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Espiritualidade Dehoniana, um chamado também para leigos

Veja uma entrevista com Dom Murilo Krieger, membro da Congregação Dehoniana, sobre a espiritualidade do Sagrado Coração que se estende a todos os leigos.
Imagem padre Dehon sentado ao lado da imagem do Sagrado Coracao de Jesus do artigo Dehonianos preparam celebração do centenário de falecimento de seu fundador

Confira uma entrevista com Dom Murilo Krieger, arcebispo emérito e membro da Congregação Dehoniana, sobre a espiritualidade dos Sacerdotes do Sagrado Coração

A Congregação dos Dehonianos surgiu, em 1878 na França, com o objetivo de viver e anunciar o Evangelho conforme a experiência espiritual do seu fundador, o venerável Padre Leão Dehon, que dedicou sua vida a anunciar a espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus.

Inicialmente, a congregação era chamada de Oblatos do Sagrado Coração e em 1884, renasceu com o nome oficial de Sacerdotes do Coração de Jesus, SCJ. Atualmente, ela está presente em mais de 40 países e seu carisma se estende também a leigos e institutos seculares.

Nesta semana em que toda a Família Dehoniana celebra a memória do centenário de falecimento do padre Dehon, o Portal A12 destaca a riqueza da espiritualidade por meio da entrevista com Dom Murilo Krieger, arcebispo emérito da Arquidiocese de São Salvador (BA) e membro da congregação.

Vatican Media
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1. Qual é a essência da Espiritualidade Dehoniana e como ela pode inspirar os cristãos de hoje?

Dom Murilo: A Espiritualidade Dehoniana não se fundamenta em algum trabalho concreto, como acontece em muitas congregações religiosas, mas em uma atitude: os filhos do Padre Dehon são chamados a se unir a Cristo em sua oferta ao Pai pela humanidade.

Somos chamados a fazer isso pelo nosso amor, pelo desejo de reparar o Coração de Jesus, pelas ofensas que lhe são feitas, pela Adoração Eucarística e, naturalmente, pela intensa participação na Santa Eucaristia.

Isso não é novo na Igreja, como bem salientou o Papa Francisco em sua encíclica que podemos chamar de seu “testamento”, pois foi a última que escreveu e divulgou: “Dilexit nos” (que quer dizer: Ele nos amou).

Escrita em outubro de 2024, é um apelo aos cristãos se voltarem para o Coração de Jesus, expressão máxima do amor do Pai por nós. A espiritualidade do Coração de Jesus, segundo o Papa Francisco, é uma síntese do Evangelho, pois nos conduz ao amor divino e humano de Jesus.

Assim, a espiritualidade dehoniana não é apenas para os religiosos do Padre Dehon, mas para todo o povo de Deus, pois chama a atenção de todos para o que é essencial na fé. Com alegria, constatamos que há muitos que vivem segundo o nosso carisma, especialmente em paróquias e obras a nós confiadas.

2. Qual o simbolismo dessa caminhada de fé ao Santuário Nacional para os religiosos e leigos dehonianos que participam dela?

Dom Murilo: Neste dia 12 de agosto, a Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus está celebrando o centenário do falecimento do Padre João Leão Dehon. Ele era um sacerdote francês, inflamado pelo amor ao Coração de Jesus.

Thiago Leon
Thiago Leon

A partir desse amor, ele procurou ver onde o amor de Deus estava mais ausente, e começou, então, a dedicar-se aos jovens, aos operários e às pessoas que precisavam ouvir o convite de Jesus:

“Vinde a mim, todos os que estais cansados e carregados de fardos, e eu vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para vós, pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11,28-30).

Chamo a atenção para o seguinte: o nome “Coração de Jesus” é bíblico, pois foi o próprio Jesus que se deu esse nome.

Nossa peregrinação será ao Santuário Nacional de Aparecida pois sabemos que ninguém como a Mãe de Jesus conheceu tão bem, tão intensa e profundamente a intimidade de Cristo. Queremos, assim, dizer à Maria: Mãe Aparecida, dá-nos a graça de ter por Jesus um pouco do amor que tens por Ele.

3. Como esse chamado pode ser vivido concretamente também por leigos no cotidiano?

Dom Murilo:Todos são chamados a penetrar no mais profundo daquele Coração que foi aberto no Calvário pela lança do soldado. Ali, todos são chamados a aprender a amar o Pai como Jesus o ama; a amar os irmãos como ele os ama; e a amar a si próprio com o amor que Jesus lhe dedica.

Tudo isso pode e deve ser expresso pela oferta da própria vida ao Coração de Jesus, oferta, pois, dos trabalhos, das responsabilidades pessoais, das orações, dos sacrifícios etc.

Maria.Ratta/ Shutterstock
Maria.Ratta/ Shutterstock

4. O senhor, como bispo e dehoniano, como tem experimentado pessoalmente essa espiritualidade ao longo de sua missão episcopal e pastoral?

Dom Murilo: Ser dehoniano foi muito importante para eu entender que deveria ser disponível à Igreja, isto é, estar ali onde ela precisasse de mim. Foi assim que abracei com muito amor cada transferência ou pedido que vinha dos Papas ou das necessidades da Igreja.

O meu lema: “Deus é amor” (1Jo 4,16) é fruto de uma convicção que foi se aprofundando ao longo do tempo. Explico-me: estou convicto de que começa realmente o processo de conversão de uma pessoa quando ela se convence que é amada por Deus.

Desaparecem, então, o medo, a insegurança e a preocupação com o futuro, e se fortalece a certeza de que, realmente, Jesus cumpre sua promessa de estar conosco todos os dias de nossa vida.

Uma vez que deixei a responsabilidade de uma diocese (agora sou “emérito”), dedico-me a pregar retiro para sacerdotes, para que tomem maior consciência do privilégio de terem sido chamados, consagrados e enviados para estarem a serviço de Jesus e de seu Reino.

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