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Santuário Senhor do Bonfim completa 270 anos em Salvador

No dia 24 de junho de 1754, após concluídas as obras, a imagem do Senhor foi trazida para a Capela na Colina do Bonfim
Imagem Basilica de Nosso Senhor do Bonfim do artigo Santuário Senhor do Bonfim completa 270 anos em Salvador

Devoção trazida pelos portugueses é uma das mais tradicionais da fé católica do Nordeste brasileiro

Mais uma festa em honra ao Senhor do Bonfim, em Salvador (BA), foi encerrada no último domingo (13). Foram 10 dias de um elo vibrante entre a espiritualidade e a tradição que atraiu devotos e amantes da cultura para uma jornada única e festiva.

Na Missa de encerramento, Cônego Edson Menezes da Silva Reitor e Capelão da Basílica Santuário Senhor do Bonfim, enfatizou a missão da Igreja, dos religiosos, leigos e do povo de Deus em não desistir da evangelização a partir da tradicional devoção e do templo que em 2024 completa 270 anos.

“Temos um caminho longo a percorrer, exercitando o diálogo, cultivando a amizade, o respeito mútuo, a confiança, a humildade e a compreensão de que Ele, Nosso Senhor do Bonfim é o único protagonista da Colina Sagrada e nós, servidores que acolhem a todos que aqui chegam, reconhecendo-os como irmãos. A nossa missão passa, pois o Senhor do Bonfim é o único que permanecerá para sempre e Seu reino não terá fim!”.

Reprodução – Facebook

Nosso Senhor do Bonfim, segundo a devoção católica, é uma figuração de Jesus Cristo, adorado na visão de sua morte. A devoção começou em Setúbal, Portugal em 1669, mas acredita-se que foi introduzida desde a conquista dos Cristãos no território em 1217. O culto ao Senhor do Bonfim é bem parecido com o que acontece com a Virgem Maria, figura cultuada no catolicismo sob diferentes nomes.

A devoção ganha forças com os portugueses quando Dom João V, diante da imagem do Senhor, fez promessas pelo restabelecimento da saúde de seu pai, o imperador Dom Pedro II de Portugal. Theodózio Rodrigues de Faria, capitão-de-mar-e-guerra da marinha portuguesa, fervoroso devoto do Senhor do Bonfim, havia feito uma promessa durante uma tempestade de que, se sobrevivesse, traria para o Brasil as imagens do Senhor Jesus do Bonfim e de Nossa Senhora da Guia.

Assim, em abril de 1745, uma réplica foi trazida da sua terra natal, Setúbal, iniciando a construção da Igreja do Senhor do Bonfim.

Mas não foi somente a igreja que foi construída: neste momento começou a “Devoção do Senhor Bom Jesus do Bonfim”, Irmandade de leigos reconhecida pelo então Arcebispo Dom José Botelho de Matos, presente na fundação da mesma.

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A capela teve suas obras iniciadas em 1746, e no dia 24 de junho de 1754, após a conclusão das obras internas, foi trazida da Capela da Penha para a Colina do Bonfim a sagrada imagem, em procissão, onde o vice-rei esteve presente junto da população, na celebração de missa solene.

Era apenas uma capela, mas com a crescente devoção foram realizadas melhorias. Além disso, a região cresceu como área de veraneio da burguesia baiana, recebendo grandes comerciantes, fazendeiros, governadores e o Arcebispo. O templo recebeu inúmeras reformas, ganhou pintura no teto e firmou parceria com a cidade de Salvador.

A Igreja tem a arquitetura em estilo neoclássico e a fachada em rococó, acompanhando o modelo das igrejas portuguesas dos séculos XVIII e XIX. O que se destaca na obra são os belos afrescos e azulejaria que compõem o interior da igreja, além da grande fé que leva centenas de devotos diariamente ao lugar.

Reprodução – Facebook

Em 1772, as obras da capela foram concluídas. No ano seguinte, a festa litúrgica do Bonfim passou a ser celebrada no segundo Domingo da Epifania (2º domingo de janeiro), com autorização do Arcebispo Dom Sebastião Monteiro de Vide. Também naquele ano iniciou a tradição da lavagem da Igreja, quando os integrantes da “Irmandade dos Devotos Leigos” obrigaram os escravos a lavarem a Igreja como parte dos preparativos para a festa do Senhor do Bonfim, no segundo domingo de janeiro, depois do Dia de Reis. Com o tempo, foi proibida a lavagem na parte interna do templo e o ritual foi transferido para as escadarias e o adro.

A festa de Nossa Senhora da Guia começou a ser celebrada na segunda-feira após o encerramento da festa do Senhor do Bonfim em 1792.

A Capela foi elevada a “Basílica Menor” em 1927 pelo Papa Pio XI e em 1954 iniciaram as missas vespertinas e em 1975 é criado o Museu dos ex-votos, onde todos os devotos podem deixar os objetos trazidos, símbolos de sua fé.

No dia 20 de outubro de 1991, São João Paulo II visitou a Basílica e rezou aos pés do Senhor do Bonfim, presenteando a Devoção com um cálice de prata dourada. O Senhor do Bonfim é um ícone da fé baiana, atraindo muitos devotos, turistas e peregrinos.

Cônego Edson explica sobre a Basílica do Senhor do Bonfim no Aparecida Interessa ao Brasil

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