Na Audiência Geral, o Santo Padre explicou que a ecologia integral nasce da conversão pascal e convocou os fiéis a cuidarem da criação
A Audiência Geral desta quarta-feira (19) trouxe uma reflexão do Papa Leão XIV sobre a espiritualidade pascal diante da crise ambiental. O Pontífice destacou que “a esperança cristã responde aos desafios que toda a humanidade enfrenta, fazendo uma pausa no jardim onde o Crucifixo foi colocado como semente, para ressurgir e dar muitos frutos.”
A espiritualidade pascal diante do mundo ferido
Dando continuidade ao ciclo de catequeses “Jesus Cristo, nossa esperança”, o Papa analisou o encontro de Maria Madalena com o Ressuscitado (Jo 20,11-18). A partir desse momento bíblico, ele recordou que ninguém enfrenta sozinho os dilemas da humanidade e ressaltou o valor da sensibilidade espiritual: “As lágrimas são um dom da vida quando purificam os nossos olhos e libertam o nosso olhar.”
Ao lembrar que o Evangelho situa o túmulo de Cristo em um jardim, o Papa associou o cenário ao desígnio original do ser humano de cultivar e proteger. Para Leão XIV, Maria Madalena não se enganou ao confundir Jesus com o jardineiro, pois é no Ressuscitado que vemos aquele que “faz novas todas as coisas” (Ap 21,5).
Ecologia integral nasce da Páscoa
O Papa retomou os ensinamentos da Laudato si’, que em 2025 completou 10 anos, para ressaltar que a crise ambiental exige uma mudança de mentalidade. Ele alertou para os limites das soluções superficiais e reforçou a necessidade de uma visão integrada. Em suas palavras:
“A cultura ecológica não se pode reduzir a respostas urgentes e parciais (…). Deve ser um olhar, uma política, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência.”
O Santo Padre também afirmou que a Páscoa ilumina esse caminho transformador:
“O paraíso não está perdido, mas sim encontrado. A morte e a ressurreição de Jesus, portanto, são o fundamento de uma espiritualidade de ecologia integral, fora da qual as palavras da fé permanecem sem contato com a realidade e as palavras da ciência permanecem fora do coração.”
Conversão que transforma a história
Inspirado no testemunho de Maria Madalena, o Papa explicou que o cuidado da criação exige conversão contínua: “Só através de sucessivas conversões é que passamos deste vale de lágrimas para a nova Jerusalém.”
Essa mudança interior tem impacto social, como enfatizou Leão XIV:
“Essa transição, que começa no coração e é espiritual, muda a história, compromete-nos publicamente e ativa a solidariedade que, a partir de agora, protege as pessoas e as criaturas da ganância dos lobos, em nome e com a força do Cordeiro Pastor.”
O Papa manifestou apreço pelos jovens, adultos e famílias que já escutam o clamor da terra e dos pobres. Ele recordou o salmo que anuncia a glória de Deus refletida nos céus e pediu abertura interior para ouvir esse chamado:
“Que o Espírito nos conceda a capacidade de ouvir a voz dos que não têm voz. Então veremos o que os nossos olhos ainda não conseguem ver: aquele jardim, ou Paraíso, que só podemos alcançar acolhendo e cumprindo as nossas próprias tarefas.”
Por fim, Leão XIV se dirigiu especialmente aos peregrinos brasileiros alertando que “se não formos guardiães do jardim da criação, acabaremos por nos tornar seus destruidores. Invoquemos o Espírito para que nos ajude a cuidar, com a mesma fé, da nossa casa comum e do nosso coração“.
Sua fala diz respeito a uma semana decisiva de negociações da COP30, a principal conferência global sobre mudanças climáticas, de onde também estão sendo geradas boas notícias.
A mais recente foi o anúncio do crescimento substancial do número de apoiadores para a criação de um mapa do caminho global para a eliminação gradual dos combustíveis fósseis – petróleo, carvão e gás natural -, um dos assuntos mais difíceis da COP30. O Brasil, como país anfitrião, defende uma ação imediata para sair dessa dependência, acelerando a transição energética justa.
Fonte: Vatican News