Após ser tirada das águas do Rio Paraíba do Sul, em 1717, a Imagem de Nossa Senhora Aparecida foi levada para a casa de Filipe Pedroso, um dos três pescadores que a encontraram. Ali, ela começou a ser venerada primeiramente por ele e seus familiares.
Em pouco tempo, também os vizinhos se reuniam na casa de Filipe para a reza do terço. Essa oração, nascida no século XIII, foi uma das primeiras expressões da devoção do povo a Nossa Senhora Aparecida.
O Livro do Tombo da Paróquia de Santo Antônio de Guaratinguetá atesta que “todos os sábados se agrupava gente para cantar o terço e demais orações”. A mesma fonte afirma que foi durante a reza do rosário que aconteceu o milagre das velas.
Com a aprovação oficial do culto à Virgem Aparecida, em 1743, e a consequente construção da Capela do Morro dos Coqueiros, os devotos mantiveram a oração do terço em paralelo às missas rezadas no templo.
Essa oração também foi o primeiro ato dos Missionários Redentoristas com os romeiros. Foi com o terço que eles iniciaram, apenas três dias depois da sua chegada – em outubro de 1894 – seu apostolado junto aos romeiros.
Fotografias e antigos relatos também nos fazem saber que o rosário era colocado nas mãos da pequenina Imagem, incentivando, de certa forma, esta prática oracional. Não é difícil pensar que, olhando para as mãos unidas da Virgem Aparecida, os romeiros sentiam-se também convidados a rezar enquanto passavam entre os dedos as contas do rosário.
A recitação do terço atravessou os séculos e, até os dias de hoje, se faz presente na programação pastoral do Santuário Nacional. De segunda a sábado, ela acontece às 14h na Basílica Nova. Ao longo do ano, ela ganha ainda mais relevância com as romarias do Terço dos Homens – que neste mês completa 15 anos, do Terço das Mulheres e, mais recentemente, do Terço das Crianças.
Para além dos momentos oficiais de oração, o terço é recitado centenas (até mesmo milhares) de vezes todos os dias pelos peregrinos de forma silenciosa e espontânea. Basta caminhar pelos corredores da Basílica para se deparar com devotos que, assim como os pescadores, renovam sua fé rezando aquela que é a “oração mariana por excelência” (São João Paulo II, Rosarium Virginis Mariae, 33) diante da pequena Imagem da Padroeira do Brasil.