Nascido em 1696, em Portugal, padre José Alves Vilella exerceu a maior parte de seu ministério sacerdotal no Brasil. Em 1725, foi nomeado pelo então bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei Antônio de Guadalupe, como Vigário de Santo Antônio de Guaratinguetá. Seu nome aparece pela primeira vez em um livro de batizados da mesma Paróquia.
Seu registro mais famoso, porém, foi escrito em 1743. Nesse ano, ele solicitou ao novo bispo do Rio de Janeiro, Dom Frei João da Cruz, a aprovação do culto à Virgem Aparecida, naquela altura venerada em um oratório público no Itaguaçu, construído com a ajuda e aprovação do próprio padre Vilella. Era o encontro da Igreja com a religiosidade popular.
No texto enviado ao bispo, o sacerdote afirma que os devotos desejavam a aprovação para erigir uma Capela e venerar, oficialmente, a Senhora Aparecida, “pelos muitos milagres que tem feito a dita Senhora a todos aqueles moradores” (Autos da ereção da Capela (Atas), folha 1).
Aqui, não podemos deixar de notar um fato relevante. Embora seu pedido tenha sido feito em 1743, é quase certo que o vigário já havia tomado ciência da devoção àquela pequena Imagem anos antes. Afinal de contas, apenas oito anos após a pesca milagrosa, o jovem presbítero viera morar em Guaratinguetá – que naquela época abrangia o território da atual cidade de Aparecida. Não é muito difícil pensar que os relatos dos primeiros milagres tenham chegado rápido a seus ouvidos. Quem sabe até não escutou da própria boca dos pescadores os prodígios vividos por eles?
Fato é que seu pedido foi acolhido pelo bispo carioca, que concedeu ao padre Vilella a permissão para a edificação da primeira Capela dedicada a Nossa Senhora Aparecida. Na prática, era o reconhecimento da Igreja à devoção do povo.
Pelos documentos conservados na Cúria Metropolitana de Aparecida, é possível afirmar que pelo menos até 1755 o sacerdote atuou na região. Apesar de não ser possível precisar o local de sua morte, sabe-se que ele viveu até os 83 anos, morrendo em 1779, mas deixando sua marca na história como o primeiro sacerdote a assumir o culto do povo à Mãe de Deus e nossa, sob o título de Aparecida.