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A viagem de Maria e José para Belém

Pe. Inácio de Medeiros nos apresenta a cansativa, desafiadora e especial viagem da Sagrada Família a Belém.
Imagem Familia de Nazare do artigo A viagem de Maria e José para Belém

Para trazer Jesus ao mundo em Belém, fazendo cumprir aquilo que predisseram os profetas do Antigo Testamento, a Sagrada Família precisou enfrentar difíceis provações

A Sagrada Família morava em Nazaré, situada ao norte, na região da Galileia, quando, por obra do Espírito Santo, Maria engravidou de Jesus, como narra o Evangelho de Lucas.

Uma viagem de mais de 150 km

Quando Maria estava quase no final de sua gravidez, o Imperador Romano Augusto ordenou que se fizesse um grande recenseamento em todas as províncias do Império, incluindo a Palestina. Determinou que todos deveriam retornar à sua cidade natal para ali dar conta de sua existência. Assim, José, que pertencia à família de Davi, precisou deixar a cidade de Nazaré da Galileia, subindo para Belém, da Judeia, a cidade de Davi (Lc 2, 4).

Por que o recenseamento

Periodicamente os imperadores determinavam a realização de grandes censos, como forma de conhecer as reais dimensões da população do império, calculando se o resultado da coleta dos impostos coincidia ou não com a real dimensão da população.

Quando a Igreja começou o seu processo de expansão, por exemplo, a população total do Império Romano, aproxima-se de 60 milhões de pessoas. 

A realização periódica de censos era necessária para que a dominação romana fosse mantida em cada província, obtendo os fundos necessários para a manutenção das obras do império. Sobretudo devido à custosa manutenção das legiões nas fronteiras do império e a implementação da famosa política do “pão e circo” usada pelos imperadores.

A matemática era muito simples: Mais gente, mais dinheiro caindo nos cofres do império. Daí a importância da categoria dos cobradores de impostos, odiados pela população por serem considerados aliados dos romanos.

Nesta longa estrada da vida…

A distância entre Nazaré, chamada de “flor da Galileia” por São Jerônimo e Belém da Judeia era de aproximadamente 156 quilômetros. O percurso deveria ser feito a pé ou no lombo de jumentos, que eram a cavalgadura dos pobres, porque somente os ricos podiam viajar a cavalo, nas costas de camelos ou em carruagens. A viagem representou uma grande dificuldade e uma dura provação para o casal num momento em que as estradas não eram pavimentadas, sendo precários os meios de transporte disponíveis. A isto devemos acrescentar que José, segundo algumas tradições, poderia já não ser tão jovem e Maria estava quase no nono mês de gravidez.

A cidade de Belém, chamada Efratá nos tempos antigos (Bayt Lahm em árabe ou Beit Lehem em hebraico que tem o mesmo significado: a Casa do Pão), está localizada a cerca de 8 km ao sul de Jerusalém, numa altitude de mais ou menos 750 metros acima do nível do mar. Embora fosse o lugar natal do rei Davi, na época em que Jesus nasceu era considerada uma cidade secundária, quase uma vila. No entanto, a estrada, que serpenteava a região montanhosa, era percorrida pelas caravanas comerciais que iam de Jerusalém para o Egito, passando por Hebron.

Os evangelhos sinóticos não falam nada sobre o meio de transporte utilizado pelo santo casal e não dão muitos detalhes sobre a viagem. Porém, é possível acreditar que eles tivessem um burro à sua disposição e que provavelmente tenham dormido três ou quatro noites sob as estrelas, ou em hospedarias localizadas à beira do caminho.

Foi uma jornada cansativa no final da qual encontraram não mais que um estábulo para dormir, onde Maria deu à luz ao Menino Jesus.

A moderna celebração do Natal deve, portanto, nos ajudar a entender a historicidade de Jesus, lembrando o valor e a entrega desse exemplar casal e que por meio de uma pobre família Ele veio para assumir em tudo a nossa humanidade, menos o pecado.

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