Se não vejo, eu não creio

O Apóstolo São Tomé ficou conhecido principalmente por sua incredulidade no testemunho da Ressurreição de Jesus. Como tocar as chagas de Jesus ainda hoje?
Imagem crer sem ver do artigo Padre Zezinho fala sobre crer em Jesus sem vê-lo

O Apóstolo São Tomé ficou conhecido principalmente por sua incredulidade no testemunho da Ressurreição de Jesus. Com dificuldades para acreditar nesse fato extraordinário, ele disse: “Se eu não vir em suas mãos o lugar dos cravos e se não puser meu dedo no lugar dos cravos e minha mão no seu lado, não crerei” (Jo 20, 24).

Uma semana depois, Jesus o chama a colocar o dedo em suas chagas, convidando-o a não ser incrédulo, mas a crer. Mais ou menos 2 mil anos depois disso, ainda pode ser difícil ter fé em Deus, “a quem não vemos” (1 Jo 4, 20) com os olhos do corpo.

A mesma inquietude que teve Tomé pode existir no interior de muitos hoje em dia. Pensamos: “Se Deus se mostrasse mais claramente, com certeza eu acreditaria melhor”. Mas como não O vemos, ficamos com um pé atrás e não terminamos de entregar-nos totalmente a Jesus. Existirá uma maneira de tocar as chagas de Jesus hoje? Como Jesus nos convida a tocar essas chagas?

O Papa Francisco, em uma homilia no dia de São Tomé, disse o seguinte: “É necessário beijar, com ternura, as chagas de Jesus em nossos irmãos famintos, pobres, doentes e prisioneiros”. É interessante que o Papa não diz que é necessário fazer isso para lembrar-se das chagas de Jesus, mas diz que nesses irmãos estão as chagas do mesmo Jesus.

Para encontrar-nos com Deus, o caminho são as chagas de Cristo

Essa expressão é muito forte se a levamos realmente a sério. E que isso seja verdade, confirma a mesma Palavra de Deus quando diz:

“Perguntar-lhe-ão os justos: Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar? Responderá o Rei: Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim mesmo que o fizestes” (Mt 25, 37-40).

Percebamos bem, “foi a mim mesmo que o fizestes”!  Mas poderíamos pensar que não é a mesma coisa. “Tomé tocou a chaga do próprio Cristo! E eu não consigo ver a Cristo nas chagas desses irmãos mais necessitados”. E é uma inquietude legítima, a meu ver. Realmente não é a mesma coisa, mas isso não faz com que seja mentira o que está dizendo o Papa e a Sagrada Escritura. Somos convidados a ter fé! Para encontrar-nos com Deus, o caminho são as chagas de Cristo presentes nesses irmãos, diz o Papa Francisco. Precisamos dar uma chance, sair nas ruas, encontrar-nos com as pessoas que estão sofrendo e, com a nossa ternura, confortá-los.

Essa experiência, quando é sincera, muda a vida de qualquer um, porque se percebe Deus realmente presente. Isso aconteceu com São Francisco, com Santa Tereza e com o próprio São Tomé. De fato, um detalhe bonito da confissão que faz São Tomé ao tocar as chagas é que ele chama Jesus de “meu Senhor e meu Deus”. É a primeira confissão da divindade de Jesus depois da ressurreição. Nós também estamos convidados a ver a Deus nas chagas dos irmãos necessitados.

Não tenhamos medo de procurar a Deus onde ele realmente está. Somente assim poderemos entregar-nos totalmente a Ele, sem aquele pé atrás. E somente nessa entrega total é que conseguimos a paz de Cristo, a certeza de que vamos pelo caminho correto, apesar das dificuldades.

Que São Tomé nos ajude a tocar essas chagas e a exclamar com ele: “Meu Senhor e Meu Deus”.

WhatsApp
Telegram
Facebook
X
LinkedIn

Leia Também