Sínodo como instrumento de construção da Igreja

Hoje, somos convidados pelo Papa Francisco a recuperar a sinodalidade na Igreja. Trata-se de recriar hoje, segundo as necessidades de nosso tempo, o modo de ser, de agir, e de anunciar desde os primeiros cristãos.
“Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, caminha!” (At 3, 6) - Pedro e João realizam uma cura à frente da Porta Formosa

Hoje, somos convidados pelo Papa Francisco a recuperar a sinodalidade na Igreja. Trata-se de recriar hoje, segundo as necessidades de nosso tempo, o modo de ser, de agir, e de anunciar desde os primeiros cristãos

Por Denilson Mariano da Silva

Fábio Colombini
“Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, caminha!” (At 3, 6) – Pedro e João realizam uma cura à frente da Porta Formosa (Fábio Colombini)

Como sabemos, Sínodo significa “caminhar juntos”. A Igreja nasce de uma caminhada de Jesus junto a seu povo e a seus discípulos. Em sua vida pública, por onde passava, Jesus semeava a Boa Nova do Reino de Deus por meio de ações e palavras. Jesus acolhia, curava, ensinava, perdoava, alimentava os famintos e deu a seus discípulos a tarefa de serem os continuadores dessa sua missão.

Depois da Ressurreição de Jesus, os discípulos continuaram anunciando o Reino, também por palavras e ações a serviço da vida. Daí começam a surgir as primeiras comunidades, unidas em torno do ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, no partir o pão e nas orações (cf. At 2,42). As decisões eram tomadas em comunidade, o povo ajudava a escolher os diáconos e diaconisas (cf. At 6,1-6). Mesmo as questões mais delicadas ou difíceis eram levadas para reuniões mais amplas como o primeiro Concílio de Jerusalém (At 15).

Também Paulo apóstolo fez três grandes viagens missionárias formando, animando e incentivando as comunidades a caminharem unidas. Ele também escreveu cartas para ajudar a superar as divisões e para tratar de assuntos delicados, sempre no esforço de caminhar juntos. Esse caminhar juntos animou os primeiros cristãos a enfrentarem até o martírio, firmes na fé em Cristo.

O conjunto desses acontecimentos mostrava a unidade, o testemunho e a profecia dessa Igreja nascente. O “caminhar juntos” ou seja, a sinodalidade, foi o instrumento que permitiu o nascimento da Igreja. A sinodalidade tornou-se o seu jeito de ser, de agir e de anunciar a Boa Nova do Reino, moldados nas pessoas de Jesus, dos apóstolos e dos primeiros cristãos.

Hoje, somos convidados pelo Papa Francisco a recuperar a sinodalidade na Igreja. Somos chamados a recuperar o jeito de ser mais originário de nossa Igreja, desde as suas origens. Trata-se de recriar hoje, segundo as necessidades de nosso tempo, o modo de ser, de agir, e de anunciar desde os primeiros cristãos. O que pode parecer muito novo é, na verdade, uma volta às origens mais fecundas da nossa Igreja. É um resgate do jeito originário de ser Igreja para nos ajudar a rever e recriar nossas estruturas de participação e decisão, seja em nossas reuniões, conselhos, assembleias etc. O Sínodo é, de fato, um instrumento de construção e de reconstrução de nossa Igreja, fiel a Jesus e a seu modo de ser e de agir.

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