O caminho da sinodalidade, segundo o papa Francisco, é o que Deus espera para a Igreja no terceiro milênio
Por Celia Soares de Sousa – Cristã leiga, mestre em Teologia
É preciso que os cristãos sejam ousados e criativos na tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das comunidades, para passar de uma estrutura eclesial caduca para uma pastoral em estado permanente de missão.
A conversão pastoral da Igreja, proposta pela IV Conferência Episcopal de Santo Domingo, resgatada por Aparecida e assumida na Evangelli Gaudium como um caminho de renovação para toda a Igreja exige, além da conversão pessoal, outros aspectos da conversão, como a conversão pastoral e eclesial.
Comunicar a Palavra com clareza, com alegria, no compromisso com o Evangelho e com o reinado de Deus; acolher e saber escutar todas as pessoas que participam e as que chegam a nossas comunidades – saber escutar, dar vez e voz – especialmente a efetiva participação da mulher na Igreja, desenvolver a capacidade de comprometimento com a vida da comunidade eclesial e com os fatos sociais, sobretudo os que provocam dor e sofrimento às pessoas mais vulneráveis da sociedade, os pobres, são aspectos que devem ser assumidos por todos os cristãos leigos e leigas, religiosos/as, presbíteros e bispos.
O conceito de sinodalidade recorda o comprometimento e a participação de todo o povo de Deus na vida e na missão da Igreja, ou seja, retoma o conceito da eclesiologia do Povo de Deus e sublinha a comum dignidade e missão de todos os batizados no exercício dos seus carismas, das suas vocações, dos seus ministérios. Afasta o mal do clericalismo em toda a Igreja, visto que exige a comunhão e a participação.
O compromisso evangelizador não se limita à transmissão de doutrina. Para Francisco “cada ensinamento da doutrina deve situar-se na atitude evangelizadora que desperte a adesão do coração com a proximidade, o amor e o testemunho” (EG 42). O compromisso com o Evangelho de Jesus Cristo deve levar cada pessoa a sair dos comodismos e “ir” para as periferias humanas, geográficas e sociais. Uma Igreja “em saída” que corresponda aos quatro sonhos de Francisco na Querida Amazônia: um sonho social, um sonho cultural, um sonho ecológico e um sonho eclesial, certamente estão em profunda sintonia com a indispensável e crucial conversão pastoral para toda a Igreja.