Na desobediência a Deus e a Seus planos para nós, o pecado é, de fato, rejeitar a Ele mesmo
Na desobediência a Deus e a Seus planos para nós, o pecado é, de fato, rejeitar a Ele mesmo. É idolatrar-nos, pôr-nos em Seu lugar como seres absolutos a criar um mundo que nada tenha a ver com Ele, que nada Lhe deva. Mundo bem à imagem e tamanho de nós mesmos, de nossa arrogância, orgulho, ambições, instinto de dominação sobre os demais.
Todavia, séculos de autoidolatria humana não apagaram o sonho de Deus de, um dia, viver Sua paternidade para com a humanidade. Vendo-nos sempre e unicamente pelo filtro amoroso de Seu coração, não Se resignava com nossa loucura de rejeitar Sua vida divina.
Assim, em Davi sonha um novo Adão, iniciador dessa sonhada humanidade: “Eu serei para ele um Pai, e ele será para mim um filho” (2Sm 7,14a). Pai Ele jamais deixou de ser, mas nunca experimentara uma filial correspondência de nossa parte!
“Se ele fizer o mal, eu o castigarei com vara de homens e com açoites de filhos de homens, “mas minha misericórdia não se apartará dele” (2Sm 7,14b-15a). Se Davi ou nós, seus descendentes, errássemos, Ele nos corrigiria, mas não abriria mão de nós! Nada sufocaria Sua confiança-esperança em nós: “minha misericórdia não se apartará dele”!
O Pai não perdeu por esperar! Em Jesus, um davídico e plenamente humano, Ele pôde ver Seu sonho de paternidade humana não só se realizando, mas até consumado. Sim, é o que podemos colher de Seu pessoal e explícito testemunho: “Tu és meu Filho amado de quem eu me agrado” (Mc 1,11b).
Agrado a Lhe preencher o paterno coração já na pronta aceitação de Seu Eterno Filho, de ausentar-Se por um tempo, daquela plena e total felicidade trinitária, para encarnar-Se. Para assumir condições humanas, as precárias condições de criatura, Ele que com o Pai e o Espírito, era nada menos que Criador de tudo!
Filiação divino-humana que Ele vive, em plenitude, em todo o itinerário de Sua missão salvadora entre nós e por nós. Mas, fidelidade que Ele vai viver e oferecer ao Pai, mesmo quando nós Lhe armarmos o impasse fatal em que Lhe sobrará unicamente a alternativa: ou Sua vida física ou o Pai, mas Este ao preço da crucifixão!
Nesse mortal impasse, começa “a sentir medo e angústia” e vai buscar no Pai a força de viver a filiação. Chega a confidenciar: “minha alma está numa tristeza mortal”. O Pai era o recurso que Lhe sobrava, para Quem não Lhe faltava filial confiança. Sim, implorava: “Abbá! tudo vos é possível; afastai de mim este cálice!”.
Porém, aqui a grandeza e densidade de Sua confiança filial: até através da horrenda crucifixão, Ele preferia incondicionalmente o “sim” ao Pai, lançar-Se em Seu colo para o que desse e viesse! “Mas não aconteça como eu quero, mas como vós quereis!”
Recorria ao Pai, buscando força para Si. Mas, mesmo ali, Seu coração pulsava também pelos discípulos, que iam levar avante Sua mesma missão nas paralelas da mesma mortal hostilidade. Que recorressem ao mesmo Pai, lançassem-se no mesmo colo, buscassem a mesma fidelidade: “Vigiai e rezai para não cairdes em tentação. O espírito está disposto, mas a natureza é fraca”.
Tentação fundamentalmente de romper com o Pai, negar-Lhe a exclusiva primazia no coração, na vida e atitudes. Não lutar pela implantação de Seu Reino, ou até constituir-se em armas de injustiça a serviço do pecado, da maldade. Mas, com Jesus, implorar a fidelidade a Deus, se necessário, ao preço da própria vida.
- No Pai-Nosso, de qual tentação você pede ao Pai que livre você?
- Em sua experiência de fé, o que o Pai mais espera de você?