Estamos acostumados a ver as representações de Maria com o menino Jesus no colo
Algumas pinturas apresentam a anunciação e Maria e José no presépio. Outras, ela sofrendo ao pé da cruz. Menos comuns são as pinturas que mostram o dia a dia da família de Nazaré, a cena do desencontro com Jesus adolescente no templo, ou Maria entoando seu canto de louvor e profecia (o Magnificat). E não se tem notícia de algum pintor que representou a surpresa de Maria quando o Jesus adulto proclama que “minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a frutificam”.
Ao percorrer os evangelhos e comparar com a experiência das mulheres, descobrimos algumas características de Maria de Nazaré, relacionadas com sua missão de mãe de Jesus. Vejamos brevemente.
A jovem grávida: Maria percebe as mudanças que acontecem em seu corpo durante a gravidez. Acolhe o amor de José, seu fiel companheiro. Ela ama com ternura o feto que lentamente se desenvolve nela, durante nove meses. Hoje sabemos que o período da gestação até o nascimento é muito importante para o futuro da pessoa.
A mãe de um bebê: Jesus nasce em condição pobre, na gruta de Belém ou na estrebaria. Maria não preparou o “enxoval” de Jesus, pois não havia isso naquele tempo. Partilhou o que tinha. Envolveu-o em panos. Ela e José devem ter se encantado com o chorinho de Jesus e com seu sorriso de bebê. Foram acompanhando, com muito zelo e cuidado, o seu desenvolvimento físico, psíquico e espiritual.
A educadora, junto com José: imagine como foram os 30 anos de vida simples, normal, em Nazaré. Maria e José ensinaram Jesus a andar, a falar, a ouvir as Escrituras judaicas, a se relacionar com seus parentes e moradores da cidade. Nada de extraordinário aconteceu naquele longo tempo. Foi uma prova de fé para eles.
A mãe que põe limites e respeita: quando Jesus adolescente permanece no templo, e seus pais voltam para encontrá-lo, Maria adverte Jesus. A atitude dele não parecia correta! E Jesus os surpreende com sua resposta. No passado, como hoje, os pais têm o dever de apontar aos filhos os melhores caminhos, aconselhar e orientar. Como também aprender com eles.
A mãe que deixa o filho ser adulto: Quando Jesus se torna adulto, sai de casa para realizar sua missão. Maria deixa o filho partir, pois percebe que Jesus não lhe pertence. Então, ela passa a fazer parte do grupo dos seus seguidores, da nova família dos discípulos e discípulas.
Companheira e mãe da comunidade: ao pé da cruz, Jesus dá a Maria uma nova missão, a de acompanhar a comunidade de seus seguidores, sendo ao mesmo tempo uma companheira e mãe. Já vemos isso quando ela está presente, com outras mulheres, em pentecostes.
Que Maria, nossa companheira e mãe da fé, ensine homens e mulheres a viverem esses traços de ternura, presença e cooperação.