As Festas Juninas são festas religiosas?

Você já se perguntou se as Festas Juninas são apenas celebrações culturais ou se têm origem religiosa? Saiba mais sobre a história das Festas Juninas e o que elas têm a ver com o cristianismo.
Imagem festa junina do artigo 5 dicas para evitar acidentes com crianças nas festas juninas

Você já se perguntou se as Festas Juninas são apenas celebrações culturais ou se têm origem religiosa? Por trás das quadrilhas, fogueiras e delícias típicas, há uma rica tradição de fé, piedade popular e cristianização de antigos costumes europeus que deram origem a essa grande manifestação do povo brasileiro.

Particularmente falando, estes são os festejos populares que mais gosto, onde a cada ano celebramos com o mesmo fervor, com cores, alegria, muita comida, danças e, claro, tudo isso ligado à fé e piedade popular das pessoas. As festas do mês de junho movimentam o nordeste de forma espetacular, e eu, como um bom cearense, não tenho como ficar de fora deste clima que a todos contagia neste período (alguém disse arraiá em casa?!)

Já sinto até saudade de escutar as canções tão antigas e sempre novas que embalam os passos dos dançarinos de quadrilha e enlaçam os casamentos matutos. Do cheiro do bolo de milho, canjica, pé de moleque e vatapá que dão um sabor especial à festa, e do calor da fogueira aquecendo a vida, a alegria e a vontade de celebrar daqueles que em volta dela se reúnem. Mas, essas festas que hoje celebramos com tanta alegria e propriedade cultural não surgiram no nordeste e muito menos no Brasil.

Reprodução/ Prefeitura do Recife

As Festas Juninas e as festas católicas

O surgimento dessas festas vem da Europa, no período pré-gregoriano. Nasceu como uma festa pagã em comemoração à grande fertilidade da terra, às boas colheitas. Para este fato, na época, foi dado o nome de solstício de verão. Essas comemorações também aconteciam no dia 24 de junho, para nós, dia de São João Batista.

Foi somente depois que o cristianismo foi afirmado como a religião oficial da Europa que os cristãos foram se apropriando das festas e dando então um novo significado, agora religioso, para as mesmas, pois já não era mais admissível uma sociedade religiosa continuar celebrando festas pagãs.

Passaram a chamar estas comemorações de festas joaninas, fazendo memória ao primo de Jesus, João Batista. As festas que já existiam foram cristianizadas e o dia da morte ou nascimento de alguns santos corroboraram para tornar cada vez mais uma festa de fé, como é o caso de Santo Antônio, São Pedro e São João.

Cenas Brasileiras/ Adobe Stock
Cenas Brasileiras/ Adobe Stock

Influências culturais

Depois da origem desses festejos, as celebrações juninas foram ganhando características específicas de alguns países antes de chegar ao Brasil. É possível notar grandes influências dos portugueses, espanhóis, chineses e franceses na maneira de se fazer estas celebrações.

As quadrilhas, o destaque dos festejos aqui no nordeste, foram inspiradas nas danças marcadas dos nobres franceses. Aqui o puxador da quadrilha grita: “Anavam! Anarriê!”, mas que, na verdade, seriam os comandos En avant e En arriere, de ir para frente e para trás que os franceses utilizavam em suas celebrações da nobreza.

O costume de se soltar fogos de artifício veio da China, onde nasceu a manipulação da pólvora. Já as fitas e cores são advindas da Espanha e Portugal. A festa já chegou bem misturada ao Brasil e aqui houve ainda mais mistura. Elementos das culturas africana e indígena ainda foram incluídos, tornando-se o que hoje conhecemos como umas das maiores festas brasileiras.

Fé e Piedade

O mais bonito de ver, nesta celebração toda, é que as pessoas estão sempre sendo movidas pelo espírito de piedade popular aos santos nos quais festejamos. É realmente uma festa de fé. É onde ainda vemos, em meio a uma sociedade que relativiza a piedade, que outrora era tão forte, as pessoas se reunindo com o intuito de celebrar algo que está intimamente ligado com o Divino e as faz se alegrar por este período.

Quando arde a fogueira de São João, quando os homens carregam o Pau de Santo Antônio e quando os pescadores fazem suas imensas procissões marítimas em honra ao seu padroeiro São Pedro, é sinal de que ali tem um povo que ainda se reúne para celebrar a fé, pois sabem que sem ela pouco seriam. É realmente assim a confiança que o sertanejo, festejando as festas juninas, põe na sua fé. E é por esta certeza que nos alegramos, que dançamos e fazemos a maior das festas.

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