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Sem Deus, o sofrimento é um castigo. É a cruz sem o Crucificado

Deus se “refez” à imagem e à semelhança da sua criatura, para poder sofrer com ela, recriá-la em sua Graça e renová-la por Cristo.
Imagem RdA Fev23 Questoes de Fe do artigo Sem Deus, o sofrimento é um castigo. É a cruz sem o Crucificado

Se Deus vê e valoriza a dor humana, é válido dizer que sem Ele o sofrimento se torna castigo para nós. É a cruz sem Jesus! Precisamos pensar as dores, doenças, sofrimentos aflições de todo tipo, sempre em relação ao Deus que Jesus veio revelar como Pai, o papai ou o paizinho, (Abbá). Uma relação de carinho. Eis a questão de fé!

Se Jesus nos ensina a conhecer, servir e amar um Deus-Pai, e crer em sua infinita bondade, sabedoria, amor e providência, como explicar o sofrer? Por que existem tantos sofrimentos de todo tipo: físico, psíquico, moral, espiritual etc.?

O livro do Gênesis nos diz que fomos criados à imagem e semelhança de Deus. O homem e a mulher, ambos possuindo o livre arbítrio no uso da liberdade. Se erramos não é por fatalidade, mas porque escolhemos mal, sabendo o que queremos. Eis porque sofremos! Fazemos escolhas erradas.

Deus-Pai, compadecido da fraqueza de suas criaturas, não as abandona, nem as deixa entregues aos erros, pecados e às suas consequências. Vem em nosso socorro. Solidário em extremo no amor por nós, até sofre conosco. E até assumiu como sua nossa natureza.

Aconteceu o inverso do que nos diz o Gn 1,27: Deus se “refez” à imagem e à semelhança da sua criatura, para poder sofrer com ela, recriá-la em sua Graça e renová-la por Cristo. São Paulo vê nisso o contraste da exaltação e humilhação de Deus, na figura humana de Jesus Cristo.

Vindo a nós como Verbo de Deus na carne, Jesus não preservou sua condição divina, mas aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo, na semelhança com os homens (Fl 2, 6-7).

No mistério Pascal (morte e ressurreição), Jesus atingiu a plenitude do sofrimento solidário e salvador. A salvação da qual somos necessitados inclui a libertação de doenças, dor e sofrimentos. Uma doença é prévio aviso de finitude. Por outro lado, estar doente e/ou curar-se, é chance de glorificar a Deus e tentar aceitar e fazer sua vontade.

Os discípulos-missionários de Jesus, à luz da fé em sua ressurreição, têm que sofrer com Ele e por causa dele, até chegarmos à morada de Deus, no mundo novo que enxugará toda lágrima dos olhos e não haverá mais morte, nem luto, nem choro, nem dor, pois ficará para trás o mundo antigo (Ap 21,4).

O Evangelho nos apresenta Jesus sempre atento aos doentes. Identificado com o sofrimento, a dor, a aflição, o abandono da pessoa humana doente ou excluída. Nossas comunidades têm a Pastoral dos Enfermos, ou da Saúde. Sem dúvida, os doentes esperam receber de nós os mesmos gestos de carinho de Jesus! “Fiquei doente e me visitastes” (Mt 25, 36).

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