O povo de Deus, desde seus primórdios, sempre ergueu espaços dedicados à oração e ao culto divino. Salomão construiu, em Jerusalém, o Templo (2Cr 2-5), mencionado no Antigo e no Novo Testamento.
Os cristãos se esmeraram na construção de espaços para o encontro dos fiéis, reunidos como Igreja “santa e imaculada” (Ef 5,27) em “um só coração e uma só alma” (At 4,32).
A partir do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, em 1717, foram construídos oratórios e capelas, locais de encontro com a misericórdia de Deus por meio das mãos de sua Santa Mãe. Na metade do século XIX, quando a cafeicultura impulsionou a riqueza do Vale do Paraíba, foi iniciada a construção de uma nova igreja – hoje chamada de Basílica Histórica – no alto do Morro dos Coqueiros.
Inicialmente, entre 1845 e 1864, foi edificada a fachada, dominada pelas duas torres que até hoje apontam os céus. Concluída a torre da esquerda, a obra do templo ficou parada por 14 anos, sendo retomada em janeiro de 1878 pelo Cônego Frei Joaquim do Monte Carmelo, religioso baiano que se mudou para Guaratinguetá após desentender-se com o então bispo de São Paulo, Dom Lino Deodato de Carvalho, e ter sido suspenso de ordens, ou seja, impedido de celebrar a Eucaristia.
Monte Carmelo empenhou-se tanto na construção do novo templo que chegou a viver na sacristia da igreja, a fim de fiscalizar mais de perto os serviços. Foi ele também que, em 1878, mandou vir da Itália o altar-mor, feito em mármore. Um ano depois, encomendou da Bahia seis imagens que até hoje adornam a Basílica.
Todos os fatos são atestados pelo Livro de Atas da Mesa Administrativa. O vigário da cidade de Bananal, padre Miguel Martins da Silva, chegou a dizer que “o sr. Cônego Joaquim do Monte Carmelo (…) já consumiu a sua fortuna e está resolvido até a consumir a própria existência” na edificação da igreja.
Tanta dedicação foi reconhecida. Em 24 de junho de 1888, finalmente o novo templo foi solenemente inaugurado. A primeira missa, às 06h, foi celebrada pelo próprio Frei Monte Carmelo, que foi reabilitado no uso de ordens sacras neste dia. Naquele local, onde até hoje milhares de peregrinos se encontram com a misericórdia de Deus, o próprio construtor foi o primeiro a encontrar a graça da reconciliação.
No mesmo dia, Dom Lino celebrou o solene pontifical de inauguração às 10h30. Foi ele que, quatro dias depois, recebeu o pedido da Mesa Administrativa para a aprovação do Cônego como capelão da nova igreja, e aprovou o pedido.
Ainda hoje, muitos são aqueles que, em Aparecida, encontram a graça da reconciliação na Basílica de Aparecida. No passado, nos confessionários da Basílica Histórica, que até hoje proclama a misericórdia de Deus, alcançada por primeiro – naquele local – pelo seu próprio construtor.