“A sua misericórdia se estende de geração em geração” (Lc 1,50)
Por Pe. Ramon Ramos
Especialista em Mariologia e Associado da Academia Marial de Aparecida
Desde que chegou ao pontificado, há 10 anos, Papa Francisco não se cansa de anunciar a Misericórdia Divina. Dentre tantos discursos, homilias, documentos, livros e muito mais, o rico tema da Misericórdia está sempre consigo, assim como nos lábios de Maria Santíssima, da qual ele é muito devoto. Assim se expressou o Papa, na mensagem para a Quaresma de 2015: “Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem deseja ser misericordioso necessita de um coração forte, firme, fechado ao tentador, mas aberto a Deus”. O coração imaculado de Maria é sensível aos pobres e pequenos. Coração firme ao anunciar o Cântico de Libertação – Magnificat – “…dispersou os soberbos” e dócil ao olhar para os preferidos do Senhor – Salve, Rainha – “Esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei.”
Da concepção até sua Assunção ao Céu, Maria está intimamente unida à Misericórdia de Deus: preservada do pecado original, uma vida de doação junto a seu Filho Jesus, não como expectadora, mas sim participante plena da Obra da Redenção e levada ao céu em corpo e alma, coroamento de uma vida voltada para os pobres e pecadores. Portanto, “Maria é a pessoa que conhece mais a fundo o mistério da misericórdia divina” como afirmou São João Paulo II. De modo singular, experimentou essa misericórdia do começo ao fim: “porque olhou para a condição humilde de sua serva”. Lc 48
O Papa Francisco tem nos dado muito o exemplo de humildade, virtude, em extinção num mundo exacerbado de vaidades de todos os tipos. Sem humildade não se alcança a misericórdia de Deus. O soberbo está cheio de si, não precisa de mais nada, não aceita nada mais. Se esvaziarmos de nós mesmos, a misericórdia de Deus não faltará. Assim fez Maria, esvaziando de si mesma, abrindo mão de seus sonhos e deixando Deus sonhar nela. Nossa Mãe, nossa Senhora, tira a soberba de nosso coração e nos conduz para o caminho dos pequenos e humildes. Isso é prova de amor, expressão de quem muito ama e se entrega confiante nas mãos Daquele que tudo vê, conhece e realiza o melhor. Nossos anseios mais profundos só se realizam e são curados na infinita misericórdia. Francisco mostra que a Igreja vê no Magnificat o seu próprio hino, que o reza nas Vésperas de todos os dias, afirmando que caminhamos na história, não à mercê do nada, mas sim assistidos pela misericórdia de Deus.
Os olhos misericordiosos de Maria continuam a nos envolver, em cada visita que faz à terra, para diversos povos e lugares diferentes e que depois se constroem grandes Santuários, sinais da misericórdia de Deus para a humanidade, suas epifanias que se tornam dons para nós, que aqui estamos neste “vale de lágrimas” mas sempre enxugadas pela infinita Misericórdia de Deus.