Dinâmica da Celebração (Parte III) – O canto na Liturgia Eucarística

Dinâmica da Celebração (Parte III) - O canto na Liturgia Eucarística
Imagem 78ddeff3793f80b983bb77b547088e0d68a9a0412eed691b77 pimgpsh fullsize distr do artigo Dinâmica da Celebração (Parte III) - O canto na Liturgia Eucarística
parte_3_o_canto_na_liturgia_eucaristica_1


Da Mesa da Palavra à Mesa Eucarística! Quatro gestos de Jesus na Última Ceia constituem a essência da Celebração Eucarística: Ele “tomou o pão e o cálice com vinho” – preparação dos dons, “pronunciou a bênção de ação de graças” – oração eucarística, “partiu o pão” – fração do pão “e o deu a seus discípulos” – comunhão.

ofertas

Jesus tomou o pão… 
O primeiro gesto de Jesus inclui os seguintes momentos: preparação do altar, procissão dos dons, incensação dos dons e do altar, o lavabo, oração sobre as oferendas. Normalmente o rito da apresentação do pão e do vinho vem acompanhado do canto das oferendas, que é facultativo. Tem a finalidade de criar um ambiente de alegria, partilha, louvor e generosidade, enquanto são apresentados os dons para a eucaristia. Pode-se responder cantando às orações de bênção do presidente, com o ” Bendito seja Deus para sempre!” ou fazer um solo instrumental. O canto acompanha o rito, portanto não deve se prolongar. O termo “ofertório” é inadequado, pois a grande Oferta se realiza na Oração Eucarística, quando pão e vinho se tornam Corpo e Sangue de Cristo.

oracao_eucaristica … Jesus deu graças
– Oração Eucarística (2º gesto de Jesus) – “é o centro e o ápice de toda a celebração eucarística” (cf. Instrução Geral do Missal Romano – IGMR,78), iniciando-se com o diálogo do Prefácio até o Amém da Doxologia. Pode ser cantado, pois é uma oração de ação de graças pelas maravilhas de Deus, sobretudo pela obra da salvação, em Jesus Cristo. São aclamações jubilosas da Oração Eucarística:

  • Santo:Diante da salvação e das maravilhas de Deus, convidamos o céu e a terra para cantar oSanto, Santo, Santo,que é a grande aclamação doxológica da liturgia, o primeiro canto em ordem de importância, devendo ser cantado por toda a assembleia, e com o texto integral. Não deve ser substituído por outro canto qualquer, pois constitui o próprio rito, e todo ele é bíblico, glorificando a Deus que enche os céus e a terra com sua glória, e bendizendo o Cristo, que vem em nome do Senhor para nos salvar: a ele,Hosana nas alturas!
  • Aclamação Memorial- O presidente narra o memorial da paixão, morte e ressurreição do Senhor, durante a qual se faz silêncio sagrado, pois não é momento de devoção à presença real de Jesus através de um canto eucarístico, e sim de anúncio do mistério pascal. Após a Consagração, ao “Eis o mistério da fé” do presidente, o povo profere uma dastrês aclamações, de preferência cantadas: “Anunciamos, Senhor…”, “Salvador do mundo…” ou “Todas as vezes…” Por ser uma profissão de fé, de anúncio e proclamação do mistério pascal de Cristo, a atitude mais adequada é a de pé, como ressuscitados no Senhor.
  • Aclamação à Doxologia final : o grande “Amém”!- A Oração Eucarística, pelo presidente, termina com esta aclamação jubilosa e vibrante de toda a assembleia, glorificando o Pai, por meio de Jesus Cristo, na força do Espírito Santo. É uma espécie de assinatura, de adesão, de concordância com a ação de graças feita, e por isso deveria ser sempre cantada. O Missal apresenta várias formas, pois só o Amém parece pouco para expressar o entusiasmo e a alegria deste momento, quando, por Cristo, com Cristo e em Cristo, damos ao Pai todo o louvor.

partir_o_pao… Partiu o pão e o deu…”
– Rito da comunhão (3º e 4º gesto de Jesus) – É o momento culminante da refeição pascal. A comunhão é precedida por alguns gestos e ritos:

  • Pai Nosso:a oração do Senhor tem especial valor, porque é palavra de Jesus, além de ter um sentido ecumênico. Não deve, de modo algum, ser substituído por outros textos. Pode ser recitado ou cantado, com a participação de toda a assembleia.
  • Rito da paz:por meio dele, o povo implora a paz e unidade para a Igreja e o mundo todo, seguido do gesto da paz.O canto da paz nãofaz parte da saudação. Se houver o canto, cuide-se para não prolongá-lo a ponto de ofuscar e obscurecer o rito seguinte, a fração do pão, importante sinal de unidade.
  • Cordeiro de Deus:canto litânico executado durante o rito da fração do pão e a mistura, invocando Cristo, o Cordeiro Pascal que tira o pecado do mundo. Pode ser cantado por um solista ou pelo coro, com a resposta da assembleia:Tende piedade de nós!… Dai-nos a paz!
  • Canto de Comunhão(“… e o deu a seus discípulos”) – Enquanto o sacerdote e os fiéis comungam, entoa-se o canto, expressando nossa comum-união espiritual em torno do Senhor: recebemos o “corpo sacramental de Cristo, para que o Espírito Santo nos transforme no corpo eclesial do Ressuscitado”. Como a Palavra se faz Eucaristia, sugere-se que este canto retome a mensagem central do Evangelho do dia, fazendo a ligação entre as duas Mesas. É um canto mais contemplativo e tranquilo, devendo ter a participação de todo o povo, pelo menos no refrão. Não seja prolongado além do rito.
  • Após a Comunhão- Sugere o Missal Romano:”Quando se terminou de distribuir a comunhão, o sacerdote e os fiéis… podem orar um instante em recolhimento… Também é possível que toda a assembleia cante um hino, um salmo ou algum outro canto de louvor”. É importante um breve momento de silêncio, do qual pode brotar um refrão orante, um canto breve, sereno, que ajude a interiorização, o clima de recolhimento e intimidade com o Senhor. É facultativo.

A Eucaristia é o sacramento da unidade: “Fazei isto em memória de mim!”

*Ir. Miria Kolling é Religiosa da Congregação do Imaculado Coração de Maria, compositora da música litúrgica e religiosa, musicista, pedagoga, gravou mais de 30 trabalhos em LPs e CDs, como também livros sobre canto e liturgia.

WhatsApp
Telegram
Facebook
X
LinkedIn

Leia Também