A paixão como instrumento da redenção

“Cristo nos amou e se entregou por nós” (Ef 5,2). Diante de tamanho amor só nos resta responder amando também!
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Nós, católicos, geralmente durante o período quaresmal, costumamos dar maior ênfase às dimensões que compõem o Mistério Pascal

Nos exercícios de piedade popular ganha destaque a contemplação da Via-Sacra como forma privilegiada e plástica de contato com a paixão e o sofrimento de Jesus. No entanto, Santo Afonso de Ligório fez da paixão de Cristo um dos principais pilares da sua Teologia Moral e da sua Espiritualidade, ou seja, reconhece nela a revelação do amor salvífico de Deus! Assim, pode-se considerar que o Cristo Crucificado é o leitmotiv do seu pensamento! E isso é notável tanto em seus escritos, reflexões e meditações, bem como em suas pinturas, composições musicais, pregações, orientação no confessionário, etc.

Ora, a base para esse mergulho diário de Afonso no amor de Deus que a paixão de Jesus lhe revela, é a própria meditação dos Evangelhos. Essa não lhe deixa dúvidas a respeito da intensidade e da grandeza do amor de Deus pela humanidade. E ao fundar a Congregação incutiu fortemente esse traço de sua espiritualidade, isto é, de anunciar que junto de Jesus a Redenção é copiosa e abundante! Ele dizia aos seus sobre a pregação: “Peço-lhe que fale muitas vezes sobre o amor que Jesus Cristo teve para conosco na sua Paixão e na instituição da Eucaristia; e sobre o amor que devemos ter para com este muito amado Redentor, recordando com frequência esses dois grandes mistérios de amor… Em nossas missões, especialmente nos três últimos dias, devemos falar somente da Paixão do Redentor, a fim de prender as almas a Jesus Cristo”. E até hoje, ao final da Missão Redentorista, o levantamento do cruzeiro é o modo de sinalizar para o povo que esse memorial da Paixão é como um convite à contínua conversão!

Ademais, Afonso escreveu: “Jesus na cruz! Eis aqui a prova do amor de um Deus. Esta é a última aparição do Verbo encarnado na terra. A primeira foi num estábulo, a última numa cruz. Ambas manifestam seu infinito amor e caridade para com os seres humanos”. E como síntese de sua convicção que extravasa em sua teologia da benignidade pastoral está a certeza de que: “Cristo nos amou e se entregou por nós” (Ef 5,2). Diante de tamanho amor só nos resta responder amando também! De modo que o cultivo pela paixão não é um mero devocionismo ou uma admiração distante do Crucificado e da cruz, mas algo que provoca em nós uma atitude transformadora. Ele afirmava: “Jesus crucificado é o livro que todos nós temos de ler constantemente. Se o fizermos, ele nos ensinará a ter um vivo temor do pecado. Ao mesmo tempo, nos inflamará com o amor por um Deus tão cheio de amor por nós”. Pois, afinal, para que o amor seja autêntico e verdadeiro sempre exigirá uma dose de sacrifício e entrega!

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