Desde os tempos medievais, os brasões tornaram-se de uso comum para os guerreiros e para a nobreza, e por conseguinte foi-se desenvolvendo uma linguagem bem articulada que regula e descreve a heráldica civil. Heráldica é o ramo da ciência que estuda os brasões, escudos e símbolos heráldicos, bem como suas regras e significados.
Originalmente, ela surgiu para identificar e distinguir famílias, indivíduos, organizações ou instituições, principalmente através de emblemas e escudos. Com o tempo, a heráldica evoluiu para uma linguagem simbólica que também é usada em contextos religiosos, como nos brasões papais, e em outros tipos de insígnias de poder, honra e dignidade.
Em termos mais simples, a heráldica trata da criação, interpretação e regulamentação dos brasões e suas representações visuais.
Paralelamente, também para o clero se formou uma heráldica eclesiástica. Ela segue as regras da civil para a composição e a definição do escudo, mas coloca em redor símbolos de insígnias de caráter eclesiástico e religioso, segundo os graus da Ordem sacra, da jurisdição e da dignidade.
É tradição, pelo menos de há oito séculos para cá, que também os Papas tenham um brasão pessoal, além dos simbolismos próprios da Sé Apostólica. Particularmente no Renascimento e nos séculos seguintes, era costume decorar com o brasão do Sumo Pontífice felizmente reinante todas as principais obras por ele executadas.
Brasões papais aparecem de fato nas obras de arquitetura, em publicações, em decretos e documentos de vários tipos.
Sentido espiritual dos brasões papais
Com frequência os Papas adotavam o escudo da própria família, se existia, ou então compunham um escudo com simbolismos que indicavam um próprio ideal de vida, ou uma referência a fatos ou experiências passadas, ou a elementos relacionados com um próprio programa de pontificado.
Por vezes acrescentavam algumas variantes ao escudo que tinham adotado como bispos. Um brasão pontifício é composto por um escudo que tem alguns símbolos significativos e é circundado por elementos que indicam a dignidade, o grau, o título e a jurisdição.
O brasão do Papa Francisco
Com o Papa Francisco não foi diferente. Divulgado em 2013, seu brasão manteve elementos de seu escudo episcopal anterior, expressando aspectos centrais de seu ministério. A simbologia, detalhada à época pelo site da Santa Sé, continua sendo referência para compreender a espiritualidade e o legado do pontífice, falecido em 2025.
O brasão do Papa Francisco contém a mensagem Miserando atque eligendo, que significa “Com misericórdia o chamou”.
Símbolos e significados do brasão
Do escudo utilizado desde que era bispo, o brasão papal foi enriquecido com alguns símbolos:
- ➡️ O escudo azul é coberto por símbolos da dignidade pontifícia: mitra posicionada entre chaves de ouro e prata entrecruzadas, unidas por um cordão vermelho.
➡️ O logotipo da Companhia de Jesus, ordem religiosa à qual pertence o Papa, aparece em destaque no alto do escudo.
➡️ O logotipo é composto por um sol radiante e flamejante carregado com as letras, em vermelho, IHS — monograma de Cristo. A letra H é coberta por uma cruz em ponta e três pregos em preto. IHS é a abreviação do nome de Jesus em grego ou da escrita latina medieval “Ihesus”.
➡️ Abaixo, encontram-se a estrela e a flor de nardo. A estrela simboliza a Virgem Maria, mãe de Cristo e da Igreja, enquanto a flor de nardo representa São José, patrono da Igreja. Na iconografia hispânica, São José é representado com um ramo de nardo nas mãos.
“Colocando no seu escudo tais imagens, o Papa pretendeu exprimir a própria particular devoção à Virgem Santíssima e a São José”, cita nota divulgada na época.