudo que aprenderam do próprio Jesus Cristo; em seguida devem oferecer os sacramentos àqueles que escutaram o anúncio e decidiram acolher a proposta do Reino ; os que optaram por viver o caminho do Evangelho, uma vez batizados, passam a integrar a comunidade da Santíssima Trindade, isto é, se tornam eles próprios anunciadores do Evangelho, para levar toda a humanidade a habitar no coração de Deus.
A vida da Santíssima Trindade é dinâmica, pois vive em permanente movimento: de dar e receber amor. Deste modo, a vida dos cristãos não pode nem deve ser uma realidade estática, nem simples observação mecânica dos mandamentos. Deve ser também movimento de amor, para acolher e se doar aos outros. Professar a fé na Trindade é acreditar que a Cruz – caminho da nossa salvação – é feita de duas forças: do ato de amar a Deus e amar ao próximo.
“Marcados que somos no batismo pelo selo do amor divino, com a vocação de vivenciar em comunidade o amor de Deus, continuemos abertos a esse amor, acolhendo a todos, sobretudo aqueles que são esquecidos ou abandonados. Pois não existe outro caminho para e ntrar na misteriosa dinâmica do amor de Deus, senão levando adiante nossa missão em comunidade, vivendo relações de gente transformada pelo amor infinito da Trindade. A Solenidade da Santíssima Trindade nos revela um Deus que é amor e que partilha esse amor com todos os seres humanos”, conclui Dom Battisti.
Padre Paulo Carrara, C.Ss.R., esclarece a figura da Santíssima Trindade