O Advento pede uma espera que desperta, transforma e nos envia ao encontro do outro.
Quem não se comove ao ver uma mãe abraçando seu filho recém-nascido? A gravidez é motivo de grande alegria: cada criança que nasce é um milagre. O amor semeado cresce até explodir em alegria.
Na expectativa do nascimento há medo, ansiedade e noites de vigília — mas o amor cobre a multidão de temores e gera esperança nos lares.
Se o bebê for o Salvador
Esse nascimento não alegra apenas a família, mas a humanidade. Jesus Cristo, nascido da Virgem Maria, é ao mesmo tempo homem e Deus: 100% homem e 100% Deus.
O Advento nos recorda essa primeira vinda e nos coloca na expectativa de sua segunda vinda gloriosa.
Advento: memória e vigilância
O Advento é tempo de recordar e de esperar ativamente. Como escreveu Romano Guardini, “a nossa salvação baseia-se numa vinda”. Esperar não pode significar apatia. Precisamos estar vigilantes — como sentinelas da manhã — e transformar a espera em ação.
“Sei que é preciso prestigiar a esperança, numa sala de espera… A esperança nunca é a forma burguesa, sentada e tranquila da espera.” — Cassiano Ricardo
Ritmo acelerado e a necessidade de desacelerar
Vivemos em ritmo acelerado: fast food, fast love, hábitos descartáveis. No caminho, perdemos inteireza e valores. O Advento convida à desaceleração: olhar para si, para os outros e para Deus.
Prática da esperança no Advento
Quando a mulher grávida é obrigada a reduzir o ritmo, ela nos lembra de desacelerar também.
Nestas semanas de Advento proponha um exercício: centralizar o coração naquele que vai nascer — o Filho de Deus — e cultivar gestos concretos de solidariedade que possam durar o ano inteiro.
Práticas simples para viver o Advento:
- Orar diariamente com intenção pelos mais pobres;
- Praticar gestos de fraternidade — visita, doação, acolhida;
- Desacelerar uma hora por dia: silêncio, leitura da Palavra, presença real com a família.
Saída missionária: ir ao encontro do outro
Como exortou certa vez o querido Papa Francisco, a Igreja é chamada a sair de si mesma e ir às periferias — tanto geográficas quanto existenciais: pobreza, injustiça, ignorância e falta de fé. O Advento nos impulsiona a essa saída.
Como esperar
Mais importante do que saber o que esperar é sabercomo esperar. Ser cristão não é fechar os olhos diante da realidade. Quem vive o Advento desperta, abre os olhos e encara desafios com um olhar de esperança ativa.
“O mistério do Advento focaliza a luz da fé sobre o próprio sentido da vida… Nossa fé no Advento não é uma fuga do mundo.” — Thomas Merton