Como o mundo das ilusões se enraizava no coração dos discípulos! Sentindo o Ressuscitado entre eles, uma vez mais brota a teimosa ilusão: “Senhor, é agora que vais restabelecer a realeza em Israel?” Sonhavam a restauração do reino davídico a concorrer, e até mesmo, a vencer o opressor império romano, riscando-o da História.
Mas Jesus, preparando-Se para voltar para o céu, descarta essa ilusão: “Não compete a vós saber os tempos e os momentos que o Pai marcou com sua própria autoridade”. Do tempo de Deus, nada em absoluto nos é acessível conhecer!
Imediatamente a seguir, porém, Jesus os chama para a realidade, para o tempo deles. Diferentemente d’Ele, eles continuarão no tempo, aqui na terra. E unicamente isto lhes deve preencher o coração e a vida: “Recebereis a força do Espírito Santo que descerá sobre vós e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia, na Samaria e até os confins da terra”.
Pronto para voltar para o céu, Jesus vive uma certeza: Sua missão não pode sofrer ruptura. Em Seu batismo, Ele mesmo Se vira investido com a força do Espírito, em vista de Sua missão (Mc 1,9-15). Agora Ele é que promete e garante aos discípulos o mesmo Espírito, a mesma força celeste para a missão deles. O Batista diz de Jesus: “Ele vos batizará com o fogo do Espírito Santo” (Mt 3,11).
“Recebereis a força… e sereis minhas testemunhas!” Parece tratar-se de duas afirmações independentes uma da outra. Mas, isto é o que de fato devemos entender: “recebereis a força” a fim de serdes, para que tenhais condições de ser “minhas testemunhas”! Unicamente com essa divina força, é que serão capazes da missão.
Missão não só de anunciarem-No, mas de também O testemunharem: de O tornarem e O prolongarem presente e atuante entre os humanos. Na força do Espírito, eles poderão se fazer o coração, a misericórdia, as atitudes de Jesus continuando na terra!
Se Jesus nos garantia que quem O visse em Suas atitudes, em Suas obras, estavam vendo o Pai (Jo 14,9), semelhantemente assegurava que quem visse Seus discípulos, pelas obras destes, deveriam estar vendo a Ele, apalpando-O em Sua vida e missão salvadoras!
Missão de abrangência universal. Sim, testemunhá-Lo “em Jerusalém, em toda a Judeia, na Samaria e até os confins da terra”.
“Depois dessas palavras, foi se elevando à vista deles, e uma nuvem escondeu-o a seus olhos.” Eleva-Se até os céus, deixa-lhes a continuidade de Sua missão. Mas, que maravilha: felizmente isso não era tudo o que Ele lhes deixava!
Sim, agora, sem ficar “olhando para o céu”, que se lançassem com todas as forças à missão! Agora olhar para a terra, para a missão! Mas, que jamais perdessem de vista esta certeza e garantia: finda a missão, nas trilhas d’Ele-pioneiro, também eles serão tirados “para o céu”, para a casa definitiva! Voltarão a estar com o Mestre que tanto os empolgara na terra!
Agora, com o céu nos encerrando o horizonte, mãos na massa! Não só nossa “Jerusalém”, mas “até os confins da terra” nos esperam, nos desafiam para a missão!
- Que proposta de vida Jesus lhe traz em Sua Ascensão?