Nossa Senhora, uma líder leiga

É bom recordar que a Igreja cristã surgiu na casa de Nazaré, onde viviam três Leigos piedosos. Confira esta reflexão que nos apresenta Maria como modelo de leiga para nós!

Quando falamos em leigos, estamos longe daquela acepção popular: desconhecimento ou ignorância de alguma matéria. 

Na Igreja de Jesus, Leigo indica o cidadão cristão, uma cidadania, que lhe foi conferida no dia do batizado. É uma designação que tem sua origem na palavra grega “laós”, que significa povo cidadão.

Dela se origina a palavra liturgia, ou seja, aquela celebração que é ação do povo reunido. Portanto, somos batizados, somos cidadãos da Igreja.

Em geral, quando ouvimos falar em Igreja, pensamos apenas em Papa, bispos, padres, diáconos e freiras.
Muitos não têm consciência de que a Igreja, cuja finalidade essencial é viver em união de graça com a Trindade Santa e em união fraterna entre nós, é, primeiramente, o Povo de Deus. Todo o resto, como os ministérios ordenados e não ordenados, existe para ajudar a atingir essa meta.

É bom recordar que a Igreja cristã não nasceu no templo de Jerusalém nem nas sinagogas judaicas, mas na casa de Nazaré, onde viviam três Leigos piedosos: José, Maria e Jesus. Nenhum deles era membro da hierarquia, nem exercia qualquer ministério religioso.

Maria era uma mulher leiga, dona de casa. Jesus era simplesmente um leigo, conhecido como o filho do carpinteiro. E José era um trabalhador leigo, simples e dedicado a sua família. Foi assim, no espaço simples de uma casa de família, que veio habitar a plenitude da divindade, o Verbo eterno.

Pela nossa origem, cremos que, em nossa Igreja, não pode haver disputas de poder, clericalismo, em que os ministros ordenados decidem e fazem tudo sozinhos, e paroquialismo autorreferencial, em que tudo acontece dentro da igreja e de suas dependências. Ela é missionária, principalmente pela presença dos Leigos nas famílias e em todos os espaços da vida e das atividades da sociedade.

Nossa Senhora é o exemplo da Leiga perfeita, que cumpriu e continua cumprindo sua missão até hoje. Ela ajudou a educar seu Filho e esteve a seu lado nos momentos em que se fazia necessária; principalmente aos pés da cruz.

Nunca exigiu privilégios pelo fato de ser a mãe de Jesus, mas ficou ao lado dos discípulos, no Cenáculo, quando eles estavam desorientados, porque Jesus já havia voltado para o Pai. Foi ela que os animou e preparou para que recebessem o Espírito Santo e se transformassem em Missionários evangelizadores.

Por isso, a condição de Leigo e Leiga confere uma dignidade e uma missão, que brota do próprio fato de ser batizado. Somos discípulos-missionários, somos Leigos evangelizados e evangelizadores.

Nossa participação ativa e nosso mandato missionário não deveriam jamais depender de outros títulos ou delegações. Afinal, como Jesus, Maria e José, somos sujeitos eclesiais e não objetos nem plateia. 

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