O tema da sinodalidade está na agenda da Igreja
Por Wellington Barros
Doutor em Ciências da Religião e Teologia
Mas, não podemos deixar ser mais um tema entre outros, que vêm e que passam sem provocar mudanças. Na verdade, o Papa Francisco quer resgatar um modo de ser Igreja que corresponda de forma mais fiel à vocação dos batizados e batizadas que formam o Povo de Deus.
Uma Igreja que caminha em sinodalidade, como Povo de Deus, é o melhor testemunho que podemos dar para o mundo atual. Não são poucas as divisões, os muros, os preconceitos, separações e conflitos atualmente. A Igreja não pode se eximir de oferecer sua valiosa contribuição, e se ela não o fizer, ninguém vai fazer no lugar dela. Esse caminho não é sem rumo ou direção, ele é realizado a partir do caminho aberto por Jesus de Nazaré. Mas, qual foi o caminho aberto por Ele?
Desde as origens a fé se revelou como uma caminhada. O caminho aberto por Jesus! Os cristãos das comunidades nascentes eram seguidores de Jesus, porém, esse seguimento era entrar no seu caminho e seguir seus passos! Não é apenas um caminhar no sentido geográfco! Viver esse caminho é viver centralizado na pessoa de Jesus. Com o caminho sinodal de hoje não é diferente! Queremos e devemos caminhar focados no mestre.
Das várias práticas que exige essa caminhada, três se destacam: conversão, partilha e compaixão. A conversão é fundamental para quem deseja caminhar com Jesus. Para que o Reino aconteça na história é necessário que as pessoas entrem em uma nova dinâmica de amor e fraternidade. A partilha está relacionada também com a forma que nos relacionamos com o dinheiro. Se somos dominados pelo dinheiro, não podemos caminhar com Jesus: “Não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24). Por fim, a compaixão de Deus faz de Jesus ser sensível ao sofrimento das pessoas, e quem caminha com Jesus não pode ser indiferente diante dos sofrimentos alheios. Caminhar, converter, partilhar e compadecer! Assim, estamos preparados para buscar novos caminhos para a evangelização. A novidade sempre traz medo, mas urge recuperar em nossas comunidades esse caminho que traz o frescor original do Evangelho de Jesus.