“A cruz proclama e cada ferida proclama que Jesus nos ama com um amor infinito”, escreveu Afonso
É elemento constitutivo e fundante da fé cristã o mistério pascal de Jesus Cristo, como nosso Salvador e Redentor, na sua integralidade. Mas aqui vale destacar uma dimensão muito importante disso e cara a Santo Afonso de Ligório que é a da paixão de Nosso Senhor. Ora, isso nos permite recordar que, sobretudo para nossos dias, não se pode negligenciar nem desprezar a realidade do sofrimento e da entrega da própria vida como expressão máxima de amor! Em Jesus isso ganha transparência total e densidade e realismo singulares! De modo que se torna impossível alcançar uma vida autenticamente cristã, sem experienciar e reverenciar essa faceta inevitável da vida humana e de fé!
É óbvio que o ápice da fé em Cristo está em experimentar da vida nova dada pelo Ressuscitado que continuamente nos faz vencer e superar os entraves e desafios cotidianos. Contudo, sem antes passar pela cruz e sem acolher a provação da dor e do sofrimento, dificilmente se consegue adquirir a profundidade e a maturidade da fé! Conforme nos recorda o apóstolo Paulo: “Estamos crucificados com Cristo…” (Gl 2,19). A solidariedade no amor e na dor, nos movem, na esperança, para a participação de uma consolação eterna! Essa associação nos conforma existencialmente com a vontade de Deus no concreto da vida!
Portanto, a exemplo de Santo Afonso, devemos cultivar uma atenção especial à contemplação desse mistério fundamental e marcante da nossa fé. Pois, na paixão de Jesus Cristo está o selo de autenticidade de amor e fidelidade ao Pai que confiou a missão salvífica ao Filho em favor de todas as criaturas humanas. Perseverar no amor que é provado e exigente, mas gerador de vida e de redenção, nos fará igualmente santificados e glorificados! Afinal, na paixão de Jesus Cristo se revela o amor salvífico de um Deus loucamente apaixonado pela humanidade! “A cruz proclama e cada ferida proclama que Jesus nos ama com um amor infinito”, escreveu Afonso. Sigamos, então, com confiança, o caminho da cruz, respondendo com amor oblativo ao amor que nos amou por primeiro, pois, por meio da paixão, chegaremos à salvação total.