O venerável Pe. Vítor Coelho de Almeida, C.Ss.R. (1899-1987) sabia dos valores penitenciais para que educássemos nossas atitudes para a vida cristã
A verdadeira penitência é norteadora para o bem pessoal. Direcionar nossa vida nos bons costumes e nas virtudes requer de nós o exercício da humildade. O orgulho é pecado original que sustenta a desobediência e a mentira. Combater a soberba é retomar nossas condições de seres humildes para vencer o princípio de todos os males. O orgulho é amparado pela desobediência e a mentira que assolam a Sociedade Humana em todo o Planeta.
O Jesus Redentor se fez Caminho para nós, e Nele andarmos nos propósitos da Humildade, da Obediência e da Verdade. Quando se fez carne, assumindo nossa condição humana, tornou-se a Palavra Viva com todas as expressões do verdadeiro amor. Enquanto Humano-Divino, no dizer do Pe. Vítor Coelho: “experimentou, em grau indescritível, as mágoas e aflições que nos abatem. Naqueles 33 anos, desde o Presépio de Belém até o último suspiro na Cruz, Jesus via a cada um de nós como se fôssemos, eu que escrevo estas linhas e tu que estarás lendo, sim, como se fôssemos as únicas criaturas do mundo. E Ele nos conheceu melhor do que nós mesmos conhecemos nossa vida”. A sagrada Humanidade de Cristo foi sempre aclarando pela sua própria Divindade de Salvador, que se une ao Pai e ao Espírito Santo.
Com o exame de consciência nós vamos avaliando nossa vida. As rivalidades, as trocas de ingratidões, as provocações maldosas, a mania de fazer o semelhante sofrer e o provocar ruínas na vida alheia são pecados que ofendem a Deus através do próximo. Essas grandes ofensivas se aliam às fraquezas, misérias, sofrimentos e desgraças na Humanidade. Mas, o Divino Salvador foi e é conhecedor de todas essas maldades que ferem a Deus, porque Ele é Bom, Santo e Justo. Sendo assim, a penitência, o jejum e a caridade podem nos levar às Estradas de Jesus. A verdadeira penitência é primeiramente reconhecer que precisamos mudar nosso comportamento egoísta e voltarmos em favor do próximo, porque a causa é de Deus. A penitência cristã não é rigorista, é disciplina cotidiana. O Pe. Vítor explicava isso com clareza, dizendo: “Penitência não denota castigos rigorosos infligidos ao corpo. Fazer penitência é recolher-se interiormente para se colocar em face da justiça e da bondade de Deus. É meditar a Palavra Divina e aceitar a luz da Verdade. É sentir grande pesar das culpas cometidas. É clamar, pedir e rezar; é tomar a cruz dos sacrifícios no cumprimento da Lei de Deus. Isso é penitência!” A vida cristã é uma caminhada de contínua conversão.
A nossa participação na Liturgia Quaresmal, nossas Orações Comunitárias da Via-Sacra, nossas meditações pessoais e nossa preparação para a Páscoa Cristã nos garantem os elementos que focam em nossa conversão. Converter é somar força para superar os males e se unir ao Cristo Salvador. Esses exercícios de Salvação Cristã são essencialmente comunitários. É preciso conversão para dar gosto a Deus.
Na Escola de Jesus os exercícios penitenciais nos educam para a vida em plenitude, no tempo e na eternidade.