A história de cada um de nós é iluminada pelo olhar amoroso de Deus, mesmo que só muito mais tarde cheguemos a compreender algo dos seus desígnios em nossa vida
Por Felipe Koller
“Toda a terra de Israel se regozijou com essa notícia”, diz um texto do século VII, conhecido como Evangelho do Pseudo-Mateus, quando conta que Ana e Joaquim descobriram que o Senhor os havia tirado da esterilidade e que eles se tornariam pais de uma menina. Com o nascimento de Maria, torna-se iminente a plenitude dos tempos, quando a Palavra de Deus se fará carne e morará no meio de nós (cf. Jo 1,14).
Sim, em uma linguagem poética, é todo o Israel que se alegra, porque é ela, Maria, “o verdadeiro Israel, em quem a Antiga e a Nova Aliança, Israel e a Igreja, são uma coisa só, inseparável”, afirmou Joseph Ratzinger. Por isso, na iconografia da natividade da Virgem, algumas mulheres oferecem presentes à sua mãe: é um símbolo do povo de Deus que se sente responsável por cooperar com o sustento daquela que lhe gerará o Salvador. É toda a humanidade que, em Maria, é terra boa onde cai a semente do Verbo de Deus.
É uma cena cheia de uma serena expectativa, que revela a mão do Senhor tecendo mais um passo da história da salvação. Dito de outro modo, é um ícone que desvela que a história de cada um de nós é iluminada pelo olhar amoroso de Deus, mesmo que só muito mais tarde cheguemos a compreender algo dos seus desígnios em nossa vida. Ele, o Senhor, olhou para a pequenez da jovem de Nazaré (cf. Lc 1,48) não apenas quando da anunciação pelo anjo, mas desde o primeiro momento de sua existência.