“Entretanto, Veneráveis Irmãos, para vós, em cuja obra e zelo tanto confiamos, pedimos de coração a plenitude das luzes celestiais, a fim de que, nesta época de tão grande perigo para as almas, devido aos erros que de toda parte se infiltram, descortineis o que deveis fazer e o executeis com todo o ardor e fortaleza. Que vos assista com seu poder Jesus Cristo, autor e consumidor da fé; que vos assista com o seu socorro a Virgem Imaculada, destruidora de todas as heresias.” ¹
O título “exterminadora (destruidora) de todas as heresias” foi invocado a primeira vez pelo Papa São Pio X na conclusão da encíclica “Pascendi Dominici Gregis”. O Sumo Pontífice, nessa encíclica, condena a doutrina modernista, classificando-a como a síntese de todas as heresias e invoca o socorro da Virgem no combate aos inúmeros “erros que de toda parte se infiltram”.
Mas por que convém chamar a Virgem Santíssima por esse título? Pois Ela de fato é a destruidora de todas as heresias. Nas palavras de S. Luís Maria G. de Montfort:
“Diz a Igreja, e o Espírito Santo que a conduz, que ‘só Maria esmagou todas as heresias deste mundo’. Por isso, um fiel devoto de Maria nunca cairá na heresia ou na ilusão, pelo menos formalmente, por mais que os críticos resmunguem. Poderá, sim, errar materialmente, tomar por verdade uma mentira e por bom o espírito maligno, ainda que mais dificilmente que qualquer outra pessoa. Mas, mais cedo ou mais tarde, conhecerá a sua falta e o seu erro material, e quando o conhecer, não se obstinará de forma alguma em crer ou sustentar o que tinha julgado verdadeiro”.²
Maria esmagou todas as heresias, pois um dos sentidos de heresia é o de “falsa doutrina acerca da Fé e da Moral”.
Maria deu à luz Àquele que é a própria Verdade (Jo 14, 6): Nosso Senhor Jesus Cristo, que, no tempo que passou nesse mundo, ensinou com perfeição e clareza uma doutrina verdadeira, encarregando seus Apóstolos (e seus sucessores) de guardá-la e transmiti-la. Além disso, Ela é a Mulher do Gênesis e Deus instituiu entre Ela e a serpente uma inimizade profunda e perene, que findará numa terrível batalha no qual ela e sua descendência ferirão a cabeça da serpente, que é o símbolo de satanás, o pai da mentira, o autor de todas as heresias.
Podemos entender heresia também como um pecado pessoal: “A heresia é um erro culpável de inteligência, pelo qual se nega com pertinácia alguma verdade de fé” ³ e a Imaculada, dando a luz ao “Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” também destrói todo pecado de heresia.
Esse título da Virgem deve ser invocado, sobretudo, suplicando a fidelidade dos Bispos, que receberam a missão de guardar o depósito da Fé; também quando nos damos ao trabalho da defesa da fé e pela conversão dos hereges.
Não possui dia de festa litúrgica, mas, se por devoção pessoal alguém quiser celebrá-lo, parece oportuno que o faça no dia 08 de setembro (festa da natividade da Virgem Santíssima), pois foi a data de publicação da encíclica no qual esse título é invocado a primeira vez.
1. Conclusão da Encíclica “Pascendi Dominici Gregis”, disponível em https://www.vatican.va/content/pius-x/pt/encyclicals/documents/hf_p-x_enc_19070908_pascendi-dominici-gregis.html
2. Tratado da Verdadeira Devoção nº 167
3. Catecismo de S. Pio X nº 363