Quem chega a Porto Seguro (BA), além de se encantar com belezas naturais, com a riqueza histórica, cultural e religiosa, pode não saber que uma simples travessia de balsa é capaz de enfeitar uma viagem com descobertas incríveis.
Desembarcando no Distrito de Arraial D’Ajuda, a estrada que leva até a parte central do povoado revela em suas duas margens um verde deslumbrante que comunga com várias chácaras, pousadas e hotéis, a maioria de estilo rústico, que transmite uma sensação de aconchego, de um lugar no qual dá vontade de morar.
Uma pequena e pacata praça é um dos pontos mais procurados por turistas e romeiros de várias localidades, que se deslocam para conhecer o primeiro santuário mariano do Brasil, o Santuário de Nossa Senhora D’Ajuda.
Por lá é possível encontrar também artesanatos, lanchonetes e ambulantes que vendem fitinhas para serem amarradas ao fundo do Santuário.
As tais fitinhas servem para que se faça um pedido ou agradecimento a Santa e todas juntas formam uma espécie de mirante ou cerca com vista para o encontro do Rio Buranhém com o mar.
Erguido em 1549, o pequeno Santuário e toda a parte central do distrito são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). A igreja fica aberta o dia inteiro e repassa uma devoção trazida de Portugal ainda no século XVI.
Esta época do ano, mais especificamente no dia 15 de agosto, é comemorada a grande Festa de Nossa Senhora D’Ajuda, momento em que toda a comunidade local se reúne no Santuário com devotos de várias localidades do Brasil.
A dinâmica da festa é tão grande que em vários momentos chega até mesmo a causar congestionamento nos arredores das balsas que fazem a travessia dos carros e pedestres. Todos os anos a festa é iniciada com a novena e tem o ápice com a procissão e a missa solene no dia em que se comemora a devoção.
Desafios pastorais em uma comunidade diversa e em pleno crescimento
Os Missionários Redentoristas assumiram o Santuário em 1999, quando os frades capuchinhos repassaram a missão à Congregação do Santíssimo Redentor, que já tinha grande experiência no trabalho com Santuários em todo o Brasil.
Administrar o santuário é um grande desafio, pois no mesmo ambiente encontram-se comunidades indígenas, comunidades locais, romeiros de outras localidades do Brasil e novos moradores que se encantaram pelo lugar e passaram de turistas a habitantes.
Um pouco de história
No ano de 1549, na comitiva de Tomé de Sousa, chegaram às terras brasileiras os cinco primeiros jesuítas e ergueram a primeira capela dedicada à Nossa Senhora D’Ajuda, que deu origem ao primeiro santuário mariano do Brasil. Ao redor da capela surgiu um povoado.
Conta a história que o povo sofreu por falta de água potável. As constantes buscas por água sempre terminavam sem sucesso. Finalmente, as orações dirigidas à Mãe de Deus surtiram efeito. Atrás da capela, na encosta, brotou água de boa qualidade que até hoje nunca faltou.
Inicialmente a capela era muito simples, coberta com as folhas de palmeiras, com o altar móvel, o crucifixo e a imagem de Nossa Senhora trazidos do Portugal.
Em 1722 foi substituída pela atual igreja de pedra e cal, que apesar das diversas reformas, até hoje conserva o antigo altar com a histórica e milagrosa imagem de Nossa Senhora D’Ajuda.
O culto de Nossa Senhora D’Ajuda cresceu e o Santuário passou a receber inúmeros peregrinos, principalmente vindos a pé de Minas Gerais e da Bahia.
Os objetos da sala dos ex-votos são a melhor testemunha das inúmeras graças alcançadas. Os peregrinos e devotos vêm dos diversos estados do Brasil, prevalecendo os mineiros, os baianos e os capixabas.
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