Maria de Nazaré, o alimento e a fome

A comida é um direito fundamental do ser humano e uma bênção de Deus. Pedimos a Maria e a Jesus que eles nos ensinem a ouvir os clamores dos que não têm o necessário para comer.
Imagem RdA Fev23 Nos passos de Maria do artigo Maria de Nazaré, o alimento e a fome

Neste ano a Campanha da Fraternidade nos faz um apelo à conversão, para combater a fome e garantir alimentos de qualidade para todos.

E a gente se pergunta: como era a situação dos alimentos e da fome no tempo da família de Nazaré? A grande parte da população morava em cidades pequenas ou na roça. As famílias trocavam entre si o fruto de sua produção.

Devido à dominação romana, muita gente havia perdido sua terrinha e tinha que trabalhar nas colheitas para alimentar os soldados do império romano. Mas na Galileia havia ainda pequenos produtores que garantiam o alimento para si e os outros.

O alimento básico dos judeus era o pão assado e as lentilhas cozidas, e não o nosso “arroz com feijão”. Cada manhã Maria de Nazaré moía os grãos de cevada ou de trigo, misturava com um pouco de massa fermentada, sovava e assava o pão, que era usado em todas as refeições.

A comida é um direito fundamental do ser humano e uma bênção de Deus.

O forno a lenha ficava do lado de fora da casa, no pátio ao redor do qual havia algumas casas de parentes. Os judeus comiam muitos grãos, como lentilha, trigo e um pouco de feijão. Pertinho da casa havia uma pequena criação de ovelhas, que forneciam o leite. E, às vezes, um galinheiro.

O povo de Jesus plantava e colhia frutas da região, como figos, ameixas, uvas, algumas castanhas e tâmaras (produzidas por uma palmeira). No mar da Galileia havia pescadores que forneciam peixes, principalmente sardinhas. As oliveiras produziam azeitonas e delas se retirava o azeite, alimento precioso. As pessoas bebiam água, suco de uva e vinho.

O menino Jesus ajudava Maria a moer os grãos para o pão, a buscar água no poço e a tomar conta dos animais domésticos. Então, nas cidades pequenas não havia fome como existe hoje, pois o alimento era produzido no local e dividido entre as pessoas. Mas uma parte da produção era destinada ao templo (dízimo) e outra, aos romanos. Isso fez piorar a situação da população, especialmente a mais pobre. Quando havia uma seca prolongada, faltava a comida básica.

A fome atingia sobretudo os doentes, como cegos, aleijados e leprosos. Eles não tinham como contribuir na produção de alimentos. Eram marginalizados, pois a religião os considerava como amaldiçoados. Também passavam fome as viúvas e as crianças órfãos, pois não tinham família para cuidar deles. Esse grupo de pobres vivia das esmolas e da caridade dos outros.

No seu cântico (Magnificat), Maria glorifica a Deus, que “sacia de bens os famintos” (Lc 1,53). Ela antecipa a palavra de Jesus no sermão da Montanha: “Felizes vocês, que agora têm fome, pois serão saciados” (Lc 6,21). Jesus multiplica os pães, para mostrar a bondade de Deus para a multidão. Ele sinaliza que com a vinda do Reino de Deus os pobres e famintos têm o alimento necessário (Mc 6,34- 43). Jesus também se senta à mesa com os pobres e pecadores, num gesto de grande fraternidade.

Pedimos a Maria e a Jesus que eles nos ensinem a ouvir os clamores dos que não têm o necessário para comer. Que sintamos a dor deles como nossa. E realizemos gestos pessoais e comunitários para superar a fome. Amém!

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