A palavra martírio nos remete à ação de testemunhar. Os mártires foram homens e mulheres que, se deixando guiar pelos princípios do Evangelho, caminharam na contramão daquelas propostas que buscavam ocultar a continuidade da missão de Cristo no mundo, por intermédio dos seus discípulos. Esses membros da comunidade eclesial, que não temeram doar a própria vida pelo anúncio do Reino de Deus, foram bem-aventurados.
Os mártires, com sua vida, não falam de si mesmos, mas testemunham os mais diversos modos de se atingir a vida em Cristo, a meta final de todos os cristãos. Os mártires de ontem somados aos de hoje continuam a nos animar na tarefa que temos como batizados: ir ao encontro de todos e a todos anunciar o evangelho da alegria que é o próprio Cristo.
Em torno de suas sepulturas nasceu o que hoje chamamos do culto aos santos. O local de sepultamento desses homens e mulheres transformou-se, no decorrer da história, em endereços de peregrinação, e o dia do martírio de cada um a verdadeira data de nascimento.
Em muitas dessas sepulturas foram edificadas grandes igrejas, que hoje reúnem milhares de fiéis, que por meio da devoção aos mártires-santos adentram o coração do mistério pascal.
Enfim, na vida e obra dos mártires contemplamos uma Igreja em estado permanente de missão. Uma comunidade eclesial que se deixa conduzir pela força do Evangelho, e animada pelo Espírito não tem medo de exortar a todos, para que se coloquem a serviço da construção de novos tempos, que indicam a plenitude do Reino de Deus acontecendo entre nós.