Cinzas: a realidade do que somos e a certeza do que seremos

O mundo exige brilho, mas a Quaresma nos propõe reconhecer que somos pó. Reflita sobre os remédios da alma e por que a busca pela salvação é urgente e para o agora.
Imagem Imposicao das Cinzas quarta feira de cinzas do artigo Cinzas: a realidade do que somos e a certeza do que seremos

Iniciamos a Santa Quaresma como um tempo favorável para converter o coração, trocar o brilho efêmero do mundo pela verdade das cinzas e buscar a salvação no agora.

As cinzas nos dizem que somos pó amado por Deus

Com o santo jejum e as cinzas sobre nossas cabeças, iniciamos este dia de penitência e este tempo de conversão. As cinzas nos recordam a realidade do que somos e a certeza do que seremos: pó. E este é o caminho da Quaresma até a Páscoa: entre a realidade do que somos — filhos de Deus — e a certeza de que um dia estaremos com Ele na vida eterna.

Hoje, na testa, o sacerdote nos impõe as Cinzas, sinal de penitência e de que pertencemos a Deus. Elas nos recordam que somos finitos, que somos criaturas e que Deus é o Criador. Porém, muitas vezes, levados pelo espírito mundano, erguemos a cabeça e passamos “glitter” na testa só para sermos vistos e admirados pelos outros.

As cinzas sujam a nossa testa, apagam a nossa aparência e nos dizem que somos pó amado por Deus. Com o glitter na testa, somos vistos pelo mundo e brilhamos somente para ele — e por ele somos levados ao caminho da perdição. Com as cinzas, brilhamos para Deus e somos vistos por Ele como filhos arrependidos e dispostos a voltar a trilhar o caminho da salvação.

Hoje, somos convidados a refletir: de que adianta querermos brilhar, se no final da nossa vida seremos cinzas? De que valerão nossos pensamentos soberbos e atitudes mesquinhas, se serão reduzidos a pó? Caros irmãos e irmãs, o brilho desta vida passa!

zatletic/ Adobe Stock
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É agora o dia da salvação, e a busca por ela está neste mundo

Devemos tomar muito cuidado com uma grande tentação que afeta a humanidade e a Igreja: “esquecer a necessidade da salvação” (Pe. Pasolini, primeira pregação do Advento de 2025).

“É agora o dia da salvação” (2 Cor 6, 2b). Não é amanhã, não foi ontem: é agora! Por isso, basta de ficarmos somente no conceito e nas belas palavras; é preciso, urgentemente, colocar em prática a busca pela salvação. Pois, para alcançá-la, é necessário praticar o seguinte exercício: a vivência da Palavra de Deus.

A busca pela salvação não está “lá em cima”, no céu; ela começa aqui embaixo. Ela ocorre neste mundo, embora as coisas do mundo não nos deem a salvação. Dizia Santo Agostinho:

Quanto às outras coisas desta vida, quanto mais choramos por elas, menos merecem nossas lágrimas; e quanto menos choramos quando estamos no meio delas, mais devemos chorar.

Shakzu/ Adobe Stock
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Penitência, oração e caridade: remédios contra o pecado

Os exercícios espirituais e corporais da Quaresma não devem se resumir a preceitos a serem cumpridos, mas devem nos transformar em pessoas novas. Por isso:

  • A penitência não é para ser praticada apenas exteriormente, mas interiormente, pois somente assim ela nos fortalece no combate contra o espírito do mal.
  • A oração não deve se resumir a simples fórmulas, mas sim ser um diálogo sincero com Deus, que nos faz ser regenerados pela Sua misericórdia.
  • A caridade não deve ser um ato cumprido apenas com as mãos, mas sim com o coração e com o encontro de olhares. 

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